O VELHO, O MENINO, O BURRO E A PREVIDÊNCIA

O VELHO, O MENINO, O BURRO E A PREVIDÊNCIA

Um Velho foi à cidade para requerer a sua aposentadoria. Levou o seu neto e um velho burro.

O neto disse ao vovô para que subisse no animal e ele iria a pé.

Ao passarem no primeiro povoado uma senhora nervosa disse ao velho que iria denunciá-lo aos Direitos Humanos, por deixar uma criança caminhando enquanto ficava montado no animal.

Pois bem disse o velho, suba aqui com o Vovô e vamos seguir em frente.
Chegando a segunda Vila o povo começou a gritar:

–Desalmados, não vêm que o pobre animal não consegue nem ficar de pé? Vamos denunciá-los a Polícia e aos Direitos dos Animais.

Só restou então aos dois descerem do animal e seguirem em frente.

Quando passaram a curva e subiram um morro avistaram a cidade.

Foram chegando e o povo gritando: –Cambada de idiotas, andam a pé e deixam este animal fogoso sem carregar nada.

O velho ficou muito contrariado, continuou seguindo para a Agência do INSS e deu entrada na papelada que pegou no Sindicato Rural.

O rapaz que o atendeu franziu a cara e disse: –Falta ainda 20 anos para conseguir a aposentadoria.

O velho saiu enfurecido daquele prédio e vendeu o burro por um bom preço.

Na volta encontrou as mesmas pessoas e a cada uma disse que vendeu o animal para não servir de gozação de ninguém. E explodiu:

–Aposentadoria só daqui a vinte anos é a PQP.

Manoel Amaral

CACHACEIRO COMEU TATURANA COMO TIRA GOSTO

CACHACEIRO COMEU TATURANA COMO TIRA GOSTO


A palavra taturana (ou tatarana) vem da língua tupi e significa “semelhante ao fogo” (tata = “fogo”; rana = “semelhante”). Wikipédia

Estavam os dois na rua, na porta de suas casas, sem nada para fazer, olharam aqueles insetos subindo e descendo as paredes do muro.

Foi aí que o Zé teve a grande (ou péssima) ideia de proposta: quem comesse mais tataranha venceria o jogo e levaria a bolada.

A bolada era apenas uns míseros dez reais, restinho que sobrou da aposentadoria de cada um. Final de mês sabe como é, falta tudo!

Comer taturana, ora pois, pois! Que coisa mais idiota, só poderia ter saído da cabeça daqueles dois. Onde já se viu uma coisa dessas?

Aquilo queimava como pimenta malagueta, era fogo puro.

Foram comendo, comendo, as barrigas inchando cada vez mais. Pareciam até mulher grávida. A cerveja não descia mais. A garganta inflamou. Água só bebiam na bacia.

E aqueles dois foram parar no hospital, quase morreram.
Receberam alta e fugiram do local, foram para zona rural para evitar a gozação do povo.

Tudo isso se passou na data de 26 de janeiro de 2012, do Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo (Anno Domini Nostri Iesu Christi).

Manoel Amaral