OSVANDIR NO PLANETA MARTE – FINAL

Capítulo IX
A VOLTA

O por do sol daquele planeta não era como na terra, era vermelho, quase sem nuvens. As estrelas pareciam mais quentes e se atiravam no espaço, num espetáculo raríssimo. Um vapor quente subia dos buracos de mineração.

Tem sempre que haver uma volta, e o tempo era chegado. As novas tecnologias que podem mudar o mundo para sempre, seguiam seu curso.

Já não era o mesmo, aquele jovem que um dia partira nesta viagem louca.

Na terra, sempre azul, debaixo das nuvens, mas a política mundial era um desastre.

A viagem de volta ao Planeta Terra ocorrera mais rápido que o esperado; na rota, a nave encontrou uma “corrente espacial” denominada pelos cientistas de “corrente de Galinewton”, que atuava no espaço, como as correntes marítimas, foi descoberta por um brilhante cientista, parente de Osvandir, morador no Estado de São Paulo.

Com várias ideias na cabeça, para criação e movimentação assim que pusesse os pés no seu planeta natal.

A primeira delas seria a criação de uma ONG – “Osvandir Nova Geração”, para incentivar a juventude a cuidar do meio ambiente antes que tudo virasse só poluição, como já acontece em vários lugares.

Aquela ideia surgiu quando ele visitava os “Marrons”, extraterrestres do Planeta X, que lhe passaram várias maneiras de cuidar do Planeta, antes que ele se tornasse inabitável, como o caso de seu próprio astro.

Todos seriam conscientizados para que pudéssemos viver bem, por mais alguns anos.

Assim se fez, depois de meses e meses naquela nave cargueira, pegando uma conversa aqui outra acolá, foi anotando tudo e daí surgiria o livro “As Aventuras de Osvandir no Planeta Marte”.
A publicação em e-book, já estava definitivamente estudada. Todas as escolas receberiam a publicação por e-mail.

As crianças do mundo inteiro poderiam ajudar a melhorar a vida em nosso planeta.

Um som estranho se fez ouvir. Um ronco mais próximo completou a cena. Um bocejo da moça alertou ao rapaz, que não estava gostando do filme.

Osvandir, acordou assustado, numa cadeira do cinema.

Fora assistir, na última semana, o filme Distrito 9, recomendado por um físico paulista, ufólogo e inteligente astrônomo, descobridor de estrelas.

O filme já estava no fim, a enorme nave espacial dos “Camarões” já seguia seu rumo, dormira boa parte naquelas aconchegantes cadeiras, ao lado de sua prima Oscarina.

Osvandir acordou do sonho, mas a ideia da ONG vai continuar, será realidade. O primeiro passo foi dado, ONG – Osvandir Nova Geração, já está criada

Manoel Amaral

OSVANDIR NO PLANETA MARTE

Capítulo I
SETOR 9


“A vida de rico é um romance,
da classe média é novela e o
pobre é um conto.”
(Osvandir)

Osvandir seguia numa missão Terra-Marte, com a empresa ASAN de interesse em mineração.

Muito tempo no espaço, as pernas dos viajantes espaciais já estavam ficando pesadas, a cabeça sem referência do real, completamente desorientada.

Os passageiros da agonia nem mais conversavam uns com os outros. Eram na maioria latino-americanos. Parecendo bois que iam para o corte, o abate.

A nave apresentava alguns defeitos, fumaça aqui, gazes fortes acolá, mangueiras caindo do teto, metais despregando-se pela alta velocidade.

Os que não estavam acostumados a essas viagens interplanetárias, ficavam como se fossem morto-vivos, andando de um setor para outro, como abelhas que tivesse tomado um pouco de whiskey nas pétalas das flores.

Mesmo separando por países, havia certa confusão. Os brasileiros detestavam os Norte-Americanos. Estes abominavam todo o resto da América Latina.

Chamavam os brasileiros de burros, preguiçosos e outros itens pejorativos. Naquela nave, com mais de 1.000 passageiros por país, não reinava a harmonia.

É verdade que na hora de escolher quem viajaria, o Governo brasileiro separou muita gente boa, mas até os traficantes queriam ir, para ver se conseguiam mais poder com isso.

Naquela época, a droga mais potente e consumida, era uma tal de Luza, um líquido completamente azul, com alto poder sobre o corpo humano, uma vez ingerida circulava pelo sangue até chegar ao cérebro, mais rápido que o crack, mais violento que a cocaína. Dominava o pensamento, a ação e a alimentação do viciado. Fornecia uma coragem para aqueles seres já descrentes da vida.

Dizem que os EUA usaram esta droga, como arma de guerra, nos combates no Paquistão e Iraque, nos 2.000 a 2.006.

No meio daquele marasmo, muitos usavam a criatividade para driblar o tempo, inventavam jogos, compunham músicas. Os brasileiros criaram um carnaval espacial.

O nome Setor 9, da nave, o brasileiro, cujo nome foi inspirado num filme de ficção científica de 2009, que fez muito sucesso nos cinemas dos shoppings do planeta terra. Muita gente abominou o filme, diziam que era racista.

__ Foi sem duvida dos piores filmes (senão mesmo o pior) que vi na minha vida. Disse um trabalhador braçal, com pouca cultura.

Outros já gostaram muito do filme:
__ O filme pode parecer estranho a algumas pessoas… Mas a grande verdade é que é simplesmente genial. Tem conteúdo e está muito bem feito. Afirmou um inteletual.
Mas a nave, super-dimensionada, para carregar muita carga e passageiros, já estava chegando ao destino final: Marte!

Mais uma volta em torno do planeta e já estava pronta para pousar no meio daquelas planícies empoeiradas e calor insuportável.

O local de pouso escolhido pela missão era próximo a uma cratera onde apresentava uma incidência maior do minério de urânio.

Acontece que por lá já estavam os chineses e os indianos, aglomerados em verdadeiras cidades e vários setores.

A chegada de mais 10.000 habitantes, não era nada agradável para eles.
__ Os branquelos chegaram, disse um indiano, de pele, torrada pela temperatura e a areia vermelha do planeta.

A conotação das palavras do indiano não agradou nada ao Osvandir, foi como se tivesse muita raiva de todos os que chegaram.

Assim que puseram os pés no planeta uma nuvem de poeira surgiu de repente e todos tiveram que esconder-se da melhor maneira.

Manoel Amaral
Continua…