ROBIN FOOD E ZORRA

“Resolvemos matar dois coelhos com uma facada só.”
Tataravô do Osvandir

Foi num tempo não tão perto e nem tão longe, existiu um homem que era muito rápido em conseguir comida para todos, foi chamado de Robin Food.

Quando o povo estava tendo dificuldade em qualquer coisa, procurava-o e ele sempre ali à disposição da população pobre.
Seus amigos João Grandão e Frei Duck estavam preparados para o que desse e viesse. Um pequeno assalto a um fazendeiro ricaço, um desvio de verbas, tudo gerava renda para Robin ajudar o povo.
Acontece que um Presidente muito mau, aumentou os impostos, diminuiu o poder de ganho dos operários, não pagou a dívida externa, privatizou as grandes empresas e deu o “cano” em todo mundo e ainda queria ser conhecido como o “Homem do Século”.
Tinha bilhões de dólares e barras de ouro, depositados nos Bancos da Suíça. O povo era pobre, mas ele muito rico, bilionário. Segundo a Revista Tobs, estava em 5º lugar entre as pessoas mais ricas da terra.
Ele mesmo mandava assaltar os bancos, as grandes empresas, as cargas valiosas e jogava culpa em outras pessoas.
Foi aí que Robin Food chegou ao seu refúgio, uma floresta de eucaliptos e pinheiros, de propriedade de uma grande indústria de papel, ia preparar uma ação para derrubada do político corrupto. Porém um contratempo surgiu, o malvado Presidente atacou primeiro e prendeu alguns de seus companheiros.
Mas guerreiros é que não faltavam, armas também não. Muitos arcos modernos, verdadeiras maravilhas da técnica e eletrônica estavam à sua disposição. Sem falar no canhão portátil, que derrubava até aviões.
João Grandão veio aflito informando para o chefe que o maldito Político havia raptado a namorada do nosso herói, a querida e amada Zorra.
― Só poderia ser aquele bandido, que nem foi eleito por nosso povo e com mais de trinta anos no poder. Vamos convocar todos, através da internet. Avise o pessoal da WikiLeaks e mande convocar a todos para derrubar este crápula do poder. ― disse exaltado Robin Food.
― Pode deixar mestre, vou avisar a todos que tem computador para enviar a mensagem da reunião na Praça das Flores.
Minha amada não pode ficar nas mãos deste bandido cruel. Ele mandará apedrejá-la no meio de uma rua qualquer da capital.
Zorra, vinha de uma família pobre, tinha um cavalo branco, o prodigioso chicote, e com sua espada fazia sempre um “S”, em suas vítimas. Ninguém entendia a razão daquilo. Era astuta, travessa e gostava de andar mascarada.
Robin a encontrou num Estado próximo, quando de suas andanças em busca de alimentos para o seu povo.
Todos convocados, lutas corporais, os tanques nas ruas, tiros de fuzil (diziam que eram balas de borracha, mas eles causavam um estrago), muita gente ferida.
Robin subiu num pequeno prédio e agitou a sua bandeira, o povo gritou:
― Viva o nosso herói! Viva o nosso herói! Morra este bandido!
A mocinha Zorra estava amarrada a um poste, lá no meio da praça central e ia mesmo ser apedrejada por partidários do Presidente.
Frei Duck rastejou por entre paus e pedras e conseguiu desamarrá-la sem que ninguém visse. Cobriu-a com um manto vermelho e saiu em disparada para o lado oposto da fileira de soldados.
Com seu possante binóculo Robin viu que a sua amada estava salva, aí então deu sinal para que o povo tomasse o palácio.
Os soldados não resistiram, já estavam mesmo do lado do povo.
Alguém gritou no meio da multidão:
― Quem vota em Robin Food para Presidente, levanta a mão!
Todos levantaram as mãos e assim ele foi eleito democraticamente.
Esta é a verdadeira história de Robin Food, um dos maiores heróis do nosso tempo!
Manoel Amaral

A GATINHA CIND

A GATINHA CINDERELA


“Gatinha não gosta de sujeira, gosta é de ficar bem bonitinha.”
Tataravô de Osvandir

Ela perdeu a mãe muito cedo e seu pai, ainda jovem, resolveu se casar novamente. Ali naquela cidade do interior, quando acontecia isso era uma falação danada. Diziam que o sujeito estava doido, era mais velho dez anos que a mocinha casadoira. Ele não deu atenção às beatas, casou-se e estava quase feliz se não fosse a sua linda filha do primeiro casamento, a Cind.
Ela andava meio amuada, a sua madrasta era muito má e a colocava para lavar roupa naquela máquina velha e estragada. Limpava o chão da casa, dos três banheiros e ainda tinha que fazer o almoço todo dia. Era um trabalho muito pesado para a pobre menina.
Seu pai, como todo homem, era meio distraído e nem notou que a sua mulher estava maltratando a sua adorada filhinha.
Numa festa, uma balada, foi que reparou que ela queria falar-lhe alguma coisa:
– O que foi filhinha? Anda tão tristinha!
– Pai, é que hoje tem uma balada lá no SOM BALA e a sua adorada esposa não quer deixar-me ir, mesmo depois de tudo que tenho feito aqui em casa e ainda estudar à noite.
– Vou conversar com ela e vai ver, tudo vai dar certo, pode deixar…
– Só quero ver Papi!
O dia custou a passar para aquela menininha de cabelos louros anelados e nariz arrebitadinho. As sardas de seu rosto já estavam indo embora, já ia completar 15 anos e podia até tirar aquele horroroso aparelho dentário de metal. Era uma menina aplicada, tirava boas notas na escola, a famosa “Gral”, a melhor da região, onde só estudava crianças inteligentes e de boas famílias. A madrasta queria colocá-la numa escola pública, mas o pai foi incisivo:
– A Cind tem que estudar na melhor escola da região.
E assim foi. Lá estudavam e também arranjavam os namoradinhos. As duas filhas da madrasta também estudavam lá. Era duas meninas odiadas por todos. Muito exibidas e andavam com roupas de grife e acessórios caríssimos. Para a Cind sobrava apenas alguns brinquinhos de biju. Mas o celular ela tinha e fazia questão; devia estar sempre com bateria e créditos, para conversar com o pai.
Mas como roupa não melhora a imagem de ninguém, ela brilhava com aquele shortinho azul e a camisa branca da escola, sem nenhuma afetação.
A hora da balada chegou. As outras filhas estavam todas apavonadas e ela com toda simplicidade. Na hora da partida pensou que poderia ir, que seu pai teria conversado com a Madrasta Madalena, mas qual o que, o “velho”, como carinhosamente ela o chamava, nem lembrou do assunto.
– Você não vai bruxinha! Pode passar a mão na vassoura e no rodo e vá limpar os banheiros porque amanhã teremos visitas importantes.
– Mas “Madá”! (ela chamava carinhosamente a Madrasta assim.)
– Nada de ma, me, mi e coisa nenhuma. Vá fazer o que lhe mandei e não saia à rua sozinha que é muito perigoso! Tem muito maconheiro por aí.
– É Cind, você pensou que iria encontrar com aquele rapaz? Nós é que iremos vê-lo. Adeusinho querida e bom trabalho sujo para você!
As duas meninas eram mesmo implicantes. Enchiam o saco da todo mundo e ainda se julgavam as mais belas da cidade.
Mas como tudo pode acontecer, Cind recebeu um telefonema de seu primo Jonas que estava na cidade e queria conhecer o Clube.
Eles combinaram o horário e logo depois estavam os dois lá no meio da balada. Havia gente de todo tipo, era um verdadeiro zoológico.
A promotora da festa conseguiu uma mansão, com enormes escadarias, onde os jovens subiam e desciam a todo momento. Luzes de laser por todo lado e o som a toda altura. Alguns vizinhos já começavam a reclamar.
A velha e má Madrasta disse que voltaria para casa a meia-noite, o que significaria que voltaria lá pelas três da madrugada. O tempo passava, até que numa saída do banheiro feminino, Cind conheceu um belo rapaz com cara de príncipe de filme. Conversa vai, conversa vem, ficou sabendo que era de outra cidade, de outro estado, bem longe dali.
Ele foi logo ficando gamadão pela linda menina de cabelos cacheados. O seu carrão, todo colorido e rodas cromadas de magnésio indicava que era filho de algum rico empresário. Mas Cind nem ligava para dinheiro, ela queria é ser feliz.
O relógio só tiquetaqueando, o tempo passando, quando ela olhou para o seu celular de cristal (um plástico fabricado na China, mas muito vistoso), foi que notou que já aproximava das três da matina.
Ela não teve como ficar mais tempo por ali, teria que ir embora, procurou o seu primo, este desaparecera no meio do salão. Chamou um táxi, o moço disse que a levaria onde quisesse, ela não quis.
Ao sair apressada, deixou escapar o celular, que caiu bem no meio da escadaria da mansão.
O rapaz viu qualquer coisa brilhar e foi lá apanhar, era o aparelho da linda menina. Ele pensou: “depois eu a procuro para devolvê-lo e aproveitar para bater um papo.” E foi o que aconteceu.
Como ele era esperto, olhou e notou que havia um GPS no aparelho, com mapas das ruas da cidade. Foi só instalá-lo no carro e seguir as direções indicadas.
Bateu na porta da casa da Cind. A velha foi quem atendeu.
– Sim?!
– Desejaria conversar com a dona deste celular…
– Deve ser de uma das minhas filhas, vou chamá-las.
Ela sumiu lá para dentro da grande casa e nesse meio tempo Cind veio atender à porta, pois ouvira o sinal da campainha. Ao ver o rapaz, assustou-se, pois estava com uma roupinha caseira, bem simples: uma camiseta de malha azul e um shortinho branco.
– Vim trazer o seu celular, acompanhei pelo GPS por isso encontrei muito rápido a sua casa.
– Mas que coisa, hein?! Vamos entrar, vou mandar alguém preparar alguma coisinha para a gente comer.
Foi aí que ela lembrou que quem preparava a mesa naquela casa era ela. Voltou e disse que daí a pouco viria um cafezinho, um “refri” ou um suco de açaí, acompanhado de gostosas bolachas recheadas.
Conversa vai, conversa vem e o papo estava muito agradável, ele contou tudo para ela. Quem era o seu pai, um rico empresário do ramo de tecidos lá do sul. Ela só caladinha ouvindo tudo.
Nesse meio tempo apareceu na sala uma das filhas da “Madá” e foi logo dizendo:
– Este celular é meu, meu príncipe.
Aí a confusão se formou; a outra filha mais velha também apareceu; a mãe, muito sem educação, queria por todos meios pegar o celular, mas o rapaz não deixou, entregou-o para a verdadeira dona, a Cind.
Quando a discussão estava feia apareceu o pai e quis saber o que se passava, quando a adorada filha contou tudo! Só assim que ele percebeu o quanto sua filhinha querida era maltratada por aquela mulher. Pediu o divórcio.
Meses depois o rapaz ligou que viria e veio, pediu-a em casamento.
Namoraram, casaram e tiveram muitos filhos.
MANOEL AMARAL

Untitled

Homenagem ao Osvandir
Osvandir sempre entra em alguma aventura…
Repleta de emoção, diversão e loucura!
Ele encontra sempre uma lenda urbana…
Em cada esquina ou numa solitária cabana!
Ele conheceu o País das Maravilhas…
E virou fantasma em Brasília!
Ele não tem medo de navalha…
Só do palhaço chamado Palha,
Que foi muito bem eleito…
Mesmo sendo analfabeto funcional…
Lembrando de um jeito perfeito…
O Sassá Mutema da novela Global!
Osvandir já foi fantasiado de mosquito…
Num badalado e popular carnaval…
Mas pegou dengue de um modo aflito…
De um jeito nada original!
Osvandir também teve seu momento de ternura…
Quando ele se apaixonou com candura…
E de um jeito nada altivo…
Pela moça do coletivo…
Sem saber que ela surda-muda…
Mesmo assim o amor não perdeu a luta!
Osvandir sempre entra em alguma aventura…
Repleta de emoção, diversão e loucura!
Ele encontra sempre uma lenda urbana…
Em cada esquina ou numa solitária cabana.
Luciana do Rocio Mallon

OSVANDIR, O ESPIÃO QUE ABALOU A RÚSSIA

Capítulo II
OSVANDIR, UM ESPIÃO

Ele foi preso e, acusado de ser um agente da CIA, a serviço de inteligência dos EUA.
“Osvandir foi acusado, pela Promotoria, de se passar por cidadão russo para, sob as ordens dos serviços de inteligência americano, se infiltrar em círculos políticos influentes da Rússia e coletar informações. Após as confissões no tribunal de Moscou, o juiz responsável pelo caso descartou as outras acusações que pesavam contra o suspeito – entre elas a de microfilmar importantes pesquisas sobre ufologia – e ordenou a sua deportação imediata do país, o que seria fruto de um acordo em troca das confissões..”

Se todas aquelas acusações se confirmassem ele seria enviado para a Sibéria, para trabalhos forçados, num local com temperatura maior que -25º (vinte e cinco graus abaixo de zero!). Logo ele que não estava suportando nem 20º, acostumado que estava com sol o ano inteiro em sua terra natal.

O Governo Americano mandou um avião com alguns espiões, a Rússia fez o mesmo. Pousaram num campo secretO e a impressa não teve acesso. Tentaram fotografar, mas não foi possível. Tudo fora projetado para que a integridade física do espiões fosse mantida.

Osvandir que mal conhecera a Rússia foi deportado para o EUA.
No avião, abriu sorrateiramente o seu note book e viu no seu jornal eletrônico preferido a seguinte manchete:

EUA e Rússia realizam maior troca de espiões pós-Guerra Fria

“Os órfãos da Guerra Fria voltaram a suspirar esta semana com a prisão em Nova York da jovem espiã russa Anna Chapman, acusada de usar seus encantos de mulher fatal, e ainda por cima ruiva, para seduzir funcionários do governo e empresários americanos. Buscava, diz a Polícia Federal dos EUA, “segredos íntimos” para o Kremlim.”
Outro texto vinha da Rússia:

“Um avião trouxe quatro espiões condenados na Rússia e que receberam um perdão do presidente, Dimitri Medvedev.”

Assim, nesta confusão de contra-informação Osvandir estava metido até o pescoço. A Rússia o acusava de espião, os EUA nem desconfiava que ele era brasileiro.
Quando puseram os pés em New York foi que o FBI descobriu um estranho entre os espiões. Interrogado e jogado numa cela fria por dois dias, depois foi levado para a prisão de Guantânamo, Base Naval dos EUA em Cuba, acusado de terrorista.

Por ali ficou até que o Consulado Brasileiro tomou conhecimento e providenciou documentação para a sua soltura.

Quando as autoridades americanas souberam que ele era “ufólogo brasileiro”, todos caíram na gargalhada.

Liberado e deportado com forte esquema de segurança. Partiu de Cuba num dia chuvoso e veio parar no aeroporto de São Paulo. De lá conseguiu ligar para um amigo que o trouxe até a sua terra.

Depois de passado o susto, ficou imaginando o que seria dele se fosse para a Sibéria, morreria dentro de poucos dias com os trabalhos forçados e o frio, logo ele que não passou nenhuma noite com a linda espiã ruiva Anna Chapman.

Manoel Amaral

Leia o Capítulo I e II

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/07/osvandir-o-espiao-que-abalou-russia.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/07/osvandir-o-espiao-que-abalou-russia_13.html