NÃO RECEBEU OVO DE PÁSCOA, RECEBEU BALA


Páscoa em hebraico quer dizer passagem, travessia para um mundo novo. (Hélio Consolaro)

Impressionante como a vida não está valendo nada. Agora mesmo recebo notícia que aqui pertinho de casa mais um tombou no asfalto inocentemente.

Os bandidos estão atirando a esmo. Matam seus concorrentes, inimigos, amigos, usuários ou não de drogas.

A coisa está ficando preta. A moda pegou, usam um carro ou uma moto e saem atirando em quem passa primeiro. Carros caros tipo Corola ou motos bonitas, coloridas, novinhas, roubadas.

Um dia desses deram 35 tiros num veículos, onde já se viu uma coisa dessas?
No interior passavam anos sem haver assassinato, hoje virou rotina.
O povo do campo também não tem mais paz. Quem se mudou de cidade grande para o interior fugindo da violência, não adiantou.

Por todo lado eles, geralmente menores, mais muito grandes nos crimes saem atirando e deixando um corpo estirado no asfalto.

É a impunidade, precisamos rever nossa legislação, principalmente da sobre menores. Esta história de ficar passando as mãos em suas cabeças dá é nisso: crime e mais crime.

Acho errado divulgarem em massa que não podemos reagir, nos defender. Temos que ser passivos, deixando-os fazerem o que quiserem, aí não dá.
As nossas armas o governo pegou, o que vocês queriam? Os bandidos estão com a faca e o queijo nas mãos.

Além da droga que virou uma matança, carnificina, um massacre, os mais espertos estão aproveitando para assaltar bancos, postos de combustíveis, joalherias e tudo que movimente grandes quantias.
Os arrastões em prédios de condomínio de  luxo acontecem todos os dias. O rico também não tem para onde ir, todos são tratados da mesma maneira.
Chegam batem em todo mundo, amarram, amordaçam e se reagir leva bala. Mesmo assim sou a favor da reação. Também temos que nos armar e mandar bala. Só assim acho que alguma coisa pode mudar.

Páscoa em hebraico quer dizer passagem, travessia para um mundo novo e ele foi mesmo para o outro lado.

Manoel Amaral

B. CASSIDY & S. KID – V

B. CASSIDY & S. KID – V

AS FARC

Como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC monitoravam o sistema de rádio da polícia, ficaram sabendo que qualquer coisa estranha estava acontecendo.

De imediato, vinte terroristas, armaram um bloqueio depois de uma curva.
Kid estava achando tudo muito tranquilo, cutucou Cassidy que já cochilava. 

Este se assustou e perguntou do que se tratava:
¿Qué pasa amigo?
O motorista parou o carro e pensou que queriam descer.
–No quiero bajar.

Pelo pouco tempo que estavam naquele país até que a fala não estava tão ruim.

Quando ouviram um tiro de fuzil, aí a coisa piorou. Cassidy & Kid saltaram do veículo e se esconderam próximo de umas pedras. Nem se lembraram de levar o dinheiro.

José Ramon e Pretta abaixaram-se e ficaram esperando para ver o que acontecia.

Um grande tiroteio lá para os lados da curva. A polícia resolveu atacar os membros das FARC achando que eles tinham alguma coisa a ver com o assalto.

As FARC – Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia, o Ejército del Pueblo, são consideradas uma organização terrorista pelo governo da Colômbia e pelo governo dos Estados Unidos.

Eles lutam contra “el deliberado propósito de enriquecer a una élite local privilegiada, en grave perjuicio delos intereses de las grandes mayorías colombianas”.

Pois é, mas a luta lá longe continuava, até que os quatro amigos entendessem que aquilo tudo não tinha nada com eles.

Ramon reconheceu um amigo no meio do mato e fez um sinal para aproximação. Ele andava meio sumido, tinha entrado para as FARC.

Tudo arranjado, com alguns bolívares nas mãos e o assunto resolvido, iria conversar com o seu chefe.

Benedito Cassidy, Salvador Kid, Pretta Silva e José Ramon infiltrar-se-iam no bando e ninguém diria mais nada.

No outro dia três cadáveres foram encontrados na estrada, os rostos desfigurados. A polícia  boliviana informou a Interpol que haviam matado os bandidos brasileiros.

Manoel Amaral

OSVANDIR & O DIA EM QUE A INTERNET ACABOU

Capítulo I

O RAIO AZUL

Um lindo raio azul cobriu aquele céu cheio de nuvens brancas. Tudo parou de funcionar. Os aviões pousaram em locais improvisados, apenas os pássaros permaneceram no espaço. A energia elétrica desapareceu.

As águas do mar ficaram revoltas, alguns vulcões voltaram a jorrar aquela lava, derretendo tudo a sua frente. Algumas ilhas afundaram, outras apareceram, mudando o Mapa do Mundo.

Novas Ordens foram criadas, maneiras antigas ressuscitadas. Gostos e desgostos em discussão. As cidades ficaram quase vazias. Não tinham o que fazer por ali, sem energia elétrica. Os bancos voltaram a utilizar aquelas velhas máquinas Facit de calcular, resgatadas dos museus e porões.

As máquinas de escrever Ollivetti ou Halda ficaram valorizadas. Os papéis diminuíram e muito caros. Todos os rascunhos foram aproveitados. Papel carbono, para cópias, era raro no mercado. No comércio em geral, passaram a utilizar o jornal velho para embrulhar as coisas.

As feiras de verduras se tornaram grandes feiras de troca. Tinha de tudo, até relógio de pulso movido a corda.

Os celulares eram abandonados nas mesas dos bares e serviam de brinquedos para crianças. Tinha até um jogo premiava quem atirasse o seu mais longe, no meio do brejo. Um artista plástico criou uma casa só destes aparelhos e gabinetes de computadores.

As bebidas fortes como cachaça, que não dependia da energia elétrica para a fabricação, voltaram ao mercado. O açúcar saiu da praça e entrou a rapadura no lugar. O café até ficara mais gostoso. Saíram os pães, roscas; as padarias estavam vendendo apenas biscoitos de polvilho e bolos de fubá do legítimo moinho d’água.

Aos poucos, os carros foram parando, quando acabava a gasolina.
Aqueles mais modernos, nem chegaram a funcionar, por causa dos circuitos elétricos. Estava até engraçado, os carros antigos valiam mais que os novos. Os Jipes ficaram, muito raros e caros, só os grandes fazendeiros os possuíam. Os antigos “Ferros Velhos” transformaram-se em “Ferros Novos”.

Criaram um óleo de mamona que fazia os veículos a diesel funcionarem perfeitamente, até os tratores.

Os jovens, agora sem internet, sem nada para fazer, sem shopping para visitar, foram plantar horta nos lotes vagos e acharam até divertido a nova distração. Os campos de futebol viraram currais para criação de ovelhas ou cabritos. Voltou o futebol de campinho de várzea.

Os astrônomos, ufólogos, jornalistas e outros correlatos foram plantar batatas ou fazer coisa melhor para sobreviver. Sobraram poucos cientistas, as profissões perderam o valor. Os professores estavam muito requisitados, mas o ensino era bem diferente.

(Continua, se eu sobreviver…)

Manoel Amaral

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