D. CAIXOTE SEM MANCHA E SANTO PRANCHA III

Capítulo III
Cavaleiros Andantes
“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória!”
(Cavaleiros Templários)

Os cavaleiros andantes agora eram apenas andarilhos. Os animais foram roubados, algumas coisas de uso pessoal também. A fome era tanta que correram para o mato a procura de alguma fruta. Encontraram bacupari e alguns coquinhos cujas castanhas eram muito difíceis de retirá-las. As mulheres seguiram o seu caminho, a residência delas era num pequeno povoado a alguns quilômetros daquele local.


Com o estômago cheio de castanhas, o efeito intestinal, naquele sol, não foi dos mais agradáveis. Dom Caixote seguia pela estrada e daí a poucos passos, entrava no mato. Prancha passou a caminhar diretamente no mato, ficava mais fácil, era só agachar e evacuar.

Numa das agachadas o desastrado servo passou a mão nalgumas folhas para limpar-se e sentiu uma coceira dolorosa, era uma taturana venenosa. O pobre Prancha ficou sem poder sentar-se por um tempão. No povoado, um farmacêutico aplicou-lhe uma injeção para atenuar a dor anal.

As mulheres já haviam esparramado a notícia sobre o assalto aos dois e aumentaram bem o fato. Ficaram conhecidíssimos na região. História passada de boca-em-boca, cada um aumenta um pouco, chega até a virar romance, e que romance!

Todos queriam ver a armadura medieval de Dom Caixote e rir das desventuras do cavaleiro sem cavalo, o Prancha.

As viagens continuaram e cada vez mais, naquela alucinação, D.Caixote imaginava estar vivendo na idade média à procura de sua amada Teteia. Por onde passava era saudado ou apedrejado pelo povo.

Ele precisava manter aquele sonho: encontrar a sua doce namorada fictícia. A colocava no altar como uma santa.

Viajando por aquele grande Estado encontrou um rebanho de bovinos, confundindo-os com um exército inimigo avança contra os animais, mas é surrado pelos boiadeiros além de ser pisoteado pelos bois. No meio daquele pasto verde, ficou muito ferido e acabou perdendo alguns dentes, foi aí que Santo Prancha vendo aquele figura horrível, denominou-o de “O Cavaleiro de Triste Feiura”.

Mas o seu desejo de combater as injustiças e encontrar sua Dama segue viagem, sempre enfrentando situações ridículas e seguido por seu fiel escudeiro.

Pegam carona num camionete cheia de gente mal-encarada. Na próxima cidade eles assaltam um banco e nosso herói ajuda aos ladrões pensando estar libertando escravos.

No meio daquela confusão foi pego por alguns policiais, enquanto os ladrões fugiam com todo o dinheiro.

Na delegacia foi que o Delegado descobriu que Dom Caixote e Santo Prancha não tinham nada com o assalto, foram simplesmente utilizado com “Comissão de Frente”.

Finalmente encontram duas senhoras naquela cidade que ele imaginava ser uma a mãe e a outra a sua adorada e eterna namorada.

Alguns comerciantes deram aos dois alguma alimentação, até que a ambulância parou numa rua estreita, dois homens de branco desceram e os colocaram numas camisas de força e foram internados como loucos, num sanatório bem longe da cidade.

Dom Quixote ainda imaginava que aqueles dois eram enviados do Mago Merlim que viria para impedi-los de trabalhar contra as injustiças do mundo.

(Pode continuar, ou não.)

Manoel Amaral
www.afadinha.com.br

Leia:
Dom Caixote sem Mancha I – O Pangaré

Dom Caixote sem Mancha II – O Resgate dos Escravos

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D. CAIXOTE SEM MANCHA E SANTO PRANCHA II

Capítulo II
O Resgate dos Escravos

Seguindo por aquelas regiões planas encontraram grandes plantações de um tipo de feijãozinho amarelo e redondinho, que diziam produzir um excelente óleo.

Dom Caixote queria mesmo era cozinhá-lo. Pegou uma de suas panelas e mandou o servo Prancha colocar água no feijão. Aquilo ficou ali por mais de duas horas e nada de amolecer. Desistiram da empreitada e comeram paçoca e um pedaço de queijo com um café ralo.

Na próxima fazenda encontraram um proprietário muito mau que explorava os empregados, que não tinham nem o que comer.

Os dois andantes tomaram conhecimento de tudo e convidaram todos para viajar com eles.

Uma estrada asfaltada, caminhões voando, acidentes na curva, mulheres chorando. Dom Caixote muito comovido aproxima-se, desce do pangaré e cumprimenta a todos, mas os guardas rodoviários não deixam ninguém aproximar-se dos feridos.

Um reboque suspende a sucata que sobrou do veículo acidentado. Pelo acostamento seguem os dois, até que um caminhão de transporte de animais, para, e o motorista pergunta:
― Para onde vocês dois vão?

Prancha se adiantou e informou que estavam a procura de uns cortadores de cana e algumas mulheres.
― Cortadores de Cana? Só do outro lado do rio. ― Aí o motorista desceu e ajudou Dom Caixote a colocar os dois animais na carroceria.
O Mestre entrou na cabine e mandou o servo subir e ficar junto com os cavalos.

Em cada curva tudo balançava lá em cima, para completar a situação, uma chuva de granizo caiu, devastando a região e espantando os pobres animais. Quanto ao homem, encolhia-se a cada pedrada e gritava que nem criancinha.

Chegaram ao destino, uma destilaria de álcool combustível, agora chamado de Etanol. Trabalhadores por todos os lados.

O caminhoneiro providenciou a descida do pangaré chamado “Alucinante” e o burrinho. Prancha havia sujado toda a roupa no meio daqueles excrementos.

O transportador seguiu o seu caminho. Já os dois caronistas foram arranjar encrenca. Entraram na primeira casa pedindo um pouco de alimentação e o que ganharam foram alguns sopapos dos donos, que ainda riram dos dois.
― Aqui não aceitamos vagabundos, podem pegar a estrada.

Dom Caixote tentou argumentar que estava a procura de sua amada que fora sequestrado por bandidos mascarados, mas não adiantou, o chefe dos trabalhadores os expulsou dali.

Pegaram suas mochilas, os animais e saíram. Logo, não longe da usina e dos canaviais, encontraram uma boa alma que os acolheu. Bem alimentados, recolheram-se aos quartos e dormiram tranquilamente.

Na manhã seguinte Dom Caixote deu ao dono da casa, Senhor Joaquim, um belo livro de aventuras. Ele fez que gostou, mas nem sabia ler.

Seguiram viagem, e na primeira mata, saiu de trás de um cupim dois assaltantes que vasculharam suas mochilas e pegaram o que lhes interessavam; procuravam dinheiro, mas não encontraram. Amarraram os dois numa árvore cascuda, própria dos cerrados e ainda levaram os animais.

Várias horas se passaram e os dois ali sem poder beber e comer, no meio daquele mato. Prancha gritava para ver se aparecia alguém. Duas mulheres que colhiam gravetos por ali, ouviram o barulho e encontraram os dois. Com medo, ficaram à distância.

Dom Caixote olhou, olhou e se encantou. Imaginava que poderia ser a sua doce Teteia, que havia sido sequestrada. Prancha apressou em solicitar que desamarrassem as cordas, ―não precisam ter medo, dizia, ― somos dois velhos com fome e sede.

― Foi exatamente um velho que atacou uma menina aqui no mês passado, ― falou uma das mocinhas.

A mais velha, pegou o longo facão e…
― Tenha piedade, minha senhora, não fizemos nada, ― gritou rápido o medroso Prancha.
― Vou apenas cortar as cordas.

Manoel Amaral

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Leia os outros capítulos:
Dom Caixote sem Mancha I – O Pangaré

Dom Caixote sem Mancha II – O Resgate dos Escravos

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