Osvandir e o Apocalipse

“Este termo é indevidamente interpretado como sendo
sinônimo de “fim do mundo” ou “final dos tempos”.
Pe. Otair, primo distante do Osvandir

Choveu durante uma semana inteira, o equivalente a mais de um mês. A terra encharcada foi descendo dos morros. Árvores caindo, pedras rolando. Casas e barracos sendo levados pelas águas. Nada conseguia impedir a fúria da natureza.

Os moradores ribeirinhos foram todos levados pela correnteza. Aquilo já era previsto, ninguém tomava providência nenhuma. Em nosso país existe a política para dificultar as coisas, não para resolvê-las.
O terreno era íngreme, um riozinho lá embaixo. Pedras incrustadas por toda a região. Desmatamento à vista. Poucas árvores nativas, mais capim e plantas rasteiras.
E as leis diziam que as encostas deveriam ser tratadas. Que a distância entre a margem do rio e as construções era de 30 metros. Que não poderiam fazer isso e aquilo, mas não havia fiscalização. E quem não tem nada, constrói sempre nos piores lugares. E todos nós sabemos que os Órgãos Públicos, com as poucas verbas que recebem, não têm condições de cuidar da Saúde, Educação, Transporte, Obras Públicas, etc.
Em tempos de chuvas as estradas pioram, as pontes precárias se vão, os barrancos caem e bloqueiam passagens. Aumentam as doenças: a dengue, leptospirose, gripes, hepatite viral tipo A e diarreias.
A chuva lava a alma, como dizia o poeta, mas ela também mata. E os mortos começaram aparecer aqui, ali e acolá. As covas nos cemitérios passaram a ser feitas por retroescavadeira, de tantas que eram. Alguns nem foram identificados, fotografados e enterrados.
O choro, as lágrimas, a dor, a solidão e a imprensa em cima. Queriam detalhes, com aquelas perguntas mais idiotas, despreparados que são. Semanas e semanas tocando naqueles assuntos, inundando os lares com as mesmas notícias e com vídeos mostrados até a exaustão.
Os meios de comunicação querem audiência a qualquer preço. Se não tem notícia na área política, um mensalão, um caso de corrupção (tão comum), vem água e mais água.
O povo do país inteiro foi mobilizado para enviar mantimentos, remédios, material de limpeza e principalmente água. Muitos não bebiam água potável há dias. Os helicópteros passavam e eles acenavam que estavam sem água e alimentação.
Algumas fazendas mais distantes só foram percebidas quando faziam sinais de SOS no que restou do terreno.
Alguns moradores, verdadeiros heróis, nem chegaram a ser entrevistados por que assim agiam, perdendo os seus bens para salvar os de terceiros.
Eles tinham uma aparelhagem moderna de comunicação, previsão do tempo e coisas tais, mas haviam sido desligados por falta de verbas de manutenção. Prefeitura é assim mesmo: reclamam que precisam disto e daquilo, quando o material chega eles não conseguem dar continuidade ao trabalho. Muitos equipamentos modernos estão enferrujando em hospitais, escolas e secretarias municipais. Não tem gente que saiba operar tais aparelhos.
Mas um novo dia virá e o sol com algumas nuvens de chuva produzirá o maior espetáculo da terra: o arco-íris!

Manoel Amaral

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OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL

Capítulo VI

The Rainbow

– Esquecemos de dizer que depois do susto, olhamos para o local, um arco-íris subia para o espaço. Foi muito bonito, disse a Jovem, de 15 anos, que sofria de rins.

Os demais confirmaram, mas disseram que observaram que a largura dele era muito maior, dava umas três do arco-íris comum, não tinha nuvem de chuva. As cores, disseram ser as mesmas: violeta, anil, azul, verde, amarelo, alaranjado e vermelho.

O médico disse aos três que cuidou dos pacientes com muita atenção, em alguns as queimaduras eram maiores, nos demais apenas um vermelhidão na pele. Fez todas as anotações nas fichas de cada um, tomou a precaução de fotografá-los. Pediu que todos fizessem novos exames. O velho que tinha problemas na arcada dentária foi examinado por uma dentista.

– Recomendei a todos uma dieta, sem açúcares, bastante verduras, legumes, saladas, cereais, alimentos integrais e muito suco de frutas todos os dias; uma caminhada, de preferência à tarde.

Osvandir examinou as fotos, as fichas, copiou algumas, fotografou os pacientes e já ia seguindo para pousada quando foi chamado pelo Dr. até o seu gabinete.
– Venha aqui, chame seus colegas, vou mostrar-lhes agora os exames realizados neste final de semana.

Osvandir chamou Juvêncio e Waldemar para ver os exames.
– Olha este aqui da mulher de câncer, os tumores sumiram, não tem mais nada. Exames de sangue estão normais.
– Como pode ser!
– Não sei Osvandir, mas aconteceu! Aquele velho de setenta anos, com problemas na arcada dentária, aconteceu uma coisa muito mais estranha ainda: está nascendo um dente, vejam a foto e podem verificar com ele, ainda hoje. A arcada dentária não tem mais nenhum problema.
– Incrível, nunca vi um caso assim, – disse Juvêncio.
– Aconteceu só um caso semelhante, de terceira dentição, na Argentina, na década de setenta, – comentou Waldemar.

– A mulher que era estéril, está com ovulação normal, tudo indica que poderá procriar. A mulher que tinha diabetes não tem mais nada, conforme confirmam os exames. A menina com problema de rins, examinei os raios-X hoje, não tem mais nenhuma pedra.
O senhor de tuberculose, ainda apresentou algumas pequenas manchas nos pulmões, mas parece que vai sarar.
– Mas isto é fantástico! Não existe nenhum caso como este na ufologia mundial! Mas falta um, o caso do rapaz com AIDS.
– Este deixei para o final por que é mais complexo. Ele está reagindo bem, vai demorar um pouco, mas a sua recuperação parece estar garantida. Os exames de sangue estão caminhando para a normalidade. A doença está desaparecendo progressivamente. Como aconteceu tudo isso eu não sei explicar.
– Caro Doutor, este foi o caso mais interessante que participei até hoje e acredito que com o Waldemar aconteceu o mesmo.
– É verdade pessoal, jamais participei dum caso como este.
– Vou solicitar ao amigo Jacinto, que me envie as cópias dos exames, antes e depois, bem como fotos de quando chegaram ao posto. Vou passar-lhe o meu cartão.

Passado alguns dias chegaram pelo correio o material solicitado e uma cartinha do médico, dizendo que estava muito feliz pois o rapaz do caso da AIDS estava praticamente curado. Foram feitos outros exames suplementares em Belém e não deu nada.

Depois de alguns dias Osvandir imaginou que aquelas curas poderiam até estar relacionadas com a cromoterapia. As cores do Arco-Íris: Vermelho com doença de rins; amarelo com diabetes; verde e o câncer; azul benéfico para úlceras na boca e nova dentição e assim por diante.

E você leitor, o que acha?

Manoel Amaral