A GRIPE ESPANHOLA

A GRIPE ESPANHOLA
“Não hay medicina para el miedo”
Provérbio Escocês
Logo depois da 1ª. guerra mundial, já na década de vinte, a gripe espanhola matou muita gente.
Em S. Gonçalo Velho, distrito de Pará de Minas a gripe ou peste, como era conhecida, assolou a região. O cemitério não comportava tantas covas.
Nos Povoados de Braúna, Campo Alegre, Prata, Quilombo, Venâncios, Moinhos e Curral, em toda a zona rural, em geral, os velhos e as crianças eram os primeiros a tombarem.
Muitos se salvaram como foi o caso do Senhor Marciano, pai do Senhor Matozinho Silva, lá do Povoado de Braúnas.
Numa manhã de junho ele amanheceu tossindo e com febre alta, ficou uma semana doente, cada dia piorando mais. Não saiu da cama. Dizia que tinha fogo por dentro. Os intestinos ardiam, queimava o estômago. Não conseguia nem fumar.
Os sintomas eram muito parecidos com a gripe comum: febre alta, cansaço, dores musculares, tosse, fadiga, surgiram pessoas com vômitos e diarréias.
Só uma água geladinha que vinha da grota, era aceita pelo corpo.
A dor de cabeça aumentava, ficava latejando. As juntas doendo e fogo por dentro.
O médico receitou alguns remédios e os chás caseiros também, nada adiantou, o seu corpo só debilitando.
Naquela manhã, depois de várias noites em claro, tomou uma decisão.
_ “Mulher, prepare uma cuia cheia de sal amargo com água da grota”
A mulher lá foi buscar a água, desceu com dificuldade as trilhas da fazenda encheu a cabaça e subiu o morro. Em casa procurou a cuia, pegou o vidro de sal amargo, tirou umas quatro colheres pôs junto da água.
Senhor Marciano bebeu aquela “coisa ruim”, que desceu a garganta abaixo como bombeiro apagando o fogo. Foi “tiro e queda” no outro dia o homem estava de pé na cozinha, as 5 horas, querendo o café da manhã.
Sua esposa fez logo um cafezinho, trouxe o queijo e biscoitos. O homem devorou tudo, depois daquelas férias do estômago…
As dez horas já queria o almoço. Um franguinho caipira foi abatido, o angu e o quiabo já estavam à mesa.
_ “Meu pai comeu até não poder mais, não teve mais nada, viveu o resto de seus dias sem nenhuma doença grave”, afirmou o nosso amigo Matozinho.
MANOEL AMARAL

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