OSVANDIR E O UFO DA CASCATINHA

“Realidade e ficção, aqui amalgamadas
por um tênue fio de fantasia.”
Ronaldo Cagiano

Osvandir não estava mesmo nos seus melhores dias. Quando abriu o guarda-chuva chinês, uma rajada de vendo o levou de uma só vez. Ficou apenas com o cabo nas mãos. Pensou: — Estas porcarias baratas só dão nisso, a gente fica na chuva.

Entrou no seu veículo, engrenou a ré e quase bateu numa moto. Subiu no passeio, ficou muito nervoso, quase acertou um poste.

Saiu em disparada pela rua de baixo, ao alcançar uma pequena ponte e logo após uma subida forte, de terra com cascalho solto, deixou para trás, o último bairro da cidade.

Estava com pressa, ultrapassou a estradinha onde devia entrar, à esquerda. Virou o carro numa operação nada convencional, conseguindo alcançar aquele desvio que procurava.

Chegou numa encruzilhada e agora? Seguir em frente, à direita ou à esquerda? Sua mãe sempre dizia, em caso de dúvida siga à direita. Seguiu, era uma estrada sem saída. Voltou e seguiu em frente.

De longe dava para ouvir o barulho da cascatinha. Aproximou mais do local e avistou umas pedras. O córrego estava lá embaixo, a uns cem metros. Era ali mesmo o local indicado pelo pessoal.

Primeiro resolveu refrescar a cabeça nas águas da pequena cascata.
O poço não era tão fundo, mas todo cuidado era pouco, por causa das pedras. Não precisava ir muito perto da queda, o vento trazia aquela aragem até a gente.

O posto de observação dos Óvnis era logo abaixo das pedreiras. Tinha sinal de fogueiras por ali. Os restos de uma barraca de plástico preto ainda resistiam ao vento.

Não precisou esperar muito depois que escureceu. Várias luzes começaram aparecer do lado da matinha. No brejo um fogo azulado, que conhecemos por fogo fátuo, aumentava à proporção que escurecia.

Ouviu um zuuuuuummmmm. Não percebeu de onde vinha. Colocou a câmera digital em punho, pronta para fotografar até um inseto, por menor que fosse.

Olhou para cima, céu estrelado, nada de discos voadores. Um silêncio sem fim. Parecia que ele estava praticamente surdo. Nem um grilo cantava. Nem coruja aparecia nos buracos daquele cupinzeiro no meio do pasto.
Encostou-se às pedras, dormiu. Acordou assustado, um barulho no meio do mato. Foi verificar, era um coelho que corria de um predador.

Voltou ao seu posto de observação. Tinha muitos mosquitos, fez como os pescadores: pegou uma bosta de vaca, bem seca, colocou fogo, a fumaça espantou os insetos.

Novo barulho, nem ligou, deveria ser alguma cobra pegando algum rato ou um preá fugindo de gato do mato.

Cochilou, assustou-se, olhou o relógio, não passara nem cinco minutos e imaginara que haviam decorrido várias horas.

Um clarão muito forte surgiu pelo o lado do despenhadeiro. Subiu mais rápido que a velocidade da luz. Não deu tempo nem de ajeitar a câmara.

Naquele silêncio, um medo, uma tremedeira, suor frio, tudo de uma só vez atacaram Osvandir.

Levantou-se, bateu o pé no chão, sem nem saber por quê. Apontou a câmara para o lado do Cruzeiro do Sul, deu um giro de noventa graus e focalizou outras estrelas. Notou um pontinho cintilante que se aproximava numa velocidade incrível. Desta vez ele não iria perder nenhuma foto. Foi afastando e fotografando. Inadvertidamente clicou no “modo fotografar”, que na realidade filmava. Tropeçou naquele cupinzeiro, embaraçou-se num cipó e saiu rolando ladeira abaixo, com a câmera na mão. O impacto da queda de mais de quinze metros acabou desligando-a.

Verificando o que fotografara, notou que havia feito um filme de sua própria queda. Uma pedra, um cupinzeiro, um mourão de cerca, umas folhagens e nada mais. Nada mais? Na última cena da filmagem havia um ponto negro, bem nítido, entre duas estrelas.

A prova estava ali, na última foto. Passou para o computador, consultou seus amigos e todos foram claros:
— Trata-se de um inseto.

Manoel Amaral

OSVANDIR E OS UFOS EM FOZ DO IGUAÇU II

VIVENDO UM GRANDE AMOR – Capítulo II

Imagem Google


Capítulo anterior: Leia através do link:
http://osvandir.blogspot.com/2008_01_01_archive.html

No amplo corredor, esbarrou numa bela jovem de cabelos ruivos, lisos e olhos verdes. Meio sem jeito, os dois falaram ao mesmo tempo:
— Desculpe-me.
— Desculpe-me.
— Você está hospedada aqui?
— Sim, vim com o pessoal da UFMG.
— Eu também. Quer vir tomar um café comigo?
— Claro!
— Qual é o seu nome?
— Clarinda, e o seu?
— Nome bonito o seu. Meu nome é Osvandir. Você está cursando que ano?
— 3º ano de Arqueologia e você?
— Mesmo? Eu também, curso Ufologia.
— Quantos anos você tem?
— 25 anos e você?
— Quantos anos você acha que eu tenho?
— Huum… 20 anos.
— Hihi! 22 anos.
— O que você faz?
— Sabe aquela loja lá em Divinópolis, chamada Ark, conhece?
— Conheço.
— Então, trabalho no escritório com minha mãe, eu que dei a idéia desse nome para loja, lembra arqueologia, não é?
— É legal. O que você vai fazer hoje?
— Ah! Eu estava indo procurar informações sobre os UFOS daqui deste município, mas posso deixar para depois.
— Eu já encontrei algumas informações com um ufólogo chamado Marcos, nós marcamos um passeio perto das cataratas para amanhã, se você quiser pode vir conosco.
— Ah! Quero sim!
— Qual que é o número do seu apartamento? Eu passo lá na hora que eu estiver indo.
— 502.
— Ok! Lá pelas 7 horas passo lá. Você quer vir comigo na loja de roupa? Minha mala foi trocada por uma mala de mulher.
— Que coincidência, a minha também!
— Quem sabe a mala que está lá no meu quarto, cheia de calcinhas de rendinhas, é sua?
Clarinda toda vermelha, diz para Osvandir:
— Ah é mesmo! Quem sabe a mala que está no meu quarto, cheia de cuecas samba canção, é a sua?
— Vamos até o meu quarto para ver se a mala é sua?
— Vamos.
Passado alguns minutos, após chegarem ao quarto do Osvandir, para surpresa de Clarinda, a mala era mesmo a sua. Guardou todas as peças que estavam espalhadas pela cama e convidou-o para buscar a sua em seu quarto.
— Nossa! É a minha mesmo. Mas que coincidência. Também fomos comprar malas perfeitamente iguais, veja só.
Depois de solucionado aquele incidente, Osvandir foi preparar-se para o jantar no restaurante internacional Rafain.
Tomou seu banho, colocou um terno bem bonito, passou perfume e foi buscar Clarinda em seu quarto. Chegando lá Clarinda não estava pronta ainda, pediu que Osvandir entrasse. Osvandir sentou-se no sofá e começou a ler o folheto do hotel. Passado muitos minutos Clarinda finalmente ficou pronta, estava com um belo vestido dourado e um perfume francês muito gostoso. Deram as mãos e foram jantar.
PREMONIÇÃO – Capítulo III
“A melhor maneira de predizer o futuro é inventá-lo” 
Peter Drucher
O jantar estava muito bom, conversaram a noite inteira, tomaram um bom vinho, e comeram uma excelente carne de carneiro com legumes e frutas.
Já era tarde e eles estavam começando a ficar com sono. Osvandir deixou Clarinda em seu quarto e foi dormir.
Às sete horas da manhã o despertador tocou, Osvandir levantou-se, escolheu sua roupa e foi tomar banho, passou no quarto de Clarinda, ela já estava esperando-o, então foram para o belo passeio nas cataratas. Chegaram lá e Marcos já estava esperando-os, o ufólogo começou a contar e mostrar onde, como, quando ocorreram os ufos, Osvandir foi gravando e anotando, Clarinda filmando e fotografando.
O tempo estava passando e já estavam quase terminando a entrevista, quando de repente surgiu uma grande bola com uma luz muito forte, era um ufo!
Marcos tomou a câmera de Clarinda e saiu correndo para tentar filmar e sem querer empurrou Osvandir mais para perto de Clarinda, Osvandir estava prestes a dar seu primeiro beijo quando o telefone toca.
Osvandir, acorda assustado: não tem ônibus, nem hotel, nem Clarinda, foi tudo um sonho. O que restava a fazer agora era atender ao telefone. Era da universidade lembrando-o que as treze horas ele deveria estar no campus esperando o ônibus da viagem para Foz do Iguaçu.
Osvandir se arrumou e foi para o local, quando estava chegando lá, esbarrou com numa bela jovem de cabelos ruivos e olhos verdes!
— Qual é o seu nome?
— Clarinda…
THE END.

Letícia Maia