OSVANDIR EM
VENEZA

Veneza+II


Capítulo II

NOVA ORDEM
MUNDIAL

“Uma nova ordem mundial vai emergir da atual crise
econômica.”

Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown

Ainda na ala de desembarque do aeroporto de Roma, Osvandir ficou
sabendo que alguns voos, inclusive o seu com destino a Veneza, estavam
atrasados. A ideia era de Roma seguir em um táxi-aéreo até o aeroporto de
Treviso, que fica situado a 30
km
da cidade de Veneza.
Uma vez em Treviso, pegaria um trem, idéia do próprio
Osvandir, um romântico por natureza, cujas as partidas são em Paris e
acontecem todos os dias as 20h30, na Gare de Bercy, uma estação ao sul da
Catedral de Notre Dame e que, excepcionalmente nesta semana, faria parada
em Treviso antes de finalmente chegar até Veneza.
Depois de muitas horas de leitura dos jornais, regadas ao
legítimo capuccino e se interando das últimas notícias do terremoto que assolou
a cidade de Áquila, no norte da Itália, finalmente Osvandir embarcou no
táxi-aéreo, especialmente fretado para ele, com destino a Treviso.
Cansado da viagem, mas feliz por estar novamente na Veneza das
antigas histórias, Veneza das ruelas, das pontes sobre os canais,
Veneza da “escada louca” ou “escada turca”, onde os personagens
da comunidade armeno-judáico-egípcia se reuniam a beira do poço de hera,
no “pátio secreto”, ou do “arcano”. Conta a lenda, que para
lá entrar era preciso abrir sete portas, e cada uma delas tinha gravado o nome
de um shed, demônio da casta dos Shedim criada por Adão quando foi separado de
Eva, após o seu ato de “desobediência”.
Ainda nesse estado, meio sonhando acordado, Osvandir voltou
rapidamente à lucidez, em um insight, lhe veio a mente o nome Aurélia, só
podia ser isso, o nome da proprietária da coleção de livros raros era uma
alusão a outra Aurélia, a borboleta, a guardiã da sabedoria gnóstica, que
oferecia seu saber a cada um que o desejasse em milhares de reflexos coloridos.
Osvandir pegou o celular e ligou para o seu amigo Sandi, o jovem
médico que estava sendo perseguido, dia e noite, por um mercenário na tentativa
de silenciar qualquer informação a respeito da estranha doença que vinha
atacando os monges do monte Etna. A ligação estava muito ruim, mas Osvandir
conseguiu que o amigo, que era nascido na cidade de Toledo, Espanha, se
lembrasse das maravilhosas histórias que os mais velhos contavam em sua
infância, em uma delas estava a chave que explicava a loucura dos monges.
Agora mais tranquilo, Osvandir resolveu aproveitar e tomar um
banho na banheira relaxante do hotel. Pediu uma garrafa de vinho e em sua
mente, como em um filme antigo, surgia as palavras proféticas: na vida dos
homens que querem saber há sempre as sete portas secretas. Osvandir sabia que a
manhã seguinte seria de muito trabalho e aproveitou o bom vinho em seu banho
regado a sais e água morna.
Logo ao alvorecer procurou uma R.:L.:Hermes, ou como são mais
comumente chamadas, loja maçônica, precisava obter mais informações da lendária
Guarda Negra que há séculos pertence à Maçonaria e que anteriormente pertencia
a uma ordem monástica militar, a dos Templários.
Começava aí a explicação que o seu perseguido amigo Sandi tanto
procurava.

Jose Ildefonso

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