OSVANDIR E A DOENÇA MISTERIOSA

OSVANDIR E A DOENÇA MISTERIOSA

“Essa doença incapacita e mata”
(Dr. Osmandir, Tio do Osvandir)

O Tio do Osvandir havia muito tempo precisava fazer um check up. É que ele estava levantando a noite para urinar, bebendo muita água e ficava sempre com muita fome, fora do horário das refeições.

Fora isso tudo ainda perdera alguns quilos e ficava num cansaço, que imaginava ser dengue. Algumas feridinhas de seu braço estavam demorando muito a cicatrizar.No mês passado teve uma infecção urinária que foi difícil controlar, só terminou a custa de muito antibiótico e anti-inflamatório.

Quando estava escrevendo seus textos no computador, sentia uma dormência nas mãos e pés, visão embaçada. Era como se fosse um formigamento.

Pensou com ele mesmo: — deve ser a posição, a postura na cadeira. Foi até a loja mais próxima e comprou uma boa cadeira para uso na sala de computação. Qual o quê, tudo continuou na mesma!

Não tinha escapatória, ligou para seu médico, clínico geral e marcou consulta para o fim de semana.

Os dias se passaram rapidamente e na sexta-feira a secretária ligou informando que havia um horário vago mais cedo, perguntou se havia interesse em fazer a consulta na parte da manhã. Meu Tio que sempre gostou de se livrar do médico o mais rápido possível, confirmou o horário.

Às dez horas pegou o carro na garagem, ao abrir a porta do veículo sentiu uma dor aguda do lado esquerdo do peito. Apressou a saída, desceu a rua de sua residência, pegou a via principal e foi para o centro.Na clínica várias pessoas conversando sobre doenças.

Até que uma velhinha falou sobre o seu marido:
— Ele andava meio triste, emagreceu muito, com a boca seca, visão embaçada e ia ao banheiro toda hora.

O meu Tio ficou ali escutando e conferindo com os seus sintomas. Começou a ficar preocupado.
E a anciã continuava:
— Zezito, foi ao médico e ficou constatado…

Neste momento a secretária chamou-o para consulta, de maneira que não ficou sabendo o final da conversa das duas comadres.

Antes de sentar-se naquela cadeira macia e confortável da sala, o médico cumprimentou-o e perguntou-lhe como estava passando: — Como vai o Senhor?
— Vou vivendo…
— Então vamos aos exames, o que está sentindo ultimamente?
— Estou muito sonolento, boca seca, bebo muita água, dor nas mãos e pés, quero comer a toda hora e a noite levanto para urinar várias vezes.
— Meu amigo, nem precisa falar mais, vou solicitar alguns exames e cuide de voltar o quanto antes ao meu consultório.
— Sim doutor, vou voltar o mais rápido possível.

Osmandir, o tio do Osvandir, saiu dali com várias interrogações na cabeça. Foi para casa e nem quis trabalhar mais naquele dia. Ficou remoendo as macacoas.

No outro dia foi logo levantando bem cedinho e se dirigindo ao laboratório de análises mais próximo de sua casa.

Muito bem acolhido na chegada, mas esquecera de recolher a urina em casa. Deveria entregar outro dia.
A gentil secretária informou que poderia buscar os resultados na sexta-feira de manhã. Assim sendo aproveitou para marcar com o Dr. Salomão, naquele dia mesmo.

Passou a semana toda observando a si mesmo e aqueles sintomas eram reais. Estava mesmo perdendo peso, comendo muito, boca seca e querendo água. Mãos e pés então? Pioraram, estavam mais inchados.

Chegando à sexta-feira, foi ao centro da cidade três vezes, para o tempo passar mais depressa. Encontrou seus velhos amigos, mas com o mesmo papo de sempre: falando mal das eleições, da aposentadoria e do governo federal.

Chegou a sexta-feira, sol brilhante no céu, de repente uma chuvinha fraquinha só para apagar a poeira do asfalto. Almoçou menos, viu as notícias na TV e seguiu para o consultório.

As mesmas velhinhas faladeiras estavam lá. Não deu muito ouvido, ficou do lado de fora observando o grande movimento de veículos nas ruas. Perguntou a alguém a razão daquilo e foi informado que naquele dia haveria uma grande festa na cidade.
Chegou o momento de seu encontro com o médico. Estava tremendo, parecendo que ia receber uma péssima notícia.

Com os resultados de exame na mão entrou na sala.
— E aí “Seo” Osmandir? Deu tudo certo?
— Foi fácil, consegui os resultados para hoje e aqui estou.
— Vamos ver… É amigo, a glicose está alta, também o colesterol.
— Mas doutor, isso é coisa grave?
— “Se não houver controle pode levar a pessoa a um processo de envelhecimento rápido, com falência de órgãos importantes como os rins, olhos, cérebro. O excesso de glicose na circulação provoca lesão de pequenos vasos sanguíneos que pode ocorrer em qualquer órgão do corpo.”
— Como vou fazer para controlar isso tudo?
— Tomando a medicação correta, fazendo a dieta que vou passar-lhe, não coma açúcares, doces. Consuma bastante verduras, legumes, saladas, cereais, alimentos integrais e faça, todos os dias, uma caminhada, de preferência à tarde.
— Mas que doença é essa doutor?

— Você tem diabetes.
Manoel Amaral

OSVANDIR E O MOSQUITO MISTERIOSO

Imagem Google

“O mosquito da dengue, para se reproduzir,

necessita de águas paradas e
de autoridades idem.”
(Tartaravô do Osvandir)

Foi numa destas experiências que um laboratório mexicano andava fazendo com insetos que um fato anômalo aconteceu.

Alguns insetos fugiram do controle e foram parar no meio de outros que estavam separados para análises.

Acontece que por descuido de um dos embaladores das moscas que viriam para o Brasil, vários destes mosquitos excêntricos vieram no meio das caixas.

As moscas foram encomendadas por fazendeiros de Mato Grosso do Sul para acabar com a moscas-de-chifres.

Como os fazendeiros nada sabiam do ocorrido, soltaram todos, através de avião, bem no centro de cada fazenda, esperando que o casamento daquelas moscas com as maléficas moscas-de-chifres desse o resultado desejado.

Mas um fato mudou toda a situação. Um fazendeiro reparou que um mosquitinho novo tinha aparecido no meio das outras fêmeas.

Era até bonitinho. Pernas pintadinhas de branco, o resto do corpo era preto. No entanto nenhuma fêmea das moscas-de-chifres queria acasalar-se com ele, ficou isolado.

Precavido, o fazendeiro pediu que todos os peões fossem capturar tais mosquitinhos. E foram e encontram uma porção enorme deles, era fácil capturá-los. Eles não ofereciam resistência nenhuma.

Levado ao laboratório mais próximo, constatou-se que era o Aedes Aegypti, o violento mosquitinho da dengue.

Analisando melhor, a cientista chegou a conclusão que era um pouco diferente do original brasileiro. Alguma coisa na sua cauda e um pouco mais comprido a barriguinha dele. Era somente machos, não havia nenhuma fêmea em todas as caixas pesquisadas.

Osvandir ficou sabendo por jornais das pesquisas e resolveu visitar o laboratório da Dra. Maísa, em Campina Grande, Mato Grosso do Sul.

Dias e dias de experiência com fêmeas, verificou-se que elas acasalavam com muita facilidade com tais mosquitinhos.

Passado alguns meses os ovos produzidos pelas fêmeas foram analisados pela cientista e outros pesquisadores que foram convocados pelo laboratório de Campo Grande-MS, CPI – Centro de Pesquisas de Insetos.

Eles eram um pouco diferentes dos ovos das outras fêmeas que picavam a gente todo dias pela manhã e no final da tarde.

Na picada, ela aplicava uma substância anestésica, fazendo com que não houvesse dor, só descobríamos quando dava aquela coceirinha.

O mosquito macho alimenta-se de frutas, somente a fêmea pica as pessoas e animais.

No momento que está retirando o sangue, a fêmea contaminada transmite o vírus da dengue para o ser humano.

Antigamente a fêmea depositava seus ovos em locais com água parada e limpa, atualmente ela deposita até em água um pouco poluída.

Cada vez eles ficam mais resistentes a venenos produzidos por laboratórios que enriquecem e nós ficamos com a praga.

No início foi o BHC, depois veio outros venenos e atualmente eles usam o fumacê com veneno misturado com óleo de soja, o que andou matando algumas pessoas no Nordeste.

Os sintomas da dengue todos conhecem: febre alta, dores de cabeça, nas costas e articulações e dores na região atrás dos olhos.

Retornando aos ovos diferentes da fêmea acasalada com o estranho mosquito mexicano chegou-se a conclusão que tais ovos não reproduziam qualquer tipo de mosquito. Perdiam no meio das águas e eram muito apreciados por peixes…

O resultado disso tudo foi que o mosquito da dengue estava quase extinto no Estado do Mato Grosso do Sul.

No entanto quando Osvandir chegou a capital, ao abrir os jornais…

JORNAL O PROGRESSO

Inseto que fugiu de laboratório pode causar calamidade.

FOLHA DO POVO
NOVO MOSQUITO DA DENGUE ESTÁ MAIS FORTE DO QUE ANTES

OSVANDIR FOI PRA PASÁRGADA

“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá a existência é uma aventura”
Manuel Bandeira

Enquanto nossos amigos Argonautas seguiam para a exposição de foguetes em Cabo Canaveral, na Flórida, local que Dr. Mendes conhecia muito bem de outra viagem sua, lá no acampamento de Bost Osvandir, ferido, febril, passou a delirar.
“__ Quero ir para pasárgada, lá posso passear com Angelina Jolie, com aqueles lábios grossos e tentadores.
Lá o Planalto não tem plano “B”, tem “plano alto”.
Naquele local a Ordem dos Advogados Extraterrestres não fica fiscalizando terceiros, metendo o nariz onde não deve, nem existe Prédio da Justiça em construção, que gasta bilhões de Zolares.
O Zolar, moeda local, está sempre estabilizada, não baixa e nem sobe, não prejudica ninguém.
Cartões corporativos nem pensar, os que existem somente para meia dúzia de autoridades maiores, que sabem como gastar.
Assalto a banco é coisa do passado. O último foi aquele do Banco Central, mas já está tudo resolvido. Os bandidos estão todos na Cadeia Global Intergaláctica (CGI).
Em Pasárgada os políticos são todos honestos, não existe fome e nem pobreza. Na verdade alguns políticos adotam apelidos bem engraçados: Progresso, Felicidade, Pai de Todos, Mão Branca, Polvo e outros mais…
Os Partidos políticos são poucos, mas trabalham pelo e para o povo. Tem nomes comuns: PL – Partido da Lua, PS – Partido do Sol, PSR – Partido Sem Religião, PP – Partido do Povo.
Na Capital Federal tem um hotel com o nome de “Legislatura” onde alguns políticos menores passam a maior parte do dia.
Naquela terra os Bancos têm juros baratinhos, quase zero por cento. São controlados, não podem assaltar o povo, com taxas e juros extorsivos. Não são como empresas que têm lucros. Têm programas sociais, realmente sociais, ajudam o povo.
Os aposentados nunca estão endividados. Podem passear, fazer turismo. São bem tratados, nunca assassinados.
As crianças têm prioridade em tudo, crescem lindas e saudáveis. Nunca são atiradas pelas janelas.
O Programa de Saúde funciona muito bem, a Febre Verde, já está controlada. Ela foi disseminada pelo vírus de um macaco ET, raça em extinção do Planeta Amarelo.
O único inconveniente é que naquela boa terra existem alguns mosquitinhos denominados Petedengues que são uma verdadeira praga. Infestam todos os locais de trabalho e os altos escalões. Mas já, já, estarão extintos pela fome e pelos próprios erros de cálculo.
Os seqüestros Raio são problemas menores, que foram controlados pela CIA – Comando Intergaláctico Aeroespacial.
Todos os brancos também têm cotas nas Universidades. Não existem raças superiores.
O gás da cidade-estado vem de outras duas comunidades chamadas Rolívia e Arruela.
Lá tem uma revista de ufologia denominada ARRUFOS e vários jornais eletrônicos – os impressos em papel estão em extinção: Virgília, Rodovia, Galáctíca e por aí…
A Galáxianet – com bunda larga, não deixa ninguém em desvantagem, todos podem navegar sem Explorer. Os programas Zoogle, Piorhoo, garantem busca em todo o universo.
Em pasárgada tem uma famosa indústria de refrigerante Rota-Cola que está sempre em briga com a concorrente Pesca-Cola. Coisa de mercado, no fundo são todas iguais. Satisfazem o desejo dos cidadãos.
Corrupção nem pensar… O último caso em que um funcionário público roubou um centavo do Zolar, foi severamente punido!”
Osvandir estava acordando, voltando a si, caindo na realidade. Olhou para um lado e para outro, ainda estava em Bost!
Em Cabo Canaveral, Dr. Mendes convida seus amigos a segui-lo pelos emaranhados caminhos dos foguetes, cápsulas e naves.
__ Esta aqui é a Gemini–5, levava dois astronautas, em 1965, ela ficou quase oito dias no espaço, falou Dr. Mendes.
Assim que terminou algumas palavras sobre o foguete Titan, foi chamado por policiais que guardavam o local.
__ Were is your passaport?
Exigiram os passaportes, ninguém tinha tal documento.
__ We have passaport!
Todos foram presos e conduzidos ao interrogatório.
(Continua…) Manoel
= = = = = = = = = = = = = = = = = = =
FONTE: Texto extraído do livro “Bandeira a Vida Inteira”, Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90