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OSVANDIR E O VENDEDOR DE ADUBOS

A terra se esgota para te alimentar, mas adubada, se refaz.” (Lucrécio)

O velhinho, de repente, resolveu vender adubo. Comprou uma carreta cheia e mandou descarregar no seu quintal, num velho galpão.

Todos fazendeiros da região ficaram sabendo da história do adubo, o preço era baixo e a qualidade muito boa.

Alguns até acharam engraçado a idéia do Senhor Antônio; vender adubo, que coisa mais estranha.

Não passou nenhum mês e lá estava o inusitado vendedor de adubo novamente com mais uma carreta na porta, para descarregar. As vendas estavam indo de vento em popa!

Senhor Antônio estava bem feliz, o povo estava comprando só ali. Sua esposa falecera há alguns meses antes dele instalar o depósito de adubo.

Uma jovenzinha de uns 18 anos, olhos verdes claros, cabelos louros, um pouco encaracolados, estava trabalhando na lida da casa, sem nenhum comprometimento amoroso com o patrão, que era muito respeitoso.

Alguns meses se passaram e tudo ia tranqüilo, quando o velho vendedor de adubo sofreu um ataque cardíaco e faleceu.

Belinha, a empregada, ficou sem saber o que fazer. Chamou o vizinho que tomou as providências funerárias. Foi um enterro com muitas pessoas, o maior que já viram na localidade.

Até arranjar outro emprego, ela ficou ali naquela casa. No dia seguinte foi ao porão pegar alguns produtos de limpeza e assustou-se com aquela grande máquina, aí lembrou do barulho que ouvia diariamente.

Um advogado apareceu na casa pedindo informações para o inventário, mas Belinha não ajudou muito, apenas mostrou os documentos.

Osvandir, passando por aquela cidade, tomou conhecimento da história do velhinho, vendedor de adubos.

Nesse meio tempo a empregada recebeu a notícia que havia um depósito de três milhões de reais, em seu nome, no banco da cidade. Como não tinha a menor idéia da quantia, perguntou para o professor Marcos, que lecionava matemática no colégio, se aquele valor dava para comprar uma casinha, ele respondeu que dava para comprar uma rua inteira do bairro.

Belinha não resistiu a grande emoção e também faleceu.

Osvandir ficou desconfiado que o adubo estava servindo para ocultar alguma coisa. Fez logo um levantamento na casa inteira. Começou pela parte superior da casa, não encontrou nada de importância. Desceu para o porão e viu a máquina que a empregada havia mencionado. Alguns sacos de adubos abertos, uns dez fechados e três tambores de metal com capacidade para cem litros cada.

A máquina era um triturador. Os tambores estavam queimados na parte interna. Os sacos de adubo abertos, continham apenas a metade, parece que esperavam alguma mistura.

Na manhã seguinte um fazendeiro, cliente do Senhor Antônio, chegou na casa procurando o Osvandir. Encontrara um pedaço de nota de cem reais, lá na sua roça de feijão, na beira do rio, na sua Fazenda do Morro Redondo.

Declarara ainda que o adubo de “seu” Antônio era de uma cor esverdeada, diferente dos demais.

Mediante tais informações Osvandir verificou melhor o triturador e os tambores. Encontrou pequenos pedaços de papéis verdes, quem ampliados, pareciam ser dinheiro.

Procurou a Caixa Econômica da cidade e confirmou: era mesmo dinheiro e a maioria de notas de cem reais. Descobriu mais um fato novo ao conversar com o gerente. O Senhor Antônio era um dos ganhadores do grande prêmio da mega-sena, mas ninguém na cidade sabia disso.

Consultando os extratos das contas, tomaram conhecimento que ele vinha fazendo saques semanalmente e no dia em que faleceu a conta estava zerada.

O único valor que restara seria o da conta da empregada Belinha. Fizeram a consulta, através de seu advogado, tiveram uma grande surpresa. No dia de seu falecimento o dinheiro de sua conta, desaparecera misteriosamente. Contam na cidade que foi obra de um hacker.

Finalmente Osvandir descobriu o segredo do Vendedor de Adubo. Ele estava triturando todo o dinheiro que ganhara na loteria e misturando ao adubo que vendia. Uma nova maneira de gastar dinheiro!

Manoel

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