DIA DAS BRUXAS


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Raloim para nós aqui do Brasil é o mesmo que “Dia das Bruxas”. Em Inglês o nome veio de “All hallow’s eve”, que significa a “véspera de todos os santos”.

É comemorado em 31 de outubro, mas não é como nos Estados Unidos. Aqui é tudo diferente.

Foi numa destas festas que o Osvandir ficou conhecendo uma infinidade de criaturas.
O Negrinho do Pastoreio veio montado no seu alazão. Já o Caipora (ou Caapora) chegou montado em um porco selvagem. A Cuca, com aquele bocão de jacaré, veio pelas águas poluídas do rio.

O Boitatá, a Cobra de Fogo, fez um risco no céu e desceu velozmente para perto de todos. O Boto que não é bobo nem nada, chegou assim disfarçado de homem bonito, de causar inveja a todos.

O Curupira, aquele anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás, atravessou a mata, num minuto. Mãe-D’água, a nossa a sereia, ou a Yara, do Rio Amazonas veio parar no meio da Festa.

Lobisomem também apareceu fantasiado de homem, para partir os corações das donzelas e mais tarde transformar-se em lobo selvagem.

Corpo-seco, este tipo de assombração, deixou de assustar nas estradas e fazer coisas ruins, também veio.

A Pisadeira, uma velha de chinelos, parou de atormentar as pessoas de madrugada e resolveu se divertir um pouco.

Mula-sem-cabeça, que aparece de quinta para sexta-feira, resolveu vir no domingo, galopando pela estrada, sem parar, soltando fogo pelas narinas.

Mãe-de-ouro, uma bola de fogo, parou de indicar jazidas de ouro e desceu no meio da festa para conhecer os novos amigos. Veio em forma de uma mulher bonita para atrair homens casados.

Saci-Pererê, chegou num rodamoinho. Com o seu cachimbo e com um gorro vermelho, dando gargalhadas.

O Unhudo veio lá de São Paulo, um homem bem magro, muito feio, parecido com uma múmia e as unhas bem grandes. De meter medo, mas ficaram com mais medo ainda quando ele pegou o Osvandir e deu-lhe um soco na sua cara e ele foi parar lá do outro lado do rio.

Quando a festa já ia começar, todos olharam para o céu e uma figura esquisita apareceu; era uma bruxa americana, montada em sua vassoura carregando abóboras, maçãs e velas.

Para completar a festa apareceram os morcegos e um gato preto, muitos ligados à bruxa.

A festa estava “bombando”, todos muito alegres, cada um com a sua fantasia. O som era dos melhores, aquele batidão tudo misturado: Rock, Pop, Funk, Axé e até Sertanejo Universitário. O som mais cavernoso chegou pouco depois.

O Boto foi chamando logo a Yara para dançar, enquanto o moço lobisomem, olhou para a lua cheia e soltou um urro daqueles, Pererê que havia assentado para descansar, caiu para trás.

A Mãe-do-Ouro juntou-se com o Boitatá, que também vive no espaço e foram dar os seus vôos rasantes por ali.

Corpo Seco pegou a Pisadeira e saíram dançando pelo salão. A Mula-sem-cabeça, pisou no rabo da Cuca e foi aquela confusão.

O Negrinho do Pastoreio, o Saci, o Caipora e o Curupira foram fumar cachimbo na beira do fogo e todos de olho na mata.

Quando a animação estava muito grande surgiu para o lado do cemitério a Mulher de Branco, a de Preto, a da Mala e outras nada recomendáveis para aquele tipo de festa.
O burburinho foi geral, cada um saiu para o seu lado. O Negrinho do Pastoreio pegou o seu alazão e sumiu dali. Saci Pererê desapareceu num abrir e fechar de olhos. A Cuca, a Mãe-D’água, o Boto e outros colegas caíram na água do rio e sumiram.

Mãe-do-Ouro e Boitatá que já estavam juntos fizeram um sinal de coração no espaço e ninguém mais os viu.

O Corpo Seco, o Curupira e o Caipora se embrenharam na mata mais próxima. A Pisadeira tentava acompanhá-lo, mas sentiu mal e ficou parada perto de uma cruz, na encruzilhada.

Para fugir dali, o mais rápido possível, a Bruxa Americana acionou a sua vassoura, falou a palavra mágica, mas esta não funcionou, foi verificar e notou que alguém trocara a sua por uma feita de garrafa pet. Era o faxineiro que passara por ali e encontrara aquela vassoura de piaçava tão boa e levara para o seu serviço noturno.

Sobrou o Unhudo e o Lobisomem para enfrentá-las. O som foi desligado e só se ouvia o seu urro.

Unhudo deu um soco na Mulher da Mala que ela foi parar no cemitério. A Mulher de Branco queria beijar o Lobisomem, ele usou suas enormes garras e jogou-a a um km de distância. Quanto à mulher de Preto, que foi sua antiga namorada, pegou-a pela mão e saíram pela estrada afora.

Osvandir que estava escondido atrás de uma moita, achou tudo uma coisa do outro mundo.

Manoel Amaral e Mão Seca
31/10/2010

OSVANDIR E O HALLOWEEN

Raloim para nós aqui do Brasil é o mesmo que “Dia das Bruxas”. Em Inglês o nome veio de “All hallow’s eve”, que significa a “véspera de todos os santos”.

É comemorado em 31 de outubro, mas não é como nos Estados Unidos. Aqui é tudo diferente.

Foi numa destas festas que o Osvandir ficou conhecendo uma infinidade de criaturas.
O Negrinho do Pastoreio veio montado no seu alazão. Já o Caipora (ou Caapora) chegou montado em um porco selvagem. A Cuca, com aquele bocão de jacaré, veio pelas águas poluídas do rio.

O Boitatá, a Cobra de Fogo, fez um risco no céu e desceu velozmente para perto de todos. O Boto que não é bobo nem nada, chegou assim disfarçado de homem bonito, de causar inveja a todos.

O Curupira, aquele anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás, atravessou a mata, num minuto. Mãe-D’água, a nossa a sereia, ou a Yara, do Rio Amazonas veio parar no meio da Festa.

Lobisomem também apareceu fantasiado de homem, para partir os corações das donzelas e mais tarde transformar-se em lobo selvagem.

Corpo-seco, este tipo de assombração, deixou de assustar nas estradas e fazer coisas ruins, também veio.

A Pisadeira, uma velha de chinelos, parou de atormentar as pessoas de madrugada e resolveu se divertir um pouco.

Mula-sem-cabeça, que aparece de quinta para sexta-feira, resolveu vir no domingo, galopando pela estrada, sem parar, soltando fogo pelas narinas.

Mãe-de-ouro, uma bola de fogo, parou de indicar jazidas de ouro e desceu no meio da festa para conhecer os novos amigos. Veio em forma de uma mulher bonita para atrair homens casados.

Saci-Pererê, chegou num rodamoinho. Com o seu cachimbo e com um gorro vermelho, dando gargalhadas.

O Unhudo veio lá de São Paulo, um homem bem magro, muito feio, parecido com uma múmia e as unhas bem grandes. De meter medo, mas ficaram com mais medo ainda quando ele pegou o Osvandir e deu-lhe um soco na sua cara e ele foi parar lá do outro lado do rio.

Quando a festa já ia começar, todos olharam para o céu e uma figura esquisita apareceu; era uma bruxa americana, montada em sua vassoura carregando abóboras, maçãs e velas.

Para completar a festa apareceram os morcegos e um gato preto, muitos ligados à bruxa.

A festa estava “bombando”, todos muito alegres, cada um com a sua fantasia. O som era dos melhores, aquele batidão tudo misturado: Rock, Pop, Funk, Axé e até Sertanejo Universitário. O som mais cavernoso chegou pouco depois.

O Boto foi chamando logo a Yara para dançar, enquanto o moço lobisomem, olhou para a lua cheia e soltou um urro daqueles, Pererê que havia assentado para descansar, caiu para trás.

A Mãe-do-Ouro juntou-se com o Boitatá, que também vive no espaço e foram dar os seus vôos rasantes por ali.

Corpo Seco pegou a Pisadeira e saíram dançando pelo salão. A Mula-sem-cabeça, pisou no rabo da Cuca e foi aquela confusão.

O Negrinho do Pastoreio, o Saci, o Caipora e o Curupira foram fumar cachimbo na beira do fogo e todos de olho na mata.

Quando a animação estava muito grande surgiu para o lado do cemitério a Mulher de Branco, a de Preto, a da Mala e outras nada recomendáveis para aquele tipo de festa.
O burburinho foi geral, cada um saiu para o seu lado. O Negrinho do Pastoreio pegou o seu alazão e sumiu dali. Saci Pererê desapareceu num abrir e fechar de olhos. A Cuca, a Mãe-D’água, o Boto e outros colegas caíram na água do rio e sumiram.

Mãe-do-Ouro e Boitatá que já estavam juntos fizeram um sinal de coração no espaço e ninguém mais os viu.

O Corpo Seco, o Curupira e o Caipora se embrenharam na mata mais próxima. A Pisadeira tentava acompanhá-lo, mas sentiu mal e ficou parada perto de uma cruz, na encruzilhada.

Para fugir dali, o mais rápido possível, a Bruxa Americana acionou a sua vassoura, falou a palavra mágica, mas esta não funcionou, foi verificar e notou que alguém trocara a sua por uma feita de garrafa pet. Era o faxineiro que passara por ali e encontrara aquela vassoura de piaçava tão boa e levara para o seu serviço noturno.

Sobrou o Unhudo e o Lobisomem para enfrentá-las. O som foi desligado e só se ouvia o seu urro.

Unhudo deu um soco na Mulher da Mala que ela foi parar no cemitério. A Mulher de Branco queria beijar o Lobisomem, ele usou suas enormes garras e jogou-a a um km de distância. Quanto à mulher de Preto, que foi sua antiga namorada, pegou-a pela mão e saíram pela estrada afora.

Osvandir que estava escondido atrás de uma moita, achou tudo uma coisa do outro mundo.

Manoel Amaral e Mão Seca
31/10/2010

OSVANDIR, LOBISOMENS E VAMPIROS IV

Capítulo IV

ANOITECER

“Aquele que o amanhecer vê orgulhoso,
o anoitecer vê prostrado.”
(Sêneca )

Osvandir notou que Joanna sempre arranjava uma maneira de fugir da casa por algumas horas. Dezoito horas ela saía e dizia que iria meditar um pouco, no meio da floresta.

Achava aquilo meio esquisito mas não comentava nada. Agora mediante os fatos que estavam acontecendo, resolveu segui-la. Ela virou a esquerda numa encruzilhada, desceu uma grota e agachou-se atrás de uma moita. Osvandir ficou até pensando outras coisas. Porque será que ela não fazia as necessidades fisiológicas em casa?

Estava completamente enganado, do outro lado do caminho um servo pastava distraidamente sobre a ravina. Observou por alguns minutos e só viu um vulto subir e descer sobre o pobre animal. Olhou atrás da moita e não viu Joanna. Correu em direção a vítima, não viu mais nada, somente o animalzinho estirado no chão. Olhou o seu pescoço e apenas dois pequenos furos foi encontrado. Correu, correu. Chegou em casa e lá estava sua namorada lavando louça.

Não entendeu bem os fatos. Teria visto uma miragem? Ou tudo aquilo não estava acontecendo de verdade? Beliscou o braço direito e sentiu dor, era real.

Anoiteceu, tentou ler um livro a luz de velas, não conseguiu. Pegou o MP5 ouviu algumas músicas, o rádio não estava funcionando, daí há pouco sentiu uma rajada de vento vindo da janela do quarto. Olhou para o mato e não viu nada.

Abriu um site especializado em Lobisomem e Vampiros, de Bruno Vox, no seu notebook e lá estava: “Com os nomes de “Versipélio dos Romanos, é o Licantropo dos Gregos, o Volkodlák dos eslavos, o Werwolf dos saxões, o Wahrwolf dos germanos, o Óboroten dos russos, o Hamtammr dos nósdicos, o Loup-garou dos franceses, o Lobisomem da Península Ibérica e da América Central e do Sul, com suas modificações fáceis de Lubiszon, Lobisomem, Lubishome…, é, sempre, a crença na metamorfose humana em lobo, por um castigo divino.”

A diferença entre vampiro e lobisomem sabia bem: “o lobisomem surge sob a forma de um lobo gigantesco que se desloca quer sobre as 4 patas, quer como um bípede extremamente peludo que conserva traços humanos, embora particularmente repulsivos, e garras nas mãos. Em qualquer das formas, rasga as gargantas das vítimas, cuja carne devora em seguida, uma verdadeira máquina de matar.”

“Como são amaldiçoados, os vampiros não entram nas igrejas e nem tocam em símbolos religiosos, vivem em grupos. Eles conseguem assimilar melhor as mudanças que ocorrem no decorrer dos anos, porém os lobisomens são menos adaptáveis, por causa de seu instinto.” Completava aquela descrição na página da internet.

O vampiro é como um morcego gigante, alimenta-se de sangue e não come a carne do animal.
No outro dia, bem cedinho, procurou Dona Maria Rita e quis saber como passara a noite.

__ Caro ufólogo e estudioso de coisa estranhas, o meu marido dormiu como um porco velho. Roncou muito, mas não saiu da cama. Vamos ver as cabras, enquanto ele ainda está na cama.

Chegaram ao pequeno curral e contaram os animais, não faltava nenhum.

Na volta para casa Osvandir encontrou dois homens que seguiam apressados para o outro lado da floresta. Quis saber por que a pressa.

__ Vamos ver um estranho animal que foi aprisionado, no mato, na noite anterior pelo fazendeiro vizinho.
__ Posso acompanhá-los?
__ Claro! De onde vem? – Perguntaram os dois homens que fumavam sem parar, demonstrando nervosismo.
__ Estou passando uns dias naquela velha cabana ali ao lado do lago.
Seguiram para o local e ao aproximarem deram com um enorme lobo, com umas garras compridas e olhos esbugalhados.

Seria mesmo um lobo? Osvandir ficou na dúvida.

Voltou para cabana, as malas já estavam prontas. Deveriam voltar naquele mesmo dia para a cidade. Joanna já estava apreensiva, com um rápido beijo na boca, perguntou:
__ Onde andava, meu querido?
__ Fui até o sítio vizinho conversar com dona Maria Rita, esposa do senhor Zezito, sobre alguns animais.

Na volta para cidade, fez uma pequena parada na casa do sitiante e informou da captura do animal pelo seu vizinho. Estava assim, parcialmente resolvido o mistério dos ataques aos animais.
Dias depois Osvandir recebeu de seu Zezito um telefonema informando que os ataques a animais acabaram.
No dia seguinte um jornal sensacionalista informou em manchete de primeira página: “Banco de Sangue foi assaltado”.

OSVANDIR, OS LOBISOMENS E OS VAMPIROS

Capítulo II
A AURORA
Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem
anunciar a aurora de uma grande realização.
(Martin Luther King Jr)

Tudo correu, no seu ponto de vista, maravilhosamente bem. Acordou com fôlego redobrado.

Calçou o tênis, vestiu uma camiseta, o seu calção e saiu para uma caminhada. Os pássaros, nos seus ninhos chilreavam por todo lado. O sol levantava-se preguiçosamente no horizonte.

Osvandir foi até o lago, lavou o rosto e pode notar um ser diferente na floresta. Esgueirava-se por entre as árvores. Parecia um cachorro, hora uma pessoa. Magro e pele quase branca, com pelos dourados.

Aquilo mexeu com os nervos do rapaz. Correu até a cabana, queria dizer para Joanna o que vira. Ela não estava na cama. Olhou por todos os lados e nada encontrou.

Onde estaria a sua amada? Enquanto estava envolvido com estes pensamentos viu alguém abrir a porta. Era Joanna. Interrogada, disse que vinha do quintal. Falou que estava a procura de um bom frango que queria matar para o almoço. Mas ninguém viu frango nenhum naquela cabana…

Fatos estranhos: o semi-animal na floresta, a ausência de frangos naquele local. As histórias não estavam conferindo com a realidade.

Naquele meio tempo, alguém bateu na porta, assustado Osvandir foi ver do que se tratava:
__ Bom dia meu Senhor, – cumprimentou Osvandir.
__ Bom dia nada! Mau dia! Perdi alguns animais.
__ Mas o que aconteceu? Disse Osvandir.
__ Um animal estranho atacou meu rebanho de cabras e matou três.
__ Comeu os animais?
__ Não. Apenas sugou o sangue!
__ Mas que coisa mais estranha. Eu vi um animal esquisito atravessar a floresta quando estava fazendo caminhada, hoje de manhã.
__ Como era esta criatura? – perguntou o sitiante.
__ Tinha algum pelo comprido, dourado e dava para notar a pele clara. Tive a impressão de tratar de uma pessoa, no entanto parecia um animal.
__ Por aqui nunca aconteceu uma coisa dessas.
__ Pode ter certeza que se aparecer mais algum fato novo levo ao conhecimento do Senhor. Onde moras?
__ Fico agradecido. Moro ali do outro lado do lago, próximo da estrada, ao lado de uma árvore de aroeira, bem velha, carcomida pelo tempo.
__ Então até breve. Ah! Como é o nome do Senhor?
__ Chamo José, mas todos por aqui me conhecem por Zezito das cabras. E o seu nome?
__ Sou conhecido como Osvandir, o ufólogo.

Manoel Amaral

Participe de nossa Antologia de poesia e prosa: osvandir.ovni@gmail.com

OSVANDIR E O FOLCLORE

ORIGEM, MITOS E LENDAS

Estavam todos alegres, numa festinha de Grupo Escolar, lá num bairro distante.
No meio daquela discussão Osvandir perguntou:
__ Mas exatamente o que significa a palavra “folclore”?
E o Professor respondeu:

__ Analisando a sua origem, os especialistas chamam isso de “etimologia”- encontramos folk = povo, nação, raça; e lore = ato de ensinar, instrução. Portanto folclore significa “ensinamento do povo”, ou seja, a voz do povo.

Saindo daquele grupo Osvandir seguiu direto para casa, tinha que arrumar as malas para seguir viagem no dia seguinte para o interior de Goiás, onde mora seu tio Osmair.

Sentiu um frio vindo das janelas, fechou a do lado do motorista até o topo. Parou o carro na garagem, desceu com o seu inseparável Net book e seguiu direto para o chuveiro.

Sentiu-se bem melhor, acendeu a luz do quarto, olhou a correspondência, alguns convites, fatura do cartão de crédito e uma revista que não quis nem abrir, falava da briga da Rede Globo e TV Record.

Já cochilando, encostou-se num travesseiro bem macio e dormiu.

O carro seguia pela estrada, ao longe viu uma porteira que conheceu logo, já estava chegando ao sítio do seu tio.

Interessante que achou a viagem curta. Viajou muito pouco e já foi encontrando as terras onde nasceu. O que havia acontecido?

Uma bruma cobria todo monte e o lago estava parecendo uma pista gelada. Alguns peixes pulavam para comer insetos sobre as águas. As árvores estavam estranhas, qualquer coisa havia acontecido com sua terra.

Lá no fundo, depois de uma grande moita de bambu e algumas bananeiras, estava a casa sede.
Ele chegou e foi logo convidado a tomar um cafezinho e pensou logo nos adoráveis biscoitinhos de Dona Margarida, uma velha cozinheira do seu tio.

Ao sentar-se à mesa notou que a velha e simpática biscoiteira não estava mais lá. Vinha uma elegante Senhora, com um pano pintadinho amarrado à cabeça. Prestou atenção para decorar o nome dela.

__ Vem cá meu filho. Venha provar dos biscoitinhos da velha.
__ É Osvandir, venha comer o bolo que você tanto gosta. Tia Anastácia caprichou neste de hoje, – disse Osmair.
__ Tia Anastácia? Onde foi parar a Dona Margarida?
__ Faleceu no mês passado.

Osvandir viu outra Senhora gorda com um livro na mão, lendo histórias para as crianças. Quem seria? Foi até lá e apresentou-se:
__ Sou sobrinho do dono do sítio.
__ Muito prazer, sou Dona Benta, velha amiga do Senhor Osmair. Você seria o famoso ufólogo Osvandir?
__ Sim, menos o famoso.
__ Olha, aqui estes dias estão acontecendo muitas coisas interessantes. Agorinha mesmo acabamos de ver a Mãe-de-ouro passando daquela montanha até o riacho. É uma bola de fogo que indica os locais onde se encontra jazidas de ouro.

__ Quando estava chegando vi uma criatura esquisita, pensei até em parar o carro. Parecia uma cobra de fogo.
__ É o Boitatá, protege as matas e os animais, tem a capacidade de perseguir e matar aqueles que desrespeitam a natureza. No Nordeste é conhecido como “fogo que corre”.
__ Uai, Dona Benta, a Senhora conhece mesmo tudo sobre o folclore, hein? – Disse um dos meninos.
__ A semana passada o Curupira apareceu logo ali na mata. Ele também é protetor das matas e dos animais silvestres. É representado por um anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás.

A conversa estava boa, mas Osvandir muito cansado, resolveu ir dormir, aproveitando o seu velho quartinho dos tempos de criança.

Sonhou com Lobisomem, um animal meio lobo e homem numa noite de lua cheia. Quando aquele grotesco bicho veio atacá-lo ele acordou.

__ Saci-Pererê – dizia Dona Benta – é representado por um menino negro que tem apenas uma perna. Sempre com seu cachimbo e com um gorro vermelho que lhe dá poderes mágicos. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Adora espantar cavalos, queimar comida e acordar pessoas com gargalhadas.

Cochilou de novo e sonhou com a Mula-sem-cabeça surgindo do meio de uma mata cerrada. Lembrou que este estranho animal mitológico é uma mulher que teve um romance com um padre. Como castigo, em todas as noites de quinta para sexta-feira é transformado num animal quadrúpede que galopa e salta sem parar. Acordou sobressaltado!

Dona Benta ainda lia e resolveu contar a lenda do Boto para as crianças:
__ Acredita-se que a lenda do boto tenha surgido na região amazônica. Ele é representado por um homem jovem, bonito e charmoso que encanta mulheres em bailes e festas. Após a conquista, leva as jovens para a beira de um rio e as engravida. Antes de a madrugada chegar, ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto.

Osvandir fechou os olhos novamente e desta vez sonhou com o Unhudo, um homem bem magro, muito feio, parecido com uma múmia e as unhas bem grandes. Ficou com mais medo ainda quando viu que ele pegou uma pessoa e deu um soco na cara do sujeito e ele foi parar lá do outro lado do rio. Acordou de novo.

__ Mãe d’água, – continuava Dona Benta – como o próprio nome diz, também é encontrada nos lagos, rios é parecida com a sereia do mar. Este personagem tem o corpo metade de mulher e metade de peixe. Com seu canto atraente, consegue encantar os homens e levá-los para o fundo das águas.

Puxou o ronco novamente e teve a visão do Corpo-seco uma espécie de assombração que fica assustando as pessoas nas estradas. Em vida, era um homem que foi muito malvado e só pensava em fazer coisas ruins, chegando a prejudicar e maltratar a própria mãe. Após sua morte, foi rejeitado pela terra e teve que viver como uma alma penada.

Osvandir acordou e viu que a TV estava ligada e algumas crianças assistiam o Sítio do Pica-pau Amarelo e em outro canal passava aquele filme “Os monstros SA,” com aquela adorável menininha chamada Bu, que tem medo de Bicho Papão.

Foi aí que descobriu que tudo não passara de um sonho dentro de outro sonho e que ainda não tinha nem saído de sua cidade para viajar para Goiás.

Ligou o computador e na página principal do Google indicava: 22 de Agosto, Dia do Folclore.

MANOEL AMARAL

Você pode ler mais textos de Osvandir em:
http://www.textolivre.com.br/component/comprofiler/userprofile/Manoel

OSVANDIR, A VIÚVA E O CÃO

“É melhor ter um cachorro amigo do que um amigo cachorro.”
(Fabricio Bravim Melotti)

Osvandir estava num daqueles dias difíceis, que até aqueles três pontinhos atrás de sua orelha esquerda, herança da sua última abdução, começaram a doer. A cidade onde iria ainda estava longe, a uns 100 km de distância.

Parou na beira da estrada para tomar um cafezinho e ao sair ouviu um assunto que lhe interessou. O pessoal fazia referência a uns seres peludos que andavam aparecendo no meio do mato e na próxima cidade, onde iria visitar.

Seguiu mais temeroso pela estrada, logo que seu carro começou a ganhar velocidade, notou qualquer coisa atravessando a estrada aos saltos.

O seu corpo começou a tremer e sentiu um friozinho subir a espinha dorsal.

Depois de um velho pequizeiro, já preto pelas constantes queimadas de beira de rodovia, viu uma placa indicativa de trevo para a cidade.

Diminuiu a velocidade, contornou à direita e ia seguindo por aquela estrada de terra, quando apareceu uma vaca sem ele saber de onde saiu… Seria mesmo uma vaca? Não prestou muita atenção.

Alguns pontos de referência como uma montanha já bem escavada para retirar cascalho, uma pequena ponte de madeira, depois do bambuzal.

Chegou a cidade depois de uma pequena elevação de terreno. Lá em baixo dava para ver que era pequena, não passava de uns vinte mil habitantes.

Foi passando por aquelas ruas, algumas calçadas outras não, até chegar a um hotel indicado por um proprietário de bar.

Preencheu aquelas fichas, assinou o livro e recebeu a chave para do seu quarto. Desfez as malas e deu uma olhada pela janela. Uma casa grande chamou-lhe a atenção por causa de quatro pilares bem na entrada que poderiam significar: Ciência, Filosofia, Arte e Mística.

Pensou: “Deve ser de alguém letrado, ligado a estas ciências antigas”.
Procurando informar-se melhor ficou sabendo que aquela casa fora construída por um alemão, depois da segunda guerra mundial, mas hoje era ocupada por uma viúva jovem, de um grande empresário ligado a área de produtos alimentícios.

O dito empresário seguia em seu bimotor para São Paulo quando sofreu um acidente. O seu corpo nunca foi encontrado.

Com todas essas informações Osvandir, curioso, não deixou de observá-la, quando podia, com seu possante binóculo.

Tomou um banho frio, desceu as escadas, ele estava no segundo andar do hotel, almoçou e foi dar umas voltas, comprar jornais e ver se conseguia mais informações sobre as estranhas criaturas peludas.

Um dos jornais que comprou, com o sugestivo nome de “O REPÓRTER”, era mais sério, publicava propaganda das obras do Prefeito, já o outro, em formato de tablóide, com cada página medindo aproximadamente a metade do tamanho do outro jornal, só para gozar o principal, tinha o nome de “ARRE PORTER”. Este pequeno jornal era mais fofoqueiro, publicava página policial, esportes, fotos de mulheres bonitas, tudo que o povão gosta e o preço era baixo: R$0,25.

Numa roda de amigos ficou sabendo que há dois dias aparecera alguma coisa diferente na periferia, à noitinha, mas quando foram apurar era um jovem que pulara o muro da casa da namorada…

Ao chegar no seu quarto pegou o binóculo e olhou aquelas ruas escuras, já era quase meia noite. Alguma coisa chamou-lhe a atenção, no quarto da viúva havia uma criatura negra, do tamanho de um cão.

No outro dia quis saber do gerente do Hotel Pirâmide, o que era aquilo que viu na noite anterior na mansão da viúva. O velho Senhor José informou-lhe que ela não largava daquele cão negro o dia inteiro.

Desconfiado, passou a observá-la à noite. Por trás daqueles finos tecidos da cortina da janela, descobriu que o animal ficava na cama deitado com ela.

No fundo do quintal uma piscina grande, com água azul. Toda manhã ele nadava junto com aquela Senhora.

O tempo foi passando e Osvandir ficando impaciente, nada acontecia de anormal naquela cidade tão falada.

Porém, sempre existe um porém, naquela noite ele foi deitar mais cedo e de manhã foi despertado por um barulho diferente nas ruas, um zunzum de pessoas por toda parte.

Na frente da mansão da viúva uma ambulância e enfermeiros entrando e saindo. Não viu o cão preto. Mais tarde soube do que aconteceu.

Ao pegar o caminho de casa resolveu comprar os dois jornais rivais: “O Repórter” e o “Arre Porter”. O primeiro trazia a seguinte manchete: “Cão agrediu Viúva”. O outro dizia: “Viúva da mansão foi estuprada por seu cão” e completava dizendo que os dois, grudados, foram parar no hospital.

Manoel Amaral

OSVANDIR E O LOBISOMEM

Abro o jornal “A Folha de São Paulo” e a notícia: NOVO TREMOR DE TERRAS NO NORTE DE MINAS. Há muito tempo que o Nordeste do país e o Norte de Minas vêm sofrendo com os abalos sísmicos. No ano passado na região de Caraíbas houve, em 24 horas, 162 tremores.

O povo supersticioso, abalado com estes acontecimen-tos, chega a sexta-feira da paixão, amedrontado.Qualquer barulho é motivo de preocupação.

Na rádio a música de Zé Ramalho, “Mistério da meia-noite”, põe todo mundo de sobreaviso:
“Mistérios da meia-noite
Que voam longe
Que você nunca
Não sabe nunca
Se vão se ficam
Quem vai quem foi
Impérios de um lobisomem
Que fosse um homem
De uma menina tão desgarrada
Desamparada se apaixonou
Naquele mesmo tempo
No mesmo povoado se entregou
Ao seu amor porque
Não quis ficar como os beatos
Nem mesmo entre Deus ou o capeta
Que viveu na feira”

A lenda do Lobisomem é contada de rua em rua, boteco em boteco, roda de amigos e em família. Uns dizem que o lobisomem se transforma à meia noite de sexta-feira, em uma encruzilhada, é metade lobo e metade homem. Sai procurando sangue, adora um galinheiro. Ao amanhecer ele procura a mesma encru-zilhada para voltar a ser homem.

Em algumas regiões dizem que o lobisomem deve percorrer sete cemitérios até o amanhecer, para voltar a ser humano. Caso contrário ficará em forma de besta para sempre.Para matar o lobisomem só bala de prata ou fogo. Uns até acreditam que ele nunca pode ser morto, pois se transforma em outro animal qualquer.

Se alguém for mordido por lobisomem e não conseguir a cura até a 12ª badalada do sino da velha igreja matriz da cidade, ficará assim para toda a eternidade.

Mas hoje vamos contar uma versão diferente, não é aquela que a sétima criança em uma seqüência de filhos do mesmo sexo, tornar-se-á um lobisomem, ou aquela da sucessão de sete mulheres, ou ainda outra que diz que o sétimo filho homem de um sétimo filho homem se tornará a fera.

A nossa história foi contada pelo culto Professor Osvaldo Catarino Evaristo, de Belo Horizonte, que na década de 70 residia em São Gonçalo do Pará. “Por volta de 1700, na época do ouro e da escravidão, muitas fazendas tinha escravos para cuidar do garimpo ou da plantação. Trabalho duro, pesado, de sol a sol. Os escravos mais fracos morriam logo nos primeiros dias de trabalho. Muita doença nos sertões de Minas.

A febre do ouro fácil foi tomando conta de todos. Os fazendeiros tratavam mal aos escravos, pouca comida e muito trabalho. Namorar moças de outras fazendas, nem pensar. Foi aí que surgiu a idéia de um preto velho para aliviar a pressão sobre os jovens. Criou uma fantasia de pele de lobo guará, muito bem feita e passou para seu filho e disse:
__ Vai filho, coloque a fantasia e procure o seu amor na próxima fazenda.

Ao ouvir aquela história o Osvandir foi ficando curioso, queria saber mais…

O rapaz seguiu caminho, encontrou com alguns fazendeiros e capatazes, escondeu-se atrás de uma moita. Quando pensou que tudo estava bem, foi saindo devagarzinho, mas foi visto por um fazendeiro que assustado sacou a velha espingarda e deu um tiro que acertou na perna da fera. Caça daqui, procura dali, mas o lobo escapuliu…

No outro dia um comentário na senzala assustou a todos: uma fera, um homem lobo foi encontrado nas divisas das fazendas “Buracão” com “Água Podre”. O fato foi assunto para o resto do mês.

Com a divulgação para outras paragens, através dos negros dos quilombos, tudo foi ficando mais fácil para o namoro entre eles.

Um dia, o namorado não apareceu para a bela mulata Marina, da Fazenda do Brejo Seco, ali bem próximo do Arraial do Ouro. Ela tinha a fantasia que foi preparada por sua mãe, uma bela manta com pelos dourados. Resolveu ir a procura do namorado. Sexta-feira 13, lua cheia, céu bem claro que parecia dia.

A jovem com pouca experiência de seguir pelo mato afora, esqueceu-se do perigo que corria para aquelas bandas para onde ia. Era o local próximo do garimpo, com gente trabalhando dia e noite.

Num descuido, a moça tropeçou nuns galhos secos, o Capataz pegou o seu Arcabuz, ou seria um Bacamarte? Não sabemos. O tiro foi certeiro, e a fera tombou ao lado daquela grande árvore de gameleira.

Ao aproximar-se, o homem viu aquele lobo estirado no chão. Cutucou com a ponta de uma vara e algo se mexeu, deu o último suspiro. O tiro foi certeiro, no coração.

Quando o Capataz foi verificar o lobisomem, teve uma surpresa: por baixo de tantos pelos de um lobo guará, estava morta uma linda mulher… era a lobismulher…

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Fonte: www.wikipédia.com.br
Folha de São Paulo
Vale a pena ler:
http://contoselendas.blogspot.com/2004/12/lobisomem.html
http://www.famiglia.barone.nom.br/index67.htm