OSVANDIR E O DESPERTAR

“A realidade supera a ficção.”
(Osair, tio do Osvandir)

Ela estava ali naquela cama de hospital, viera por causa de uma pneumonia.

Há muito não andava, não falava, não movia nem um dedo, imóvel por mais de três anos, em estado de coma.

Era ainda jovem, de repente caiu doente e não se levantou mais. Os médicos não descobriram por que. Seus órgãos internos funcionavam normalmente. O coração batia, o sangue corria nas veias. Alimentava através de sonda. Abria os olhos mas não via.

Ouvia, mas somente aqueles além do ultra-som. Sentimentos tinha. Precisava despertar daquela vontade adormecida.

Passava anos e anos e sua família ali cuidando sempre. Algumas partes do corpo já estavam com enormes feridas devido à posição do deitar.

O seu estado era razoável. A família foi diminuindo. A mãe faleceu, algumas irmãs também.

Mas a luta diária continuava. Os tios, as tias, os irmãos, todos se revesavam para cuidar daquela menina-moça que não despertava.

Tinha uma irmã que não gostava muito daquilo tudo e resmungava sempre: — Não quero ver esta menina sofrer tanto.

No outro dia a dita irmã faleceu. Não viu ela sofrer mais.

Num dia qualquer, de um mês ensolarado da primavera, despertou, levantou-se, sem ninguém saber como e por que, continuou a andar e falar como se nada tivesse acontecido.

MANOEL AMARAL

OSVANDIR & HARRY POTTER NO BRASIL

Capítulo VIII
OS FEITIÇOS DE HARRY
“Não vale a pena mergulhar nos
sonhos e esquecer de viver.”
Harry Potter em
O Prisioneiro de Azkaban

Lá numa cabana Harry abriu sua mala e pegou a sua inseparável vassoura e disse uma palavra mágica “Accio vassoura“, a vassoura partiu em sua direção.

Foi aí que ele resolveu testar as outras palavras mágicas: Pegou a varinha e apontou para si mesmo e disse: Desilusio e ficou completamente invisível.

Então ali tudo tinha voltado ao normal, quem sabe ele estava próximo de casa?!

Falou logo a Osvandir sobre seus poderes, os dois saíram pela ilha, mais precisamente pela praia. Muitos peixes pulando na água. Uma canoa abandonado e com parte da madeira quebrada, logo que a viu foi dizendo:
__ Praia da Canoa Quebrada, este nome não me é estranho, disse Osvandir.
__ Seria alguma praia de seu País?
__ Sei não Harry. Deve ser, é uma associação que veio à minha cabeça.

Engraçado, apesar de saberem que ali era uma ilha fluvial, dava a impressão que estavam em alto mar. Não dava para enxergar o outro lado do rio.

Resolveram adentrar na floresta a procura de uma água mais limpa para beber.

Um urso polar, branco, vinha em desabalada carreira, quando encontrou Harry e Osvandir, perto de uma grande árvore. Os dois subiram rapidamente naquele grosso tronco, para fugir da fera.

Harry pegou a sua varinha mágica e gritou: Eks-Peli-Ármus, o urso deu um pulo para trás e foi parar muito longe.
__ Que animal é esse?
__ É um urso polar. Já fui atacado por animal parecido com este. Tenho até hoje os sinais de suas garras em minhas costas.
__ Vou tentar transforma-lo num animal amigo. Apontou a varinha para aquela fera e gritou: Expecto Patronum.

Uma fumaça preta tomou conta do local, não dava para enxergar nada. Parecia que algo estava se movimentando próximo da árvore.
__ Que é isso? Assustado, gritou Osvandir.
__ É um animal amigo, da minha terra da magia, trata-se do hipogrifo, ele poderá tirar a gente daqui deste local.
__ Mas como? Ele voa? É muito grande, tem a cabeça de uma enorme águia e o corpo de cavalo, nunca vi nada igual! Falou espantado, Osvandir.

Desceram os dois daquela árvore e fizeram uma pequena reverência demonstrando boas intenções. O hipogrifo retribuiu a reverência, indicando que os dois poderiam aproximar-se.

Assim que caminharam em direção do fabuloso animal, um Dementador apareceu, surgindo no meio de uma fumaça preta e jogou Osvandir ao chão e estava tentando sugar toda a sua felicidade. Aquele ser maligno é representante da depressão, dos maus pensamentos e da aflição.
Harry apontou a varinha mágica para aquela figura e gritou uma palavra que não foi compreendida por Osvandir.

Aquele vampiro de alma saiu do corpo do Osvandir e sumiu na mata.

A paz voltou a reinar naquele local, encontraram a água que procuravam e levaram o hipogrifo para o acampamento, recomendando a todos que não se aproximassem do animal.

Os náufragos ficaram maravilhados com o estranho cavalo com cabeça de águia e duas possantes asas.

O Dr. Jack, líder do pessoal que caíra do avião estava tentando entrar em contato com algumas autoridades, através de um aparelho de rádio que conseguiram nos destroços de um avião, mas só um barulho muito estranho é o que se ouvia.

Estava faltando comida, Osvandir disse para o pessoal que tinham encontrado uma fonte de água potável próximo dali, cerca de dois quilômetros.

Mediante o inusitado da situação e daquelas figuras malignas que estava aparecendo no local Harry resolveu sair dali através do hipogrifo.

Conversou com Osvandir, perguntando o que ele achava, este concordou. Os dois montaram no animal voador e saíram, primeiro em voo rasante, para ver se ele agüentava os dois rapazes.
Como a ave voou normalmente, resolveram despedir do pessoal e dizer que iriam mandar socorro quando chegassem numa cidade qualquer.

Assim foi dito e cumprido. Quando Harry e Osvandir encontraram a primeira cidade, desceram, esconderam o animal numa toca e dirigiram a Delegacia da cidade, notificaram ao Delegado e pediu que avisasse ao Prefeito e demais autoridades sobre o desaparecimento do avião 518.

Ninguém acreditou neles, achavam que estavam querendo publicidade.Retornaram ao local onde tinham escondido o hipogrifo não o encontraram. O que teria acontecido?

MANOEL AMARAL

OSVANDIR & HARRY POTTER NO BRASIL

Capítulo VI
HARRY POTTER NÃO GOSTOU!
“A verdade é uma coisa bela e terrível,
por isso deve ser tratada com grande cautela.”
Harry Potter e a pedra filosofal.

Agora que Harry já estava lendo mais ou menos o português, Osvandir mostrou para ele o primeiro e o segundo capítulo de sua história no Brasil, que estava sendo publicada na internet em seu blog.

Ele leu, pediu algumas explicações ao Osvandir e disse o seguinte:
_ Vou pedir ao seu escritor que reveja os textos e sejam reformulados.

Ele escreveu a história como se eu fosse de um tempo diferente, e isso acaba sendo a linha de desenvolvimento da minha história.

__ Mas amigo, você é mesmo de uma época diferente. Estamos em 2009 e você saiu de sua terra há muito tempo, está no Brasil, um país totalmente diferente do seu.
__ “As pessoas que não gostam de mim, não vão ler – e as que gostam vão achar que você subestimou a inteligência dos leitores. A imagem que você tem de Harry Potter é a mesma que a maioria das pessoas que não leu, tem. Acham que era infantil, um menino que morava na cada dos tios e era maltratado… Mas de repente ele sabe que é um Mago e vai pra uma “maravilhosa Escola de Magia”. Não funciona assim, Osvandir. Harry é famoso por uma razão. E a razão se explica na profundidade da trama.”
“Os meus pais foram mortos pelo Lord das Trevas. Ao longo de meus livros, é explicado que Tom Riddle era um menino que foi criado num orfanato Trouxa (não-bruxo), sem saber que era bruxo. Seu pai trouxa morreu e sua mãe bruxa estava tão doente que preferiu deixá-lo no orfanato para a segurança do próprio bebê quando ela moresse. Ele cresceu junto aos outros garotos normais, mas ele tinha poderes que nenhum outro menino tinha. Para conseguir o que queria, ele machucava os garotos usando magia, roubava, queimava e torturava. Então Dumbledore, que já era professor em Hogwarts veio ao orfanato Trouxa para contar ao jovem Tom Riddle que ele era um bruxo de verdade.

“Quando Tom Riddle entrou na escola, ele tirava só boas notas e era um aluno exemplar. Então ele veio a descobrir que seu pai era “Trouxa” (Trouxa é quem não tenta ser feliz), e que seu pai abandonou sua mãe, a deixou morrer e o abandonou. Então ele começou a desprezar todos os “Trouxas”. Enquanto estudava em Hogwarts, ele estudava escondido sobre Magia Negra, e planejava um jeito de ser imortal – porque ele temia a morte.
Ele saiu da escola com um grupo de amigos que tinham a mesma idéia que ele, odiavam “Trouxas” – e consequentemente os descendentes de “Trouxas” – chamados vulgarmente de sangues-ruins, ou sangue-de-lama. Ele cresceu, aprofundou-se na magia, então descobriu um feitiço chamado Horcrux. A Horcrux era uma garantia de vida “eterna”. Quando alguém faz uma Horcrux, ela “salva” sua alma num objeto para quando seu corpo venha falecer, o outro pedaço de sua alma ainda continue na Terra. Mas para fazer uma Horcrux, precisa-se de matar uma pessoa. Voldemort matou sete inocentes, apenas para certificar que dividiria sua alma em sete e que não haveria como ele morrer.””Então ele ascende e com seus ideais começa matar as pessoas “Trouxas” e “sangue-ruins”, afim de fazer uma raça pura. Uma raça só de Bruxos. Ele seria como o Hitler de nosso tempo.
Ele e seus soldados (chamados de “Comensais da Morte”) mataram muita gente. Tom se auto-nomeou Voldemort (é em latim, e a tradução literal é “Vôo da Morte”, porque ele escapou da morte). As pessoas porém temiam dizer o nome dele. Então um exército do bem, chamado A Ordem Da Fênix, lutou contra Voldemort durante a ascensão dele. Mas Voldemort foi atrás de um por um, para matar cada um deles. Até que ele ouviu uma profecia dizendo que o filho de um dos membros da Ordem da Fênix, que nasceria no dia 31 de Outrubro de 1980, derrotaria o Lord das Trevas.””Então Voldemort vai atrás da família Potter, para matar o pirralho. Mas algo dá errado, a mãe de Harry dá sua vida por Harry, e Harry ganha uma proteção.
Quando Voldemort lança o feitiço no pequeno Harry, de um ano de idade, o feitiço volta e faz com que Voldemort morra. (infelizmente ele tinha outros meios de voltar, como citei acima, as Horcruxes. Uma delas, você deve conhecer, é o Diário da irmã de Rony, em Harry Potter e a Câmara Secreta).””Agora, JK Rowling brilhantemente nos faz perguntar a nós mesmos, “Voldemort teria sucumbido se ele não tivesse dado ouvidos a profecia?”. Então Voldemort retorna (por uma Horcrux) no O Cálice de Fogo, e recomeça então a ascensão.”__ Agora Osvandir, olha a profundeza da história. O que vou contar aqui é sobre o final da série, então leia se quiser saber o final, mas não saia contando pra todo mundo…”

“Harry chega em seus 17 anos e sai da escola. Sua missão, como Dumbledore deixou antes de morrer, era destruir todas as Horcruxes. O momento mais profundo e filosófico da série é, quando Harry descobre que ele vai ter que matar Voldemort. E no final de tudo, ele descobre que sem querer Voldemort deixou uma parte da alma dele dentro de Harry. Se Harry não se sacrificasse, ele seria possuído por Voldemort. Harry dá a própria vida, entregando-se a morte. O único jeito de Voldemort morrer era matando sua última Horcrux em Harry.”Harry se sente extremamente traído, antes da morte. Pois tudo que Dumbledore dissera fora para prepará-lo para esse final. Ele se sentiu como se tivesse sido criado para ser morto no final, como um boi para o abate.”

Depois destes esclarecimentos Harry cansado e emocionado disse:__ Viu??? Essa é a história de Harry Potter, não aquilo que você ouve ou vê na TV. Se for continuar escrevendo sobre Harry Potter tem de mostrar esse lado da história. Do contrário será apenas mais uma ofensa aos fãs da série, que já são contrariados demais com os filmes.__ Vou imediatamente comunicar com o Manoel e solicitar as correções…
__ Não estou dizendo que não gostei da sua história. Mas agora que você sabe da verdade, o ângulo de sua história não muda? Desculpe se te ofendi de alguma forma, ou o desapontei. Eu realmente achei as suas histórias muito boas. Mas além do erro “temporal”, a imagem de Harry Potter está errada, e não é só na sua cabeça, e sim na cabeça de todos que não leram a série.__ Beleza Harry, vamos corrigir tudo. Vou mandar retirar as palavras e textos que não dizem a verdade. Nem todos os nossos leitores conhecem a sua verdadeira história, foi muito bom o seu esclarecimento.

Quando olharam pela janela já estavam chegando a Belém. O tempo passou tão rápido que nem deu tempo de perceberem.

Thalles/Manoel

OSVANDIR E HARRY POTTER NO BRASIL

Capítulo IV
MULHERES NA PRAIA

“Para uma mente bem estruturada,
a morte é apenas uma aventura seguinte.”
Harry Potter e as Relíquias da Morte

No Rio de Janeiro procuraram um hotel beira-mar, muito conhecido pela sua história, desde 1923. Queriam estar próximos da Praia de Copacabana. Era a intenção de Osvandir mostrar ao Harry apenas as belezas daquela cidade maravilhosa.

Ao ver aquelas águas azuis, as ondas, a areia da praia, as lindas moças de biquíni, Harry ficou muito excitado.

__Aqui no Brasil, os jovens vão a tais lugares para “pegar uma cor”, namorar, beber e gastar. Disse Osvandir, quando estavam chegando a praia.
__ Sei muito bem disso! Já li nas revistas de vocês. Respondeu Harry.

Pediu uma água de coco ao vendedor, uma mesa e uma sombrinha de praia foram providenciadas. O local estava totalmente loteado pelos ambulantes. Tudo ali era alugado, até óculos escuros.

Uma garota passou, olhou, sorriu e o nosso amigo derreteu-se como um sorvete. Aquela pele dele não era boa para resistir ao sol intenso, razão pela qual, quando estava aproximando das dez horas voltaram para o hotel.

O roteiro da parte da tarde seria uma visita ao Cristo Redentor e ao Pão de Açúcar. Seria… Mal atravessaram uma avenida, num sinal de trânsito foram vítimas de seqüestro relâmpago.

Osvandir mais calmo com a situação, já conhecia o ambiente. Harry nem sabia o que estava acontecendo. Foi necessário explicar-lhe a situação:
__ Aqui ele pegam a gente e o carro e levam para outro local, com a finalidade de pegar os seus pertences.
Harry só ouviu e resmungou:
__ Huuummm…

Os bandidos estavam interessados no veículo e seus equipamentos. Os passageiros foram deixados, a pé, num local ermo.

Osvandir chamou um táxi, voltaram ao hotel para refazerem-se do susto! Osvandir avisou a locadora do veículo, que lhe informou para não preocupar-se que o mesmo estava equipado com chip para fins de localização por GPS, via satélite. Tudo estava no seguro.

Ao ouvir estas palavras solicitou-lhes que emitissem a fatura, porque dali para frente iriam de avião devido as longas distância e o tempo curto.

Ao chegar no quarto, HP estava separando presentes e marcando num papel os respectivos donos.

Perguntou-lhe se estava com disposição para ver alguma coisa no final da tarde e ele disse que não. Preferia ir jantar em algum lugar ali por perto onde pudessem ir a pé.

O jantar decorreu tudo em ordem, não fosse um pequeno deslize de Osvandir que comeu uma moqueca de camarão que acabou estragando-lhe os intestinos.

Na manhã seguinte saíram cedo rumo ao aeroporto do Galeão, o mais apropriado para o voo que estavam pretendendo.

As passagens haviam sido reservadas com antecedência, mas estava tudo atrasado, como sempre.

Estava muito difícil explicar-lhe como chegariam a Belém, no Pará. Sendo o Brasil o quinto país do mundo em extensão territorial, e que é praticamente do tamanho de continentes, seria uma coisa praticamente impossível.

__ Temos aproximadamente 170 milhões de habitantes. Disse-lhe Osvandir.

Iriam viajar de avião devido a grande distância a ser percorrida. Quando Harry viu o avião na pista, ficou receoso de entrar no túnel de passageiros. Parece que ele sentia algum presságio. Ficou inquieto.

Já no avião, ficava olhando pela janela. As nuvens branquinhas iam passando aos nossos olhos. Sentia saudade de seus amigos.

Uma escuridão tomou conta, de repente, de todo espaço. Um grande temporal vinha do lado norte. O avião começou a balançar, subir e descer. Até o Osvandir foi ficando receoso. O nosso herói já estava com o coração nas mãos.

A aeromoça avisou que devido a tempestade não iriam prosseguir, retornariam e tentariam pousar em Salvador.

Graças aos deuses tudo deu certo e o avião pode deslizar suavemente nas pistas do aeroporto Luis Eduardo Magalhães, anteriormente conhecido por “Dois de Julho”.

Um táxi foi fretado para levá-los ao hotel do centro de Salvador.

Ao descerem do veículo, Harry ficou espantado com tanta gente de cor negra e aquele cheiro de azeite de dendê em todas as barracas de ambulantes.

As pessoas os receberam muito bem e ofereceram guias para conhecerem toda a cidade.

Manoel Amaral

OSVANDIR EM VENEZA III

OSVANDIR EM VENEZA


FINAL

É tão triste Veneza,
Quando ouço no ar,
Barcarolas que vem,
Minha dor realçar.
(Agnaldo Timóteo - É tão triste Veneza )

Ao chegar a loja maçônica Osvandir foi escoltado por um irmão-aprendiz, até uma grande sala azul, era a “sala dos passos perdidos”, nas quatro paredes tinha uma porta, contando com a porta por onde chegou. O rapaz pediu que ele esperasse ali e assim que ele, aprendiz, saísse o Osvandir deveria escolher uma das portas, abrí-la e entrar.

Assim que o rapaz partiu, Osvandir escolheu a porta que tinha no frontão o desenho de uma estrela com sete pontas, em cada uma delas o símbolo astrológico dos planetas. Começando em cima e no sentido anti-horário, o símbolo do Sol, Vênus, Mercúrio, Lua, Saturno, Júpiter e Marte.

Ao entrar pela porta foi recebido por nada mais, nada menos, que pelo o irmão Sereníssimo Grão Mestre da Fratellanza Italiana, Osvandir não podia ver o rosto do homem, pois o mesmo estava encoberto por um capuz negro, com duas pequenas aberturas para os olhos. O homem olhou para ele e perguntou por que procurava saber sobre a Guarda Negra, Osvandir então contou sobre o apuro que o seu amigo Sandi estava passando e os acontecimentos no mosteiro, e sabia que só através das informações seculares que a Guarda possuía ele conseguiria elucidar o misterioso caso.

O Sereníssimo então falou que para isso era preciso estar com a consciência desperta, adquirida através da abertura das sete chaves, onde cada etapa consistia em descobrir a chave da porta seguinte, mas que nos tempos que correm é preciso ser mais tolerante com os não iniciados e que o Osvandir poderia perguntar o que achasse necessário.

Osvandir começou perguntando sobre o livro, manual, que tinha pertencido a biblioteca do rei Salomão, o Grão Mestre olhou para ele e disse que o manual servia para montar um aparato científico que possibilitaria entender a formação do universo. Então Osvandir perguntou se isso tinha a ver com os terríveis acontecimentos dos monges do monte Etna e, se sim, de que maneira.

O homem foi até uma lousa, que ficava na parede em frente ao Osvandir, e desenhou um esquema, uma espécie de diagrama, dizendo que na época do rei Salomão foi observado um grande clarão no céu, o que os astrônomos hoje em dia chamam de uma Super Nova, e que esses mesmos cientistas calculavam que a explosão de uma supernova deveria liberar uma enorme quantidade de neutrinos.

Confuso, Osvandir, indagou o que esses tais neutrinos tinham a ver com o mosteiro? O Grão Mestre disse que na verdade o mosteiro abrigava um sofisticado detector de partículas, que existia uma antiga mina de sal nas entranhas da montanha e que o aparato científico tinha sido montado ali para detectar os neutrinos emitidos pela grande explosão inicial do universo, o Big Bang.

A quantidade de partículas capturada pode estar relacionada com questões fundamentais: O Universo teve um começo? Ele está em expansão? Um dia o Universo vai se contrair ou vai continuar se expandindo? Se ele se contrair, depois vai ter um começo de novo?

E ao que parece, pelo estado mental totalmente alterado, os monges esclareceram essas questões, e que os governantes “senhores do mundo” estavam a todo custo tentando manter em sigilo absoluto essa verdade.

Osvandir agradeceu e partiu rejuvenescido e em sua mente veio a figura de Corto Maltese, o marinheiro, e como diria ele, o personagem criado por Hugo Pratt, ” há em Veneza três lugares mágicos e secretos: um na “rua dos amores e dos amigos”, outro junto da “ponte das maravilhas” e o terceiro na “calle dei marrani”, perto de “san geremia”, no velho gueto. Quando os venesianos estão fartos das autoridades, vão até esses lugares secretos e, abrindo as portas ao fundo desses pátios, partem para sempre para universos maravilhosos e para outras histórias.”

Jose Ildefonso

OSVANDIR E AS LUZES FAISCANTES

“Onde o diabo perdeu as esporas.
Nos cafundós do Judas.
Onde o vento fez a curva.
No oco do mundo.”
(Frases Nordestinas)

Osvandir seguiu o seu destino. Ia pesquisar um avistamento de luzes no interior da Paraíba. Terra sem chuva, muita pobreza, seca por todos os lados.

Embrenhou-se no meio da caatinga, (do Tupi-Guarani: caa (mata) + tinga (branca) = mata branca) que é o único bioma exclusivamente brasileiro.

E o pobre escritor fantasma (Ghostwriter) ia acompanhando como se estivesse dentro de sua maleta, com uma abertura circular na frente por onde via tudo rasteiramente, como naquelas reportagens policiais, nas favelas, onde o Câmera Man vira por todo lado onde vai o repórter.

Plantas rasteiras, espinhos grandes, tudo meio branco, mata fechada e baixa. Não dá para ver nada além de cinquenta metros.

Uma parada para descanso, o guia informa que estamos quase chegando. Falta só subir aquele morrinho e cruzar algumas pedras.

Olhando aquilo tudo dá a impressão que o Nordeste ainda não é um deserto por causa da vegetação da caatinga, se ela for extinta tudo vira areia, sem nenhuma condição de sobrevivência humana.

Algumas casinhas de taipa construída com galhos finos amarrados com cipós e cobertura de folhas de coqueiro ou de sapé, tem até um município por aqui com este nome. Mais um rancho que propriamente uma casa de morar. Em algumas as paredes recebem barro até cobrir aquelas madeiras. O barro é amassado e duas pessoas jogam na parede, simultaneamente, uma de dentro e outro do lado de fora.

Os grilos começaram a comer as folhas ainda verdes, alguns pássaros a cantar nos galhos secos, uma nuvem de pó na estrada logo abaixo.

Um sol abrasador queimando a cabeça dos aventureiros. O guia mais precavido trouxe uma roupa de couro para proteger-se dos espinhos da vegetação. Osvandir com aquela camisa branca com as mangas arregaçadas e calça jeans, ficou com as mãos e parte dos braços bem arranhados.

Cruzaram as pedras, subiram o morro, desceram a ladeira, tocos de árvores por todo lado riçando as canelas dos pobres mortais.

Nada de encontrar o local onde as luzes estavam aparecendo diariamente. Tudo um calor só. Suor vazando aos borbotões.

Uma casinha de tijolos, cobertura de telhas, algumas crianças no quintal. Uma pequena cisterna, sinal de água boa para beber. Qual nada, a água era salobra, gosto ruim. Mas foi descendo goela abaixo assim mesmo.

Entrevistada as pessoas residentes, estas informaram que as luzes estavam mesmo aparecendo naquele local, dia sim, dia não.

Instados a declarar como eram, D. Chica, com linguagem difícil de entender, informou que tais luzes vinham e voltavam, sempre a tardinha, quando não era dia e nem noite e o sol ainda estava no horizonte.

Osvandir anotando tudo no seu caderno e gravando as falas das pessoas.

Seu José Ribamar disse que viu mais pra frente, na beira da grota uma luz mais interessante, faiscava e depois sumia.

Osvandir quis saber como era este “faiscar”, ele informou com suas palavras dizendo que parecia com foguete de lágrimas, aquele que solta várias luzes quando sobe. Um garotinho falou que parecia quando uma pedra atritava na outra e soltava aquele brilho no escuro.

Estava já escurecendo e a conversa agora era sobre fantasmas e almas do outro mundo. Todos afirmaram que a Mulher de Branco andava aparecendo por ali, no meio dos descampados.

Quando menos esperavam, uma luz branca, começou fraca e depois foi crescendo e ficando de várias cores e de repente sumiu. O dono da casa falou para todos ficarem calados que ela iria voltar.

De fato ela voltou mais forte, do tamanho de uma bola de futebol, só que agora era azul e cintilando. Todos ficaram abobalhados.

Dentro de poucos minutos ela sumiu, veio outra de cor amarela que foi ficando da cor de fogo e começou a soltar faísca, como se alguém estivesse amolando uma faca no esmeril. Girava em torno de si mesma.

Mediante aquela riqueza de fatos e do imprevisto, Osvandir havia esquecido até de fotografá-los. Sacou da máquina Sony, profissional, 32 megapixel, apontou, aguardou a imagem surgir e clicou. Depois foi conferir: apareceu só um risco luminoso cruzando o céu, já com estrelas.

No outro dia, seguiram viagem e encontraram um agricultor muito preocupado com um objeto que veio do céu e caiu próximo de sua casa.
Foram verificar e era um balão metereológico, de plástico, que soltaram em outro estado para fins de pesquisas.

Manoel Amaral

OSVANDIR E A GAROTA DA CADEIRA 11

“O amor é a asa veloz que Deus deu à alma para que ela voe até o céu.”- Michelangelo


O ônibus, novo, corria como se tive asas, voava. As pesadas máquinas de terraplanagem estavam trabalhando um trecho de estrada. O asfalto ia ser recapeado.

Num gesto, com a mão direita, o rapaz deu sinal, o ônibus parou no acostamento.

Subiu os degraus apressado, olhou até ao fundo, lotado! Somente a cadeira 12 estava vaga.

Na cadeira 11 havia uma garota de olhos castanhos, batom e esmaltes da mesma cor. Blusa de malha riscada horizontalmente, em cores variadas e claras, a calça azul, dessas que estão usando agora, com listras coloridas junto às costuras, enviesada, com metais bem brilhante.

Muito bonita a garota! E o rapaz ficou naquela vontade louca de saber para onde ia, como se chamava e de onde vinha, se estudava: porém ela nada falava…
Cadeira 11 = ………
Cadeira 12 = ??????

Seus longos brincos de ouro, balançavam com as oscilações do veículo.

Olhou para suas mãos. Queria saber se era noiva ou casada. No seu dedo anular da mão direita havia apenas um anel, com uma pérola no centro e pequenas pedras azuis em volta. Eh! A garota era solteira!
Cadeira 11= ……
Cadeira 12 = !!!!!!

Entretanto não havia maneira de iniciar um papo. Idéia !!! Perguntar se ela fazia faculdade? Ou se trabalhava e onde?

Os traços fisionômicos eram lindos: nariz pequeno, olhos castanhos, cabelos longos e lábios carnudos. O corpo muito bem estruturado…
Cadeira 11 = …..
Cadeira 12 = ????

Uma rajada de vento chegou ao rapaz atrapalhando-lhe os cabelos. Passou a mão no rosto impaciente e fechou a janela.

Um desastre na estrada. Oba! Chance de iniciar uma conversa com a Garota da Cadeira 11. Um Wolkswagen ao fazer uma manobra para atravessar o asfalto e entrar num posto de combustível, bateu num caminhão-tanque. Dois feridos.

No entanto:
Cadeira 11 = ……
Cadeira 12 = … … …

Chegou num terreno montanhoso, paisagem encantadora! Céu azul lá no fundo. Algumas nuvens branquinhas. Asfalto cheio de curvas e aquele balança-pra-cá, balança-pra-lá. Uma freada brusca, uma derrapada e a garota encostou o braço no rapaz.
Cadeira 11 = …(Um sorriso) …
Cadeira 12 = _ Não tem problema!
Cadeira 10 = (Toca a campainha do ônibus)
Cadeira 12 = !?!?!?!?
Cadeira 10 _ Vamos Márcia (Bate na cadeira 11)…
Cadeira 12 = !!!!!!
Cadeira 10 = (dirigindo ao rapaz: __ Esta menina me dá um trabalho!)

Foi aí que o rapaz da cadeira 12 pode observar que por traz daqueles olhos castanhos, misteriosos e dos lábios carnudos, havia um bonito sorriso de menina-moça surda-muda!

Manoel Amaral
(original escrito em 1973)

OSVANDIR E A CASA ASSOMBRADA

A CASA ASSOMBRADA

Osvandir foi convidado para passar uns dias na fazenda de um amigo lá no interior de Minas. No caminho para a fazenda acabou se perdendo. Ele resolveu seguir a pé para ir conhecendo melhor a região. A distância da cidade até a fazenda é de seis léguas (dezoito quilômetros), segundo informou um morador da cidade. Mas Osvandir não se importou e resolveu ir caminhando mesmo. Era bem cedinho. O tempo parecia ser quente naquele dia. Tirou a gravata, paletó, calçou umas botas de fazendeiro e botou o pé na estrada.

Logo na saída da cidade notou uma cocheira, onde havia alguns cavalos amarrados. Mais à frente, quase fora do centro urbano, entrou por um largo corredor com vários coqueiros. Os moradores do local o olhavam com curiosidade.

As horas se passaram. Era mais um dia de aventuras para aqueles dois irmãos. O mais velho montava um cavalo chamado Pampinha. Na garupa do animal, o irmão mais novo. Estavam indo tirar ingá, fruta típica do local, bastante apreciada pelos meninos. É comprida, parecida com a vagem, um pouco mais larga. O caroço da ingá é coberto por uma polpa branca de sabor adocicado.

Sempre andavam juntos quando crianças. Naquelas paragens, sem energia elétrica no local, muito menos computador com internet, o passa-tempo predileto era a natureza.

Viveram dias difíceis nos períodos da seca. Com a falta de água era preciso caminhar várias léguas até o rio Jequitionha. Apesar de tudo, a Fazenda Cristal era boa e dava belos frutos na época das chuvas.

Os dois irmãos chegaram no brejo. De cara, um grande pé de ingá bem na beira do brejo. Os galhos estavam tão carregados que nem foi preciso descer do cavalo para pegá-las. Tiraram várias frutas e amarraram.

Enquanto estavam distraídos com as frutas, um assustador rugido veio de dentro do mato. Naquele tempo as matas eram bem fechadas, o capim podia esconder qualquer espécie de bicho.

O cavalo empinou, quase derrubando os dois meninos. Em seguida saiu em disparada como nunca havia feito antes. Era manso e não costumava correr tanto daquele jeito. No meio do caminho uma forte chuva desabou.

O cavalo seguia desenfreado. O irmão mais novo segurava firmemente na sela para não cair. As ingás, naquele momento, já não importavam mais. O medo adentrou pela alma daqueles pobres meninos aventureiros.

Um sujeito que caminhava pela estrada quase foi pisoteado pelo cavalo em disparada. Ao avistar o animal indo bem para cima dele, deu um salto e caiu em cima de um barranco, sujando-se ainda mais de lama.

O cavalo finalmente parou, ofegante, em frente à casa da fazenda. Os dois meninos estavam encharcados, ainda assustados com o que acabara de acontecer. A chuva continuava forte.

Apearam e saíram correndo para dentro de casa. Lá dentro a mãe preparava o almoço. Ao ver os meninos com olhar assustado e ensopados pela água da chuva, indagou sobre o ocorrido. Os meninos mal conseguiam falar, tamanho foi o medo que passaram.
Mais calmos e recuperados do susto, contaram detalhadamente o que havia se passado, minutos antes, inclusive sobre o sujeito andando pela estrada que quase foi atropelado pelo cavalo em disparada. Provavelmente era algum vizinho andando pelas proximidades. Naquela chuvarada toda não dava para ir lá fora ver quem era.

O almoço estava servido à mesa. De repente ouve-se alguém batendo à porta. A mãe dos meninos levantou-se e foi até lá. Ao abrir a porta deparou-se com um sujeito magro e cabelos pretos. Estava segurando uma mala preta. Suas roupas estavam molhadas, cobertas de lama e estrume de gado.

O estranho apresentou-se como sendo Osvandir, ufólogo e pesquisador de fenômenos inexplicáveis. Estava indo para a fazenda de um amigo e acabou se perdendo pelas diversas trilhas da região.

Após as apresentações, Osvandir foi convidado a almoçar com a família. Os meninos o fixavam com curiosidade. Percebendo que os meninos não tiravam os olhos dele, Osvandir resolveu puxar conversa. Quis saber por que o cavalo corria tanto, quase passando por cima dele.

Ouvindo atentamente a história, Osvandir perguntou se o barulho ouvido pelos meninos não teria sido um boi perdido no mato. Pareceu o rugido de uma onça. Se tivesse sido um boi o cavalo não teria se assustado tanto porque ele conhece o mugido – Responderam os meninos.

Mais tarde, depois que a chuva havia parado, Osvandir saiu com os meninos para conhecer a fazenda. Tinha comido feito uma onça. Comida muito gostosa como nunca tinha experimentado igual. A mãe dos meninos cozinhava muito bem.

No pequeno curral para eqüinos da fazenda tinha um lindo cavalo branco, o Bossanova, nome dado em homenagem ao estilo musical criado no final dos anos 50 e início dos anos 60. No flanco direito do cavalo um grande ferimento impossibilitava o animal de ser montado. Osvandir quis saber o que causou o ferimento, mas os meninos não souberam explicar. Um dia ele apareceu daquele jeito.

O tempo passou rápido na fazenda. O entardecer não demorou a chegar. Osvandir fez amizade com os meninos. Eles já não o olhavam mais com curiosidade. Pescou na empoeira – uma espécie de pântano que ficava numa baixada próximo da casa. Tomou banho na represa e contou algumas histórias pelas quais havia passado. Histórias sobre assombrações e alienígenas.

Osvandir ficou conhecendo vários nomes de frutas que jamais tinha ouvido falar. Até anotou tudo para não esquecer. Também ficou impressionado com a quantidade de animais peçonhentos nas proximidades. Na descida para a lagoa quase pisou numa cobra atravessada no meio do caminho. Em outro local, mais duas cobras disputavam um apetitoso anfíbio. Sentiu arrepios ao ver a cena.

Na fazenda, sem internet e televisão, todo mundo ia dormir cedo. Raramente alguém dormia depois das 21 horas. A não ser por um velho rádio antigo sobre a cômoda, não havia outro meio de passar o tempo durante à noite. Mas aquela seria uma noite bem diferente das anteriores.

Algo estranho estava acontecendo. Uma luz que vinha do curral chamou a atenção de todos. Parecia a luz de um candeeiro se movimentando entre o gado. Todos se amontoaram na janela da cozinha para verem melhor a estranha luz. No momento em que se preparava para pegar seu binóculo de visão noturna, Osvandir perdeu tempo, suficiente para ver a luz se apagar e sumir no meio do curral.

Aquele fenômeno no curral já havia acontecido em outras ocasiões. Porém, a estranha luz não seria o único fato intrigante naquela noite. Algo ainda bem mais assustador estaria por vir.

No cair da madrugada estavam todos dormindo. Osvandir dormia no quarto de visitas. No outro quarto, os meninos e a mãe dormiam juntos. O sono foi interrompido pelo barulho do rádio que estava em cima da cômoda, na sala. Estava chiando. Era o chiado típico da emissora já fora do ar.

Na estante, que ficava na mesma sala, um barulho parecido com o de uma pessoa batendo na madeira deixou ainda mais assustadora aquela noite. Deve ter alguém lá na sala – pensaram.

Alguns minutos de silêncio tomaram conta do local. Osvandir estava com os olhos esbugalhados, coberto dos pés à cabeça. A noite era muito escura na fazenda. Quando as luzes dos candeeiros se apagavam, não se via nem um palmo à frente do nariz.

Aquela parecia ser uma noite bem longa. Quando todos imaginavam que o mistério tinha acabado, um barulho vindo da cozinha fez subir calafrios pelo corpo. Parecia que todas as panelas da prateleira tinham vindo ao chão.

A mãe dos meninos tomou coragem e resolveu levantar junto com eles para averiguar o que estava ocorrendo. Osvandir, vendo a luz do candeeiro sendo acesa, levantou-se também. Deu um salto para fora da cama ao perceber uma caranguejeira bem próxima, descendo lentamente pela parede. Era enorme.

Reunidos na sala, perceberam que não havia mais ninguém ali a não ser eles mesmos. O rádio estava desligado e não havia ninguém atrás da estante. Na cozinha, todas as panelas estavam em seus devidos lugares, como se nada tivesse acontecido. Teria sido fantasma?

O dia finalmente clareou. Era uma bela manhã de primavera. Osvandir estava de mala em punho, pronto para voltar à cidade e de lá pegar o ônibus de volta para casa. Soube que a fazenda do amigo que o convidou ficava a cerca de três quilômetros dali. Inclusive dava para ver a casa ao longe. Ele optou por voltar em outra oportunidade, afinal a noite anterior foi o suficiente para fazer ele esquecer que estava de férias. O mistério continua.

Al Cruz
* * *

O CURIOSO RETORNO

Imagem Google



Enquanto Osvandir se safava do urso polar, ouviu três tiros vindos do Portal do Tempo. Era Sawyer que ainda não tinha desaparecido pelo plasma para a viagem. Um dos tiros pegou de raspão na cabeça de nosso herói, que sangrava muito. Os outros dois atingiram certeiramente aquela fera louca e deslocada de seu habitat, fato que acontecia sempre naquela ilha perdida do Pacífico.

Não sabemos se pelos tiros, ou qualquer outro problema, o Portal não aceitou o intrépido Sawyer e o cuspiu violentamente contra algumas rochas do paredão.

Assim que abriu os olhos tratou de acudir seu companheiro que jazia estirado no chão, desmaiado. Amarrou um trapo na sua cabeça, onde o tiro havia deixado um pequeno corte, logo acima da orelha.

Do outro lado daquele Portal, em pleno espaço, sem saber onde estavam e em que viajavam, seguiam Dr. Mendonça, Alvimar, Manoel, Ildebrando; Joaquim, o  fotógrafo, estes Argonautas que não tiveram medo de enfrentar o espaço/tempo, a realidade e a fição. De repente sentiram um baque surdo, acabavam de penetrar numa máquina voadora.

Alguma coisa não ia bem naquela nave, um dos pilotos parecia falar russo. Numa linguagem irreconhecível pedia Vodca…

Depois de girar no espaço, enfrentar mundos e fundos, os nossos viajantes do tempo aterrizaram próximo de um canavial. Eles, os pilotos, estavam muito surpresos, como aqueles cinco foram parar em sua nave espacial. Seria sabotagem ou alguma nova experiência da CIA?

Ao saírem da cápsula Soyuz notaram qualquer coisa estranha, pois foram recebidos por pessoal não técnico, numa região rural, “Eles estavam muito surpresos e não podiam acreditar em seus próprios olhos. Um deles perguntou se a cápsula era um barco. Outro disse que nós poderíamos ter pulado de um avião”. O piloto russo então contou a eles que eram astronautas, “Eles acenaram com a cabeça, mas então perguntaram de novo de onde tínhamos vindo. Eles não podiam acreditar que tivéssemos estado no espaço. Eles só acreditaram em nós quando viram nossas roupas espaciais”, disse.

Dr. Mendonça e seus amigos cuidaram de escapar o quanto antes, dos fotógrafos, repórteres e dos Americanos que já estavam chegando naqueles helicópteros gigantes e pretos, parecidos com gafanhotos.

Desceram pelo canavial e avistaram alguns foguetes, Manoel achou que estavam chegando a casa de Dr. Mendonça, em São Paulo, puro engano!

__ As cápsulas russas nunca foram projetadas para descer no mar. Desde os tempos de Gagarin, este é o modus operandi dessas naves: descem de pára-quedas e nos últimos segundos, são disparados alguns foguetes que ajudam a aliviar o “impacto”. Elas devem (ou deveriam) ter sim um sítio apropriado para essas aterrissagens, em geral, áreas sem risco para outros. Comentava Dr. Mendonça com Ildefonso.

__ Acho que nossa entrada na nave deve ter alterado a sua rota, completou Alvimar Cruz.
__ Pode ser aqueles tiros do Sawyer no Portal do Tempo que tenha desviado a gente da rota, falou Manoel.

Seguindo a caminhada os cinco Argonautas brasileiros avistaram lá embaixo o Cabo Canaveral.
Todos ficaram muito surpresos, não estavam na Rússia, em São Paulo ou qualquer outro lugar conhecido. Dr. Mendonça tranqüilizou-os e disse que já conhecia a região quando de uma visita que fizera ao local. Foi ele mesmo quem explicou para todos o seguinte:

__ Cabo Canaveral (Cabo Canavial), é uma faixa de terra dos Estados Unidos de uma região denominada Brevard, situada na parte costeira oriental, no estado da Flórida. A maioria das naves espaciais dos Estados Unidos rumo ao espaço, são de lá lançadas.

__ Cabo Canaveral foi escolhido como local para o lançamento de foguetes a fim de se situar mais próximo possível do equador e desta forma conseguir lançar um foguete com a menor energia possível, aproveitando-se o movimento de rotação da Terra. Desta forma os foguetes sempre são lançados para o leste sobre o oceano, distante de centros populacionais, completou o Joaquim, o fotógrafo.
__ Vários lançamentos-testes foram realizados entre 1949 até 1957. Lançamentos de destaque incluem o lançamento do primeiro satélite artificial americano em 1958, o primeiro voo espacial com um tripulante a bordo em 1961, e o primeiro voo espacial levando astronautas à lua, na famosa missão Apollo XI, em 1969, concluiu Ildebrando.

Retornando a Ilha de Bost, lá estavam Osvandir e Sawyer seguindo para o acampamento quando notaram no céu mais de mil balões coloridos puxando alguma coisa com se fosse um barco de borracha.

(CONTINUA…)

Manoel Amaral
Obervação: FANFIC DE LOST. “Fanfic são histórias criadas por fãs baseado em animes, bandas, celebridades, séries, mangás, músicos, livros, filmes,”