ESTRANHO MEDICAMENTO

ESTRANHO MEDICAMENTO
Osvandir estava em São Tomé das Letras, em Minas Gerais, num local onde diziam que um portal levava as pessoas para o passado.
Não pensou duas vezes, ligou a sua possante moto, acelerou, tudo escureceu e ele foi parar no século XVII, caindo no Oriente Médio em pleno período do Império Otomano.
O império constava entre as principais potências políticas da Europa e vários países europeus.
A Europa estava envolvida na Guerra dos Trinta Anos, na mesma época.
O que se via eram campos de batalha e gente morta por todos os lados.
Osvandir levou o seu tablet e procurou saber de um dos guerreiros que guerra era aquela, tomou conhecimento que ali era parte do Império Otomano.
O homem não sabia informar com precisão onde estavam, o terreno era montanhoso e um rio passava logo abaixo.
Procurou um posto de tratamento de guerra e encontrou várias enfermeiras que cuidavam de muitas pessoas.
Ele queria um remédio para tratamento de um arranhão que sofreu quando caiu de sua moto.
Ela passou-lhe um líquido avermelhado, ele ficou com medo de passar e pegar mais infecção, mas a agente de saúde informou-lhe que poderia ficar tranquilo que aquilo acabaria com as suas dores.
Passeando por ali, encontrou várias pessoas sendo tratadas com um remédio muito interessante.
Ficou muito curioso para saber em que aplicavam este estranho medicamento.
A moça, com roupa de branco, informou-lhe que aquilo receitado para todos soldados que estavam com diarreia infecciosa.
Um tubo era inserido no ânus dos doentes e injetavam por ali o líquido, depois de alguns exames do paciente.
Informou a bactéria clostridium difficile, se é que ele entendeu direito, causava várias doenças intestinais.
As outras injetadas eram consideradas as bactérias amigáveis, sem elas o organismo pode desenvolver uma série de doenças nos intestinos humanos.
Osvandir pediu a mulher dois vidros do produto, colocou em sua bolsa e partiu para um local, no alto de uma montanha, acelerou a moto e partiu para o presente.
Ela informou que o produto deveria ser usado dentro de cinco dias, do contrário perderia a validade.
Naquele voo sensacional, que só ele pode fazer, foi cair lá na cidade de ouro preto, na entrada de uma velha mina de ouro.
Desceu para o centro da cidade e viu uma faixa anunciando:
XIII SEMANA BRASILEIRA DO APARELHO DIGESTIVO
Osvandir procurou um dos médicos e contou-lhe a sua história. Ele informou que o seminário era sobre o assunto.
Aproveitou e apresentou-lhe os dois recipientes com o “remédio”.
Em análise posterior ficou comprovado que aquilo era cocô humano.
MANOEL AMARAL

HISTÓRIA DE N. S. APARECIDA

História da N. S. da Conceição Aparecida
A Padroeira do Brasil


No início de Outubro de 1717, chegou a notícia de que o novo Governador da Província de São Paulo e Minas (Conde de Assumar)  passaria, em sua viagem, pela vila de Guaratinguetá.

Controvérsias: Data da Pesca: 16 de outubro, o Conde de Assumar ainda não tinha chegado a Vila.

Documentos de Portugal aRevista do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, nº 3, de 1939, publicou nas páginas 295 a 316, o Diário completo da jornada feita por Dom Pedro de Almeida, chegando à Vila de Guaratinguetá no dia 17 de Outubro e lá permaneceu até o dia 30.” 
A estátua encontrada no rio Paraíba, era de terracota, feita de barro cozido no forno, rica em óxido de ferro, razão pela qual tomou a cor canela e não esta cor escura das estátuas de gesso feitas hoje em dia.

O autor da estátua foi possivelmente “um monge beneditino escultor, Frei Agostinho de Jesus, que vivia em Santana do Parnaíb, a cujo estilo é bem definido: lábios sorridentes, covinha no queixo, flores em relevo nos cabelos e broche com perolas no cabelo, e todos estes detalhes existem na imagem aparecida do rio.”

As duas partes da imagem foram definitivamente reunidas no ano de 1946, quando um especialista as uniu com um pino de ouro interno e completou o acabamento externo.”

A estátua passou por uma destruição considerável em 1978, quando, num atentado, foi quebrada em 200 fragmentos. Foi totalmente reconstituída pelas mãos da especialista em restauração do Museu de Arte de São Paulo, Maria Helena Chartuni.”

Manoel Amaral

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COMO DAR NOME AO SEU PERSONAGEM

COMO DAR NOME AO SEU PERSONAGEM

Imagem Google

É bom não colocar marcas e nem nomes de pessoas reais e famosas (cantores, artistas em geral) nas suas histórias. Você poderá ter problemas com processos.

Uso para criar os meus personagens a junção de nomes: Osvandir, meu personagem preferido de quase todas as histórias é uma reunião de letras dos nomes Osvaldo + Jurandir. Na família do Osvandir todos os nomes começam com “O” e terminam com “ir”.

Numa história, no Amazonas, tinha dificuldade de criar os nomes de personagens. Decidi trocar o tipo de fonte do texto e acabei notando uns ótimos nomes para meus personagens: Verdana, Lucida, Arial e Tahoma. Pronto! Estava solucionada a questão, os lindos nomes dos meus personagens para aquela história. E funcionou bem, Lucida acabou sendo a namorada do Osvandir por um bom tempo (dez capítulos).

Agora tem nomes muito populares que também podem ser usados e não tem como alguém reclamar: João, Antônio, José, Maria… uma lista enorme.

E você, que é criativo, pode inventar nomes, quanto mais estranhos melhor.

É bom manter um dicionário de nomes próprios e seus significados e também de sobrenomes de famílias. Um dia poderá precisar.

Amanhã vamos falar de títulos dos contos ou crônicas.

Manoel Amaral

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OSVANDIR & HARRY POTTER NO BRASIL

Capítulo VI
HARRY POTTER NÃO GOSTOU!
“A verdade é uma coisa bela e terrível,
por isso deve ser tratada com grande cautela.”
Harry Potter e a pedra filosofal.

Agora que Harry já estava lendo mais ou menos o português, Osvandir mostrou para ele o primeiro e o segundo capítulo de sua história no Brasil, que estava sendo publicada na internet em seu blog.

Ele leu, pediu algumas explicações ao Osvandir e disse o seguinte:
_ Vou pedir ao seu escritor que reveja os textos e sejam reformulados.

Ele escreveu a história como se eu fosse de um tempo diferente, e isso acaba sendo a linha de desenvolvimento da minha história.

__ Mas amigo, você é mesmo de uma época diferente. Estamos em 2009 e você saiu de sua terra há muito tempo, está no Brasil, um país totalmente diferente do seu.
__ “As pessoas que não gostam de mim, não vão ler – e as que gostam vão achar que você subestimou a inteligência dos leitores. A imagem que você tem de Harry Potter é a mesma que a maioria das pessoas que não leu, tem. Acham que era infantil, um menino que morava na cada dos tios e era maltratado… Mas de repente ele sabe que é um Mago e vai pra uma “maravilhosa Escola de Magia”. Não funciona assim, Osvandir. Harry é famoso por uma razão. E a razão se explica na profundidade da trama.”
“Os meus pais foram mortos pelo Lord das Trevas. Ao longo de meus livros, é explicado que Tom Riddle era um menino que foi criado num orfanato Trouxa (não-bruxo), sem saber que era bruxo. Seu pai trouxa morreu e sua mãe bruxa estava tão doente que preferiu deixá-lo no orfanato para a segurança do próprio bebê quando ela moresse. Ele cresceu junto aos outros garotos normais, mas ele tinha poderes que nenhum outro menino tinha. Para conseguir o que queria, ele machucava os garotos usando magia, roubava, queimava e torturava. Então Dumbledore, que já era professor em Hogwarts veio ao orfanato Trouxa para contar ao jovem Tom Riddle que ele era um bruxo de verdade.

“Quando Tom Riddle entrou na escola, ele tirava só boas notas e era um aluno exemplar. Então ele veio a descobrir que seu pai era “Trouxa” (Trouxa é quem não tenta ser feliz), e que seu pai abandonou sua mãe, a deixou morrer e o abandonou. Então ele começou a desprezar todos os “Trouxas”. Enquanto estudava em Hogwarts, ele estudava escondido sobre Magia Negra, e planejava um jeito de ser imortal – porque ele temia a morte.
Ele saiu da escola com um grupo de amigos que tinham a mesma idéia que ele, odiavam “Trouxas” – e consequentemente os descendentes de “Trouxas” – chamados vulgarmente de sangues-ruins, ou sangue-de-lama. Ele cresceu, aprofundou-se na magia, então descobriu um feitiço chamado Horcrux. A Horcrux era uma garantia de vida “eterna”. Quando alguém faz uma Horcrux, ela “salva” sua alma num objeto para quando seu corpo venha falecer, o outro pedaço de sua alma ainda continue na Terra. Mas para fazer uma Horcrux, precisa-se de matar uma pessoa. Voldemort matou sete inocentes, apenas para certificar que dividiria sua alma em sete e que não haveria como ele morrer.””Então ele ascende e com seus ideais começa matar as pessoas “Trouxas” e “sangue-ruins”, afim de fazer uma raça pura. Uma raça só de Bruxos. Ele seria como o Hitler de nosso tempo.
Ele e seus soldados (chamados de “Comensais da Morte”) mataram muita gente. Tom se auto-nomeou Voldemort (é em latim, e a tradução literal é “Vôo da Morte”, porque ele escapou da morte). As pessoas porém temiam dizer o nome dele. Então um exército do bem, chamado A Ordem Da Fênix, lutou contra Voldemort durante a ascensão dele. Mas Voldemort foi atrás de um por um, para matar cada um deles. Até que ele ouviu uma profecia dizendo que o filho de um dos membros da Ordem da Fênix, que nasceria no dia 31 de Outrubro de 1980, derrotaria o Lord das Trevas.””Então Voldemort vai atrás da família Potter, para matar o pirralho. Mas algo dá errado, a mãe de Harry dá sua vida por Harry, e Harry ganha uma proteção.
Quando Voldemort lança o feitiço no pequeno Harry, de um ano de idade, o feitiço volta e faz com que Voldemort morra. (infelizmente ele tinha outros meios de voltar, como citei acima, as Horcruxes. Uma delas, você deve conhecer, é o Diário da irmã de Rony, em Harry Potter e a Câmara Secreta).””Agora, JK Rowling brilhantemente nos faz perguntar a nós mesmos, “Voldemort teria sucumbido se ele não tivesse dado ouvidos a profecia?”. Então Voldemort retorna (por uma Horcrux) no O Cálice de Fogo, e recomeça então a ascensão.”__ Agora Osvandir, olha a profundeza da história. O que vou contar aqui é sobre o final da série, então leia se quiser saber o final, mas não saia contando pra todo mundo…”

“Harry chega em seus 17 anos e sai da escola. Sua missão, como Dumbledore deixou antes de morrer, era destruir todas as Horcruxes. O momento mais profundo e filosófico da série é, quando Harry descobre que ele vai ter que matar Voldemort. E no final de tudo, ele descobre que sem querer Voldemort deixou uma parte da alma dele dentro de Harry. Se Harry não se sacrificasse, ele seria possuído por Voldemort. Harry dá a própria vida, entregando-se a morte. O único jeito de Voldemort morrer era matando sua última Horcrux em Harry.”Harry se sente extremamente traído, antes da morte. Pois tudo que Dumbledore dissera fora para prepará-lo para esse final. Ele se sentiu como se tivesse sido criado para ser morto no final, como um boi para o abate.”

Depois destes esclarecimentos Harry cansado e emocionado disse:__ Viu??? Essa é a história de Harry Potter, não aquilo que você ouve ou vê na TV. Se for continuar escrevendo sobre Harry Potter tem de mostrar esse lado da história. Do contrário será apenas mais uma ofensa aos fãs da série, que já são contrariados demais com os filmes.__ Vou imediatamente comunicar com o Manoel e solicitar as correções…
__ Não estou dizendo que não gostei da sua história. Mas agora que você sabe da verdade, o ângulo de sua história não muda? Desculpe se te ofendi de alguma forma, ou o desapontei. Eu realmente achei as suas histórias muito boas. Mas além do erro “temporal”, a imagem de Harry Potter está errada, e não é só na sua cabeça, e sim na cabeça de todos que não leram a série.__ Beleza Harry, vamos corrigir tudo. Vou mandar retirar as palavras e textos que não dizem a verdade. Nem todos os nossos leitores conhecem a sua verdadeira história, foi muito bom o seu esclarecimento.

Quando olharam pela janela já estavam chegando a Belém. O tempo passou tão rápido que nem deu tempo de perceberem.

Thalles/Manoel

OSVANDIR E AS LUZES FAISCANTES

“Onde o diabo perdeu as esporas.
Nos cafundós do Judas.
Onde o vento fez a curva.
No oco do mundo.”
(Frases Nordestinas)

Osvandir seguiu o seu destino. Ia pesquisar um avistamento de luzes no interior da Paraíba. Terra sem chuva, muita pobreza, seca por todos os lados.

Embrenhou-se no meio da caatinga, (do Tupi-Guarani: caa (mata) + tinga (branca) = mata branca) que é o único bioma exclusivamente brasileiro.

E o pobre escritor fantasma (Ghostwriter) ia acompanhando como se estivesse dentro de sua maleta, com uma abertura circular na frente por onde via tudo rasteiramente, como naquelas reportagens policiais, nas favelas, onde o Câmera Man vira por todo lado onde vai o repórter.

Plantas rasteiras, espinhos grandes, tudo meio branco, mata fechada e baixa. Não dá para ver nada além de cinquenta metros.

Uma parada para descanso, o guia informa que estamos quase chegando. Falta só subir aquele morrinho e cruzar algumas pedras.

Olhando aquilo tudo dá a impressão que o Nordeste ainda não é um deserto por causa da vegetação da caatinga, se ela for extinta tudo vira areia, sem nenhuma condição de sobrevivência humana.

Algumas casinhas de taipa construída com galhos finos amarrados com cipós e cobertura de folhas de coqueiro ou de sapé, tem até um município por aqui com este nome. Mais um rancho que propriamente uma casa de morar. Em algumas as paredes recebem barro até cobrir aquelas madeiras. O barro é amassado e duas pessoas jogam na parede, simultaneamente, uma de dentro e outro do lado de fora.

Os grilos começaram a comer as folhas ainda verdes, alguns pássaros a cantar nos galhos secos, uma nuvem de pó na estrada logo abaixo.

Um sol abrasador queimando a cabeça dos aventureiros. O guia mais precavido trouxe uma roupa de couro para proteger-se dos espinhos da vegetação. Osvandir com aquela camisa branca com as mangas arregaçadas e calça jeans, ficou com as mãos e parte dos braços bem arranhados.

Cruzaram as pedras, subiram o morro, desceram a ladeira, tocos de árvores por todo lado riçando as canelas dos pobres mortais.

Nada de encontrar o local onde as luzes estavam aparecendo diariamente. Tudo um calor só. Suor vazando aos borbotões.

Uma casinha de tijolos, cobertura de telhas, algumas crianças no quintal. Uma pequena cisterna, sinal de água boa para beber. Qual nada, a água era salobra, gosto ruim. Mas foi descendo goela abaixo assim mesmo.

Entrevistada as pessoas residentes, estas informaram que as luzes estavam mesmo aparecendo naquele local, dia sim, dia não.

Instados a declarar como eram, D. Chica, com linguagem difícil de entender, informou que tais luzes vinham e voltavam, sempre a tardinha, quando não era dia e nem noite e o sol ainda estava no horizonte.

Osvandir anotando tudo no seu caderno e gravando as falas das pessoas.

Seu José Ribamar disse que viu mais pra frente, na beira da grota uma luz mais interessante, faiscava e depois sumia.

Osvandir quis saber como era este “faiscar”, ele informou com suas palavras dizendo que parecia com foguete de lágrimas, aquele que solta várias luzes quando sobe. Um garotinho falou que parecia quando uma pedra atritava na outra e soltava aquele brilho no escuro.

Estava já escurecendo e a conversa agora era sobre fantasmas e almas do outro mundo. Todos afirmaram que a Mulher de Branco andava aparecendo por ali, no meio dos descampados.

Quando menos esperavam, uma luz branca, começou fraca e depois foi crescendo e ficando de várias cores e de repente sumiu. O dono da casa falou para todos ficarem calados que ela iria voltar.

De fato ela voltou mais forte, do tamanho de uma bola de futebol, só que agora era azul e cintilando. Todos ficaram abobalhados.

Dentro de poucos minutos ela sumiu, veio outra de cor amarela que foi ficando da cor de fogo e começou a soltar faísca, como se alguém estivesse amolando uma faca no esmeril. Girava em torno de si mesma.

Mediante aquela riqueza de fatos e do imprevisto, Osvandir havia esquecido até de fotografá-los. Sacou da máquina Sony, profissional, 32 megapixel, apontou, aguardou a imagem surgir e clicou. Depois foi conferir: apareceu só um risco luminoso cruzando o céu, já com estrelas.

No outro dia, seguiram viagem e encontraram um agricultor muito preocupado com um objeto que veio do céu e caiu próximo de sua casa.
Foram verificar e era um balão metereológico, de plástico, que soltaram em outro estado para fins de pesquisas.

Manoel Amaral

OSVANDIR E AS HISTÓRIAS DE PESCADORES

Parte I
CHUVA ESTRANHA
“A pesca assemelha-se à poesia: é necessário nascer pescador.”(Izaak Walton)

Todo fim de ano Osvandir viaja para o interior de Goiás, sua terra natal.
Ali ainda contam todo tipo de história de pescador, de assombração, de caminhoneiro, de mentiroso e outras mais, afirma ele.

Numa destas rodas, à beira do fogo, um senhor franzino, bigode branco e fino, cerca de sessenta anos, contou uma história complicada.

Diz ele que no povoado de Arranca Toco, no interior do interior, lá bem longe, onde a TV e nem o computador ainda não poluíram a mente de ninguém, existia um teimoso pescador que às vezes ficava horas e horas à beira do rio e não conseguia pescar nada que valesse a pena.

Era nervoso e por pouca coisa estava sempre brigando com a família. Xingava todo mundo, pegava as varas, os anzóis, a lata de iscas e ia pescar.

Quando pescava muito num lugar, o peixe rareava, resolvia mudar de lugar e onde pescava ultimamente, perto da cachoeira Véu de Noiva estava acontecendo isso. Nada de piabas, só mosquitos.

Numa destas idas e vindas ficou sabendo de umas luzes que estavam aparecendo lá para os lados da fazenda Céu Azul, do Senhor Jerônimo. Resolveu ir até aquele local para analisar os fatos.

Naquele dia, apesar das discussões costumeiras, ele saiu cedo, despreocupado, iria fazer uma grande pescaria. Havia chovido a noite e a água estava um pouco turva, boa para certos tipos de peixes que ficam pulando toda hora para abocanhar um inseto ou alguma frutinha que dá na beira do rio.

Pegou uma minhoca bem grande, iscou o anzol, já bem gasto pelas centenas de vezes utilizado e começou a pegar peixes de todos tipos e tamanhos. Alguns que nunca vira naquela região, saiam grudados no anzol.O pescador nem tinha como levar para casa tudo que estava pescando.

Um barulho estranho veio das árvores do outro lado do rio, apesar da calmaria, parecia um redemoinho. Uma chuva de peixes caiu do céu, depois de uma ventania forte, que tombou várias árvores e formou um misterioso círculo no canavial mais próximo.

Josino, o insistente pescador, descobriu logo porque tinha tanto peixe no rio e alguns que nunca tinha visto.

No meio da estrada ficou cheio de peixes de todos tamanhos, pegou alguns e ia colocando na sacola mas notou que nenhum deles se mexia. Olhou melhor e pode constatar que estavam mortos há um bom tempo.

Não entendeu nada, voltou ao local do poço onde pescava e colocou na sacola somente os estavam vivos.

De volta para o povoado contou para a turma o que aconteceu e ninguém acreditou.

Quando saiu, seguindo para sua casa, alguém falou:
__ Isso é história de pescador!

Parte II
O PODER DAS ÁGUAS
“Existe uma tênue diferença entre pescar e ficar na margem, em pé como um idiota.” (Abraham Lincoln)

Josino, o nervoso pescador, depois de mais uma desavença em casa, mesmo tendo chovido muito a noite inteira, resolveu ir pescar que era a coisa que entendia muito bem. Cada peixe um tipo de isca, anzol apropriado e vara certa. Tem até peixe que nem se pega com anzol.

Desta vez ele ficou só observando o rio, a enchente tomava conta de todo o espaço do terreno. Muitos objetos da cidade mais próxima estavam descendo rio abaixo: sofás, colchões, geladeiras, fogões. Muitos animais domésticos também lutavam contra as águas.

No povoado de Pedra Grande “Seo” Souza bebia o último gole de pinga num boteco de fim de rua, sempre acompanhado de seu inseparável cavalo de nome Gigante, apesar de ser pequeno.

O Senhor Quim, conhecedor da região, insistiu para que Souza não prosseguisse viagem, poderia até ficar em sua casa naquela noite.

Teimoso, o cavaleiro bêbado, seguiu para a beira do rio, onde ficava sua fazenda lá do outro lado.

Ao aproximar-se das águas o velho animal empacou. Com espora no lombo nadou cerca de cem metros, foi levado pela correnteza, rio abaixo. Nadou para beira de um barranco onde um galho de uma frondosa árvore arrancou o cavaleiro dos arreios do “poderoso” Gigante. O cavalo seguiu rodando, com o poder das águas.

Josino olhou para o lado direito e viu um animal arreado, que conhecia muito bem, debatendo-se no meio da enchente.

Resolveu largar a pescaria e seguiu rio acima. Não tinha esperança de encontrar o Senhor Souza, vivo.

Andou quinhentos metros no meio de barro, mato, canavial e na curva do rio vislumbrou uma árvore grande com qualquer coisa na copa.

Era gozado e trágico ao mesmo tempo, Souza lá estava num galho da árvore, imaginando estar montado em seu cavalo, mais parecia o D. Quixote do sertão.

Josino lembrou que quando subia notou uma corda dependurada numa galhada, voltou lá e com um pouco de astúcia conseguiu retirá-la da árvore. Enrolou-a de maneira que ficasse mais fácil o transporte e voltou correndo para onde se encontrava o cavaleiro perdido, que lutava contra as águas.

Amarrou um pedaço de pau curto e grosso na ponta da corda e jogou-a para o lado da árvore. A primeira tentativa não deu resultado, quase perdeu-a. Entrou mais um pouco na água e atirou novamente mirando bem o centro da copa da árvore. Deu sorte, o pau enroscou-se num dos galhos da árvore.

Josino gritou para Souza amarrar bem a ponta da corda em algum ponto mais resistente. Daí a pouco vinha aquele velho homem debatendo-se na água, a sua amarração não ficou bem feita, o nó soltou-se; acontece que o pescador, precavido, havia amarrado a outra ponta num velho toco no meio do mato.

São e salvo, Souza chegou ao povoado em companhia do pescador Josino e foi logo convidando todos para tomar uma rodada de pinga.

Quando contou o que aconteceu e Souza ali confirmando, alguém do meio da turma disse:
__ Isso que é verdadeira história de pescador!

Manoel