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Convite

Lançamento E-book:
OSVANDIR E LUA CHEIA
Vampiros, lobisomens
& assombrações
de Manoel Amaral

Conversa com o autor.
Não haverá venda de livros.
Sexta-feira, dia 13, agosto
Início: às 19h30m.
Encerramento: 20h30m.
Local: Bib. Pública A. Lago
Av. Sete Setembro, 1160
Divinópolis-MG

OSVANDIR, OS LOBISOMENS E VAMPIROS

Capítulo III

SOL DO MEIO DIA

“O amigo na hora certa, é o sol ao meio dia,
estrela na escuridão”
(Pe. Roque Schneider)

Joanna ouvira a conversa, disfarçadamente, atrás da porta do banheiro.

Osvandir, um pouco abalado pelo fato, informou a garota de tudo que se passara no sítio do senhor Zezito. A perda das cabras, o fato estranho de estarem sem nenhuma gota de sangue. Aquela história abalou profundamente o nosso jovem.

O sol do meio dia estava mesmo de “estourar mamona”, como dizem por aqui. Joanna, estava na cozinha preparando o almoço. O rapaz, no quarto, procurava algum vestígio, qualquer coisa que pudesse explicar os estranhos fatos que vinham ocorrendo desde a chegada dos dois aquele local.

Tirou as cobertas, sacudiu os travesseiros, olhou debaixo da cama. Nada. Tudo estava normal como antes. Olhou pela janela e viu uma cerca de arame com qualquer coisa balançando ao vento.

Aproximou-se e viu apenas uma mecha de cabelo bem comprido. Deveria ser dos animais que por ali transitam. Não deu a menor importância para aquilo.

Voltou pelos fundos e notou que a porta da cozinha estava aberta. Mas o que significaria isso? Praticamente nada! Perguntou para Joanna se ela havia saído pela porta da cozinha, ela respondeu que não precisou, pois todos os alimentos estavam na despensa.

Olhou para o chão e notou uma pegada parecida com as de cachorro.
Mediu o tamanho e assustou-se, mais de um palmo de comprimento, deveria ser um grande animal.

Seguiu-as e foi dar ao banheiro. Na banheira tinha vestígios de cabelos e barro. Pode notar até um pequeno pingo de sangue na borda da pia.

Perguntou para Joanna o que significava aquilo, ela disse tratar-se de barro de seus pés ao pegar o frango no quintal e o sangue disse que foi lavar as mãos após matá-lo na cozinha.

Caso encerrado, por hora, Osvandir ficou mais tranqüilo.

No outro dia, novamente o Senhor Zezito, apavorado, bateu na porta.

Ao abri-la, o cidadão foi logo entrando e dizendo:

__ Olha Osvandir, ontem foi mais uma cabrita, desta vez ficou toda destroçada. O animal comeu parte da carne do quarto traseiro. A garganta estava com umas três mordidas e o sangue ainda escorria dela.

__ Então Zezito, hoje a história está diferente de ontem. Tem sangue e o animal predador comeu parte da vítima.
__ É, ontem não tinha sangue nenhum na cabrita, enquanto que hoje tinha muito sangue… – falou, nervoso o sitiante.
__ Podemos deduzir que se trata de dois animais diferentes que estão atacando seus animais, vou investigar os casos e apresentarei uma possível solução, ainda hoje, – disse Osvandir.

Foi até o sítio do senhor Zezito para verificar os animais atacados. Achou uma cabra completamente sem sangue e outra toda destroçada. Na primeira notou apenas dois buracos no pescoço. Na segunda, sinal de caninos grandes por todo corpo da cabra.

Mais tarde, pensando bem, chegou a seguinte conclusão: O primeiro animal que sugava o sangue seria um vampiro, o segundo poderia ser qualquer animal, mas a maneira de atacar a garganta da cabra impressionou Osvandir.

__ Senhor Zezito, Vampiros sugam o sangue; lobisomem ataca, mata e come. No segundo caso, o desta noite, poderia ser qualquer animal carnívoro. Apenas uma pequena observação: olhe aqui ó, – Osvandir mostrou com o dedo indicador – um sinal perfeito de dois dentes caninos bem grandes. Dificilmente encontraríamos lobos com arcada dentária tão especial. Os lobos andam em matilhas, costumam viver em grupos organizados hierarquicamente. Já o lobisomem é solitário, caça sozinho. Se fossem lobos, sobraria apenas a ossada da cabra. Como sobrou muita carne, podemos deduzir que se trata mesmo de lobisomem.

__ Deus do céu, como pode ser uma coisa dessas aqui nestas redondezas? – Quase gritou Zezito. – E o primeiro caso?

__ Não vamos nos apressar, mas posso adiantar que quem suga só o sangue são os morcegos e vampiros. Estou analisando umas coisas que encontrei por aí, na mata, volto a conversar com você.

Quando está para sair, a mulher do sitiante resolveu entrar na conversa:
__ Já vi falar que lobisomem pode ser o filho de compadre com comadre…
__ Sim, em alguns locais do Brasil existe esta crença.
__ Osvandir, – chamou Dona Maria Rita, – a esposa de Zezito, venha até aqui tomar um cafezinho, na cozinha.

Enquanto isso D.Maria mandou Zezito buscar algumas verduras na horta. Era um pretexto, queria conversar, a sós, com Osvandir.

__ Olha Osvandir, o meu marido é filho de compadre Antônio com comadre Zélia…
__ Pode ficar tranquila que vou observar bem esta noite. Amanhã eu volto aqui para a gente conversar. E você fique de olho no seu marido.

MANOEL AMARAL
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OSVANDIR, OS LOBISOMENS E OS VAMPIROS

Capítulo I
A LUA CHEIA
“Mulher, tal qual lua cheia
Me ama e me odeia
Meu ninho de amor.”
(Raul Seixas)

Joanna, era diferente de outras jovens, com 21 anos, linda, loura e de pele muito clara. Era avançada para o seu tempo. Sabia de tudo. Informática então, ela adorava. Estava definitivamente fora de sua concha, bem diferente do sistema de vida local. Acabara de mudar-se de uma cidade grande para aquela ensolarada cidade do interior.

A sua família era um verdadeiro mistério. Uma mãe generosa nos atributos, loura de cabelos esvoaçantes e um pai severo, tipo nórdico, que desconfiava de tudo.

Ela ficou conhecendo alguns amigos na faculdade e entre eles se destacava quem ela achava que poderia ter um relacionamento mais íntimo: Osvandir, jovem lindo, sensual, pele queimada pelo sol abrasante, do interior, cabelos de cor negra; trará um universo desconhecido para Joanna, transformando completamente o curso de sua vida e ficando a sua história muito mais emocionante naquele marasmo de cidade pequena.

O que Osvandir não sabia, é que quanto mais se aproximava de Joanna, mais perigo corria em sua vida. Um perigo para si e para a população com quem convivia e que tanto amava.

O que ele nem imaginava que entraria num mundo totalmente diferente do seu. Algo assim sobrenatural, cheio de idas e vindas no espaço/tempo.

Joanna, naquele vestidinho escuro, curtinho, com um par de pernas longas de fora, parecia até uma bela garça ciscando na beira do rio. Mas o que ninguém sabia é que ali morava o perigo. Mas que é o perigo? Uma cobra coral num buraco de cupim, atacando um rato silvestre? Ou seria um jovem desprevenido entrando num mundo totalmente diferente do seu?

Muitas perguntas poderiam ser feitas a respeito daquela jovem linda, branquinha, pele lisa e macia.

Naqueles dias ela estava causando uma comoção nacional. É que foi a faculdade com um vestido cor-de-rosa tão curto que a maioria dos rapazes ficaram no pé da escada para vê-la subir. O resto da moçada enciumada trataram de cortar o mal pela raiz. Solicitaram ao Diretor que tomasse uma providência imediata. Exigiam a expulsão da garota daquela entidade.

Os jornais ficaram ao seu lado. Foi notícia no mundo inteiro, até no New York Times. Aquelas revistas inglesas de fofocas exploraram o caso como fizeram quando da morte de Diana, a Princesa de Gales. Aquela imprensa nojenta que tira proveito de qualquer fato com a finalidade de vender os seus jornais ou revistas.

Mas Joanna não se importava, seguia sua carreira, seu curso na história. Muitas coisas diferentes destas briguinhas de escola, iriam ainda acontecer em sua vida.

Noite de lua cheia, céu coberto de nuvens sombrias, uma cabana no meio do mato. Alguns raios, sinal de chuva forte naquela região. Um carro preto parara na porta. Entraram rápido para não molhar as finas roupas que vestiam. Joanna e Osvandir, marcaram ali a sua primeira noite de amor à luz de velas.

Tudo estava sombrio, escuro o céu. As árvores molhadas pela chuva, deixavam soltar uma leve bruma que cobria toda a região.

Osvandir foi o primeiro a notar que tudo por ali estava tão arrumadinho. Estranhou. Costumava passar por aquele local e sabia que aquela casa era abandonada há muito tempo.

Receoso de alguma armadilha tomou todas as precauções que julgava necessário. Trancou a porta, acendeu a lanterna, ligou o rádio e a TV. Queria algum barulho para saber se tudo aquilo era realidade ou fantasia. A sua mente imaginava as melhores coisas por acontecer.

MANOEL AMARAL

ANTOLOGIA LIVRE, em e-book, link: http://antologialivre.blogspot.com