GOLPE DO PLANO COLLOR

GOLPE DO PLANO COLLOR

“Brasil?
Fraude explica.”

Logo nos primeiros dias de 2017, se você receber um adorável telefonema de Brasília ou do Rio de Janeiro, comunicando que tem uma “bolada de dinheiro” te esperando na Caixa, não fique tão feliz e pensando: comecei o ano bem, com o pé direito.

Mas em contrapartida a telefonista vai te pedir para depositar o valor das custas processuais. Coisa pequena de R$3.000,00 ou um pouco mais. E você pega dinheiro aqui e ali e sai em disparada para o banco. A sua sorte é que encontra o seu velho amigo e advogado da família.

Conta a história para ele. Nem ouviu a metade e solta esta: –É golpe meu filho! Aliás, muito conhecido na internet.

Dr. António, figura popular naquela cidade, já atendeu muitos casos como esse, mas quando a pessoa já tinha caído no golpe, depositado o valor solicitado na dita conta informada ao coitado do pato. Brasileiro é assim mesmo, não para para pensar, cai em tudo quanto é “Conto do Vigário”. Até naquele do bilhete premiado uma velhinha caiu nestes dias.

Mas Joaquim, o cliente de Dr. António, ainda insistiu que consultou e existem mesmo estas perdas do Plano Collor e muita gente está recebendo dinheiro por isso.

–Claro, claro, Senhor Quim, é verdade, mas no seu caso trata-se de um golpe que larápios estão aplicando por aí.

–Mas eles indicaram o número do processo, os meus dados todos e a advogada que estava atuando.

–Estes resíduos do Plano Collor sempre existiram e os estelionatários aproveitam disso, ligam para as casas das pessoas, geralmente aposentados, na tentativa de enganá-los.

–Informam que o dinheiro depositado é para pagamento de custas.

–Já vi um caso de um Senhor que depositou R$20.000,00 de sua poupança e perdeu tudo.

Ludibriam as pessoas utilizando de duas ferramentas emocionais: a ganância e o medo.

“As promessas de dinheiro fácil” ocorrem em todo o Brasil e tem muita gente que cai. “Ninguém denuncia por vergonha”.

É o chamado “Conto do Vigário” digital. Eles usam de todos os meios disponíveis: e-mail, celular e até carta para praticar os seus crimes.

Geralmente eles falam que são pessoas importantes e podem liberar o seu dinheiro mais rápido.

A Previdência não telefona para os idosos. E em hipótese alguma, a pessoa deve fazer depósito bancário esperando receber muito dinheiro em troca.
O INSS não é a Caixa que sorteia a Mega-Sena da Virada.
Manoel Amaral
ADLetras – Cadeira 08

A MANDIOCA

A MANDIOCA




 “Hoje estou saudando a mandioca. Acho uma das melhores conquistas do Brasil” Dilma Rousseff
Naquele terreno recém-preparado, o pessoal estava plantando mandioca.

Cada pé foi cortado em partes de uns 20 cm cada. A preferida é a Cacau. E para outros produtos também servia como as demais.

Cacau tem a casca roxa, cozinha facilmente e pode ser utilizada dentro de pouco tempo depois de plantada.

Ótima para fazer o prato “Vaca Atolada”, principalmente agora que a “Vaca foi pro brejo”. A carne bovina desfiada é melhor na confecção desta apreciada iguaria.

Na nossa região os fazendeiros usam esta qualidade de mandioca para fazer uma ótima farinha-de-pau.

E o mingau, que é muito delicioso, também apreciado pelos índios.

Croquete, Bolinho como molho de jabuticaba, Gratinado com carne moída, Quindim, Bolo caipira e coco, Creme com manga, Bolo com calda de maracujá, Escondidinho de costela, Nhoque recheado, Caribéu (com carne-seca), Tapioca de tomate seco, Creme com cogumelos e ovas de peixe. Tudo feito com a mandioca.

Nos bares da cidade podemos comer a mandioca frita, tomando uma boa cerveja.

Não podemos esquecer que o pão-de-queijo mineiro é feito com polvilho doce e está à venda até em NY.

Existem mais de 300 tipos de bolos de aipim, escolha o seu numa boa receita.
Nunca use a mandioca-brava se não souber bem a receita, ela é muito venenosa.

Ia esquecendo-me da Farinha Multimistura, que é composta da folha da mandioca bem torradinha. Ela possui uma das maiores fontes de vitamina A, aminoácidos e sais minerais encontrados em folhas.

A fraude da mandioca: O golpe aconteceu na cidade de Floresta, Pernambuco, entre 1979 e 1981, durante a ditadura militar e envolveu Banco do Brasil e Proagro.

Existem estudos para aproveitamento dos resíduos derivados da produção de etanol da mandioca para geração de eletricidade.

Aqui se produziu etanol a partir da mandioca, na década de trinta, na Usina de Gravatá, a primeira do Estado. No local, hoje funciona o Teatro Gravatá.

Vários são os nomes da dita cuja: Aimpim, Cacau, Candinga, Castelinha, chitinha, Macamba, Macaxeira, Mandioca-brava, Mandioca-doce, Mandioca-mansa, Manduba, Manioca, Maniva, Maniveira, Moogo, Mucamba, Pão-da-América, Pão-de-Pobre, Pau-de-Farinha, Tapioca, Uaipi e Xagala.

Na sua região podem existir ainda muitos outros nomes para ela.

Por esta razão eu também louvo a mandioca, e digo mais: “nesta terra, em se plantando, tudo dá”, como já dizia Pero Vaz de Caminha, na descoberta do Brasil.

Manoel Amaral

AS 12 APOSENTADORIAS

O VELHINHO E AS 12 APOSENTADORIAS
Imagem Google

Ele achava que tinha pensado em tudo. Agora ia viver muito bem e viveu.

Uma aposentadoria para cada mês do ano, uma foto diferente, um nome diferente e consequentemente uma carteira de identidade também de outra cidade, ou preferencialmente de outro estado.

Foi o que ele fez, percorreu vários estados e em cada um procurou um cartório, dizendo-se do interior e que nunca tinha sido registrado. De posse da Certidão de nascimento ia logo para uma loja de fotografia e fazia a sua fantasia própria.

Na primeira, ele era mineiro, tratou logo, segundo a tradição, de arranjar um velho chapéu de palha, terno de brim bege e camisa branca. Providenciou também um bigodinho de roceiro, daqueles bem fininhos, de amargar. Um par de botinas velhas completou o personagem.

A foto ficou uma beleza, quer dizer, uma feiura danada. Mas estava pronto o seu primeiro personagem.

O segundo foi um paulista, chapéu de lebre, abas curtas, terno listrado e camisa de um azul claro, sem bigode e sapato de bico fino.

O terceiro foi o Rio Grande do Sul, um chapéu de lebre, abas compridas, lenço vermelho no pescoço, um bigodão, dente de ouro e algumas alegorias lá do sul. Passou um pouco de vermelho nas bochechas para provar que era castigado pelo frio.

O quarto, do Rio de Janeiro,  já era de camisa listrada, tênis branco, short, cabelo penteado para trás e óculos escuros.

O quinto foi um nordestino muito bem caracterizado, chapéu de couro de cabra, camisa aberta ao peito, calça jeans e bigode também fino. Um facão na cintura e um relho do outro lado.

E o sétimo? Arranjou uma caracterização de Goiás, chapéu aba grande, enrolada para cima, como nos cantores de Sertanejo. Cinturão todo enfeitado com peças cromadas. Bota de bico fino,  camisa de manga comprida e calça jeans.

Em Mato Grosso arranjou uma vestimenta quase igual a de Goiás, diferenciando apenas nas cores e no lugar de Bota estava usando um chinelão de couro cru, era o oitavo personagem.
Partiu para Bahia e arrumou umas roupas de baiano folgado, enrolou um pano vermelho na cabeça, camisa branquíssima, e umas calças largas, também brancas, um sapato branco, sem salto. Era o nono cidadão que pousou para foto.

Em Pernambuco, como o calor era muito, arrumou um chapéu de palhinha, tipo Panamá, uma camisa colorida e um confortável par de sandálias. Chegara ao décimo, que conseguiu enganar o INSS.

Agora tinha mais dois, um ele tirou a foto de boné e óculos com uma camisa com listras verticais.

A última ele fez um velhinho de barba branca e um chapéu furado e bem surrado, com camisa também até rasgada, sentado num caixote.

Estava montado o sistema de arrecadação daquele velhinho esperto.

Doze nomes, doze fotos diferentes, doze documentos falsos, doze contas bancárias e doze aposentadorias.

O resto foi fácil, pegou estes caras que estão ávidos por uns trocados e que sempre sabem o caminho mais fácil para encaminhar os papéis lá na burocrática agência do INSS.

Foi entrando com os pedidos de aposentadoria por idade, uma em cada mês, começou logo em janeiro para não se atrapalhar.

O difícil foi aparecer no banco com a carteira de identidade do mês. E o traje da foto para não despertar nenhuma suspeita do banco.

Mas como ele recebia as aposentadorias mensais, uma em cada cidade teve que abrir contas em doze bancos e deu preferência a estes de Associação Rural, e que por sinal são os mais assaltados hoje em dia.

Viveu folgadamente por mais de cinco anos recebendo doze aposentadorias, isto é doze salários mínimos mensais.

E ainda passeava por todo lado onde tinha que receber as granas mensais.

Mas tudo tem um fim, a Polícia Federal estava passando um pente fino no INSS, denominada de “Operação pega Velho” e que consistia em por na cadeia todo mundo que fraudava aquela instituição. No Nordeste foram muitas aposentadorias canceladas e em todos estados do Brasil.

Um investigador deu de cara com o velhinho fraudador por acaso, com cruzamento de dados da Receita Federal, por questão de idade.

O velhinho colocou em todas as suas aposentadorias a mesma idade, setenta anos e também a data de nascimento sempre foi a mesma: 12 de dezembro.

Pega um dado aqui, outro acolá, verifica uma fotografia e nome do pai e mãe, estava pronto o balaio de gato em que ele se meteu: sempre colocou a mesma mãe e o mesmo pai nas carteiras de identidade.

Foi chamado ao INSS para uma conversa sobre dados faltosos numa das pastas e foi feito o fragrante.

Para completar as suspeitas ele entregou uma carteira diferente da que estava no processo. Foi um azar danado, era sexta-feira 13, ele tinha chutado um gato preto na rua e passado debaixo de uma escada. E para por fim nas crendices, a noite ouviu uma coruja cantar numa velha casa perto da sua.

Estava armado o golpe para prendê-lo. O diligente investigador olhou para sua cara e para as duas fotos, a do processo e da carteira que apresentou: era o mesmo homem, apenas com trajes diferentes. Pronto! Tudo fora por água abaixo.

Ele não foi preso porque morreu no outro dia, antes do amanhecer.

Manoel Amaral
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