ELA ERA SÓ UMA GAROTINHA (*)

“É estranha, é surpreendente.

Ela pode estar sorrindo de tudo, e de repente…

estar chorando por nada.

Não tente adivinhar suas ações ou suas reações…”

Autor desconhecido.

Quando completou 13 anos ganhou o seu primeiro celular. No aniversário seguinte ela ganhou, entre outros presentes, um MP4 e uma linda mochila da moda.

Estudava numa escola bem próxima de sua casa. Bastava atravessar uma rua e dobrar a próxima esquina. Não andava de ônibus, nem de van ou de carro, ia e voltava sempre a pé.

Menina aplicada, só tirava boas notas e tinha ótimas amigas. De manhã não esperava a sua mãe ir acordá-la. Ligava o despertador do celular e levantava na hora certa. Algum dia ficava mais tempo no computador e às vezes errava a hora. Tomava seu café da manhã bem rápido, corria ao atravessar a rua e chegava sempre no horário certo em sua escola.

Naquela sexta-feira, o cansaço baixou-lhe no corpo. Estava um pouco triste mas fez as provas, no seu entender tinha acertado muitas questões.

No período da tarde deveria voltar para participar de uma gincana promovida por sua turma. Aceitou a sua participação e levou o material solicitado.

Na volta para casa, ao cruzar a rua, ainda com sinal verde no semáforo, foi atropelada por um veículo que não respeitou as regras de trânsito.

No chão jazia Cristina, 14 anos, um fone do MP4 no ouvido esquerdo e o celular na mão direita, à altura da cabeça.

No chão, junto com alguns cadernos, um recorte de jornal alertava:
“No Brasil, são 50 mil mortes anuais em acidentes de trânsito (4% das mortes que ocorrem no mundo).”
“Em 70% delas, o (a) motorista havia ingerido bebida alcoólica.” (Folha de São Paulo)

(*) Baseado em fato real.

Manoel Amaral

OSVANDIR E ESTAS ADORÁVEIS GAROTINHAS III & IV

ESTAS ADORÁVEIS GAROTINHAS III

Capítulo III
Nos Parques de Diversão

Não basta ser linda, tem que ser maravilhosa.
Não basta querer, tem que poder.
Não basta ser boa, tem que ser talentosa.
Não basta ser inteligente, tem que ser esperta.
Não basta despertar vontade, tem que despertar desejo.
Não basta ser uma qualquer, tem que ser única!
(Brenda)

Pulam da Roda Gigante para o Carrinho de Choque, vão ao Carrossel, gritam na Montanha Russa e se assustam no Trem Fantasma. Acalmam na piscina de bolinhas e não querem saber de pequenos carrinhos.

Quando os pais pensam que tudo já acabou, ainda restam os Tobogans.

Comem pipoca, atiram nos bonecos de pelúcia, jogam argolas nas garrafas, compram algodão doce e misturam com churrasquinho de frango.

E agora os pais pensam que realmente acabou e elas dizem que vão passar no shopping…

E aí vão a praça de alimentação, jogar boliche, aparelhos eletrônicos e a dança do momento.

Quando exaustas, e os pais também, de segui-las à distância, ou de receber constantes telefones tipo mensagens enigmáticas:
__Pode vir, estamos no Shop… antes de completar a palavra, desligam!

Capítulo IV
COMO ELAS ESCREVEM

“→Te magoei? Desculpaaaa!
→Te xinguei? Vc deve ter merecido! ;P
→Tô nervosa? Nem chega perto! :@
→O q eu fiz ou q faço? Não te interessa!
→Falou o q quis? Ouviu o q mereceu!
→Me perdeu? Ownnn Que Penaa,ja era.. =D
→Acabou? O mundo dá voltas,depois depois…!
→Criança ou adulta? Depende do momento!
→Inveja? NINGUÉM merece neh meu bem!
→Feliiiz ou triste? isso varia muito!→passei e ñ falei?sou de lua,desculpa!
→Teimosa? Até d+!
→Intensa? Em tudooo.
→Tímida? Com quem não conheço,ate d+!
→Críticas? Guarde pra vc,elas n me entereçam!
→Teimosa? Só quando tô certa.
→Ingênua? vc pode ate pensar q sim,mais n msm eim!fica esperto!.
→Amigos? Tenho poucos mais os melhores! o/
→Familia? a mais louca e engraçada de todas(mais gosto deles assim msm)
→Deus?meu anparou nas hras dificeis!(e continua!)
→Preguiça? muita…morro dela!
→Curiosa?(O que? Como? Onde? Quem?)
→Te abracei? Quero de novo!
→Sinto saudades de vc? Vc foi/é especial.→O mundo? Além de pequeno, dá voltas,e como dá…!→Perguntas? Evite, pq não sei dar explicações.
→Ah é? Prova então! =P→Amores? São coisas da vida,faz parte neh =D!
→Solteira? sim,sozinha NUNCA, Não tem como!
→Casada? Com a liberdade
→Pra te agradar? Não vou mudar, nem pensar!
→Minha educação? Depende da sua!
→Sobre mim? Pense o q quiser,ñ tenho o minimo interesse,vivo minha vida.;)!”

OBSERVAÇÃO: Não conseguimos localizar os autores destes textos. Se alguém se julgar prejudicado, favor entrar em contato que retiraremos o texo do ar imediatamente.

Manoel Amaral

OSVANDIR & ESSAS ADORÁVEIS GAROTINHAS II E III

ESTAS ADORÁVEIS GAROTINHAS II

Capítulo II
Nos Computadores

“Um dia eu sou menina,
no outro sou mulher.
Há dias em que o espelho é meu amigo,
outros, meu pior inimigo.”
(Bárbara)

Elas fazem tudo nos computadores. Com a mão esquerda digitam um texto no teclado, com a direita no mouse e com o fone nos ouvidos conversam com as amigas(os) ao mesmo tempo. Em MSN falam com uma terceira, discutem os temas das provas e comentam as novidades.

São multifuncionais, sem errar em nenhum lugar. Claro que o linguajar é bem reduzido, mas dá para todo mundo entender.

Não usam acento nenhum e criaram uma nova regra ortográfica da língua portuguesa.

Recortam fotos, clareiam fundos, corrigem posturas, mudam de posição e lá está uma nova foto para o álbum de fotografias do Orkut.

Criam blogs, ganham prêmios e selinhos e levam a vida como se o mundo fosse acabar amanhã.

Passam nos blog de suas amigas, leem o da Revista Capricho, ficam sabendo das últimas novidades.

E com facilidade acessam o twitter de qualquer lugar, do seu celular, ultra-moderno, ficam sabendo a maioria dos acontecimentos e envia uma mensagem curta o que faz com que isso seja transmitido e retransmitido rapidamente.

Uma novidade no Rio de Janeiro, logo é enviada para o país inteiro e o resto do mundo, traduzida pelo Google…

ESTAS ADORÁVEIS GAROTINHAS III

Capítulo III
Nos Parques de Diversão

Não basta ser linda, tem que ser maravilhosa.
Não basta querer, tem que poder.
Não basta ser boa, tem que ser talentosa.
Não basta ser inteligente, tem que ser esperta.
Não basta despertar vontade, tem que despertar desejo.
Não basta ser uma qualquer, tem que ser única!
(Brenda)

Pulam da Roda Gigante para o Carrinho de Choque, vão ao Carrossel, gritam na Montanha Russa e se assustam no Trem Fantasma. Acalmam na piscina de bolinhas e não querem saber de pequenos carrinhos.

Quando os pais pensam que tudo já acabou, ainda restam os Tobogans.

Comem pipoca, atiram nos bonecos de pelúcia, jogam argolas nas garrafas, compram algodão doce e misturam com churrasquinho de frango.

E agora os pais pensam que realmente acabou e elas dizem que vão passar no shopping…

E aí vão a praça de alimentação, jogar boliche, aparelhos eletrônicos e a dança do momento.

Quando exaustas, e os pais também, de segui-las à distância, ou de receber constantes telefones tipo mensagens enigmáticas:
__Pode vir, estamos no Shop… antes de completar a palavra, desligam!

MANOEL AMARAL
Leia o primeiro capítulo mais abaixo

ESTAS ADORÁVEIS GAROTAS I

Capítulo I
As Roupas

Elas estão nas escolas, nas ruas, nos Shoppings, em todo lugar.

São pequenas, bonitinhas, novinhas, ga(ro)tinhas, têm entre 12 e 15 anos; mas já andam, vestem e falam como gente grande.

Onde uma está, três ou quatro estão por ali, juntinhas.

Se vão assistir ao filme de sucesso da semana, seguem direto para comprar os ingressos. Ficam conversando na fila, para distrair.

Uma usa o sapato da mãe, outra a blusa da irmã, e a terceira o jeans da colega.

Os assuntos são sempre os mesmos: roupas, filmes, livros, escola, provas e namoradinhos.

Gisele, num só dia arrasou: foi de blusa da amiga, sapato da irmã, jeans do seu armário, bijuterias e batom de Lidiane.

Amarílis, que não gosta de roupa emprestada, pediu só o boné de Gisele.

Lidiane, pegou o sapato da mamãe, uma blusinha bem decotada de Gisele, um short bem curtinho da irmã mais nova, algumas peças de biju de Amarílis e o quadro estava feito.

Seguiram direto para o boliche daquele pequeno Shopping.

Se vão a praça de alimentação, dão preferência por alimentos leves, às vezes gordurosos. Batatas fritas, queijo, presunto, omelete, uma fatia de tomate, alface e o pão de forma. Um guaraná para refrescar.

Visitam vitrines, olham, olham, mas não compram nada. Os seus desejos de um caríssimo tênis nos pés, ficam só naquele momento, daí a pouco seus olhos caem em outra mercadoria qualquer.

Se vão até as lojas Ame(ri)canas, riem bastante quando encontram aquele sutiã enorme da época da Vovó, ou cuecas samba-canção do Vovô. Na livraria procuram títulos que nunca encontram. Livros que já ouviram falar, que escola indicou ou que colegas já leram.

Quando chegam em casa, os pais já descabelados, escutam uma desculpa qualquer ou que estavam fazendo trabalho escolar na casa de uma colega.

Encerra mais uma semana, para daí a 6 dias, começar tudo de novo!

OSVANDIR E O OBJETO MISTERIOSO

“Uma vida sem festas é como um largo caminho sem pousadas.”
(Demócrito)
Osvandir saiu da cidade dos monstros peludos e continuou pelo o interior do Estado.

Num restaurante de beira de estrada viu várias manchetes nos jornais: Jovem com gripe suína…
Jovem internada com bebê morto…
Jovem passou mal com sushi estragado…

As notícias não eram nada animadoras, mas seguiu cada vez mais para o interior. Queria fugir destes fatos que lotam os hospitais, postos de saúdes e farmácias.

Parou próximo a uma ponte, onde corria um rio de água cristalina e ficou por ali um bom tempo. Dizia que era para descansar o corpo e clarear a mente.

Olhou para frente, em linha reta e observou um pasto amarelado pelo capim seco. Lembrou dos tempos que fazia artes botando fogo nos lotes vagos de sua cidadezinha natal. Nem sei por que lembrou disto, talvez fosse pela cor ou mesmo o tipo do capim, o braquiária (brachiaria), que ele detestava. Esta praga africana, onde é plantada, não nasce mais nada.

Entrou no carro, seguiu tranqüilo por meia hora e aí encontrou dois veículos acidentados. Ajudou a transportar as vítimas para o hospital mais próximo. As enfermeiras perguntaram se estava envolvido no acidente, disse que não. Queriam saber se havia mais feridos, Osvandir informou que uma Van trouxera os outros.

Perguntou o nome do local, para um velhinho de barba branca e uma bengalinha nas mãos, ficou sabendo que era uma cidade famosa pelos fatos inusitados que saiam nos jornais do sul do estado.

Resolveu ficar por ali, quem sabe poderia registrar em sua possante máquina digital, as imagens de algum objeto não identificado.

Andou por ruas, becos, trilhas e cavernas, nada de diferente do que já vira em outros locais.

O povo era acolhedor, dado a festas de fins de semana, com churrasco e tudo mais. Belas garotas passeando nas pracinhas depois das aulas e à noite, nos locais denominados “point” pela juventude.

Osvandir até gostou, piscou os olhos para algumas, saiu com outras e tudo ia correndo muito bem. Local para divertir é que não faltava.

Num churrasco, regado a um bom vinho do sul, escutou histórias muito interessantes. Até a do cachorro e a viúva eles já sabiam…

Ficou conhecendo uma garota diferente, numa das festas, era a Flávia, uma jovem quietinha, saía de casa poucas vezes por semana. Suas amigas estavam sempre dizendo:
__ Você precisa sair mais menina. Vamos hoje para a festa de São João.

Ela não estava muito interessada. Dizia que iria ver um bom filme e deitar mais cedo. Outras vezes dizia que tinha prova na segunda-feira e iria estudar.

Assim passava os dias: estudando em seus livros, hora no computador, TV ou uma rápida saída para as ruas do seu bairro. Não estava muito interessada o que o resto da turma fazia ou deixava de fazer.

De tanto ficar em casa e ver estes filmes na TV, às vezes ficava excitada, tinha que correr para o banheiro e tomar um bom banho de água fria.

No sábado, Osvandir saiu com alguns amigos e notaram um movimento maior na casa de Flávia. De repente até a ambulância chegou. Pensaram: “a menina deve ter adoecido de tanto ficar em casa”.

No hospital uma aglomeração impedia Osvandir de aproximar-se e tomar conhecimento do que acontecia.

Como os enfermeiros não diziam o que se passava, ele resolveu aplicar aquele velho esquema dos filmes: vestiu um jaleco branco e foi entrando. As enfermeiras não entenderam nada. Muito menos Osvandir.

Em cima da mesa operatória estava a Flávia, nua, com uma coisa esquisita entre as pernas. Aproximando mais pode notar que era uma pequena garrafa de vidro.

As enfermeiras não sabiam o que fazer mediante aquele fato incomum. O jeito foi Osvandir tomar alguma providência: pediu uma tolha molhada, uma seca e luvas. Aproximou-se da garota e pediu um martelo. As enfermeiras ficaram apreensivas.

Osvandir estendeu a toalha molhadas cobrindo as partes íntimas da garota. Pegou uma placa de metal, colocou por baixo da garrafinha e cobrindo esta com a toalha seca. Deu uma só martelada e estava resolvido o problema. Os cacos foram retirados e o gargalo da garrafa soltou-se sozinho.

Desmaiada, a pobre não percebeu nada do que se passara. Acordou assustada sobre uma aconchegante cama de um hospital.

As enfermeiras queriam saber quem era aquele que fizera um bom trabalho em poucos minutos, parecendo ter caído do céu. Mas Osvandir já tinha tirado o jaleco e sumido na multidão.

MANOEL AMARAL