Untitled

O GA(RO)TO DE B(R)OTAS
Adaptação moderna do conto de Charles Perrault
Imagem Google


Nestes bons tempos de hoje, um político, que tinha três filhos, repartindo à hora da morte, os seus bens que valiam milhões; deu ao primogênito uma enorme fazenda, tratores, outros equipamentos e mais de mil cabeças de gado.
Ao segundo um belo apartamento a beira-mar, todo mobiliado, pronto para morar e alguns milhões para gastar.
Ao terceiro, por ser bastardo, deixou apenas um jovem que era um gato. Todas as meninas queriam se casar com ele.
O último herdeiro ficou muito descontente com a herança, mas o empregado lhe disse:
—  Meu querido patrão, compra-me um par de botas, uma moto e uma viola e, em breve, te provarei que sou de mais utilidade que uma fazenda ou um apartamento.
Assim aquele terceiro filho fez: comprou a moto, um par de botas e uma bela viola.
O jovem calçou as botas, montou na moto, jogou a viola às costas e foi dar umas voltas pelo povoado.
Ficou sabendo de um rodeio nas redondezas, partiu para o local. Como sabia cantar música sertaneja foi até lá e fez inscrição para montar e participar do show.
Isto tudo para ele, que vivia no campo, era coisa fácil. Sempre cantava com os amigos e montava os piores animais, na fazenda do velho patrão político.
Deu sorte que não caiu do cavalo naquela noite e conseguiu o primeiro lugar na montaria, recebendo uma camionete e um belo cinturão com fivela de ouro.
Como era esperto notou que o Governador estava presente com a sua filha Margarida. Ofereceu cinturão para a moça e disse-lhe que era oferta de seu rico patrão Senador Carajás.
No segundo dia, cantou música sertaneja de sua autoria e conseguiu vencer o concurso, recebendo R$500 mil reais e uma miniatura de viola em ouro.
Olhou no mais chique camarote e lá estava a filha do Governador. Desceu do palanque e entregou o prêmio para aquela linda mulher, dizendo que era uma cortesia do Senador Carajás, proprietário de uma mina de ouro no Norte do País.
No último dia cantou uma música sua e ofereceu a  filha do Governador, dizendo que era de autoria do Senador Carajás.
O Governador, já muito interessado, queria conhecer aquele Senador Carajás. Preparou a comitiva, mas o rapaz de botas, na sua moto, saiu na frente e quando viu uns cortadores de canas num extenso canavial e uma grande usina de álcool, disse para os pobres empregados:
—  Olha aqui, tenho notas de R$50,00 para distribuir para todos, mas quando o Governador passar e perguntar de quem são estas terras deverão dizer que são do Senador Carajás.
Como eles nem sabiam mesmo quem era dono daquilo tudo, ficaram muito agradecidos e quando o Governador passou e perguntou:
—  De quem são estas terras e esta usina de álcool?
— Do Senador Carajás. ­ —  todos os empregados responderam.
E assim o nobre rapaz foi à frente do Governador, com a sua moto e em todo lugar importante que passava fazia o mesmo.
Quando chegou ao seu povoado alugou o melhor restaurante e para lá convidou o Governador e o fictício Senador Carajás, que trajava um terno de casimira inglesa, alugado, que muito agradou a filha do Governador.
Como os dois jovens estavam sempre olhando um para o outro, o Governador muito interessado nas riquezas do Senador, foi logo dizendo:
— Meu jovem, como notei que estão gostando um do outro, porque não se casam?
Aquilo foi como um tiro de canhão! Aquele humilde rapaz não esperava por esta. Mas o seu empregado estava por ali para ajudar, cantou uma canção romântica que tocou mais ainda o coração de Margarida.
Por fim, casaram-se e foram muito felizes… com ajuda do Ga(ro)to de B(r)otas.
Manoel Amaral

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