AH NEM, ESTE ENEM

AH NEM, ESTE ENEM!


E o idiota, custou a estacionar o carro, pegou a carteira de identidade da irmã, pôs no bolso e correu, não adiantou o portão já estava fechado. Pulou o muro da escola, procurou a sala entregou o documento.

Entrou na sala e estava bem tranquilo, fazendo a prova, mas foi descoberto e expulso.

Esta é uma das muitas histórias acontecida de ontem para hoje, nesta incrível maratona que é o ENEM (sem acento no final).

Milhares chegaram atrasados, alguns dormiram demais, outros por causa do trânsito.

Foi o que aconteceu com Jardel, bebeu muito na noite de sábado e tentou chegar a tempo mas o trânsito estava terrível e não conseguiu.

Joaquim tentou ir no seu carro velho mas não chegou nem na metade do caminho, o pneu furou e estava sem estepe. Pior foi o outro que o carro parou na estrada, estava sem “gazolina”.

Izabel queria ficar bem longe da família e fazer tudo sozinha, se deu mal, pegou o metrô desceu no ponto errado, nem tentando um táxi consegui chegar aos portões antes das treze horas.

Alguns se envolveram em acidentes nas estradas das cidades vizinhas, a caminho da prova mais discutida do país.

Outros levam pé-de-coelho, ou vestem as mesmas roupas do sábado, para dar sorte. Pura bobagem tem mesmo é que estudar.

Nesta hora muitos já saíram, desistiram, não conseguiram chegar ao final.
A maioria dos alunos da rede pública também não chegaram lá acharam tudo muito difícil.

O azar de uns foi a felicidade de outros: D. Mariazinha ficou o dia inteiro vendendo as suas canetas pretas, bolinhos de carne, pastéis e um suco aguado.

Quarta feira isto tudo acaba o gabarito sai neste dia e aí muitos vão ver o buraco em que se meteram e sem saída. Notas baixíssimas na redação e não houve chance de receitas de miojo.

O tema é “Lei Seca”, não aquela de 1929, nos Estados Unidos, mas a nossa, nas estradas.

“A prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013 tem como tema “Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil”. A informação foi divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) minutos após o fechamento dos portões dos locais de prova pelo Brasil.” (Jornal Globo)
Depois dessa, vou beber a minha cachacinha de Salinas, safra de 1999, esperar mais algumas horas e soltar os foguetes para espantar os fantasmas do ENEM, há nem.

Manoel Amaral

TRAGÉDIA DE SANTA MARIA

NÃO VOU FALAR DE TRAGÉDIA…

“O que matou foi o pânico, a inalação da fumaça tóxica e a dificuldade em sair”. (Cel. Guido, comandante do Corpo de Bombeiros)

 

O mundo inteiro publicou manchete sobre a tragédia de Santa Maria.

Não falarei sobre o assunto. Caso encerrado. Erros apurados, não vão devolver as centenas de mortos as suas famílias.

Ninguém vai mudar nada. As Boates continuarão recebendo menores, os fogos serão apontados para o teto. O terror vai continuar para todo lado.

Festas de formatura acontecem em todo país. Os jovens amontoam-se em cubículos e querem divertir-se.

Mas contra a fumaça, que mata em cinco minutos, não há solução, não há tecnologia que resolva esta situação.

Os conjuntos, as bandas, já assistiram tantas mortes por causa de incêndio,  não sei porque continuam usando show pirotécnico em recinto fechado.

Não vamos aqui relembrar o desespero da mãe, do pai exigindo justiça. Não vai adiantar nada, quem conseguirá trazê-los de volta?

Nem ficar dizendo que o extintor não funcionou ou que a boate não tinha alvará, agora é tarde demais.

Não vamos lamentar que o computador com as imagens das câmaras de segurança  tenham desaparecido, elas não iriam resolver nada.

E as famílias que nem tinham dinheiro para comprar o caixão? Isso são coisas de somenos importância.

Devemos agora pensar no futuro, aprovar apenas projetos com amplas portas de emergência e bem sinalizadas. Teto sem produto inflamável e jamais permitir o uso de fogo.

Seguranças bem treinados e não um Zé Mané qualquer, escolhido pela altura e corpulência.

Olha só, ainda tinha jornal publicando fotos de celulares de minutos antes da tragédia, mas que coisa horrorosa.

Um artista jamais imaginaria que usando um sinalizador provocaria uma tragédia. As faíscas atingiram a espuma do isolamento acústico no teto do estabelecimento e as chamas se espalharam pelo recinto.

No caso de Santa Maria, apenas duas portas laterais, bem amplas e sinalizadas, teriam resolvido o assunto.