MULHER FOI ABDUZIDA

MULHER FOI ABDUZIDA

Desenho de Luíza Lima


Aquela mulher bonita, casada, de repente virou manchete no Brasil inteiro.
É que todos estavam saturados de tanto petrolão, confusão, mensalão, aí a história diferente cativou a todos.
A ideia era ir para praia com o marido durante o carnaval.
O com a demora da amada, sem saber de nada, acionou a polícia que logo encontrou o carro na beira da estrada.
As malas da esposa não estavam e as do marido ficaram no porta-malas.
Na quarta-feira de cinzas a mulher apareceu no mesmo local em que desapareceu e não encontrando o carro que havia sido rebocado para o pátio da delegacia; fez uma ligação para o marido buscá-la.
Como estava com algumas escoriações pelo corpo o seu parceiro quis saber sobre o seu desaparecimento.
Ela disse que um fato estranho aconteceu: quando passava pela rodovia teve o carro parado por uma luz, era uma nave espacial.
E que homenzinhos verdes e com estatura baixa, a levaram para nave espacial de cor prata.
Ela informava ainda que estava com medo de estar grávida devido as várias experiências que os Ets fizeram com ela.
O delegado está investigando, mas achou uma coisa muito estranha: os Ets deixaram um cheiro muito forte de cerveja nas roupas da moça.
Mas ninguém saberá os resultados desta investigação! A notícia é falsa e também a foto utilizada, como muitas que povoam os blogs e páginas do Facebook.
Manoel Amaral

AS CINZAS DA QUARTA

QUARTA-FEIRA SÓ DEU CINZAS
Vários tons de cinza

Caí na bobagem de abrir o Face na quarta-feira e olha que arrependi.

Só deu cinzas voando por todo lado. Gente aprendendo a cozinhar miojo. Outros tentando ser escritor. Vários postando fotos dos passeios e da família.

Mas que lástima, panelas de comidas caseiras no fogo. As paisagens eram as piores possíveis.

Desencantei-me com o final do carnaval: uma montanha de lixo por todo lado. No Rio, São Paulo e Belo Horizonte os coitados dos garis tiveram que trabalhar dobrado.

Os brasileiros (e também os turistas) não têm um pingo de educação, com a lixeira logo a frente e eles jogam garrafas, latas, copos, pedaços de fantasia, tapa-sexos, tudo na rua.

E o que é pior, não estão nem aí, querem é saracotear.

Fiquei chateado, chateado mesmo. Entra ano e sai ano é tudo igual, a população não muda. Estão sempre fazendo a mesma coisa.

Os que vão para zona rural nem sequer recolhem o lixo. Atacam as nascentes, as cachoeiras e largam para trás as indesejáveis garrafas pet.

De volta para suas casas vão ao supermercado como se fossem para a guerra. Compram tudo que precisam e o que não precisam.

Fico imaginando se houvesse um apagão por um mês: as velas e muitos outros relacionados acabariam. O povo iria desesperar, sem carne, sem água, gasolina e gás. Voltaríamos a Idade Média, queimaríamos os restos das árvores da já desmatada Amazônia.

O comércio voltaria ao sistema de troca. Os pequenos agricultores, que produzem para sustento seriam os que se dariam bem.

Os grandes supermercados, shoppings e redes de lojas iriam fechar.
Uma coisa boa: voltaríamos a tomar o leite quentinho, da vaquinha do seu Joaquim.

Vou parar por aqui, depois faço uma série sobre o assunto.

Manoel Amaral

www.afadinha.com.br

MÚSICA DA MORTE


MÚSICA DA MORTE
O trio elétrico descia as ruas da Região Metropolitana de Belém. A banda de axé, tocava suas costumeiras músicas.
O povo delirando lá em baixo. Restos de fantasias caídos pelo chão.
A alegria era tanta que quase ninguém percebeu quando o cantor da Tribo de Axé gritou: — Desliga tudo, está dando choque! 
Nem o técnico de som e o produtor sentiram a descarga.
 Ela atingiu apenas o pobre do cantor que caiu no meio daqueles equipamentos metálicos.
Os outros músicos continuaram cantando em alto tom. Somente alguns participantes registraram as imagens por celular no momento que o cantor às pressas foi levado por uma ambulância.
Os Bombeiros tentaram reanimar o músico, mas não adiantou, ele não resistiu a descarga que partiu dos aparelhos, e morreu.
Ninguém acreditou, nem a mulher do cantor. Todos olhavam espantados. 
A descarga elétrica não era da rede de energia, mas de dentro do trio. Alguns acreditam que foi vazamento de energia elétrica.
A polícia abriu inquérito para investigar o caso.
O cantor Luciano de Souza Santos foi enterrado ontem.
Manoel Amaral
Fonte:
Globo – G1

OSVANDIR E O CARNAVAL II

Capítulo II
CARNAL, NAVAL E CARNAVAL

No carnaval ninguém é de ninguém.
(Osamir: Prima do Osvandir)

Dejanira, filha de tradicional família de Belo Horizonte, havia completado 21 anos naqueles dias, como presente, recebera do pai, uma viagem a sua escolha. Optou ir por mar e conhecer vários lugares.

Pesquisou pela internet e achou uma que estava dentro do orçamento. Pagou antecipado, conseguiu um desconto de 10%, com as passagens nas mãos, aguardou com ansiedade o dia do embarque.

Cheia de sonhos, pensou que poderia resolver tudo sozinha. Preparou as malas, os documentos, algum dinheiro em cédulas e os cartões de crédito.

O dia do embarque chegou. No porto vários navios acostados, um ao lado do outro.

Procurava o nome do seu: “Sea King”. Olhou pela direita e pela esquerda, nada. Pensou que estivesse caído no golpe da viagem. Conversou com alguns turistas e um senhor de óculos escuros disse-lhe para procurar do outro lado, perto de umas lanchas e iates.

Num barco, com as letras quase apagadas conseguiu ler: ea King, o “S” não estava aparecendo quase nada. Era ele mesmo, mas o tamanho não correspondia com a realidade das fotos de propaganda da agência.

Subiu o primeiro degrau, voltou, queria desistir. Pensou melhor e seguiu em frente.

O olhar malicioso do capitão não lhe agradou. Procurou por seus aposentos, era bem pequeno, proporcional ao tamanho do barco.

Quando saiu para a parte superior, o salão de festas, o que viu foram vários homens correndo atrás de algumas garotas, quase nuas.

Deixou de lado estas observações e foi direto para o restaurante. A comida não era lá grandes coisas, mas deu para acalmar o estômago.

Na manhã seguinte, observou uma pequena ilha e uma praia no litoral. Não suportando o ambiente e mediante o ataque de três homens, muito mal encarados, resolveu saltar do “Rei dos Mares” e o resto seria o que Deus quisesse.
Ela nadou até cansar, o mar a levou até aquelas pedras onde Osvandir a encontrou.

Agora, recomposta, mais feliz, já queria até passear pelas trilhas da Pousada e quem sabe até escalada e descer em rapel.

Um grupo saiu para o lado da praia e outro para a cachoeira, Osvandir e Dejanira estavam neste segundo. Divertiram-se por entre aquelas pedras durante a parte da manhã.

Terça-feira chegava ao fim, quarta-feira de manhã terminava o contrato com a Pousada e muitos retornariam a sua cidade.

Osvandir também seguiria para a sua terra, mas primeiro teria que resolver como ficariam as contas de Dejanira.

Entrou em contato com a administração e mandou somar as despesas de sua estadia. Não chegou a quinhentos reais. Pagou com seu cartão de crédito.

Solicitou ao Senhor Jorge, que reservasse uma passagem aérea de Natal, RN até Belo Horizonte, MG.

Ambos seguiram no mesmo avião para a capital mineira, descendo no Aeroporto Internacional Tancredo Neves – Confins.

De táxi foram até a casa daquela jovem, num bairro ali bem próximo do aeroporto.

Os pais já sabiam de toda a história. Agradeceram ao Osvandir por ter acolhido a sua filha.

Tomaram um lanche e o pai de Dejanira quis saber quais as despesas que fizera com a sua filha. Nada foi cobrado e o assunto encerrado.

Despedindo-se da amável família, seguiu para sua terra.

Na quinta-feira, tirando um extrato bancário, notou um depósito de diferente. Consultou os seus documentos e não conseguiu descobrir de que se tratava.

Seria depósito da família de Dejanira? Mas como ela descobrira o banco, número de sua conta e agência?

Lembrou que quando estava efetuando os pagamentos das despesas, na pousada, ao tirar os documentos do bolso, o talão de cheques caiu sobre a cadeira, Dejanira ficou com ele nas mãos por um tempo e depois lhe entregou.

Para tirar as dúvidas Osvandir pegou o talonário de cheques e descobriu que a primeira folha havia desaparecido, exatamente onde consta a quantidade de cheques, o nome do cliente, o número da agência e conta corrente,

Manoel Amaral

OSVANDIR E O CARNAVAL

Capítulo I
Carrum Navalis: Carnevale
“Em Roma, na abertura das festas ao deus Saturno,
carros buscando semelhança a navios saíam na “avenida”,
com homens e mulheres nus. Estes eram chamados os
carrum navalis, daí surgiu a expressão carnevale.”

Osvandir queria fugir das festas carnavalescas e ficar até quarta-feira de cinzas numa boa pousada no nordeste, para descansar.

Estava no programa um bom passeio de barco e corrida de jipe nas dunas.

A visita a uma cachoeira, escalada e rapel também faziam parte da aventura.

Viajou com essas idéias todas na cabeça e foi até conferindo tudo que poderia fazer, pelo site da pousada. Ali nas fotos, os quartos eram amplos, o restaurante muito bom e comidinha de primeira. As paisagens lindas e a variedade de atrações foi que convenceu o jovem a optar por aquela pousada.

Quando desceu do avião na capital, lá estava a van da empresa que levaria aqueles turistas sonhadores até o destino final.

Qualquer coisa não fora bem informada no site. As estradas eram de terra batida, sem pontes, passavam direto sobre as águas dos córregos, isto significava que se chovesse ficariam ilhados naquele local.

Nada de pensar negativo, a natureza ali era mesmo espetacular. As matas, apesar das devastações, estavam com um verde de causar inveja aos cerrados de Minas.

Ao chegarem à pousada, com o sugestivo no de “Verde Mar”, os hóspedes foram descendo do veículo, pegando as malas, dirigindo-se a portaria.

O atencioso proprietário foi logo indicando onde ficavam os quartos de acordo com as reservas.

Muitos demonstraram insatisfação com as instalações. Osvandir quis ver o resto; saiu pelas trilhas observando as velhas placas indicativas.
Numa delas tinha um grosseiro erro de português: Caxoeira da Mata Virgem.

Viu uma pequena praia e a mata não era tão virgem. Uma canoa quebrada e um barco pequeno, velho, carcomido pela ferrugem.

Bem mais longe dali avistou outro barco maior, em pleno mar, com vários turistas animadíssimos.

Quando atravessou alguns barrancos notou alguém encostado numa pedra. Aproximando-se notou que era uma jovem, parecia muito cansada.

Antes que ele pronunciasse qualquer palavra ela já foi logo avisando:
__ Nem vem que não tem!

Osvandir, que não vinha com “terceiras intenções”, pegou uma garrafa de água mineral de sua mochila, ofereceu a bonita garota, que estava com roupa de festa e toda molhada.
__ O que aconteceu? Se quiser contar, vou ouvir…
__ Nem me fale em viagem programada pela internet. Fechei contrato com uma agência de viagem, para cinco dias, pelo mar, num maravilhoso navio “Sea King”. Seria mesmo o Rei dos mares? Para mim não foi.

Ai ela foi contando todas as decepções por que passou, desde o embarque. O navio maravilhoso anunciado, era um barco onde existiam poucas mulheres e muitos homens bêbados!

Viajou por dois dias naquele antro, onde valia tudo. Foi quando ela avistou uma praia, pulou do barco e nadou até perder as forças, o mar a trouxera até ali.

Sem dinheiro, sem roupas, com fome e muito cansada, foi levada por Osvandir até a velha pousada onde hospedava.

Conseguiu uma vaga junto com outras moças que lhe deram toda atenção, cada uma emprestando-lhe uma roupa, até que pudesse visitar algumas lojinhas mais próximas.

MANOEL AMARAL

https://osvandir.blogspot.com.br/2010/02/osvandir-e-o-carnaval-ii.html

Se gostou deste capítulo leia os outros:
http://osvandir.blogspot.com.br/2010/02/osvandir-e-o-carnaval-ii.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2011/03/osvandir-e-o-carnaval-de-2011.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2009/02/osvandir-e-o-carnaval-2009-quarta-feira.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2009/02/osvandir-em-draga-e-uma-droga-uma-chave.html

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OSVANDIR EM: DRAGA É UMA DROGA!
“Uma chave de ouro abre todas as fechaduras.” (Christoph Martin Wieland)

Já há algum tempo Osvandir foi passear na casa de sua avó, nos dias de folga do carnaval.
Ficou impressionado com o número de carretas que passava por dia em frente a casa da velhinha.
Contou aproximadamente 50 carretas por dia com nomes de várias empresas, mas todas carregando toneladas de areia.

Perguntou para um vizinho de onde vinha e para onde ia, ele informou que tudo aquilo saia da Fazenda das Tabocas ia para Belo Horizonte, para a construção civil.

Fez os cálculos: cada carreta carregaria entre 20 a 50 toneladas, na média umas trinta toneladas cada uma. Trinta multiplicado por 50 carretas, daria umas 1.500 toneladas diariamente.

Era muita areia para vender! Osvandir resolveu ir até o local da extração. Pegou emprestado, um fusca 1500, ano 1972, azul da cor do céu e saiu para a beirada do rio.

Quando lá chegou deparou com 20 dragas retirando areia do fundo do rio, dia e noite, e uns 5 tratores de esteira revirando os barrancos.

O estrago ambiental era de grandes proporções. O rio já estava quase sem água na época da seca. Só se via pedras e árvores caídas por todo lado.

Conversando com o administrador ficou sabendo que a empresa tinha todos os documentos para extração. Resolveu ir até o escritório e verificou que na realidade ela tinha apenas um velho alvará da Prefeitura local.

Indignado com tudo aquilo foi até a Prefeitura e conversou com o Prefeito, um tipo bonachão que deixava todas as riquezas do Município irem embora sem nada em troca.

O que a empresa deixava no Município? Praticamente nada! Pagava somente um valor ridículo, por ano, para renovação do alvará.

Osvandir quis saber dos projetos de recuperação da área degradada do rio e o Prefeito informou que não existiam nada na Prefeitura. E ainda falava: “a natureza é pródiga, dentro de alguns anos tudo voltará como era antes”.

Devido ao volume de extração por dia, Osvandir ficou meio desconfiado e voltou novamente no local da extração. Desta vez não estava presente aquele Senhor que administrava. Apenas um rapaz de dentes cariados, rosto queimado, chapéu de palhas, descalço e um sorriso amarelo.

Ele muito tímido, levou o Osvandir para tomar um cafezinho no rancho de sapé.
__ Foi coado ainda há pouco, quando acabamos de almoçar. O que Senhor deseja saber?
__ Queria apenas o endereço da empresa em Belo Horizonte, pois pretendo comprar alguns caminhões de areia.

O rapazola saiu com um pedaço de papel onde tinha o telefone e o endereço completo da empresa.

Depois do carnaval, quando a purpurina já havia desaparecido dos salões, apenas alguns sinais de confetes e garrafa pet entupiam os bueiros de enxurradas, Osvandir resolveu ir até a capital.
O bairro era meio afastado, a segurança era total. Ninguém poderia entrar ou sair, sem autorização, devido os altos muros.

Na portaria conversou com um sorridente guarda, sinal que ganhava muito bem. Ele informou que naquele horário não tinha ninguém no escritório.

De relance pode notar que havia no centro do pátio umas máquinas esquisitas, parecia muito antigas, mas rodavam fazendo uma barulheira danada.

Curioso, resolveu bater um papo com o sorridente serviçal. Notou que ele adorava futebol, coisa que Osvandir detestava, mas tinha um pequeno conhecimento devido a leitura de jornais diários.
Falaram muito sobre a situação do Cruzeiro e do Atlético e de outros grandes times de Minas.
O guarda estava muito empolgado por uma cervejinha gelada adquirida por ali mesmo, foi falando tudo que Osvandir desejava saber dos movimentos da empresa. Disse que a areia não vinha só daquele local que ele visitou, mas de vários rios de Minas, principalmente do Centro-Oeste.
__ Mas e aquelas máquinas grandes, para que servem?
__ Ninguém aqui pode saber, mas vou revelar para você, que parece ser gente fina. Elas extraem ouro das areias dos rios.
__ Ouro? Como assim! Então não tem nada de construção civil no meio?
__ Não! O patrão vende a areia lavada por um preço baixíssimo. E se for pouca quantidade não precisa nem pagar, pode levar de graça…
__ Muito bom este seu patrão, hein?
__ Ele é inglês mas já está falando bem o português e foi para o Rio neste o carnaval.

Osvandir saiu dali injuriado. Então aquele esperto cidadão inglês estava saqueando o nosso ouro, como antigamente e portando-se como um simples empresário vendedor de areia para construção civil.

Posteriormente ficou sabendo que o dito Senhor, vermelho como ele só, pelo escaldante sol da região, tinha um esquema montado, com máquinas mais modernas, no estado do Mato Grosso.
Procurando mais informações em Prefeituras do Estado recebeu notícias que ele já estaria atuando também no Amazonas.

Por aí vocês vêem como é fácil sair de nosso país com qualquer mineral valioso…

Manoel Amaral