O VELHO TIO SERAPHIM – I

O VELHO TIO SERAPHIM
Capítulo I
Afinal uma cabeça pensante

Seraphim, assim com ph, parecia antiquado, mas a sua verdadeira história iria demonstrar que o que ele fez, pouca gente faria.

Ele vinha de uma cidade do nordeste, bem no meio do sertão, onde só crescia a caatinga.
Resolveu estabelecer-se naquela terrinha das fofocas, das mentiras, dos papos furados, onde quase ninguém trabalhava, na maioria aposentados.

Jilópolis era assim mesmo, terra da amargura, até no nome.

Não muito acolhedora, sem hotéis, sem restaurantes, sem posto de combustível, sem nada. Até o Prefeito fora cassado por causa de desvio de verbas. Mas não adiantou muito, o que entrou no seu lugar continuava a roubar mais que o anterior.

E Seraphim fora parar numa terra dessas, sem dono, sem lei, perdida num interior pior que o pior interior.

Ali ele não conseguiu arranjar amigos, já velho, ranzinza, cabeça branca, boina de intelectual, nariz adunco. Figura meio difícil de engolir. Ainda mais que não dava bola para ninguém.
Gostava de mulher só bem mais nova que ele, no mínimo 40 anos. Ele acabava de completar 70 anos e ainda considerava-se um jovem.

Bebia, somente vinho italiano. Fumava, somente charuto Cohiba Robusto, importados diretamente de Cuba.

Tinha um notebook novo e outro usado. No segundo ninguém punha as mãos. Coisas secretas do velho, enigmas e mais enigmas. Arquivos protegidos por senhas. Milhões de informações sobre todos os assuntos possíveis, até os mais simples como charadas.

O notebook novo era só para surfar na net. Às vezes permitia que algumas visitas escolhidas usassem o teclado, por pouco tempo.

Escrevia todos os dias. Levantava de madrugada com uma ideia na cabeça e passava logo a digitá-la. Quando chegava da rua, do boteco, da praça, ia logo para o computador.

Fazia ponto no “Recanto dos Velhos”, lá naquela terrinha não tinha nada destas frescuras de idosos, eram velhos mesmo. Os de cor escura eram chamados de pretos, eles não conheciam essas bobagens inventadas por intelectuais: afrodescendentes. Índio era índio, indiano era nascido na Índia. E político era honesto, do contrário: rua!

Quem olhava assim, na primeira chegada, não acreditava, mas Jilópolis era bem velhinha. Já estavam preparando a festa para os seus trezentos anos. Fora fundada por António Jiló, cidadão vindo de Algarve, no sul de Portugal. Quanto ao nome Jiló dizem que ele tinha uma plantação desta fruta, considerada erroneamente como leguminosa.

Quando foram escolher o nome alguns letrados queriam colocar Bitterlândia, mas prevaleceu o bom censo, nada de inglês, o primeiro coincidia com o nome do fundador.

Um velhinho até refutou:
– Bitterlândia é coisa de fresco!

E assim a história de Jilópolis nasceu com discussão até no nome. Era fácil, nem precisava dizer nada, era só unir o dedo indicador ao polegar e manter os demais abaixados. Estava criado o símbolo que representava o nome da cidade.

Quando perguntavam:
– De onde você é?
O cara levantava o braço com o sinal convencional. Muito fácil assim… facim.
Tudo era motivo de discussão, até caixa de fósforos, quando compravam, contavam o número dos pauzinhos, se faltava um, pra quê! Era aquele fuzuê. Cada cidadão por ali vivia aquela vidinha miserável até a chegada de Seraphim.

Ele foi o divisor de águas: antes e depois.

Viveu sem se envolver por cinco anos, depois não aguentou. Filiou-se a um partido, queria ser Vereador. Não deixaram, queriam que ele fosse candidato a Prefeito.

Veio, viu e venceu… a eleição. Não deixou nenhum candidato de pé. Derrubou todos, não ficou pedra sobre pedra. Caíram mais rápidos do que as torres gêmeas do WTC. Foi a maior votação que Jilópolis já teve, 90% dos eleitores votaram nele. O slogan era o seguinte: “Seraphim será o começo!”

(Continua)

Manoel Amaral

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O MEU CAFÉ

O MEU CAFÉ

“Para alguns uma pequena xícara contendo o néctar
negro com espuma de ouro é um meio de sobrevivência
(Tia Odacir)

Cinco horas da madrugada, levanta cambaleando, tropeçando nos móveis, quebrando o dedo mindinho no sofá da sala. É hora de ir para o trabalho.

O seu tio Osmair já está lá há um bom tempo, passando o café: duas colheres de pó, quase um litro d’água, três colheres de açúcar. Fogo aceso aguardando as primeiras fervuras. Nunca deixa a água ficar muito tempo ao fogo. Se ficar o café fica mais amaro.

As lembranças vão e vêm, lembra-se da vovó Odair lá no sertão de Goiás, nos fins da década de oitenta, quando ainda era criança. Bodoque (estilingue) na mão, ir para o mato caçar passarinho. Banho no ribeirão, pular corda, chicotinho queimado e esconde-esconde, sem contar as intermináveis manhãs soltando papagaio (pipa) lá no pasto, sem nenhuma moto ou fios de rede elétrica para atrapalhar. Até que viesse uma rajada de vento e pronto. O papel e linha engaranhavam naquelas árvores lindas que já não existem mais…

Café é estimulante, trás boas lembranças. Os políticos não podem nem pensar no café. Saiam bem cedo, de fazenda em fazenda, não tinham garrafa térmica. Quando o candidato chegava era café que não acabava mais, requentado. O que salvava a situação eram os biscoitinhos cozido, escaldado, sequinho, bolos de fubá e aquele de amendoim. Uma infinidade de iguaria no meio do sertão. Tinha até um bolo com nome engraçado: o tal de Mané Pelado (?) feito de mandioca (aipim). Passavam até a receita pra gente:
Ingredientes
  • 900 gramas de mandioca ralada fina
  • 1 xícara de queijo Minas ralado
  • 3 colheres de sopa de margarina
  • 2 colheres de sopa de óleo de soja
  • 4 ovos
  • 2 xícaras de açúcar
  • 1 vidro de leite de coco
  • 1 xícara de coco ralado
Modo de preparo
Esprema a mandioca para retirar um pouco da água.
Bata os ovos inteiros até espumarem.
Junte o açúcar e bata de novo.
Misture o queijo, a manteiga e o óleo na mandioca.
Adicione os ovos batidos, o leite de coco e o coco ralado e mexa bem até misturar todos os ingredientes.
Unte uma forma de bolo com margarina e enfarinhe.
Asse o bolo até começar a dourar.

Lá o mato tem todo tipo de receitas naqueles velhos cadernos das vovós. Agora não tem graça, está tudo na internet. Naquele tempo aqueles livrinhos eram um tesouro, passavam de mão em mão.

Café é assim, tem que ser tomado na hora ou no máximo, meia hora depois, do contrário está velho.
Mandaram o Osvandir buscar pó no supermercado e ele ficou naquela indecisão: Café Uno coração, dois corações ou Três Corações? Consultou o repositor de mercadoria, aí ele deu uma lição sobre o café.

Disse que depende do terreno e o tipo. Tem um preto chamado robusta (mais conhecido como Conilon) e o arábica. Para o pó ficar bom tem que haver uma mistura, meio a meio dos dois. As fazendas são muitas, mas a maioria está com as multinacionais, para exportação. As grandes indústrias descentralizam, produzem e empacotam em várias regiões do pais.

O Brasil é um grande produtor e exportador de café. Os industriais faturaram US$ 240,469 milhões até maio de 2011.

Algumas marcas com nome curioso: Pilão, Grão de Ouro, Camelo, do Ponto, do Bom, Qualquer Um, Louco por Café, Pingo de Ouro, Damasco, Maratá, Nescafé e 3 Corações.

Você pode usar o Tradicional, o Fort, Solúvel, Superior ou o Puro. Quem resiste a um cafezinho expresso, cremoso ou um cappuccino?

Manoel Amaral
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OSVANDIR E O ACIDENTE

“Rico saka, pobre sakeia, político sakaneia.”

(Para-choque de caminhão)

Naquela manhã de junho, o frio cortando os braços, cinco horas, o motorista dá um golpe no volante e o caminhão baú rodopia no asfalto e vai parar a uns três metros de uma enorme ribanceira.

Assustado o motorista sai da cabine, olha para os lados e vê o povo correndo ao seu encontro e pensa que eles vieram socorrê-lo. Não, eles vieram é saquear a carga de produtos alimentícios.

Pedaços de carne por todo o asfalto e cada um levava o que podia.

João, motorista há de 20 anos devia estar acostumado com isso, mas sempre fica preocupado. A carga estava no seguro. Ele não sofreu nenhum arranhão.

Liga para empresa, um grande frigorífico da região da grande BH e explica a situação. Informa que o local é próximo de uma favela. Muitos morros e pirambeiras, estrada ruim e cheia de buracos. Asfalto molhado e chuva caindo sobre tudo e todos.

― Vimos a reportagem da tevê, pode ficar tranquilo, João. A seguradora pagará o prejuízo. Pegue o que sobrar e venha urgente para nossa empresa. Saia daí o quanto antes.

― Certo, Dr. Roberto, vou acelerar, para que ninguém pegue o que ainda está na carroceria do caminhão. As que caíram eles já levaram.

― Tá bom, pode vir para central. Não se atormente. Não corra neste trânsito louco da capital e cuidado com as obras, não vá despencar por um viaduto em construção.

O motorista seguiu o seu caminho e alguns ainda queriam pegar mais carne e saíram correndo atrás do veículo.

Osvandir, que há muito tempo vem investigando acidente ali naquele local, ficou intrigado de como o caminhão rodopiou na pista, sem nada aparente no asfalto. Seria algum defeito? Alguma coisa que fora atirada? Ou o motorista cochilou?

Começou ficando por ali quase o dia inteiro e viu mais um acidente, desta vez uma camionete cheia de sacos de arroz, 5 quilos cada, tudo esparramou na pista. O povo foi saindo por detrás das moitas, pareciam que estavam esperando pelo evento.

Para a felicidade do proprietário do veículo apenas alguns sacos do produto caíram ao chão; ele, muito esperto, deu uma acelerada e sumiu daquele local, onde o povo vive faminto.

No outro dia Osvandir veio mais cedo e pode presenciar um acidente com um caminhão de frangos. Foi um revoar e penas para todos os lados. Aquelas aves são patetas, caem e ficam paradas. De tanto viver na prisão até a morte, nunca saem para mais nada a não ser comer, comer e comer. No fim nós as comemos.

Alguma coisa chamou a atenção de Osvandir. Ele viu qualquer objeto, parecido com uma pequena pedra surgir no espaço, antes do acidente.

Marcou a direção de onde poderia ter vindo e foi para lá. Quando chegou, alguns garotos saíram correndo serra abaixo e deixaram cair um bodoque (estilingue) de borracha de pneu de bicicleta, bem usado. Na no cabo da forquilha, notou alguns cortes, que na sua linguagem de sinais entendeu serem pássaros abatidos. Eram 15 marcas bem recente. Seriam carros acidentados?

Só uma análise mais apurada poderia resolver esta questão, razão pela qual Osvandir resolveu voltar na manhã seguinte e ficar escondido perto de onde saiam as pedras: um barranco de 5 metros de altura e muito mato na parte superior.

Foi chegando e notou que alguns garotos já estavam no local preparando os seus estilingues. O mais velho mirou um caminhão de transporte de bebidas e no mesmo instante o motorista assustou-se com o barulho da pedra que bateu na lataria.

Aquele momento foi crucial, Osvandir queria ver se o homem era mesmo um bom motorista e se conseguiria dominar o medo.

Houve um ranger de freios, rodas riçando o asfalto molhado e a carga saltando da carroceria.

A um sinal dos garotos, várias pessoas saíram das moitas e começaram a carregar garrafas pet de Coca-Cola, que ficaram espalhadas na rodovia.

Neste momento, o que parecia ser o líder dos garotos, desceu do barranco, pegou um fardo, jogou nas costas e saiu pelo mato a dentro.

Osvandir teve a oportunidade de filmar todas as cenas do crime.

Depois do processo totalmente montado, várias empresas queriam contratar os seus serviços. Ele disse não, saiu e foi-se, deixando com o Delegado a solução dos acidentes na Curva da Morte.

Manoel Amaral

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OSVANDIR E A BEZERRA DE OURO



Assistindo a uma reportagem na TV, na manhã de domingo, 12 de junho de 2011, ouvi a notícia que na Argentina nasceu a primeira vaquinha da raça Jersey que dará um leite semelhante ao leite das mulheres.

“A bezerra é resultado da clonagem de dois genes humanos que codificam proteínas presentes no leite humano e de grande importância para a nutrição dos lactantes. Essas proteínas são a lactoferrina e a lisozima humanas, que têm funções antibacterianas, nutrem as crianças de ferro e fornecem agentes de imunidade contra doenças”, conforme informa cientistas do INTA Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária.

Osvandir logo ficou pensativo, se já estão clonando vaca e anunciando há muito tempo, já devem ter clonado seres humanos nos EUA, na Inglaterra, França e Bahia. E estão todos caladinhos para ver o que pode acontecer quando tiverem maior idade.

Quem sabe já temos até presidente, políticos e altas autoridades clonados e ninguém sabe disso, ou sabem e não dizem nada.

― Vou consultar ao FBI, a Cia e a polícia secreta de Israel ― disse Osvandir.

Por outro lado pensou novamente na possibilidade do emburrecimento do povo, todos podem estar sendo alvo de enxerto de DNA de animais, principalmente dos inocentes burrinhos.

Se na Argentina, que é mesmo ali, já produz até vaquinha (e bonitinha), que dá leite humano (de mulher, é claro), porque não poderiam estar incorporando ao seu código genético (DNA) através destas vacinas que são graciosamente aplicadas por postos de saúde do país inteiro?

Osvandir pesquisou e descobriu que um Laboratório (Bio Sidus), já está produzindo cavalos, da alta linhagem e reprodutores bovinos, para aprimorar as raças.

O Pampero”, foi o primeiro boi transgênico, anunciado por este laboratório que já investiu milhões de dólares em pesquisas, na Argentina.

Desde de 2002 vem produzindo leite em outra vaquinha a fim de obter a proteína de crescimento humano hGH (hormônio do crescimento) para tratamento de crianças com deficiências de crescimento, poderia também, ser usado em casos de “síndrome de desgaste” (“wasting”) associada à Aids e em tratamentos de rejuvenescimento.

Osvandir gostaria de sugerir que a Argentina clonasse uma nova vaquinha com leite especial, com elementos para melhorar a linhagem dos políticos. Principalmente um antídoto contra a pouca vergonha na cara e a corrupção.

Veja a foto da linda Vaquinha que dá leite de mulher no seguinte link:

http://routenews.com.br/index/?p=7451

OSVANDIR E A BACTÉRIA ASSASSINA

OSVANDIR E A BACTÉRIA ASSASSINA

Desenho da Bactéria – Crédito: Maria Luiza – 8 anos

Osvandir muito preocupado com a saúde pública resolveu investigar esta tal de E.Coli (Escherichia), uma bactéria assassina.

Ninguém sabe se veio do espaço, de laboratório ou coisa parecida.

O certo é que ela anda matando gente no mundo inteiro. Uns acham que é nova, mas a dita foi descoberta por Theodor Eschrich, alemão, em 1885, sendo, portanto uma das mais antigas do mundo.

Esta bactéria é muito engraçada, além do mal que provoca nas pessoas, principalmente a diarreia, ela causa flatulências.

No mês de junho, onde tem foguete para todo lado (viva Sto. Antonio do Monte!) é pum, pum, pum para cima no Brasil e pum, pum e pum para baixo, na Alemanha, Portugal, França, EUA, Itália, Inglaterra.

Ela está na água não tratada e principalmente nos produtos consumidos cru, como as saladas.
O pepino, pimentão, tomate e abobrinha italiana eram os indicados pelas pesquisas como transmissores.

Depois mudou tudo, não acusaram mais os legumes e verduras. Os prejuízos para os agricultores da Europa foram enormes, estão reclamando uma gorda indenização dos laboratórios e dos Governos.

Aqui no Brasil estão acusando o chuchu de vilão da história da inflação.

Os médicos estão recomendando comer alimentos totalmente cozidos, evitar saladas, e beber apenas água mineral. A explicação é a seguinte: as saladas são muitas vezes regadas com águas contaminadas (detritos fecais, vamos ser mais claro, é cocô mesmo) que transmitem diarreia.

O Cidadão fica com uma dor de barriga horrível, vômitos, náuseas e febre. Enchem os hospitais e postos de saúde. A indicação é que se aplique o soro caseiro (um pouquinho de sal e uma colher de sopa de açúcar num litro de água filtrada).

Sabe quando você sai de Minas, vai ao litoral, quer curtir a praia e as moças bonitas? Bebe e come tudo que encontra pela frente? Volta para casa com uma tremenda diarreia. Pode ser a E. Coli.

Sabe quando você vai urinar e dói muito, uma ardência danada? Um fedor insuportável? Também pode ser a infecção pela bactéria.

Ela está na intoxicação alimentar, infecção urinária (principalmente nas mulheres jovens), conhecida como “cistite da Lua de Mel” (ui!).

Estava esquecendo-me de dizer, esta bactéria é muito resistente as estes antibióticos que existem por aí que não curam nada.

E não tente tratar em casa com chá caseiro ou automedicação, procure o seu médico que é quem conhece a doença.

E olha que esta Ecolizinha não é brincadeira, é motivo de altos estudos em laboratórios pela Biologia Molecular, Bioengenharia e microbiologia industrial.

O assunto é tão complicado que tem gente pesando até que a E. Coli seria uma nova arma biológica. É um contraste: ela mata e por outro lado cura. Existe uma lista enorme dos produtos que os laboratórios estão extraindo da bichinha.

Foram os ovos contaminados na Inglaterra e Holanda, porcos no México, leite e aves na China, a coisa está ficando preta. Agora um pepino e dois tomates na Alemanha, onde o povo adora o repolho. ..

Surgiram várias vacinas e suspeitas que estes vírus todos seriam criados nos próprios laboratórios. Leiam o meu conto (ficção, viu gente) A GRIPE CANINA, neste mesmo espaço.

Na verdade os grandes laboratórios enriqueceram da noite para o dia. Hoje tem vacina estocada por todo lado.

Esta variante de bactéria é uma nova estirpe, e mais mortal, e que por esse motivo o nosso organismo humano ainda não reconhece a bactéria nem criou defesas próprias.

Tenho Bene…dito!
E viva Santo Antônio (13.06)

Manoel Amaral
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OSVANDIR E A GRIPE CANINA

“Se apenas limpando as mãos com álcool se elimina o risco do vírus da gripe,

tomando cachaça então, ele nem chega perto!”

(Do tempo da Gripe Suína)

Um grande laboratório americano se movimentou para criar novos antivírus contra a nova gripe.

Tudo começou na China, onde o povo se alimentava de carne de cães. Numa de suas misturas, um vírus muito resistente surgiu, era derivado da multiplicidade da Gripe Aviária com Gripe Suína.

Alguns animais começaram a ficar doentes, com febre alta e morriam em três dias. Disseram que era uma mutação do antigo vírus de 1918, (gripe Espanhola), só que agora com nome de Gripe Canina.

Cientificamente recebeu o número B(CH1N4). As pessoas que trabalham com cães, sujeitas a uma exposição intensa, corriam o risco de contrair a gripe canina.

Foram infectados os seres humanos e daí para o resto do mundo foi apenas um pulo. Agora o vírus viajava de avião. Os chineses deixaram de comer carne de cachorro, que era muito comum na região asiática.

Os sinais são semelhantes aos da gripe suína, porém, mais agudos e incluem febre acima de 38°, moleza, falta de apetite e tosse. Coriza clara, garganta seca, náusea, vômito e diarréia também podem acontecer; assim como, dores de cabeça, irritação nos olhos e dor muscular e articular.

Milhões de pessoas estavam enchendo os hospitais do mundo inteiro.

Osvandir este na China e constatou que tudo começou num local onde criavam cães para abate. Aquele fedor de urina, ração e os trabalhadores, mesmo bem equipados, estavam sujeitos as doenças de todos os tipos.

Foi numa pequeno povoado, no meio das belas montanhas chinesas, que uma criança amanheceu com febre, letargia, falta de apetite e tosse. Algumas pessoas com a gripe canina (conhecida cientificamente como CH1N4) também tiveram coriza, garganta seca, náusea, vômito e diarreia.

Lembram-se da Gripe Suína? Febre repentina, febre superior a 38 graus, febre que durava 3 a 4 dias, fadiga, prostração, dores musculares pelo corpo, dores nas articulares, dor de cabeça, dor de garganta, coriza (nariz escorrendo), tosse seca (sem catarro), Diarreia, vômitos.

Depois que a febre terminava a tosse podia durar mais 3 a 4 dias

A doença podia evoluir para uma pneumonia. Neste caso os sintomas da pneumonia seriam: febre alta, tosse, dor nas juntas, alterações da pressão arterial, confusão mental, mal-estar generalizado e falta de ar.

Pois é, a Febre Canina (CH1N4) também tinha estes sintomas todos e ainda outros mais que deixavam as pessoas prostradas nas camas dos hospitais.

Espalhou pelo mundo inteiro. Logo apareceu um laboratório muito conhecido e foi lançando uma vacina chamada “Flumita que foi vendida para todos os países. Prefeituras e Câmara Municipais empenhados em comprar e aplicar no povo, enchiam seus departamentos de saúde do tal remédio, gastando milhões dos municípios.

Muitas maquinações, Congressos e Câmaras dos Deputados envolvidos em tramoias para arrancar dinheiro em negociatas sujas.

Corrupção correu solta em todos os lugares deste planeta. Muitos homens públicos (cândidos) foram subornados pelos laboratórios.

Milhões de dólares, euros e reais foram gastos para debelar a doença.

Muitas pessoas morreram sem receber o medicamento. Na china faleceu um terço da população. Nos Estados Unidos e Inglaterra já com as finanças abaladas, sofreram baixas terríveis. Milhões de pessoas morreram.

Estavam enterrando os cadáveres com tratores, devido a grande quantidade por todos os lados.

No Brasil, a crise foi muito pior, não havia estruturas para atender tantas pessoas vitimadas. Quem podia comprava e tomava a caríssima vacina “Flumita”. O povo pobre falecia nas ruas, sem encontrar lugar nos hospitais.Ao invés do álcool gel, (que também enriqueceu algumas empresas), do tempo da Gripe Suína, agora diziam que teriam que usar sabonete à base de azeite português ao lavar as mãos.

Até que alguns cientistas brasileiros conseguiram isolar o vírus e fabricar (nos seus excelentes laboratórios estatais) a nova vacina CAMIFLU. Parece-nos que necessitava de um extrato de uma flor raríssima do Amazonas.Todos queriam o tal medicamento.

Os laboratórios privados brasileiros surrupiaram a base (receita) para fabricação do Camiflu e passaram a fabricar toneladas e mais toneladas dos produtos e vender para Europa, África, Ásia (principalmente), Américas do Norte, Central e Sul.De repente no mundo inteiro já tinha aquela vacina pequenininha que valia ouro e várias empresas enriqueceram da noite para o dia.

Daí surgiu o boato que o tal vírus da Gripe Canina (CH1N4), tinha sido criado em laboratório!


Manoel Amaral

O ATIRADOR

“O bom pesquisador vê o que os outros não veem.” (Osvandir)

Há anos, ali naquele local, tinha o mais alto índice de acidentes de veículos. Um aclive, uma curva, um trecho em linha reta em declive. Para os engenheiros seria um trecho de rodovia normal. Várias análises foram feitas até em laboratórios especializados. Nada encontrado que pudesse ser melhorado, tudo estava dentro do padrão de construções modernas.

Toda semana, ao cair da tarde, uma carreta ao subir, fazer a curva, logo nos primeiros cem metros de descida, o motorista perdia a direção do veículo e saía fora da estrada, arrastando árvores e capotando.

Uma barra de metal fora colocada onde elas saiam da rodovia e mais sinalização. Não adiantou praticamente nada. Elas continuaram a despencar morro abaixo.

A única coisa que a polícia rodoviária conseguiu descobrir foi o tipo de carga mais frequente nos acidentes: alimentos. Mas só na aparência, outros produtos transportados também eram vítimas dos acidentes.

Osvandir foi convidado para fazer uma análise destes acidentes e enviar um relatório para um Deputado Federal e uma Companhia de Seguros que estavam intrigados com a insistência destes acidentes, agora em qualquer horário do dia.

Pesquisou o que pode nos depoimentos dos motoristas, nas fotos da polícia e nos jornais. Pegou o que já havia nas empresas transportadoras e pode notar a presença de uma mesma pessoa em três acidentes. Era um rapaz novo, de uns 25 anos.

Deu em nada, este rapaz passava por ali umas três vezes por semana e sempre que via um acidente, parava o seu carro para ajudar os motoristas acidentados.

Osvandir quis ver os restos de alguns veículos acidentados, que sempre eram levados para o mesmo lugar, um ferro velho próximo de um povoado, quando não eram reclamados pelos proprietários ou pelas seguradoras. Pediu ao proprietário para ver os pneus das carretas, os da frente, de preferência. Alguns já estavam até sem a roda. Pegou uns quatro e jogou no porta-malas de seu carro.

Em casa, de posse de uma lupa, rastreou quaisquer defeitos, tais como buracos, rachaduras ou outros tipos de desgastes. Anotou tudo no seu relatório, fez várias fotos do lado de dentro e do lado de fora dos pneus.

Num dos dias da semana em que estavam registrando mais acidentes, Osvandir resolveu passar por ali de manhã, no meio do dia e à tardinha. No período da tarde pode presenciar quando uma carreta subiu e desceu até certa altura e começou a virar naquele asfalto já cheio de sinais no piso. Parou imediatamente o seu carro no acostamento e verificou vários pontos do local. Viu qualquer coisa brilhar no alto de um barranco, cerca de oitocentos metros logo abaixo, entre algumas árvores. Anotou tudo, bateu fotos e cuidou de socorrer o motorista, que não se ferira. Aliás é bom frisar que em nenhum acidente houve mortes.

Perguntou ao ajudante se ele ouvira algum barulho ou som diferente. Ele informou que estava olhando para os barrancos da esquerda e viu algo, como se fosse um pequeno brilho, lá em cima.

O pesquisador, no outro dia, parou o seu carro antes da curva, desceu a pé. Subiu, com grande esforço, o tal barranco. Bateu algumas fotos.

Concluiu o seu relatório e entregou para o Deputado Federal, outra cópia para Companhia Seguradora e informou tudo para a Polícia, com a recomendação que sigilosamente, colocassem um vigia escondido naquele local.

Dois dias depois a Polícia prendeu Fred, 35 anos, com um Fuzil Para-Fal, bem no alto daquele barranco. Perguntado o que fazia ali, com aquela arma, confessou:

― Quando eu era menino, com uns 12 anos, ficava aqui e pelo barulho dos motores sabia qual era o carro que chegava. Quando cresci, estive no Paraguai e consegui comprar esta arma, depois comprei pela internet o silenciador, a luneta e a apostila para aprender a atirar e fazer a manutenção do fuzil. Subia para este morro e atirava nos pneus das carretas, por pura distração. Estava na minha guerra particular.

― Osvandir, como você conseguiu descobrir isto tudo? ― quis saber um executivo da Seguradora.

― Foi fácil, quando vi os pneus que recolhi no ferro velho, em três deles descobri a perfuração por bala. O resto foi ficar atento a detalhes. Lá em cima achei uma cápsula de 7,62 x 51 mm, uma velha árvore com um buraco, algumas pegadas, tocos de cigarro e outras coisas bem interessantes. Imaginei que ele guardava o fuzil no buraco da árvore. O brilho ou reflexo que eu e o ajudante do motorista vimos era do seu isqueiro.

O atirador foi internado numa clínica psiquiátrica para observação, conforme notícias dos jornais.

Manoel Amaral

OSVANDIR E A MULHER DE PRETO II

Capítulo II

A Mulher de Preto

― Onde fica a Fazenda Carreiras? ― quis saber Osvandir.

O rapaz do hotel informou que é onde está localizada a Casa de Tiradentes, na Estrada Real. Ele achou tudo aquilo meio estranho.

Jantou pouco e tirou uma soneca. Acordou sobressaltado, olhou o relógio; era quase meia-noite. Vestiu a sua roupa preferida e foi até o local da festa.

Quando colocou o pé no primeiro degrau da casa noturna, o sino da matriz deu a primeira badalada e seguiu até as doze, aí ele viu em sua frente aquela adorável desconhecida, toda de preto e um lindo colar de pérolas no pescoço. O tecido de seu vestido parecia tão fino que ele tinha a impressão que ela voava.

Durante a festa ao aproximar-se de seu rosto para beijá-la ele notou uma corrente de ar frio, com se tivesse aberto a porta de uma geladeira.

Resolveu afastar-se e deixar o beijo para mais tarde.

― Vamos até a minha casa? Poderá ficar por lá, se desejar, ― disse a Mulher de Preto.

Osvandir não teve alternativa e seguiu os passos dela. Saíram da cidade, passaram pela casa de Tiradentes e logo a seguir entraram por uma estrada de terra, estreita e esburacada. Lá longe uma luz diferente, parecia de lampião.

Viu alguns homens indo para o trabalho, com grandes chapelões e calças de algodão grosso. Não resistindo à curiosidade perguntou:

― Onde vão estes trabalhadores, que mais parecem do século passado?

― São escravos do meu pai, vão para colheita de café. ― Escravos? Como assim? ― Aqui ainda tem escravos, você não sabia?

― Não! Mas e a Lei da Princesa Isabel?

― Saiu no mês passado, ainda não deu tempo de demitir todo mundo e alguns resolveram ficar por aqui mesmo…

― ????

Osvandir fez uma cara de espanto e resolveu encerrar o assunto por ali mesmo. Não estava entendendo mais nada.

Deixou a linda dama de preto na porta da fazenda, que parecia muito antiga, com aquelas janelas de madeira pintadas de azul e as paredes muito brancas.

Depois de andar por alguns minutos, parou o carro lá no alto e olhou para trás e tudo parecia ir desaparecendo, a luz de lampião apagou-se, as cercas do curral foram todas caindo, a casa foi ficando cada vez mais em estado de ruínas.

Sem entender nada ele correu para o hotel. Não conseguiu dormir nada, também já era dia e o sol nascera lindo por trás dos montes. No outro dia, muito curioso, Osvandir resolveu voltar ao local da fazenda.

O que viu foram apenas ruínas e próximo de uma árvore de gameleira, já de galhos secos; um pequeno cemitério cercado de pedras cobertas de musgo. Não entrou, mas do lado de fora mesmo pode notar que lá havia três túmulos em destaque: dois maiores com nome de um homem e outro de mulher, falecidos em 1890 e 1891, no centro, um menor, com uma estátua de anjo, já sem asas. O nome que conseguiu ler com muita dificuldade foi: Angelina da Cruz, tendo como data de nascimento 1865 e falecida em 1901.

O pior estava por acontecer! Quando chegou ao hotel, um pouco assustado, o porteiro veio logo com um novo bilhete.

― Olha aqui Osvandir, aquela mulher esteve aqui de novo e deixou este recado para o você. Tomei a liberdade de perguntar-lhe o nome e ela respondeu que era Angelina.

Osvandir quase caiu de costas. Encostou-se na parede, depois assentou-se. Pediu um copo d’água. Não estava parando em pé. Ficou por ali por um bom tempo até recuperar-se do grande susto.

Abriu o papel, que parecia mais velho ainda que o primeiro e leu:

Osvandir, desculpe-me se te assustei. Esqueci o colar de pérolas no seu carro. Pode deixá-lo aos pés da Santa da Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Angelina”.

O mais estranho foi a data que encontrou no bilhete, logo após a assinatura: 18 de junho de 1888.

Manoel Amaral

OSVANDIR E A MULHER DE PRETO DE OURO BRANCO


“Pela Estrada Real e seus descaminhos o suor escorreu,

o sangue correu e o ouro escoou a caminho da Europa.”

(Instituto Estrada Real)

Capítulo I

Ouro Branco

Numa aventura anterior, em 1999, Osvandir esteve em Ouro Preto e encontrou a Mulher de Branco, passou um susto danado.

Agora ele resolveu visitar a cidade de Ouro Branco, também em Minas Gerais.

Perguntou na Prefeitura a origem do nome Ouro Branco e um funcionário informou que o ouro de cor amarela, natural claro, produzida pelo metal paládio a ele associado, é denominado de “Ouro Branco”.

Ficou instalado, provisoriamente, no Hotel Mirante da Serra.

Resolveu ver uma velha gameleira que segunda a história, foi onde ficou exposta a perna direita de Tiradentes. Sentiu os pelos dos braços arrepiarem quando chegou perto.

Ali na Estrada Real, viveu o momento onde o Governo do Estado mandou distribuir várias partes do corpo de Tiradentes, colocando-os onde ele mais frequentava.

Saindo deste caso tenebroso foi para o Hotel, nem teve coragem para almoçar. Tomou apenas um café.

Ao sair, o porteiro disse-lhe que tinha um recado de uma mulher muito bonita. Eis o que estava escrito naquele papel amarelado pelo tempo: “Venha encontrar-me na Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens”.

Reparou bem no papel e notou que o bilhete fora escrito com uma velha caneta-tinteiro, com tinta azul. Achou aquilo meio estranho, por que hoje em dia ninguém escreve mais com estas canetas.

Deixou de pensar no pior, a caneta poderia ser a famosa Mont Blanc. Nada de terrorífico, coisa de gente fina.

Queria mesmo conhecer a Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens, bem antiga. Pegou o carro e deu umas voltas pela cidade, pensou melhor e voltou ao Hotel para almoçar.

Quando o relógio da matriz bateu doze badaladas ele levantou-se repentinamente, nem tinha almoçado direito e foi ao encontro da misteriosa mulher.

De longe ele pode notar na porta da Capela uma mulher vestida de preto.

Agora ele estava metido em encrenca muito pior do que a Mulher de Branco de Ouro Preto.

Ao aproximar o veículo, notou que ele era muito magra, tipo modelo profissional, com uns vinte e cinco anos aproximadamente. Muito bonita, cabelos negros e um batom vermelho muito forte. Rosto um pouco pálido.

― Olá meu jovem, ― disse ela logo aproximando de Osvandir.

― Como vai? Qual o objetivo deste convite tão especial?

― Você não queria conhecer Ouro Branco? Deixa comigo. Meu pai é proprietário de umas terras próximo da Fazenda Carreiras, na Estrada Real.

― Ouvi falar que hoje haverá uma balada… ― nem bem Osvandir, completara a frase, aquela linda mulher foi dizendo:

― Eu sei onde é, poderemos ir. Vou te mostrar o local e à noite estarei a sua espera lá.

Despreocupado Osvandir voltou para o Hotel; mas e nome da moça? Ele nem perguntou. Procurou o porteiro do hotel, ele também não sabia o nome da mulher.