OSVANDIR E O BANDIDO TATUADO

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
(Chico Buarque)

Hoje mesmo, em Minas, um usuário de maconha denunciou a si próprio, indicando à polícia uma plantação de maconha no seu sítio. Ele esteve na Delegacia e informou que plantava a erva para consumo próprio, há mais de 20 anos.

E por falar na dita, a que foi encontrada, num lote vago, em Barbacena-MG, em 2009, e arrancada pela PM, não era a “Erva do Diabo”, mas pura e simplesmente uma plantinha qualquer.

Tem aquele outro ladrão que ficou entalado na chaminé da lanchonete. Pensou que era Papai-Noel, mas não conseguiu entrar por aquele buraco tão estreito.

Um outro bandido, acostumado a roubar equipamentos de som de veículos na garagem de prédios, recolheu todo o material que conseguiu naquela noite e colocou num dos carros. Cochilou, dormiu e se deu mal, quando acordou estava nas mãos da Polícia.

Uns ladrões de bancos se deram mal. Tiveram o trabalho de fazer um buraco na caixa eletrônica 10 x 15 cm, com maçarico, mas algo não estava previsto; o fogo do equipamento acabou queimando o dinheiro. Fugiram numa camionete e foram presos. Alguns populares viram só as cinzas na carroceria do veículo.

Estes fatos inusitados acontecem diariamente, basta prestar um pouco de atenção. Vejam só este outro que aconteceu ontem em Minas: Um carro seguia normalmente pela estrada, num posto policial solicitaram sua parada. O motorista enfiou o pé no acelerador. Não adiantou, foi preso. O carro estava cheio de maconha…

Este outro depois de roubar uma casa lotérica com uma arma de
brinquedo, deixou cair no chão um currículo, que tinha até mesmo foto.

No Rio, um assalto foi frustrado pelos latidos de uma cadela. O dono da casa acordou com o barulho e imobilizou o bandido, que era franzino e mudo. Ele gostava de roubar cuecas. Na prisão a polícia descobriu que estava usando calcinha.

Num dia desses, num município do interior, tivemos notícia que uma quadrilha de encapuzados, estava assaltando o comércio local. E ainda ameaçavam os proprietários, que se denunciassem, fariam qualquer coisa com as pessoas da família.

Os comerciantes estavam ficando amedrontados. Um dos bandidos era baixinho e muito bravo, era exatamente quem comandava os outros quatro. Seu apelido: Gigante!

Foi numa destas incursões pela noite, todos encapuzados que algo diferente aconteceu; alguém que não tinha medo de ladrões e muito menos de Gigante, resolveu enfrentá-los. Ficou de vigia em seu comércio até tarde, quando eles chegaram disparou alguns tiros e os bandidos saíram em disparada.

No dia seguinte quando estava tudo muito tranqüilo, um carro preto parou na porta de seu comércio e cinco mascarados entraram. Levaram tudo que queriam e ainda fizeram ameaças. Sô Chico não teve como reagir, pois foi amarrado no balcão de sua mercearia. O chefe da quadrilha, como era muito exibido, voltou lá antes de partir e colocou o braço direito na testa e gritou: __ Eu sou o Gigante!

O comerciante levantou a cabeça e fixou bem os olhos numa tatuagem que o bandido tinha no braço direito.

O tempo passou e houve um período de calmaria, tudo indicava que eles estariam roubando em outros povoados.

Mas o comerciante não esqueceu aquelas palavras gravadas no braço direito do bandido. Procurou a Polícia e relatou o fato. Como o município era pequeno, foi muito fácil por as mãos naquela quadrilha que assustava a região.

O que estava escrito na tatuagem? – Perguntou Osvandir.

__ O idiota do bandido gravou no seu braço direito: José da Cidinha.

Manoel Amaral

OSVANDIR NO CEARÁ II

O ASSALTO AO OCEANIC 815
“Onde acaba o amor têm início o poder, a violência e o terror”.
Carl Gustav Jung


A frase acima é verdadeira e o terror tira o raciocínio das pessoas.

Osvandir estava na rua lutando com os três jovens. Quando um sacou a faca, ele aplicou-lhe um tremendo golpe no pulso e a faca sumiu na rua. O outro recebeu, sem menos esperar recebeu um forte abalo no peito e sua arma também foi atirada à distância. Assim que os dois foram abatidos, dominados, o outro saiu em disparada pela rua abaixo.

Era um dia de sorte para Osvandir. Pegou um táxi, seguiu para o aeroporto, ligou para o Moura, informando que estava seguindo para uma pequena viagem de turismo pela Oceanic Airlines, era o 815. Um empresa pequena, para viagens pela orla marítima.

Na pressa nem notou o nome da empresa e o número do vôo.
Os portões se abriram, Osvandir seguiu pelos túneis até atingir o avião. Tomou o seu assento marcado na passagem, leu um pouco e depois cochilou. O avião ia partir, uma demora danada para levantar vôo.

Parecendo que não iam voar mais, o pequeno aparelho de cerca de 20 passageiros, levantou vôo, como um Tuiuiú, aquela garça desengonçada do Pantanal.

Tudo ia tranqüilo, com um guia turístico mostrando para os estrangeiros as belezas de nosso país. Lá em baixo muitas coisas lindas realmente estavam passando por nossas janelas. Os vôos rasantes nos permitiam ver de perto e de cima muitas coisas que não poderíamos perceber lá de baixo.

Quase meia hora de delícia no espaço, aquele cafezinho, tinha até Whisky, Osvandir ficou sem saber se era do Paraguai, pois detesta até o nome desta bebida. Só tomou duas vezes na vida: uma para ver como era; a outra foi obrigado.

Resolveu sair lá do fundo onde estava e foi até a cabine dos pilotos, para perguntar qualquer coisa que as meninas não sabiam responder.
Por um espelho instalado próximo da porta do Capitão pode notar algum alvoroço lá no fundo de onde tinha saído.

Virou-se, antes mesmo de chegar até a cabine. O caos estava instalado. Um passageiro, de arma em punho, queria assaltar todos turistas. O barulho era muito grande.

Osvandir retornou devagarzinho para onde era seu lugar e ficou esperando o desenrolar dos fatos. O assaltante não seria bobo de sair dando tiro a torto e direito dentro do avião. Era sujeito escolado, acostumado com estes tipos de assaltos. Primeiro começou em ônibus, no centro de Fortaleza. Depois que ouviu sobre aquele grande assalto ao Banco Central, onde levaram R$154.000.000,00, ele também resolveu ganhar mais. Aperfeiçoando os seus serviços, partiu para coisas maiores.

Quando passou por Osvandir, este lhe deu dinheiro, relógio e uma pulseira. Os outros passageiros estavam todos apavorados. O “camarada” era muito esperto, só começou o assalto quando o avião estava fazendo manobra para pousar.

O seu pensamento era descer pelas escadas e sumir no aeroporto, pegando seu carro que deveria estar estacionado em algum lugar por ali. Porém ele não contava com as estratégias de Osvandir.

Assim que tudo havia sido recolhido, Osvandir aproveitou-se de um descuido do mesmo e sorrateiramente foi para o lado da porta.

Veio aquele homem grande, cheio de celulares, relógios, colares, dólares, reais e outras coisas de pouco valor. Ao atingir o centro do avião percebeu um braço forte no seu pescoço. Foi atirado ao chão e completamente dominado. Os bens foram devolvidos aos respectivos donos. Só um pequeno problema, sobrara um celular.

Amarrado, amordaçado, foi entregue as autoridades no aeroporto. O celular que sobrou, deduziu-se que seria do assaltante.

Ao sair do avião uma das aeromoças quis saber o nome daquele jovem que dominou tão bem o assaltante e foi logo perguntando:
__ Quem é você?
__ Meu nome é Osvandir. Sou de Goiás, moro em Minas.

Ao sair dali, nem percebeu que estava com um celular na mão. Dirigindo-se para a praça de alimentação, almoçou, pagou e quando estava para ir para o hotel o celular tocou:
__ Santana! Você não chega “meu”. Já tem gente aqui por perto. Se não vier em dez minutos eu vou embora…

(Continua)

Manoel