OSVANDIR E A SENHORA DE CRISTAL II

Capítulo II
A Organização
A democracia é um instrumento com o qual uma
minoria bem organizada governa uma maioria organizada.”
(Vassili Rozanov)
O local foi crescendo em construções, tudo foi aumentando na cidade mais próxima. Os problemas se multiplicando.

Foi convocada uma reunião de nobres engenheiros e sábios para iniciarem os trabalhos da criação de um núcleo que futuramente se transformaria numa linda cidade.

Analisando o terreno, através de fotos aéreas, um engenheiro, coincidentemente chamado Cristalino, teve a brilhante ideia de fazer um desenho do núcleo em formato de um hexágono e denominar o local de Povoado da Senhora de Cristal.

No centro ficaria o Santuário (onde está localizado a gruta), no sopé da serra, local bem alto, contra enchentes.

Dotada de um subsolo rico em minerais e situado entre várias montanhas, com magníficas nascentes e uma área privilegiada geograficamente por rodovias e hidrovias, ponto de intersecção das rotas de transporte e escoamento da produção agro-industrial.

Devido à altitude, o clima é ameno entre 10 e 26 graus e a precipitação é considerada boa. Suas terras de pura cultura de primeira, são planas, ricas em águas.

O Povoado transformaria num centro produtor e comercializador de pedras preciosas, objetos de adorno em pedras. Tudo ali é feito de cristal, é uma fobia. Daí o nome de Povoado da Senhora de Cristal.

Como é sabido os Cristais são minerais dotados de energias puras. Eles possuem um campo atômico e emitem um tipo de energia sutil inesgotável, usada para auxiliar na cura de doenças físicas e mentais.

Assim foi que o Povoado da Senhora do Cristal, nos primeiros dez anos, encheu-se de moradores por todos os lados.

Necessário se fez tomar o cuidado de um planejamento para o futuro. Fez-se o Plano Diretor.

O mapa do povoado era até, de certa forma, muito interessante.
Tinha uma rua que circundava todo o perímetro, várias partiam do centro indo terminar nela. As quadras, eram irregulares, como retângulos de base mais comprida e a parte superior menor.

Como se um triângulo fosse cortado na parte superior. Essas quadras começavam maiores e iam diminuindo de tamanho a proporção que chegavam ao centro, na praça central do povoado.

As ruas não se cruzavam, passavam uma por baixo da outra. A foto aérea é que dava uma visão melhor.

Os serviços de água, esgotos, energia, telefones, internet passavam todos na mesma canaleta, debaixo dos passeios. Tudo muito bem planejado. A internet era por energia elétrica e todas as casas eram muito bem servidas. Era só ligar e divertir. Conta de Telefone? Ninguém pagava, era tudo via computador. A cidade bebia a super água da gruta.

Quem quisesse mudar para aquele local tinha que receber convite. Não havia mais vagas e uma lista enorme de nomes. Quando havia uma vaga por mudança, falecimento ou expulsão, ela era disputada, mas os dirigentes entregavam ao primeiro da lista, depois de uma análise de toda a vida do cidadão. Se ele não tivesse nada a contribuir, não era aceito. Critério? Os sete sábios do Povoado era quem decidiam.

Manoel Amaral

OSVANDIR E A SENHORA DE CRISTAL

OSVANDIR E A IMAGEM DE CRISTAL

Capítulo I
A Caverna

Estavam no ano 2050, comemorando o Cinqüentenário da descoberta da imagem.

Um novo pastor da União Universal, a religião dos sem religiões, rememorava os fatos:

“Foi no ano de 2000, em 1º de janeiro, época em que viram algumas luzes sobre o local da gruta que um mineiro resolveu investigar e encontrou uma imagem, numa linda caverna de cristais com formações diversas, num espetáculo raro.

Coletou algumas amostras de rochas e minerais para pesquisa. Ele havia entrado numa área jamais visitada pelo homem, com formações de milhares de anos de paz e tranqüilidade.

Estalactites e estalagmites lá estavam, juntamente com cristais por toda parte e num local bem no fundo, quase encostada numa parede, lá estava aquela perfeita imagem de puríssimo cristal, com cerca de um metro e meio de altura.

Descrevê-la seria tarefa de para quem entendesse bem de cavernas, um espeleólogo, as formações de estalactites e estalagmites, minerais, ocorrência de água, frestas, salões, etc.

Uma verdadeira cortina descia por trás da imagem. Um manto de outra cor mais escura, mas do mesmo material cobria aquela, Senhora, se podemos assim chamá-la.

Um raio de luz, que não sabemos como, atingia sua cabeça, por volta do meio-dia, espalhando luz por todos os recantos.

Uma água, de nascente pura e cristalina descia de uma rocha e espalhava-se, formando um poço azul, tão límpida que dava para ver o fundo.

Grandes frisos, parecendo dobraduras de tecidos brancos, cobriam várias áreas, como verdadeiras cortinas.

Lindas estalactites pendiam do teto, bem como as estalagmites que davam a impressão estarem brotando do chão.

Um cenário de filmes de Indiana Jones, onde a acústica funcionava como se fosse uma concha, habilmente construída para essa finalidade. A propagação do som era incrível. Nem se podia falar alto por ali, era perigoso despencar uma daquelas belezas do teto e espatifar-se contra as que estavam no chão.

Uma das medidas que tomaram, logo no início da descoberta, foi delimitar a área permitida para visitas, para não danificar o local.

As pessoas afetadas por claustrofobia, ali não sentiam nada. Pelo contrário, ficavam em perfeito estado de consciência, sabendo de tudo que se passava.

Alguns dos primeiro visitantes quiseram arrancar algumas pedras para levar de lembrança e começaram a danificar o ambiente, o que foi proibido dali para frente.

Do lado de fora da caverna existiam muitos quilos de cristais suficientes para todos, retirados de outros locais e ali colocados para essa finalidade.

Com a difusão de alguns boatos de curas pelas águas da gruta, as visitas aumentaram.

Foi necessário estabelecer algumas regras e um guarda foi colocado ali para vigiar possíveis vândalos.

Toda mídia falada e escrita divulgavam sempre as belezas do local.
Fotos padronizadas foram distribuídas para a imprensa, evitando assim futuras visitas indesejáveis.

Muitos cartões postais adotaram aquela gruta como tema. Uma longa reportagem saiu num jornal inglês e foi repetida milhares de vezes na internet e logo apareceram os primeiros turistas estrangeiros.

Munidos de máquinas fotográficas e garrafas vasias para levar água, entravam e saiam da gruta.

O proprietário do terreno já estava incomodado com tanta gente. A Prefeitura não conseguia atender a todos. Hotéis lotados permanentemente. Cristais e mais cristais eram colocados na frente da gruta e de um dia para outro tudo sumiam, evaporavam. O povo naquela ânsia de levar qualquer coisa para casa, passava a mão naquelas pedrinhas brilhantes que ali estavam para essa finalidade.

Começaram a aparecer os camelôs vendendo de tudo. Foi preciso colocar uma ordem, para não haver tanta exploração do povo.

A embalagem de uma pequena garrafa plástica de meio litro custava R$5,00. Todos queriam levar aquele líquido, que parecia ser uma ótima água mineral.

Vários engenheiros e cientistas de todo o mundo ali compareceram e deram a sua opinião. A água foi analisada por órgãos competentes e chegaram a conclusão que era a água mais pura encontrada, muito benéfica a saúde. Uma composição incrível, nunca vista em nenhum lugar do planeta: Bicarbonato, cálcio, magnésio, sulfato, nitrato, potássio, sódio, fluoreto e uma substância desconhecida, jamais analisada.

Quando guardada em lugar fresco e seco, sem exposição a luz, seus efeitos duravam em média três meses. Uma água mineral pura, leve e saudável.”

Mas como dizíamos, estavam comemorando o cinqüentenário e junto com as explosões dos foguetes, outras explosões se ouviram em vários locais…

(Continua)
Manoel Amaral

OSVANDIR, AVENTURA EM ISRAEL

“Que imenso tesouro pode estar oculto num simples coração.”
Osmair, tio do Osvandir

Osvandir leu num jornal que o Departamento de Antiguidades de Israel colocara em exposição os últimos textos encontrados em 1947, no deserto, numa caverna perto de KHIRBET QUMRÂN, a 128 km de Jericó. Estes textos, na maioria, muito antigos, alguns são datados de aproximadamente 250 antes de Cristo e outros do ano 70 da era comum.

Aproveitou uma viagem que fez ao Oriente Médio, para visitar Israel, mais precisamente em Jerusalém

Ao descer no aeroporto, Osvandir foi convidado a prestar alguns esclarecimentos ao Mossad, Serviço de Inteligência Israelense, sobre o que escreveu falando de Israel no texto “Quem matou este homem” (link: http://osvandir.blogspot.com/2009_04_01_archive.html), que constava em sua ficha policial daquele país.

Osvandir argumentou que aquilo era apenas um conto, bem como quase tudo que escreve, razão pela qual em seu blog, logo abaixo de seu nome, está a informação que os textos tratam de ficção.

Liberado, foi visitar o Museu do Livro, Eichal HaSefer, em Jerusalém, lugar onde são abrigados os Manuscritos do Mar Morto, além de ser um centro de informação e estudos sobre o assunto.

A cúpula do prédio é em formato da tampa dos vasos onde foram encontrados os pergaminhos. O santuário é construído com uma cúpula branca simbolizando os filhos da luz, e uma basalt wall negra – simbolizando os filhos das trevas.

Osvandir achou que parecia com uma nave pousada. Fotografou e enviou uma cópia para o seu amigo Mario Rangel, que coleciona estes tipos de fotos.

Dos documentos exposto, o que mais interessou ao nosso herói, foi o rolo de cobre, cujo conteúdo traz a localização de tesouros do Templo, com mais de 200 toneladas de ouro e prata, enterrados em vários locais.

Os demais documentos trazem orações, rituais e regras provavelmente dos essênios, uma comunidade que viveu em Quran. Estão escritos em várias línguas: hebraico, aramaico e grego.

A secretaria do Museu colocou à disposição de Osvandir um CD-ROM, com cópia exata do rolo de cobre que tanto lhe interessou.

Na manhã seguinte seguiu por uma rodovia asfaltada, até encontrar as famosas cavernas, num deserto de difícil locomoção. Parou o carro em frente a que estava mais próxima, subiu num pequeno morro de pedras, esgueirou-se por entre brechas das rochas e conseguiu entrar naquela que seria uma das mais importantes cavernas, onde encontraram vários documentos antigos.

Conseguiu penetrar até ao fundo projetou a lanterna no teto, depois pelas paredes laterais. Encostou a mão num local onde estava mais liso e empurrou, para sua surpresa viu alguma coisa mover-se, provocando um barulho de terra despencando. Caminhou para direção contrária e escondeu-se atrás de uma grande pedra.

Quando a poeira acabou, focou a lanterna naquele local e o que viu causou-lhe um espanto. Debaixo daquelas pedras que caíram havia um grande vaso, vedado por uma tampa. Ao removê-la, notou vários rolos de pergaminho e no fundo algumas moedas muito antigas. A maioria de prata.

Imediatamente comunicou o fato ao Departamento de Arqueologia de Israel, que enviou várias pessoas para remover o que foi encontrado.

Em agradecimento, Osvandir recebeu daquele departamento, uma réplica de moedas antigas. As autoridades reconheceram o grande valor da descoberta.

Na hora do embarque o aparelho do aeroporto acusou presença de metal. Osvandir mostrou as moedas e o CD-ROM que recebera das Autoridades Israelenses. Analisaram a bagagem de mão e liberaram.

Em casa, desfazendo as malas, encontrou na sua bagagem de mão uma estranha moeda de ouro. Sem saber como aquela relíquia foi parar ali, tentou lembrar dos últimos momentos que passou no aeroporto internacional de Israel. Lembrou que conversara com um Senhor que se identificara como Isaac, dissera ser pesquisador dos pergaminhos antigos e estava muito feliz com a nova descoberta. Estranhou o abraço apertado que recebeu na hora da partida.

No seu escritório, consultando os jornais digitais favoritos, deparou com a seguinte reportagem:
Brasileiro descobre tesouro em Israel

Manoel Amaral