TAMANHO NÃO É DOCUMENTO

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO
O jovem descia a rua, pesquisando os números, iria comprar hidrogel com uma amiga.
Nem sabia da procedência, estava mais barato, para ele era isso que contava no momento de crises no país.
Aproveitou, passou numa farmácia mais próxima e comprou também uma microcânula, descartável, para injetar o medicamento.
No início doeu muito, mas explicaram para ele que era assim mesmo, depois viriam os sangramentos e inchaços. Não tinha nenhum conhecimento técnico para aquilo. O profissional habilitado para fazer o procedimento é um médico, de preferência um cirurgião plástico ou um dermatologista com treinamento em técnicas de preenchimento do corpo.
Só que ele não explicou para a vendedora onde iria fazer a aplicação.
Nos primeiros dias a sua namorada sentiu um grande volume no órgão. Até achou melhor a relação do que das noites anteriores.
Ele ficou satisfeito com o desempenho. Mas aquilo estava incomodando muito.
Na verdade o hidrogel é usado para aumento de volume em regiões como o bumbum e as coxas. Também é usado para o preenchimento de linhas e rugas no rosto e no pescoço.
No pênis ninguém nunca tinha experimentado e ele não tinha experiência nenhuma no caso e acabou pegando vasos, causando vários trombos que caíram na circulação sanguínea, foram até o pulmão, causando um quadro de embolia pulmonar.
Com aquele negócio muito roxo e passando muito mal, foi internado, mas não sobreviveu, sofreu uma parada cardiorrespiratória.
A namorada não estava nem aí. Não compareceu ao enterro que foi muito comentado nas redes sociais e serviu de piadas por muito tempo.
Não use medicamentos quando não sabe dos resultados finais. 
Tamanho não é documento.

Manoel Amaral

O ESTRANHO FENÔMENO

O ESTRANHO FENÔMENO
Imagem Google

Naquela pequena cidade do nordeste os fenômenos continuaram.
Aquelas crianças entre 14 a 17 anos continuavam a cair no chão, sem mais nem menos, com dores musculares.
Outras com dores de cabeça, sufoco no sistema respiratório, no peito, palidez, calafrio, dificuldades para caminhar, náusea.
Havia quem sentia paralisia muscular, aumento nos batimentos do coração, aumento da pressão arterial, desmaio, inquietação.
Todas ficavam com medo de morrer.
O terror estava instalado! Ninguém tinha mais sossego. Os pais em polvorosa, sem saber o que fazer.
Porque as meninas estariam gritando, em transe ou seria  ilusão coletiva?
Ao retomarem os sentidos não se lembravam de mais nada, apenas um vazio em suas mentes.
Quando acontecia com uma, todas ficam em pânico acreditando que também estariam sujeitas aos fenômenos paranormais.
Osvandir tomou conhecimento destes estranhos fenômenos partiu para aquela cidade a fim de encontrar uma solução.
Procurou se informar pela internet e ficou sabendo  que em duas cidades já haviam acontecido a mesma coisa: Itatira, em 2010 no Ceará e em novembro de 2007, em Chalco, próximo à Cidade do México.
Ficou sabendo que tudo é muito rápido, começa com um calafrio, depois as mãos ficam trêmulas, os batimentos do coração ficam acelerados, dá sede, um sufocamento toma conta do tórax, as pernas não seguram o corpo e aos poucos vem o desmaio.
Junto às famílias tomou conhecimento da rotina das alunas: iam de casa para escola, depois da aula passavam numa sorveteria e de lá seguiam para casa.
Fato observado é que todas estavam na puberdade que é um período em que ocorrem mudanças biológicas e fisiológicas.
E todas as vezes que sofriam aqueles ataques estavam no ciclo da  menstruação que pode durar de 3 a 8 dias, com perda de sangue, dor abdominal, alterações de humor e mamas sensíveis.
Pode haver ainda cansaço, sensação de inchaço e irritabilidade.
As mães davam um “Chá de Zabumba” para amenizar os efeitos da menstruação.
Acontece que o Chá de Zabumba, usado em infusão é alívio de espasmos musculares, bronco dilatação; mas também provoca delírios, perda de consciência e alucinações.
No livro “A Erva do Diabo” Carlos Castañeda, informa os efeitos deste chá que pode causar alucinações visuais e delírios incontroláveis.
Estava fechado o caso: não havia histeria coletiva, reação psicossomática ou histeria em massa e nem transes, apenas efeito do chá da planta alucinógena.
O relatório foi encaminhado para a Delegada local que solicitou das mães que não mais usassem os chás da erva do diabo.
Manoel Amaral
www.casadosmunicipios.com.br