OSVANDIR E OS INCENDIÁRIOS DA FLORESTA



Capítulo II

METEORITO?

Meteorito não era! Seria a Mãe-de-ouro? Muitos pensaram que sim. Mas esta não explodia e nem deixavam cratera na terra. Apenas ia de um local para outro, deixando um raio de luz no céu.

Osvandir queria ir logo ao local onde caiu a bola de fogo. O pessoal aconselhou-o a não fazer isso por que a região era muito perigosa à noite.

Amanheceu e Sô Moacir ficou assustado, o seu hóspede havia desaparecido!

Ao chegarem ao local da queda da bola de fogo, lá estava ele, todo envolvido na pesquisa, com uma bolsa na mão e vários saquinhos plásticos cheios de material coletado na cratera.

Muitas fotos foram feitas utilizando-se vários ângulos. O tamanho desta cratera era um pouco maior que a anterior: diâmetro de quinze metros. Bem no centro fora encontrado um material que não pode ser identificado no momento.

O que seria tudo isso? Bombas vindo do espaço? Ou outro fenômeno desconhecido?

De manhã Osvandir solicitou do Senhor Moacir, que desse um giro de avião nas proximidades da fazenda do Raimundinho. No ar, pegou o binóculo e foi observando a região. Notou uma clareira no meio do matagal. Pediu ao piloto que se aproximasse o máximo possível. Notou alguma movimentação de pessoas e uma construção parecida com uma torre.

Combinou uma expedição ao local para o dia seguinte.

Todos com os equipamentos nas mochilas e não faltando os longos facões de cortar cana, que serviriam para limpeza da trilha. Foi muito fácil localizar o acampamento. Osvandir havia marcado no seu GPS as coordenadas.

Com algumas horas, contando com a experiência dos ajudantes, lá estavam junto daquele estranho equipamento, com motor movido a gasolina.

Estudando todas as possibilidades Osvandir chegou à conclusão que aquilo trataria de um lançador de objetos. Verificando num quartinho, viu restos do mesmo material que encontrara dentro e fora das crateras. Debaixo de uma das camas achou uma bola, envolvida com plástico e lona, pesando aproximadamente um quilo.

Subiu na torre de madeira e colocou uma pedra do mesmo peso daquela bola. Acionaram o motor e alguém do grupo apertou um botão vermelho de um painel parafusado na madeira. Ouve-se um barulho e algo subindo em alta velocidade jogou a pedra a centenas de metros adiante. O aparelho assemelhava-se aquelas antigas catapultas romanas que lançavam pedras contra os inimigos, só que os objetos lançados por este equipamento atingiam maior altitude, consequentemente indo parar mais longe.

Tudo fotografado, filmado e bem documentado, com a prova material de uma espécie de bomba caseira, de um quilo de material, seguiram para o povoado mais próximo para entregar às autoridades a documentação.

Sô Moacir ficou encarregado de acompanhar o processo.

Solucionado o problema das “bolas de fogo” no norte do estado de Tocantins, Osvandir despediu-se dos novos amigos e voltou para Minas.

Ainda no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, também denominado de Confins, na capital mineira, abriu um jornal e viu pequena reportagem que dizia o seguinte:

BOLAS DE FOGO NOS CÉUS DO PARÁ

Osvandir sacudiu a cabeça e pensou: –Vai começar tudo novamente!

OSVANDIR E LUZES NO MORRO

Após aquele tiroteio todo e cada um tomando o seu posto, o Professor mandou chamar Osvandir para continuar a conversa sobre as luzes.

De volta para junto do Chefe, passou a ouvir suas histórias:

“Eu já morei lá em baixo, sou filho de classe média alta, estudei até o 2º ano de engenharia. Meus pais preocuparam muito comigo, hoje eles não preocupam mais”. E o Professor contou uma interessante história, a sua história:

“Naquele tempo eu era jovem, cheio de fantasias e aqui no morro imperava um ditadura de dois irmãos: o Zé Baixinho e Branquelo. Eu namorava uma linda garota de 21 anos. Um dia o Branquelo se engraçou com ela e pediu ao Zé Baixinho para me matar. Acontece que o serviço foi terceirizado, arranjaram dois garotos da parte mais baixa do morro. Era mais ou menos 19,00h, tempo chuvoso e frio. Eles roubaram um carro e me colocaram no porta-malas. Andaram uma meia hora e fizeram uma parada. Fiquei apreensivo, abriram as portas, ouvi um barulho de chave no porta-malas. Assim que foi aberto, saí correndo e escondi-me numa moita. Estava muito escuro, eles vieram procurando e dando tiros de revólver. Num dado momento saí em disparada e os dois dando tiros atrás. Encenei uma queda cinematográfica e rolei pela ribanceira. Fui parar perto de um córrego e fiquei lá quietinho, para ver o que acontecia. Um deles falou: __ Está morto! Vamos embora!”

__ Mas você tomou algum tiro?

__ Não, apenas alguns arranhões. Escondi-me por certo tempo, em outro morro. Pintei o cabelo de preto, passei a usar óculos e deixei a barba crescer.

__ Voltou para cá?
__ Fiquei mais de um ano fora. As coisas mudaram por aqui e os dois irmãos foram assassinados por outras quadrilhas. Foi aí que fui chamado para fazer a contabilidade e aplicar as táticas que sabia.
Com o tempo fui tomando conta de tudo, com o consentimento dos colegas. Era o mais habilitado para o cargo.

__ E a namorada?

__ Ela morreu no ano passado, num confronto com a polícia… Mas chega de história triste! Vamos investigar o que são estas luzes que estão aparecendo por aqui. Você tem alguma idéia?

__ Olha, Professor, pode ser muitas coisas: novos equipamentos militares de observação, dirigíveis por controle remoto ou mesmo pequenas bolas, inteligentes, vindas, sabe-se lá de onde, que ficam por aqui espantando o povo. Preferem locais onde existe muita água; que não é o seu caso ou locais onde extraem minérios ou mesmo onde tem geradores de energia.

__ De onde vem essas coisas? Já li sobre ufologia mas tem muito tempo. Hoje imagino que as coisas mudaram.

__ Alguns acham que são do espaço extraterrestre, outros já dizem que são daqui da terra mesmo. O certo é que tem vários nomes: Mãe do Ouro, Sondas, Bolas de Luz ou Periféricos. Prefiro utilizar o termo “Sondas”.

__ Uma destas bolas, ou melhor dizendo; sondas, seguiu meus passos por mais de meia hora.

__ Quando foi isso?

__ No mês passado. Eu ia para o lado onde já teve uma extração de pedras e quando olhei, ela estava atrás de mim, parou e depois me ultrapassou, ficou subindo e descendo, de repente foi embora numa rapidez impressionante, sem fazer qualquer barulho.

__ Vamos ver se conseguimos visitar este local e bater algumas fotos.

Na manhã seguinte, quando tudo parecia tranquilo, umas crianças chamaram o Professor e disseram que as bolas de luz voltaram.

Osvandir seguiu o Professor e conseguiu fotografar alguma coisa no céu. Elas estavam girando uma atrás da outra, uma maior no centro; ao seguirem para o Sul tomaram o formato de um “V”.

Não era pássaro, avião, balão ou qualquer coisa parecida.

MANOEL AMARAL