TRANSFORMAÇÃO DE ÁGUA EM GUARANÁ

TRANSFORMAÇÃO DE ÁGUA EM GUARANÁ
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Num destes domingos de canseira, muita festa no sábado, Osvandir foi assistir missa às sete horas da manhã.
Cochila aqui, tropeça acolá, até chegar à igreja. Depois de uma demora de meia hora teve início a missa do domingo.
Passou a primeira leitura, na segunda voltou o cochilo, e o sono chegou de vez.
Começou a sonhar que estava numa festa de aniversário na cidade de Canaã, perto de São Miguel do Anta, neste nosso estado de Minas Gerais.
A criançada corria por todos os cantos, pedindo guaraná. De repente aquele líquido tão doce e agradável àquelas crianças, acabou. Não sobrou nenhuma garrafinha.
Ouve um zum-zum, Osvandir foi chamado pelo dono da casa:  — Não temos mais guaraná, como é que há de ser. O supermercado só abre amanhã e não tem nenhum comércio aberto, todos emendaram o feriado de ontem e foram para zona rural. Como vamos fazer? – disse o dono da casa angustiado.
— Osvandir, você não pode fazer alguma coisa, — gritou uma senhora já de idade.
— Eu? Ainda não é chegado à minha hora, tenho apenas 33 anos, mas vou tentar.
Aquela mulher virando-se para os garçons disse:
— Façam tudo que ele pedir.
Osvandir pediu que trouxessem três jarras de dois litros cada uma, com água e gelo. Foi até a sua bolsa, pegou uns envelopes, rasgou-os sobre cada litro e de repente aquilo tudo virou guaraná.
— Milagre! Milagre! – gritaram as mulheres.

Com um cutucão de um amigo Osvandir acordou e o Padre acabava de ler o Evangelho de João, aquele do primeiro milagre de Cristo, a transformação da água em vinho.
Manoel Amaral

BIENAL DO LIVRO VIROU CRECHE

A BIENAL VIROU CRECHE



Como já informei aos meus leitores fui inscrito para participar da Bienal do Livro na Expominas, sorteado para dia 23 de maio, numa quarta feira.

A Câmara Mineira do Livro foi quem conseguiu um estande para acolher os Escritores Independentes, sendo cinco por dia e que cada um deveria pagar uma taxa para participação.

Arrumei toda a minha documentação e parti com meus livros para exposição ao público, como é direito de todo escritor.

Quando lá cheguei notei uma certa desorganização, uns mandavam-me entrar sem crachá, outros despachavam-me para outro local, até que com muito esforço consegui encontrar o nosso estande.

Qual não foi a minha decepção ao chegar: uma diminuta mesa circular, quatro cadeiras, num local bem impróprio. Era localizado na última rua, no penúltimo lugar, bem próximo de um banheiro feminino.

Lá encontrei um escritor, o Renato Delboni autor de Ex-me Aqui (poesias), que já estava ali há mais tempo. Instalei-me, coloquei os livros em exposição e dependurei o banner do livro AS NOVAS AVENTURAS DO OSVANDIR. Olhei o relógio eram nove horas de uma manhã nublada.

A partir daí foram chegando os outros colegas: Galiana Soares Fraga com o livro Doces Momentos Diet (receitas), Brígida Selene com Cantos do Corpo e outros títulos (poesias e crônicas) e Gabriela Barros Rodrigues com um DVD sobre os Quilombolas do Maranhão.

Tivemos uns momentos de silêncio até a chegada de sete ônibus do interior, cheio de crianças. Outros foram chegando e adultos pouquíssimos.

Após uma hora de funcionamento a Bienal virou uma creche. Depois do meio-dia eles continuaram chegando e uma multidão de crianças andando pra lá e pra cá, pedindo brindes em todos os estandes. Alguns de tão pequenos ficaram devidamente prostrados nos assentos. Os nossos livros não tinham como público alvo aquelas criancinhas…

Fiquei profundamente decepcionado e quando o sol se escondia, fechei o meu espaço, recolhi o material e voltei para minha casa.

Será que estas são maneiras de ensinar as crianças a tomar gosto pela leitura?

No sábado, abro o jornal e vejo a seguinte notícia:

Chuva forte interdita Expominas e suspende Bienal do Livro em BH

Manoel Amaral