AÇAÍ OU ASSAÍ?

AÇAÍ OU ASSAÍ?

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Osvandir vem notando que as lanchonetes onde vendem açaí e outros sucos de frutas vêm prosperando muito na cidade.

Outro dia encontrou uma lanchonete com frutos do cerrado, o sucesso foi tanto que alterou o título para frutos do Brasil e está vendendo franquia para todos estados.

Já a minha neta diz que para ovelha montar um negócio é muito fácil, basta tirar a lã,  colocar nas paredes e está pronta a Lã House.

Mas comércio por aqui (e acredito que em todo o país) é assim: montam um bem pequeno e daí uns três meses, não aguentando o aluguel, contador, energia, telefone, empregados; já fechou as portas. Comércio tem que ter estratégia, observar e pesquisar o local, a data abertura também influencia. 

É preciso estudar os produtos, as despesas, os lucros e o capital de giro.
Se montar uma loja em Shopping ainda tem as altíssimas despesas de condomínio.

Nunca faça como o Joãozinho da D. Mariazinha: achou que estava na hora de trabalhar por conta própria e lá se foi. Alugou uma loja bem no centro, nem perguntou o preço. Comprou um grande estoque de roupas e ficou aguardando os clientes.

No fim do mês achou que as vendas estavam indo bem, foi até a uma agência de carros e levou um dos mais caros.

No terceiro mês as vendas não foram lá grandes coisas e o pobre do Joãozinho que já era pobre, ficou mais pobre ainda: teve que devolver o veículo.

Quanto as lanchonetes são de sucos, alimentos rápidos, cafezinho e outras bebidas. Por aqui tem gente especializada em empadas e distribui por toda a cidade.

É o tipo de comércio que também naufraga com muita facilidade. Tudo depende do ponto e da paciência do dono, já dizia um velho comerciante.
Mas vi a placa e achei engraçado: Venha saborear o nosso assaí. Até o programa do Word assustou-se e grifou a palavra de vermelho.

A palavra açaí se escreve mesmo com “ç”. A outra só se for o caso de um churrasquinho e então o sujeito diz: — Assa aí um churrasco de coração de frango, que eu adoro.

Vamos ficar por aqui. Amanhã tem mais.

Manoel Amaral

OSVANDIR E A BOLSA DOURADA

OSVANDIR E A BOLSA DOURADA
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Osvandir vinha descendo a rua principal de sua cidade quando vislumbrou alguma coisa, próxima de uma árvore, no canteiro da praça.

Parou, olhou e pensou: por que estaria, uma bolsa tão bonita, abandonada ali naquele local?

Apanhou-a, verificou, não estava com documentos, parecia vazia. Mas quando Osvandir começou a examiná-la, notou num bolso um pequeno papel com um número de telefone e escrito em cima Márcia.

Examinando melhor achou num fundo falso qualquer coisa tipo papel.

Com a ajuda de um canivete conseguiu cortar a costura e uma surpresa: quatrocentos reais em notas novas de cem.

Pensou até tratar-se de dinheiro antigo, mas não, era o real mesmo. Seriam notas falsas? Também não eram.

Preocupado com aquilo tudo resolveu telefonar para Márcia cujo número de telefone estava num pedaço de papel num dos bolsos.

Ligou, ela informou que não tinha perdido bolsa nenhuma, mas pelas características parecia ser uma bolsa que sua amiga Michelle havia perdido esta semana. Prontamente informou um número de telefone dela.

Osvandir estava mesmo disposto a resolver o problema ligou para o novo número e uma voz fina, parecendo de criança,  surgiu do outro lado:

— Procurando quem?
— Michelle, desejo falar com ela – disse Osvandir.
— Vou chamá-la.
— Alô, quem me procura? O que deseja?
— Michelle, sou Osvandir, recebi este número de sua amiga Márcia. Ontem estava descendo a rua principal e encontrei no jardim uma bolsa muito bonita, meio dourada. Estilo chique, parece ser cara.

Com aquela simples descrição do objeto Michelle já foi logo respondendo:
— Olha Osvandir, estes dias perdi uma bolsa, com todos os documentos e alguns reais, próximo de uma sorveteria, quando lá parei para apreciar um novo sabor de açaí. Pela sua descrição parece ser esta, mas é um pouco longe deste local onde você a encontrou.

— Vamos fazer o seguinte, marcamos um local e você vem ver se é esta mesmo a sua bolsa perdida, ok? – disse Osvandir, já um pouco aliviado.

Marcaram encontro na mesma sorveteria onde havia perdido a dita bolsa, para o mesmo dia.

Algumas horas mais tarde, Osvandir chegou ao local e lá estava uma linda jovem olhando para um lado e para outro.
— Michelle?
— Sim. É o Osvandir?
— Sou. Pois então, a bolsa é esta. Mas não contei toda a história, no fundo falso encontrei estas notas de cem que somam quatrocentos reais.
— Este dinheiro não é meu. Lá tinham no máximo uns cinquenta reais.
— O que faço com ele?
— Dê para uma pessoa que estiver precisando…
— Está certo, vou procurar uma pessoa hoje ainda.

Ali na sorveteria saboreando uma verdadeira mania nacional, o açaí, os dois conversaram muito e Michelle disse para ele:

— Olha Osvandir, você tão inteligente, descobriu o dinheiro num fundo falso que nem eu, dona da bolsa sabia, não ficou sabendo em que esta bolsa pode se transformar.
— Estou começando a ficar curioso…

Com um simples apertar de mão de um lado e afundamento de outro ela se transformou numa…

— Bolsa de supermercado…
— Olha só que coisa mais interessante…
— Pois é Osvandir, você não explorou todas as possibilidades de um simples objeto.
— Pode ter certeza Michelle, de agora em diante ficarei mais atento.

E num apertado abraço se despediram, cada um dirigiu para o seu carro. Dias se passaram até que Osvandir recebeu um telefonema:
— Caro amigo, não há de ver que perdi novamente a mesma bolsa?
— E você quer encontrar-me onde?

Manoel Amaral

HISTÓRIAS DE FIM DE ANO

OSVANDIR CAÇANDO UFOS


Osvandir tomou conhecimento do aparecimento de luzes no céu de Ribeiros, Povoado de Carmo do Cajuru-MG, próximo a Pedra do Calhau, a cerca de 15 Km de Divinópolis.

Pegou suas tralhas eletrônicas, detector de ufos, sinalizadores, bússola, alimentação e colocou tudo num novo veículo que acabara de adquirir.

O tempo estava bom, sol ameno e nuvens lindas no horizonte. Dez horas da manhã ele partiu para mais uma grande empreitada. Até Cajuru a estrada estava boa, depois alguns buracos, mas nada que a cabeça do “Caçador de Ufos” não pudesse resolver. Andou uns 3 km e deparou com uma grande quantidade de mangueiras. Havia manga de muitas qualidades: Jatobá, Pequi, Coração de Boi, Doce de Leite, Manga Maçã, Espada, Rosa, e outras com nomes estrangeiros, mas nem por isso deixavam de ser deliciosas.

Osvandir ficou possesso, nunca tinha visto tanta manga num só lugar. Parou o carro imediatamente e começou atacar aquelas belezuras. As sombras das mangueiras eram enormes e ali o lugar ideal para armar a barraca. Desceu tudo do seu veículo e armou uma rede entre dois frondosos troncos. Mas as mangas continuavam a ser devoradas com muita rapidez. Já tinha comido dez, quinze, ou vinte mangas, não sabia. Cada uma com o seu sabor especial. Acreditem, encontrou uma com sabor de abacaxi.

No meio de tanta fruta os pássaros soltando os seus cantos. Até Canarinho Chapinha que há muito tempo não ouvia, estavam ali saboreando a diversidade da natureza. Um Sabiá Laranjeira chamou-lhe a atenção: fazia um ninho de gravetos, capim e barro bem num galho, logo acima de uma casinha de João de Barro.

Tirou uma soneca e quando olhou o relógio já estava muito tarde para o almoço, mesmo assim comeu um sanduíche que levara. Pegou o binóculo e vasculhou o céu azul em busca de alguma coisa que pudesse fotografar. Nada. 

Tudo estava como Deus criou. A noite vinha chegando, para lado Oeste o sol escondia-se por trás das montanhas.

Osvandir não havia prestado atenção nas redondezas pela preocupação com as mangas. Do lado direito um lindo lago refletia os últimos raios solares e mais adiante as luzes de um loteamento de chácaras.

Alguns mosquitos perturbavam o sono de nosso herói. Quando tudo parecia calmo um barulho esquisito e muitas luzes, fez com que ele levantasse às pressas pegasse a lanterna e verificasse o que se passava. Era meia-noite, a sua barriga começou a roncar. Era o efeito purgativo das mangas. Correu para o mato. Atrás de uma moita de murici ele ficou por um bom tempo lembrando o que passou em Itaúna, quando usou como papel higiênico algumas folhas de Aroeirinha. Mas desta vez ele estava prevenido. Sacou da sacola aquele rolo de 60 metros e usou a vontade…

Assim que terminou aquele ato fisiológico, já refeito, foi pesquisar pelas redondezas. Do lado do lago avistou umas luzes de cor azul, que subiam e desciam, fez algumas fotos. Caminhou em linha reta, em direção a pedra do Calhau, estava muito escuro. Uma coruja voou ao seu lado. Assustou-se. 

Caminhou mais um pouco. Por entre os galhos e ramagem daquelas árvores de cerrado vislumbrou o que procurava. Uma luz forte ofuscou seus olhos. Levou a mão direita a procura de seu binóculo, mas não o encontrou. A solução era bater algumas fotos. Aproximou mais um pouco do local, algumas árvores prejudicavam a visão. Mudou de posição. De repente grandes luzes verde, azul e vermelha começaram a piscar e outras amarelas, bem pequenas, giravam em torno daquele objeto não identificado.

Depois de farto material fotográfico colhido Osvandir voltou satisfeito para seu acampamento. Agora ninguém poderia dizer que ele era um “Ufólogo Maluco”. Tinhas as provas de um verdadeiro ufo. Já era manhãzinha e ele resolveu voltar para casa.

O primeiro impulso foi jogar as imagens no computador e verificar com mais calma. De tanta emoção atrapalhou-se todo. Não conseguia fazer o seu moderno equipamento funcionar quando mais precisava dele. A solução foi procurar o Asa Color para revelar as fotos digitais.

De posse de 20 fotos, reveladas às pressas, notou um aparelho esquisito que não deu pare ser identificado.

Mediante o fato, Osvandir resolveu voltar ao locar imediatamente. Talvez a nave estivesse avariada e ainda estaria naquele local. Parou onde havia acampado. Entrou no mato e andou cerca de um quilômetro e descobriu aquele objeto ainda no mesmo local.

A noite nem tinha notado que havia uma casa ali perto. Aproximou mais e encontrou a dona da casa que foi logo cumprimentando:

__Bom dia, meu senhor!

__Bom dia.

Como Osvandir olhava muito em certa direção ela foi logo explicando:

__Ficou bonita, não moço? Aproveitei esta antena parabólica velha e fiz esta árvore de natal, bem diferente.

__Ficou linda, minha senhora.


Manoel Amaral
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