O FISCAL E O COMERCIANTE

O FISCAL E O COMERCIANTE
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Naquele reino, onde reinava absoluto, uma rainha déspota, os cidadãos eram subjugados a todos os tipos de sofrimentos.
Os impostos estavam nas alturas e ela anunciava mais impostos sobre as bebidas.
Haveria no reino um campeonato de atiradores de flechas e ela inscreveu todos os seus bons soldados.
Queria vencer a qualquer custo, a sua vida dependeria daquilo.
Mandou um cobrador ir até a taverna mais próxima para pegar a arrecadação do mês.
O pobre comerciante dizia que não tinha como pagar tão alto imposto.
Ele como um lobo rangeu os dentes e disse:
_ Você tem que pagar, há muito tempo vem deixando acumular. Está sujando a minha água, isto é, prejudicando a minha profissão. A Rainha vai enforcar-te.
_ Senhor, o valor é muito alto, leve então as bebidas para comemorarem a vitória no campeonato, – respondeu o comerciante.
_ Está bem, mas fica avisado, na próxima quero o restante.
O pobre do comerciante não tinha como saldar os compromissos e resolveu visitar a rainha.
_ Minha rainha, perdoe as minhas dívidas, não tenho como pagar tantos impostos.
_ Não posso fazer isso, do contrário os outros comerciantes também vão querer perdão das dívidas.
_ A senhor não conhece a história da Galinha dos Ovos de Ouro? – perguntou o esperto comerciante Elias.
_ Conheço, porque  a comparação?
_ É muito simples, se a senhora matar todos os comerciantes, como ameaça, vai perder a sua galinha de ovos de ouro.
_ É faz sentido. Estou até pensando em convidá-lo para ser meu ministro das finanças, aceita.
O esperto comerciante pensou, pensou e respondeu:
_ Minha cara rainha, aceito a proposta desde que possa comandar tudo relacionado a impostos e outras rendas do reino.
A rainha aceitou. O Comerciante, muito habilidoso tornou aquele reino um dos mais prósperos do ocidente.
MORAL: É preferível receber menos, mas todos os meses do que tentar receber o que ninguém pode pagar.

OSVANDIR E A CARGA SAQUEADA

OSVANDIR E A CARGA SAQUEADA

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“A crítica é fácil, a arte de escrever é difícil.”
A carreta descia em alta velocidade, o freio não funcionou, tinha uma curva, detergente na pista. Tudo foi parar, para a felicidade dos saqueadores, bem num buraco.
Outro caminhão de madeira vinha a toda pela rodovia e naquela maldita curva tudo rodopiou. E não era só aquela carga, tinha tablete de maconha e armas no meio. Os que levaram a erva foram logo usando pelo caminho.
E agora vinha uma carreta carregada de feijão, tombou na beira da estrada, não se sabe por que. Parte da carga foi saqueada.
Papéis coloridos embalavam 90 kg de maconha em 104 tabletes que vinha do Paraguai, tombou, o povo levou e teve que devolver, a polícia chegou a tempo.
Muitas caixas de detergente ficaram espalhadas no local, o povo enchendo os carros. O que iriam fazer com tanto detergente?

Ajudando a polícia a retirar as caixas de detergente, o povo acabou prestando um serviço público: limparam a pista.

Tudo isso só este mês e no finalzinho desta semana uma caminhão de bananas também saiu da pista e desceu pela pirambeira. Apareceu muito macaco (dos dois lados) para saquear a carga.

Uma notícia interessante: uma empresa estava até utilizando este meio para fazer campanha de seus produtos. Parava o caminhão no acostamento e começava a distribuir as mercadorias. Levava até sacolas plásticas, para todos levarem o material mais confortavelmente.

É assim mesmo, no Brasil acontece de tudo. Não precisa da gente inventar nada.
Manoel Amaral

O MEU CAFÉ

O MEU CAFÉ

“Para alguns uma pequena xícara contendo o néctar
negro com espuma de ouro é um meio de sobrevivência
(Tia Odacir)

Cinco horas da madrugada, levanta cambaleando, tropeçando nos móveis, quebrando o dedo mindinho no sofá da sala. É hora de ir para o trabalho.

O seu tio Osmair já está lá há um bom tempo, passando o café: duas colheres de pó, quase um litro d’água, três colheres de açúcar. Fogo aceso aguardando as primeiras fervuras. Nunca deixa a água ficar muito tempo ao fogo. Se ficar o café fica mais amaro.

As lembranças vão e vêm, lembra-se da vovó Odair lá no sertão de Goiás, nos fins da década de oitenta, quando ainda era criança. Bodoque (estilingue) na mão, ir para o mato caçar passarinho. Banho no ribeirão, pular corda, chicotinho queimado e esconde-esconde, sem contar as intermináveis manhãs soltando papagaio (pipa) lá no pasto, sem nenhuma moto ou fios de rede elétrica para atrapalhar. Até que viesse uma rajada de vento e pronto. O papel e linha engaranhavam naquelas árvores lindas que já não existem mais…

Café é estimulante, trás boas lembranças. Os políticos não podem nem pensar no café. Saiam bem cedo, de fazenda em fazenda, não tinham garrafa térmica. Quando o candidato chegava era café que não acabava mais, requentado. O que salvava a situação eram os biscoitinhos cozido, escaldado, sequinho, bolos de fubá e aquele de amendoim. Uma infinidade de iguaria no meio do sertão. Tinha até um bolo com nome engraçado: o tal de Mané Pelado (?) feito de mandioca (aipim). Passavam até a receita pra gente:
Ingredientes
  • 900 gramas de mandioca ralada fina
  • 1 xícara de queijo Minas ralado
  • 3 colheres de sopa de margarina
  • 2 colheres de sopa de óleo de soja
  • 4 ovos
  • 2 xícaras de açúcar
  • 1 vidro de leite de coco
  • 1 xícara de coco ralado
Modo de preparo
Esprema a mandioca para retirar um pouco da água.
Bata os ovos inteiros até espumarem.
Junte o açúcar e bata de novo.
Misture o queijo, a manteiga e o óleo na mandioca.
Adicione os ovos batidos, o leite de coco e o coco ralado e mexa bem até misturar todos os ingredientes.
Unte uma forma de bolo com margarina e enfarinhe.
Asse o bolo até começar a dourar.

Lá o mato tem todo tipo de receitas naqueles velhos cadernos das vovós. Agora não tem graça, está tudo na internet. Naquele tempo aqueles livrinhos eram um tesouro, passavam de mão em mão.

Café é assim, tem que ser tomado na hora ou no máximo, meia hora depois, do contrário está velho.
Mandaram o Osvandir buscar pó no supermercado e ele ficou naquela indecisão: Café Uno coração, dois corações ou Três Corações? Consultou o repositor de mercadoria, aí ele deu uma lição sobre o café.

Disse que depende do terreno e o tipo. Tem um preto chamado robusta (mais conhecido como Conilon) e o arábica. Para o pó ficar bom tem que haver uma mistura, meio a meio dos dois. As fazendas são muitas, mas a maioria está com as multinacionais, para exportação. As grandes indústrias descentralizam, produzem e empacotam em várias regiões do pais.

O Brasil é um grande produtor e exportador de café. Os industriais faturaram US$ 240,469 milhões até maio de 2011.

Algumas marcas com nome curioso: Pilão, Grão de Ouro, Camelo, do Ponto, do Bom, Qualquer Um, Louco por Café, Pingo de Ouro, Damasco, Maratá, Nescafé e 3 Corações.

Você pode usar o Tradicional, o Fort, Solúvel, Superior ou o Puro. Quem resiste a um cafezinho expresso, cremoso ou um cappuccino?

Manoel Amaral
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