O FRANCÊS QUE NÃO ENTENDEU O BRASIL

O FRANCÊS QUE NÃO ENTENDEU O BRASIL –

Imagem Google

                                  e porque ele fugiu correndo

”…Qu’il soit infini aussi longtemps qu’il durera !”
Vinícius de Morais
E aquele francês Jean Jacques queria conhecer o Brasil. E o serviço de Turismo aconselhou ao turista visitar uma favela do Rio.
Ele foi ao complexo do Alemão, lá estava tudo pacificado: tiroteio durante a noite que nem festa de São João.
Resolveu ir para a periferia da periferia, lá pros lados onde “Judas perdeu as botas.”
Muita gente dormindo pelas calçadas, por que no centro da cidade não pode mais.
Aqueles moradores de rua, sem perspectiva nenhuma de melhoria de vida. O Programa Minha Casa Minha Dívida, não foi feito para eles, quem estão abaixo da linha de pobreza. Hoje o cidadão tem que pagar altas prestações mensais aos bancos. Como eles não ganham…
A cada dia aqueles indivíduos estão sendo varridos da face da terra por uma onda de extermínio, uma verdadeira “Limpeza Social”.
Por precaução eles dormem durante o dia, à noite estão correndo risco de vida.
Jean, o nobre francês, foi vendo aquilo, ficando triste com o país da maior Copa do Mundo.
Quando ouviu e leu sobre os gastos com os estádios e nada para saúde, encino (estão escrevendo assim nas capas dos cadernos) e Transporte, ficou muito triste.
Abriu o Jornal e pode constatar que naquela madrugada vários bancos foram assaltados com bananas de dinamite. Noutra coluna ficou sabendo sobre tráfico de órgãos humanos. Naufrágio no Amazonas, apreensão em São Paulo de uma tonelada de maconha, fora incêndio criminoso em favelas.
Viu e espantou-se com o trânsito, com vários quilômetros, nos fins de semana. Ele que não era bobo nem nada, logo pensou:
–Já imaginaram isso aqui no mês de junho, durante a Copa com mais de três milhões de turistas, andando por todo lado?
Resolveu ir para o Nordeste e apreciar aquelas praias maravilhosas.
O que viu não gostou nenhum pouco. Tinha acabado de descer do táxi, que deu várias voltas desnecessárias, próximo do hotel e já foi “cantado”, por uma garotinha de uns 14 anos. Elas já conhecem as suas vítimas, sendo elas também vítimas deste sistema social de altos privilégios para poucos.
Correu para praia mais próxima para esfriar a cabeça e por lá era a mesma coisa: o turismo sexual “corria à solta”. Não ouve tempo nem dele fotografar o lindo por do sol, roubaram a sua câmara digital.
Resolveu então tomar uma água de coco, mas o preço que pediram foi alto. Acabou comprando uma água mineral, quando notou ela estava violada, foi reclamar, mas cadê o vendedor?
Quando estava pensando que tudo aquilo estava tranquilo demais, vem um arrastão de vinte jovens e levam tudo dos turistas desprevenidos.
Mediante esta tão boa acolhida resolve ir ao restaurante do hotel e por lá comer uma boa feijoada. Mas aquela refeição só era para quem estava acostumado. Ficou com dor de barriga por três dias, sendo internado no UPA 24 horas, que incrivelmente nunca funcionou à noite.
Saiu de lá mais branco do que já era, pegou a mochila, arrumou tudo, passou a mão na sua mala, comprou passagem para o seu país e zarpou o mais rápido possível.
Manoel Amaral
Fonte:

https://www.youtube.com/watch?v=zlKdXKPGo5k Brasil: denunciam desalojamento disfarçado e limpeza social – Favelas

https://www.youtube.com/watch?v=GEsAwat2_Dg  Fogo nas favelas. Empreendimentos Mobiliários – alto preço dos imóveis região.

OSVANDIR E O SEQUESTRO

“Há quem pense que, se não houver pedido de resgate,
não há sequestro.”
(Tonhão, bandido da favela Morro do Querosene)

Capítulo I
OSVANDIR SUMIU

Nem sempre acontece de haver pedido de resgate, num caso de sequestro, foi o que aconteceu com Osvandir.

Ele seguia em seu carro, tranquilamente, para a casa que alugara no Rio, de repente resolve mudar o itinerário e passar por outras ruas. Foi até o final de uma delas. Estava muito escuro, ouviu o roncar de um carro cantando pneus. Freou. Na sua frente um carro preto, na traseira um cor de vinho, parecia ser um Tempra.

Quando ele já ia descendo do veículo para saber do que se tratava recebeu um golpe na cabeça e caiu ali mesmo, não percebendo mais nada.

Os dois carros sumiram por aquela rua sem movimento. O do Osvandir ficou ali, a espera de qualquer pessoa para depená-lo.

Até apareceu mesmo alguém para tentar levá-lo, mas não conseguiu.

Nesse meio tempo já dirigiam a uma casa previamente alugada, para receber o sequestrado. Ao chegarem ao local, arrastaram aquele jovem para dentro de um quarto e fecharam a porta.
Esconderam os dois veículos na garagem, e ficaram aguardando o desenrolar dos fatos.

O que aconteceu lá dentro daquela casa só Osvandir poderia contar com suas próprias palavras:

“Eu acordei, com a cabeça sangrando, dois homens e uma mulher na sala conversando. Pedi um copo de água, o que veio rapidamente. No quarto uma janela fechada com cadeado e grade do lado de fora.”

“Já se passavam algumas horas e chegou um jantar em marmita. Tudo simples, mas bem limpo. Uma colher e um docinho de leite, envolvidos por um saco plástico”

“Comi, porque estava mesmo com muita fome e fiquei por ali observando alguma coisa. Notei que a casa mais próxima era bem longe, havia alguns lotes vagos. A cama era de casal, um armário do lado direito e o banheiro do lado esquerdo. Liguei o chuveiro, estava funcionando precariamente.”

“A mulher abriu a porta e entrou com alguns remédios para tratar do meu ferimento. Eles estavam apreensivos, pensavam que tinha um corte profundo, mas na realidade foi só de raspão, bem que mereciam alguns pontos. Ela pediu-me que deitasse com a cabeça virada para o lado da janela e começou o tratamento. Passou um medicamento, que imaginava ser para cicatrização e anti-séptico, uma espécie de merthiolate, mas genérico. Observei que a sua região pubiana era muito saliente. Imaginei até que fosse travesti, mas a fala era mesmo de mulher.”

“Após aquela ligeira limpeza e uma gaze em cima, fixado por um esparadrapo, fui deitar naquele colchão de casal. De madrugada ouvi alguns tiros, imaginei ser ali por perto. Deveria ser alguma briga de quadrilhas nos bairros.”

“Na manhã seguinte fui desamarrado para conhecer a casa. Um local para churrasco, lavanderia, banheiro, sala, cozinha, dois quartos e um lote muito grande, com muros bem altos. Pude observar que a construção era de boa qualidade e não estava situada em favela. Ao lado direito uma casa bem distante e ao lado esquerdo um lote vago. Gritar ali, seria tempo perdido.”

(Continua…)

MANOEL AMARAL