THE NEW WEST – II – O CAVALO VOADOR

THE NEW WEST – II
O CAVALO VOADOR

“Quem mata um homem é chamado de assassino,
quem mata milhares é chamado de herói.” Charles Chaplin

Hoje as grandes quadrilhas andam num só cavalo voador, o avião.

Podem marcar assaltos em vários pontos estratégicos do país ao mesmo tempo.

Recolhem grandes quantias de cada vez, que nunca mais são encontradas.

Haja vista o maior assalto a banco de nosso país: O Banco Central de Fortaleza, em 2005, de onde 36 ladrões levaram R$ 164.755.150,00 dos cofres, dos quais, até o momento, apenas uns 20% foram encontrados.

O mais impressionante é que cavaram um túnel subterrâneo de 80 metros de comprimento, por 70 cm de diâmetro, uma verdadeira obra de engenharia.

O dinheiro, em notas de R$50,00, previamente selecionadas, sem numeração, pesava 3 toneladas. Usaram uma empilhadeira para recolher o dinheiro.

Este foi o segundo maior assalto a banco do mundo. Não foi descoberto até agora quem foi o mentor principal do grande assalto e a ligação com alguém do banco. Desconfiam de altas autoridades.

Usaram avião, carreta e outros meios para transportar o dinheiro para vários estados do país.
Alguns bandidos presos, foram chantageados, sequestrados e outros acabaram mortos.

Como o assunto é muito interessante já foram produzidos um filme, um livro e vários documentos sobre o assunto.

Livro: Toupeira: A História do Assalto ao Banco Central” de autoria de Roger Franchini
Filme: Assalto ao Banco Central. Direção: Marcos Paulo. Com os atores: Milhem Cortaz, Hermila Guedes, Giulia Gam, Lima Duarte.

Encontrei um excelente slide na internet:
http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/assalto-ao-banco-central/

Manoel Amaral
http://osvandir.blogspot.com

DOM CAIXOTE SEM MACHA E SANTO PRANCHA – I

“Não há livro tão mau que não tenha algo de bom.”
“Quem ama o perigo, nele perece.”
Miguel Cervantes (*)

Capítulo I
O Pangaré

Era um morador de rua, já velho e ruim da cabeça, enlouqueceu vendo novelas da TV. Vivia em uma praça qualquer, de uma cidade do interior, trepado num velho caixote falando para as pessoas, daí o apelido de Dom Caixote, como era muito ingênuo, puro, diziam que ele era sem Mancha, mas seu nome era Miguel. Abandonado há tempos pela família.

Foi numa de suas andanças pelas terras do Sul que ficou conhecendo o Santo Prancha, um lavrador, plantador de repolhos, que viu naquele homem um sábio. Resolveu acompanhá-lo.

Na primeira aventura juntos, o cavaleiro andante conseguiu num museu, uma velha armadura enferrujada e um capacete de moto, sem viseira.

Viajando pelas redondezas, à beira de um grande lago, viram uma enorme barragem, turbinas, e muita água descendo, num maravilhoso espetáculo. Prancha quis até tomar um banho, mas o seu Mestre não deixou, alegando que estavam atrasados para o compromisso de resgatar a sua doce amada “Teteia” das mãos dos bandidos mascarados.

― Olhe Prancha, lá na frente, os enormes dragões que soltam fogo pelas ventas.
― Não são dragões Mestre, são torres de transmissão de energia.
― É o que nos fazem parecer, mas não é, conheço bem estes dragões, eles se transformam em tudo para atacar a gente.

Aproximou das torres imaginando ser gigantes dragões e tenta lutar contra elas(es) cujo choque elétrico, lança o cavaleiro para longe.

Dom Caixote sem Mancha e seu criado iam a pé, por entre aqueles pastos e acabaram chegando numa grande fazenda só de criação de cavalos puro sangue. O local era lindo, uma planície sem fim, um lago, floresta, plantações de milho, capim e uma sede maravilhosa. Tudo ali estava fora dos padrões da mente do Mestre Dom Caixote.

Foi vendo aquilo tudo e logo dizendo:
― Meu Deus! Que castelo maravilhoso! Vamos adentrar para encontrar o Príncipe.
― Mestre, isso aqui é uma fazenda com o nome de “Haras Boa Vista”, o Senhor não viu a placa?
― Não leio estas coisas, leio livros e muitos.

Assim que aproximaram, dois cães pastores alemães, vieram já em prontidão de ataque, mas Dom Caixote, sempre muito amável com animais, passou a mão direita na cabeça de cada um e os tornou dois dóceis animaizinhos. Prancha, a estas alturas, já tinha corrido mais de meio quilômetro.
― Volte aqui, servo medroso, estes cães são muito bons, é preciso saber lidar com eles.

O fazendeiro, um velho senhor de chapéu Panamá, saiu da casa e cumprimentou os visitantes.
― Vamos chegando, quem se dá bem com meus cães, merece respeito. Mas o que é isso? Uma armadura medieval? Uma espada enferrujada? Estão lutando contra alguém desta região? Ou vão fazer algum filme ou documentário?

O Servo adiantou-se em explicar ao rico proprietário que aquilo era loucura de seu Amo. Estavam a procura de uns bandidos que raptaram a amada de Dom Caixote.

Almoçaram, tomaram um bom café. Tiraram uma soneca. Acordaram com disposição, mas antes de seguir caminho viram os cavalos no curral. D. Caixote agradou de um, em especial, que tinha uma mancha preta nos dorso e o resto do corpo branco. Perguntou o preço ao dono da fazenda e este entendeu que era melhor doar dois animais para eles.

Prancha escolheu um burrinho pesteado, que pastava ao lado dos garanhões. O Mestre levou aquele pangaré que achou interessante.

Manoel Amaral

www.afadinha.com.br

Leia os outros capítulos:
Dom Caixote sem Mancha I – O Pangaré

Dom Caixote sem Mancha II – O Resgate dos Escravos

http://osvandir.blogspot.com.br/2011/03/d-caixote-sem-mancha-e-santo-prancha.html

(*) Miguel Cervantes
Miguel de Cervantes Saavedra de Alcala Henares (1547 – 1616), Célebre Poeta espanhol, autor do igualmente célebre romance satírico “El Ingenioso Don Quijote de la Mancha”, o segundo livro mais lido pela humanidade depois da Bíblia.

OSVANDIR E AS HISTÓRIAS DE PESCADORES

Parte I
CHUVA ESTRANHA
“A pesca assemelha-se à poesia: é necessário nascer pescador.”(Izaak Walton)

Todo fim de ano Osvandir viaja para o interior de Goiás, sua terra natal.
Ali ainda contam todo tipo de história de pescador, de assombração, de caminhoneiro, de mentiroso e outras mais, afirma ele.

Numa destas rodas, à beira do fogo, um senhor franzino, bigode branco e fino, cerca de sessenta anos, contou uma história complicada.

Diz ele que no povoado de Arranca Toco, no interior do interior, lá bem longe, onde a TV e nem o computador ainda não poluíram a mente de ninguém, existia um teimoso pescador que às vezes ficava horas e horas à beira do rio e não conseguia pescar nada que valesse a pena.

Era nervoso e por pouca coisa estava sempre brigando com a família. Xingava todo mundo, pegava as varas, os anzóis, a lata de iscas e ia pescar.

Quando pescava muito num lugar, o peixe rareava, resolvia mudar de lugar e onde pescava ultimamente, perto da cachoeira Véu de Noiva estava acontecendo isso. Nada de piabas, só mosquitos.

Numa destas idas e vindas ficou sabendo de umas luzes que estavam aparecendo lá para os lados da fazenda Céu Azul, do Senhor Jerônimo. Resolveu ir até aquele local para analisar os fatos.

Naquele dia, apesar das discussões costumeiras, ele saiu cedo, despreocupado, iria fazer uma grande pescaria. Havia chovido a noite e a água estava um pouco turva, boa para certos tipos de peixes que ficam pulando toda hora para abocanhar um inseto ou alguma frutinha que dá na beira do rio.

Pegou uma minhoca bem grande, iscou o anzol, já bem gasto pelas centenas de vezes utilizado e começou a pegar peixes de todos tipos e tamanhos. Alguns que nunca vira naquela região, saiam grudados no anzol.O pescador nem tinha como levar para casa tudo que estava pescando.

Um barulho estranho veio das árvores do outro lado do rio, apesar da calmaria, parecia um redemoinho. Uma chuva de peixes caiu do céu, depois de uma ventania forte, que tombou várias árvores e formou um misterioso círculo no canavial mais próximo.

Josino, o insistente pescador, descobriu logo porque tinha tanto peixe no rio e alguns que nunca tinha visto.

No meio da estrada ficou cheio de peixes de todos tamanhos, pegou alguns e ia colocando na sacola mas notou que nenhum deles se mexia. Olhou melhor e pode constatar que estavam mortos há um bom tempo.

Não entendeu nada, voltou ao local do poço onde pescava e colocou na sacola somente os estavam vivos.

De volta para o povoado contou para a turma o que aconteceu e ninguém acreditou.

Quando saiu, seguindo para sua casa, alguém falou:
__ Isso é história de pescador!

Parte II
O PODER DAS ÁGUAS
“Existe uma tênue diferença entre pescar e ficar na margem, em pé como um idiota.” (Abraham Lincoln)

Josino, o nervoso pescador, depois de mais uma desavença em casa, mesmo tendo chovido muito a noite inteira, resolveu ir pescar que era a coisa que entendia muito bem. Cada peixe um tipo de isca, anzol apropriado e vara certa. Tem até peixe que nem se pega com anzol.

Desta vez ele ficou só observando o rio, a enchente tomava conta de todo o espaço do terreno. Muitos objetos da cidade mais próxima estavam descendo rio abaixo: sofás, colchões, geladeiras, fogões. Muitos animais domésticos também lutavam contra as águas.

No povoado de Pedra Grande “Seo” Souza bebia o último gole de pinga num boteco de fim de rua, sempre acompanhado de seu inseparável cavalo de nome Gigante, apesar de ser pequeno.

O Senhor Quim, conhecedor da região, insistiu para que Souza não prosseguisse viagem, poderia até ficar em sua casa naquela noite.

Teimoso, o cavaleiro bêbado, seguiu para a beira do rio, onde ficava sua fazenda lá do outro lado.

Ao aproximar-se das águas o velho animal empacou. Com espora no lombo nadou cerca de cem metros, foi levado pela correnteza, rio abaixo. Nadou para beira de um barranco onde um galho de uma frondosa árvore arrancou o cavaleiro dos arreios do “poderoso” Gigante. O cavalo seguiu rodando, com o poder das águas.

Josino olhou para o lado direito e viu um animal arreado, que conhecia muito bem, debatendo-se no meio da enchente.

Resolveu largar a pescaria e seguiu rio acima. Não tinha esperança de encontrar o Senhor Souza, vivo.

Andou quinhentos metros no meio de barro, mato, canavial e na curva do rio vislumbrou uma árvore grande com qualquer coisa na copa.

Era gozado e trágico ao mesmo tempo, Souza lá estava num galho da árvore, imaginando estar montado em seu cavalo, mais parecia o D. Quixote do sertão.

Josino lembrou que quando subia notou uma corda dependurada numa galhada, voltou lá e com um pouco de astúcia conseguiu retirá-la da árvore. Enrolou-a de maneira que ficasse mais fácil o transporte e voltou correndo para onde se encontrava o cavaleiro perdido, que lutava contra as águas.

Amarrou um pedaço de pau curto e grosso na ponta da corda e jogou-a para o lado da árvore. A primeira tentativa não deu resultado, quase perdeu-a. Entrou mais um pouco na água e atirou novamente mirando bem o centro da copa da árvore. Deu sorte, o pau enroscou-se num dos galhos da árvore.

Josino gritou para Souza amarrar bem a ponta da corda em algum ponto mais resistente. Daí a pouco vinha aquele velho homem debatendo-se na água, a sua amarração não ficou bem feita, o nó soltou-se; acontece que o pescador, precavido, havia amarrado a outra ponta num velho toco no meio do mato.

São e salvo, Souza chegou ao povoado em companhia do pescador Josino e foi logo convidando todos para tomar uma rodada de pinga.

Quando contou o que aconteceu e Souza ali confirmando, alguém do meio da turma disse:
__ Isso que é verdadeira história de pescador!

Manoel