OSVANDIR E A CHUVA DE OURO

Tudo parecia calmo; engano! Um desenrolar de fatos iriam acontecer naquela noite.

Osvandir estava numa fazenda perto de Quixadá, no Ceará, de onde dava para avistar a pedra da Galinha Choca. Fora convidado por um fazendeiro para desvendar o segredo de algumas luzes noturnas.

Seguiram para um ranchinho de sapê, bem no sopé da montanha. Os últimos raios solares sumiam por detrás das pedras e das árvores.

Aquilo parecia bizarro, mas estava lá no céu, quase estrelado, um objeto não identificado, de formato irregular, dançando pra lá e pra cá, como se estivesse dependurado numa corda e amarrado num galho de uma árvore. Só que não existia corda nem árvore!

Aproximando a imagem por binóculo dava para ver pequenas luzes nas bordas. Coisa mais estranha, não fazia barulho nenhum, não girava e nem seguia para qualquer lugar, ficava ali balançando.

Era de um bom tamanho, coisa assim entre 100 a 120 metros de diâmetro. Seria um helicóptero? Nunca vimos um com este tamanho. Seria mesmo tão grande? Ou era pura ilusão de ótica?

Sem mais nem menos ele se dirigiu em alta velocidade em direção a Pedra da Galinha Choca, girou várias vezes em torno dela e pousou nas suas proximidades.

Nossa intenção era chegar o mais próximo possível, no entanto o mato era cheio de espinhos e garranchos, o que nos impediu de seguir rápido até aquele local, disse seu Joaquim, amigo de Osvandir.

Andaram mais de um quilômetro e não conseguiram encontrar nada. Já eram quase vinte e duas horas e não de encontrarem o objeto dançante.

Novas bolas de luzes circundaram o espaço, coisas que os habitantes do local chamam de mãe-do-ouro.

Todos cansados voltaram para o rancho, onde passariam a noite. Depois de comerem uma carne assada, o assunto principal eram os casos de assombrações:

Tinha uma Senhora lá de um bairro de Quixadá que contava a história de um capeta muito comprido, com mais de cinco metros de altura, que andava assustando as pessoas por lá.

Na rua onde moro já contam é o caso de uma velhinha de branco que aparecia para pessoas, quando elas mais precisavam de conforto. Ninguém sabia de onde vinha.

Assim decorreu a noite e quando amanheceu seu Joaquim chamou Osvandir para dar uma pesquisada num material que encontraram no meio do mato, sobre as árvores.

Parecia espaguete, daquele bem fininho. Era amarelinho, mas com o passar do tempo desaparecia. Os peões disseram que encontraram ali próximo do rancho. Osvandir quis ir até lá e foi.

No local as árvores estavam cobertas daquele material, parecido com aquela erva daninha amarela, chamada “cipó chumbo, cipó dourado ou fios de ovos” que cobre algumas plantas.

Coletaram uma boa porção para analisar, mas à tarde já tinha desaparecido totalmente.

De onde viria aquele maná? Ninguém sabia.

Na segunda noite de vigília, quando todos já estavam indo para a cama, alguém olhou pela janela e viu objeto voando baixinho próximo do rancho.

Todos saíram para fora e notaram uma “chuva de ouro” descendo dos céus, quando aquele objeto passou. Cobriu toda a extensão entre onde estavam e a pedra da Galinha Choca.

Osvandir pegou uma pequena caixa de isopor, capturou sobre as árvores uma boa quantidade do material dourado e guardou para levar até o laboratório.

Aquele material recolhido lembrava aqueles “Cabelos de Anjo”, da década de 50, em Portugal. Recentemente, em 2007, choveu filamentos também na Itália, vindo de esferas luminosas.

Osvandir pegou alguns “fios de ouro” deixo-os ao sol e depois de quatro horas eles desapareceram para sempre.

Ao chegar a Quixadá, conversou com algumas pessoas, como físicos, e outros que estudavam química para analisarem o material.

Para quê serviria aqueles filamentos e por que estariam deixando aquele material logo ali, bem próximo da pedra da Galinha Choca, Ceará?

Manoel Amaral

OSVANDIR INVESTIGA:

QUEM MATOU KEYLA?

Ela estava ali, sobre aquela fria mesa de granito. Um pequeno hematoma na testa, orelha avermelhada, mais nada.

Exames foram feitos em seu corpo, por vários médicos. Nada foi encontrado.

Alguns dos observadores entenderam que ela poderia ter caído e batido a cabeça em algum móvel da casa, razão do sinal na testa.

Um dia antes de seu falecimento algumas pessoas informaram a Osvandir que viram luzes sobre o telhado de sua casa.

— Como eram estas luzes? — perguntou Osvandir.

— Sabe, não eram luzes comuns, elas brilhavam muito e iam do branco ao vermelho, passando por todas as outras cores. Pensamos até que ela estivesse realizando uma festa para recepcionar os amigos, com essas emissões de raios laser, muito comum em cidade grande. Porém não vimos ninguém por lá naquela noite.

Osvandir resolveu visitar a casa de keyla. Ela morava sozinha num casarão bem antigo, do início do século. Um pouco afastado das demais, no fim do quarteirão. Fora construído por um rico comerciante português, segundo história local.

Seus pais sumiram num acidente misterioso. O carro fora encontrado numa estrada, com todos os pertences do casal. O delegado até hoje acredita que se tratou de sequestro.

Osvandir resolveu seguir o roteiro que foi traçado pelo delegado, na época do desaparecimento dos pais de Keyla, em sua investigação.

Analisou documentos do processo que tratava do suposto sequestro. Interessante que os corpos nunca foram encontrados e nem os sequestradores nunca fizeram contato ou exigiram qualquer valor para o resgate.

Já se passaram mais de dois anos e nada ainda resolvido sobre o assunto.

Osvandir seguiu de carro até o local onde foi encontrado o veículo dos pais de Keyla, no dia do incidente. O próprio delegado informou que não ocorreu imperícia, imprudência ou negligência do motorista.

Olhou para os lados, era um lugar alto, viu uma casa na beira de uma estradinha vicinal.

Virou o carro à esquerda e desceu até lá. Interrogou duas pessoas que ali estavam no momento:

— Sou Osvandir, vim investigar um acidente que houve ali em cima, cerca de dois anos atrás, lembram?

— Como poderíamos esquecer, – falou o dono da casa.

— O senhor viu ou ouviu alguma coisa diferente, naquele dia?

— Vimos o carro parar de repente. Olhamos para céu e lá estava um objeto grande, como dois carros um sob o outro, sendo o de baixo com rodas para cima.

— Quantos metros têm daqui até a estrada, — quis saber Osvandir.

— Mais ou menos uns 300 metros.

— O que mais vocês viram?

A mulher que até aquele momento permanecera calada resolveu entrar no assunto:

— Será que convém falar sobre o foco de luz e o que aconteceu, Luis?

— Vimos duas coisas subindo pela luz, pareciam pessoas. Depois tudo escureceu. Fui até a estrada, examinei o carro, não achei sangue, nem nada, tudo estava lá, menos o casal. Segui até a cidade e avisei ao delegado, mas não disse nada do que vimos.

— Obrigado a vocês. Foi melhor mesmo não ter dito nada para o delegado, ele não iria entender.

Osvandir voltou para a cidade e foi direto para a sala de autópsia do hospital.

Quis ver as roupas de Keyla. O responsável pelo caso trouxe uma calça jeans e uma blusa vermelha, de malha. As peças íntimas não quis examinar.

Tirou da maleta de mão, uma lupa, um saquinho plástico, pequeno, com fechamento automático.

Começou passando a lupa de ponta a ponta na calça. Encontrou algumas queimaduras no tecido. Na blusa uma mancha escura na altura dos seios.

O delegado estava apreensivo com as análises de Osvandir.

— E aí, descobriu alguma coisa?

— Veja, delegado, estas roupas sofreram um superaquecimento, algumas partes estão chamuscadas.

— Mas o interessante é que o corpo não tem queimaduras, — disse um dos legistas.

— É muito estranho este fato, — interpelou Osvandir.

— Então quem matou Keyla?

— Senhor delegado, seria o caso de se perguntar: o que matou Keyla? E como?

Manoel Amaral

OSVANDIR E ABDUÇÃO NA FAZENDA

“Nesta fuga para o nada, numa terra onde só
existe o presente, sem passado e nem futuro.”
(O sábio Avô do Osvandir)

Ali na fazenda do senhor William aparecia luzes de madrugada. Os vizinhos andavam assustados. Algumas vacas haviam desaparecido.
Ninguém sabia o que estava acontecendo.

Uma vaca foi encontrada sem os olhos, sem língua e sem sangue. Alguns órgãos internos foram retirados como se o trabalho fosse feito por um experiente cirurgião.

Convidaram Osvandir para investigar o fenômeno. Ele não fez de rogado, partiu para o local “de mala e cuia”. Planejou ficar por lá uns dez dias. Levou todo seu material investigativo. Desta vez fez questão de colocar na maleta de mão, o seu possante binóculo, para fins noturnos e a câmara digital que já vinha acoplada ao mesmo.

Voou num monomotor Cirrus SR 22, de propriedade do fazendeiro. Não foi muito fácil o pouso, a pista era muito ruim. Sacudiu muito, mas como Osvandir já está acostumado com estas coisas de tanto ir e vir, isto foi o de menos.

Na primeira noite de investigação, aguardou a luzes, nada apareceu.

Na segunda noite um alvoroço. Alguns peões diziam que próximo da mata estava aparecendo uma luz, mas um deles deu um tiro para o alto e o objeto desapareceu.

Um peão informou:
__ Era uma luz clara, muito forte, queimava os olhos da gente.

Tudo estava muito estranho, se no outro caso levaram os órgãos internos; neste deixaram, num descampado, apenas as patas, os chifres e o estômago, mais conhecido como “bucho de vaca”. Um saco de aniagem também estava ali perto do que restou do animal.

Osvandir fotografou a primeira vaca e o que restou da segunda, comparando os casos notou que no primeiro era muito bem calculado os cortes, como se tivessem usando raio laser. Já no segundo não havia tanto cuidado e o sangue estava esparramado pelo chão, bem como vários pedacinhos de carne.

Outros casos começaram aparecer nas fazendas vizinhas, que vinham logo relatar ao Senhor William.

Numa delas além do chifre, patas e bucho, ficaram também as costelas e alguns ossos. Desossaram o animal ali mesmo, no meio do pasto. Isto significava que estavam interessados somente na carne.

Paralelamente, nas cidades vizinhas, Osvandir tomou conhecimento que havia gente vendendo carne para açougueiros, bem mais barato que o preço cotado por arroba.

Foi investigar de perto e numa delegacia local encontrou cinco ladrões de gado que mais tarde confessaram que estavam roubando vaca, utilizando uma camionete, aproveitando o alvoroço das luzes que aparecerem no primeiro caso.

O Senhor William montou uma emboscada e aguardou por duas noites e finalmente pegou quatro ladrões tentando matar uma de suas vacas. Foram pegos e entregues a delegacia para que tomassem as devidas providências.

Quando pensaram que estava tudo resolvido, numa outra fazenda apareceu um bezerro com a língua cortada, olhos arrancados e todos os órgãos internos retirados. Várias luzes apareceram no céu, sem contar que um rapaz viu um aparelho no ar, antes de escurecer.

Foi assim que ele descreveu o objeto voador:
__ Parecia duas bacias grandes, uma debaixo da outra, tipo oval. Refletia a luz do sol no seu metal, não fazia qualquer barulho, nem soltava qualquer tipo de fumaça, voava em todas as direções. Fiquei com muito medo e corri para dentro de casa.

Cada um descreve um objeto desconhecido de acordo com o ambiente onde vive.

Osvandir arquivou o primeiro e o último caso na sua pasta de assuntos ufológicos para futuros estudos.

Ao chegar em casa, abrindo o seu jornal eletrônico preferido, leu a seguinte manchete:

MAIS DUAS VACAS MUTILADAS FORAM
ENCONTRADAS NO COLORADO – EUA

MANOEL AMARAL

OSVANDIR E A SENHORA DE CRISTAL II

Capítulo II
A Organização
A democracia é um instrumento com o qual uma
minoria bem organizada governa uma maioria organizada.”
(Vassili Rozanov)
O local foi crescendo em construções, tudo foi aumentando na cidade mais próxima. Os problemas se multiplicando.

Foi convocada uma reunião de nobres engenheiros e sábios para iniciarem os trabalhos da criação de um núcleo que futuramente se transformaria numa linda cidade.

Analisando o terreno, através de fotos aéreas, um engenheiro, coincidentemente chamado Cristalino, teve a brilhante ideia de fazer um desenho do núcleo em formato de um hexágono e denominar o local de Povoado da Senhora de Cristal.

No centro ficaria o Santuário (onde está localizado a gruta), no sopé da serra, local bem alto, contra enchentes.

Dotada de um subsolo rico em minerais e situado entre várias montanhas, com magníficas nascentes e uma área privilegiada geograficamente por rodovias e hidrovias, ponto de intersecção das rotas de transporte e escoamento da produção agro-industrial.

Devido à altitude, o clima é ameno entre 10 e 26 graus e a precipitação é considerada boa. Suas terras de pura cultura de primeira, são planas, ricas em águas.

O Povoado transformaria num centro produtor e comercializador de pedras preciosas, objetos de adorno em pedras. Tudo ali é feito de cristal, é uma fobia. Daí o nome de Povoado da Senhora de Cristal.

Como é sabido os Cristais são minerais dotados de energias puras. Eles possuem um campo atômico e emitem um tipo de energia sutil inesgotável, usada para auxiliar na cura de doenças físicas e mentais.

Assim foi que o Povoado da Senhora do Cristal, nos primeiros dez anos, encheu-se de moradores por todos os lados.

Necessário se fez tomar o cuidado de um planejamento para o futuro. Fez-se o Plano Diretor.

O mapa do povoado era até, de certa forma, muito interessante.
Tinha uma rua que circundava todo o perímetro, várias partiam do centro indo terminar nela. As quadras, eram irregulares, como retângulos de base mais comprida e a parte superior menor.

Como se um triângulo fosse cortado na parte superior. Essas quadras começavam maiores e iam diminuindo de tamanho a proporção que chegavam ao centro, na praça central do povoado.

As ruas não se cruzavam, passavam uma por baixo da outra. A foto aérea é que dava uma visão melhor.

Os serviços de água, esgotos, energia, telefones, internet passavam todos na mesma canaleta, debaixo dos passeios. Tudo muito bem planejado. A internet era por energia elétrica e todas as casas eram muito bem servidas. Era só ligar e divertir. Conta de Telefone? Ninguém pagava, era tudo via computador. A cidade bebia a super água da gruta.

Quem quisesse mudar para aquele local tinha que receber convite. Não havia mais vagas e uma lista enorme de nomes. Quando havia uma vaga por mudança, falecimento ou expulsão, ela era disputada, mas os dirigentes entregavam ao primeiro da lista, depois de uma análise de toda a vida do cidadão. Se ele não tivesse nada a contribuir, não era aceito. Critério? Os sete sábios do Povoado era quem decidiam.

Manoel Amaral

OSVANDIR E LUZES NO MORRO

Após aquele tiroteio todo e cada um tomando o seu posto, o Professor mandou chamar Osvandir para continuar a conversa sobre as luzes.

De volta para junto do Chefe, passou a ouvir suas histórias:

“Eu já morei lá em baixo, sou filho de classe média alta, estudei até o 2º ano de engenharia. Meus pais preocuparam muito comigo, hoje eles não preocupam mais”. E o Professor contou uma interessante história, a sua história:

“Naquele tempo eu era jovem, cheio de fantasias e aqui no morro imperava um ditadura de dois irmãos: o Zé Baixinho e Branquelo. Eu namorava uma linda garota de 21 anos. Um dia o Branquelo se engraçou com ela e pediu ao Zé Baixinho para me matar. Acontece que o serviço foi terceirizado, arranjaram dois garotos da parte mais baixa do morro. Era mais ou menos 19,00h, tempo chuvoso e frio. Eles roubaram um carro e me colocaram no porta-malas. Andaram uma meia hora e fizeram uma parada. Fiquei apreensivo, abriram as portas, ouvi um barulho de chave no porta-malas. Assim que foi aberto, saí correndo e escondi-me numa moita. Estava muito escuro, eles vieram procurando e dando tiros de revólver. Num dado momento saí em disparada e os dois dando tiros atrás. Encenei uma queda cinematográfica e rolei pela ribanceira. Fui parar perto de um córrego e fiquei lá quietinho, para ver o que acontecia. Um deles falou: __ Está morto! Vamos embora!”

__ Mas você tomou algum tiro?

__ Não, apenas alguns arranhões. Escondi-me por certo tempo, em outro morro. Pintei o cabelo de preto, passei a usar óculos e deixei a barba crescer.

__ Voltou para cá?
__ Fiquei mais de um ano fora. As coisas mudaram por aqui e os dois irmãos foram assassinados por outras quadrilhas. Foi aí que fui chamado para fazer a contabilidade e aplicar as táticas que sabia.
Com o tempo fui tomando conta de tudo, com o consentimento dos colegas. Era o mais habilitado para o cargo.

__ E a namorada?

__ Ela morreu no ano passado, num confronto com a polícia… Mas chega de história triste! Vamos investigar o que são estas luzes que estão aparecendo por aqui. Você tem alguma idéia?

__ Olha, Professor, pode ser muitas coisas: novos equipamentos militares de observação, dirigíveis por controle remoto ou mesmo pequenas bolas, inteligentes, vindas, sabe-se lá de onde, que ficam por aqui espantando o povo. Preferem locais onde existe muita água; que não é o seu caso ou locais onde extraem minérios ou mesmo onde tem geradores de energia.

__ De onde vem essas coisas? Já li sobre ufologia mas tem muito tempo. Hoje imagino que as coisas mudaram.

__ Alguns acham que são do espaço extraterrestre, outros já dizem que são daqui da terra mesmo. O certo é que tem vários nomes: Mãe do Ouro, Sondas, Bolas de Luz ou Periféricos. Prefiro utilizar o termo “Sondas”.

__ Uma destas bolas, ou melhor dizendo; sondas, seguiu meus passos por mais de meia hora.

__ Quando foi isso?

__ No mês passado. Eu ia para o lado onde já teve uma extração de pedras e quando olhei, ela estava atrás de mim, parou e depois me ultrapassou, ficou subindo e descendo, de repente foi embora numa rapidez impressionante, sem fazer qualquer barulho.

__ Vamos ver se conseguimos visitar este local e bater algumas fotos.

Na manhã seguinte, quando tudo parecia tranquilo, umas crianças chamaram o Professor e disseram que as bolas de luz voltaram.

Osvandir seguiu o Professor e conseguiu fotografar alguma coisa no céu. Elas estavam girando uma atrás da outra, uma maior no centro; ao seguirem para o Sul tomaram o formato de um “V”.

Não era pássaro, avião, balão ou qualquer coisa parecida.

MANOEL AMARAL

OSVANDIR E LUZES NO MORRO

Dezenove horas no morro, alguns foguetes estourando no céu azul, bem estrelado.

Movimento de carros suspeitos por todos os lados. Polícia só lá embaixo, bem distante do topo.

Osvandir ficou sabendo que por ali estava aparecendo umas luzes estranhas.

Pegou a mochila, sua barraca, equipamentos fotográficos e subiu receoso, aquelas ruelas estreitas e escorregadias.

Dezenove e trinta já estava lá em cima, olhou para baixo, mas que linda visão, que belo horizonte!

Alguns barulhos pareciam de detonação de armas pesadas. Umas mais estrondosas, outras sibilosas.

O vento soprava para o lado leste, uma fina chuva cobria boa parte daquele morro.

Quase ninguém nas ruas, os barracos já estavam com as portas e janelas fechadas.

Osvandir encontrou o seu contato bem no centro da pracinha que existia lá no alto.

Falou baixo:
__ Boa noite.
Ouviu apenas uma voz rouca do outro lado…
__ Boa noite. Quem é?
__ Sou Osvandir, o ufólogo que veio investigar a luzes coloridas.
__ Hãã! Vou levá-lo até ao Professor…

Seguiram os dois, cada um meio desconfiado do outro. Osvandir pediu que o parceiro o ajudasse a levar as suas coisas, que já estavam ficando pesadas.

Quem seria esse tal de Professor? Mistério!

Andaram apenas um quarteirão e chegaram ao local determinado. O ponto mais alto do morro. Janelões de vidros a prova de bala. Cômodos grandes, cheios de caixas e outros utensílios.

Um jovem louro, de óculos, magro, roupas de grife, tênis caro e um sorriso nos lábios, foi apresentado ao Osvandir.

__ Muito prazer, sou Francisco.
__ Igualmente, Osvandir. Vim fazer as pesquisas que solicitei ao Chefe, por telefone.
__ O Chefe aqui sou eu… Pode pesquisar o que quiser, em se tratando de ufologia, tem todo o meu apoio.

Era o famoso Professor. Ele estava ali sozinho, lidando com muitos papéis e pastas. Um livro estava no canto da mesa, sinal que gostava de ler nas horas vagas. As canetas e lápis bem apontados, estavam dentro de um suporte de plástico de cor azul.

No canto, alguns tambores de metal, de cem litros, tinham estampados nos rótulos nomes de produtos químicos.

Osvandir sacou de sua caderneta e começou a anotar tudo que se passava em seu redor. Perguntou ao Professor como eram as luzes estranhas que estavam aparecendo por ali.

__ Olha, amigo, aqui tem luzes de todos os tipos como você já pode notar. Muitas são nossas conhecidas: de foguetes, de explosões de bombas e outras tais. Mas de uns tempos para cá vem aparecendo umas bolas grandes, de cor azul, subindo e descendo aqui no alto. Ficamos pensando que poderia ser novas maneiras de observação da polícia, mas aí elas começaram a aparecer até de dia. Constatamos então que se tratava de outros tipos de luzes muito estranhas e desconhecidas.

__ Quais os horários que elas aparecem mais? E que formato tem?
__ Elas aparecem durante o dia, por volta de 14,00h e depois das 22,00h, exatamente quando não tem mais barulho em nossa comunidade. As cores e tamanhos são diversos, algumas vermelhas, outras azuis. Muito fortes, parece que por trás delas existe algo que não conseguimos detectar até agora.

Osvandir quis saber se faziam barulho e como se moviam. O Professor disse que o movimento era lento e não faziam barulho algum. __ Algumas se desdobram transformando-se em outras e quando tem muitas juntas elas se unem formando uma só…

Tudo ia bem, até que uma rajada de metralhadora lá em baixo, anunciou a chegada de alguns colegas.

Muita gente entrando e saindo, cada um falando mais alto que o outro.
Professor pediu silêncio e todo barulho acabou num instante, que dava para ouvir os grilos lá fora.

__ Osvandir, acho melhor você ir descansar e amanhã a gente continua nossa conversa.
__ Tudo bem Professor, onde posso armar minha barraca?
__ Você não precisa armar barraca, pode ficar em minha casa…

No meio daqueles barulhos todos, Osvandir não conseguiu dormir nem um pouco. Ficou vendo filmes até as três da madrugada, depois deu uns cochilos.

Amanheceu, um sol forte bateu na janela do quarto onde dormia. Olhou o relógio, eram 7,00h.

O Núcleo está sendo atacado! Fogo cruzado, balas perdidas, bombas esplodidas… Um fogaréu no morro…

MANOEL AMARAL

OSVANDIR E AS LUZES FAISCANTES

“Onde o diabo perdeu as esporas.
Nos cafundós do Judas.
Onde o vento fez a curva.
No oco do mundo.”
(Frases Nordestinas)

Osvandir seguiu o seu destino. Ia pesquisar um avistamento de luzes no interior da Paraíba. Terra sem chuva, muita pobreza, seca por todos os lados.

Embrenhou-se no meio da caatinga, (do Tupi-Guarani: caa (mata) + tinga (branca) = mata branca) que é o único bioma exclusivamente brasileiro.

E o pobre escritor fantasma (Ghostwriter) ia acompanhando como se estivesse dentro de sua maleta, com uma abertura circular na frente por onde via tudo rasteiramente, como naquelas reportagens policiais, nas favelas, onde o Câmera Man vira por todo lado onde vai o repórter.

Plantas rasteiras, espinhos grandes, tudo meio branco, mata fechada e baixa. Não dá para ver nada além de cinquenta metros.

Uma parada para descanso, o guia informa que estamos quase chegando. Falta só subir aquele morrinho e cruzar algumas pedras.

Olhando aquilo tudo dá a impressão que o Nordeste ainda não é um deserto por causa da vegetação da caatinga, se ela for extinta tudo vira areia, sem nenhuma condição de sobrevivência humana.

Algumas casinhas de taipa construída com galhos finos amarrados com cipós e cobertura de folhas de coqueiro ou de sapé, tem até um município por aqui com este nome. Mais um rancho que propriamente uma casa de morar. Em algumas as paredes recebem barro até cobrir aquelas madeiras. O barro é amassado e duas pessoas jogam na parede, simultaneamente, uma de dentro e outro do lado de fora.

Os grilos começaram a comer as folhas ainda verdes, alguns pássaros a cantar nos galhos secos, uma nuvem de pó na estrada logo abaixo.

Um sol abrasador queimando a cabeça dos aventureiros. O guia mais precavido trouxe uma roupa de couro para proteger-se dos espinhos da vegetação. Osvandir com aquela camisa branca com as mangas arregaçadas e calça jeans, ficou com as mãos e parte dos braços bem arranhados.

Cruzaram as pedras, subiram o morro, desceram a ladeira, tocos de árvores por todo lado riçando as canelas dos pobres mortais.

Nada de encontrar o local onde as luzes estavam aparecendo diariamente. Tudo um calor só. Suor vazando aos borbotões.

Uma casinha de tijolos, cobertura de telhas, algumas crianças no quintal. Uma pequena cisterna, sinal de água boa para beber. Qual nada, a água era salobra, gosto ruim. Mas foi descendo goela abaixo assim mesmo.

Entrevistada as pessoas residentes, estas informaram que as luzes estavam mesmo aparecendo naquele local, dia sim, dia não.

Instados a declarar como eram, D. Chica, com linguagem difícil de entender, informou que tais luzes vinham e voltavam, sempre a tardinha, quando não era dia e nem noite e o sol ainda estava no horizonte.

Osvandir anotando tudo no seu caderno e gravando as falas das pessoas.

Seu José Ribamar disse que viu mais pra frente, na beira da grota uma luz mais interessante, faiscava e depois sumia.

Osvandir quis saber como era este “faiscar”, ele informou com suas palavras dizendo que parecia com foguete de lágrimas, aquele que solta várias luzes quando sobe. Um garotinho falou que parecia quando uma pedra atritava na outra e soltava aquele brilho no escuro.

Estava já escurecendo e a conversa agora era sobre fantasmas e almas do outro mundo. Todos afirmaram que a Mulher de Branco andava aparecendo por ali, no meio dos descampados.

Quando menos esperavam, uma luz branca, começou fraca e depois foi crescendo e ficando de várias cores e de repente sumiu. O dono da casa falou para todos ficarem calados que ela iria voltar.

De fato ela voltou mais forte, do tamanho de uma bola de futebol, só que agora era azul e cintilando. Todos ficaram abobalhados.

Dentro de poucos minutos ela sumiu, veio outra de cor amarela que foi ficando da cor de fogo e começou a soltar faísca, como se alguém estivesse amolando uma faca no esmeril. Girava em torno de si mesma.

Mediante aquela riqueza de fatos e do imprevisto, Osvandir havia esquecido até de fotografá-los. Sacou da máquina Sony, profissional, 32 megapixel, apontou, aguardou a imagem surgir e clicou. Depois foi conferir: apareceu só um risco luminoso cruzando o céu, já com estrelas.

No outro dia, seguiram viagem e encontraram um agricultor muito preocupado com um objeto que veio do céu e caiu próximo de sua casa.
Foram verificar e era um balão metereológico, de plástico, que soltaram em outro estado para fins de pesquisas.

Manoel Amaral

OSVANDIR E AS HISTÓRIAS DE PESCADORES

JOSINO E A ÁGUA FRIA
Parte III
“Existe apenas um momento exato para ir pescar, e esse momento é sempre que você puder.” (Diron Talbert)

Aquele dia ele não estava bem, falou para todo mundo que não ia voltar mais para casa.
A briga foi feia com seu irmão mais velho, tudo por causa de dinheiro emprestado. Ele pescava muito, mas quando trabalhava, guardava o dinheiro, era muito econômico, não gastava com qualquer coisa.

Pegou um pedaço de corda, a rede de dormir, a espingarda velha, a barraca, varas de pescaria, biscoitos fritos e alguns pedaços de bolo de fubá. Foi ao quintal, cavou próximo a uma bananeira, onde estava mais úmido, conseguiu umas minhocas boas. Colocou-as numa lata de óleo vazia, com uma alça de arame, cobriu-as com um pouco de terra e seguiu para a beira do rio.

Caminhou tristonho por um quilômetro, voltou a ficar alegre quando viu um joão-de-barro construindo sua casinha num galho de uma mangueira.

No milharal, já em ponto de colheita, viu um revoada de pássaros, pensou tratar-se de pombos, na realidade eram as trocais que se alimentavam de milho.

Próximo do arrozal, em vôo baixo, um bando de aves agitava o local. Rolinhas, melros, tico-ticos, pássaros-pretos, tizius, papa-capins, canarinhos e até pardais estavam ali, comendo arroz ou outras sementes de capim.

Josino era cabeçudo, quando dizia que iria sumir, estava com a intenção de ficar alguns dias por ali. Chegou ao rio, não quis pescar de imediato, apesar dos peixes estarem pulando de um lado para o outro na água.

Deixou a sacola com os biscoitos e a lata de iscas dependurados num galho, as varas jogou-as em qualquer lugar.

Pegou a barraca e armou-a num local bem plano, subiu numa árvore de ingá, que crescia na beira do barranco, cortou um galho que se estendia sobre as águas e colocou uma ponta da rede nele. Procurou uma árvore mais próxima e com um nó de escoteiro, caprichado, amarrou a outra ponta.

Tudo pronto, pensou logo em tirar uma soneca. Acontece que não contava com os truques do destino que às vezes pode mudar tudo.

Uma luz forte apareceu sobre as árvores, uns pássaros denominados naquela região de anus pretos voaram por todos os lados. Josino se assustou, pisou na velha espingarda que disparou, o tiro partiu a corda da rede e um pesado corpo foi parar na água do rio.

Um grito ecoou por toda vargem e Josino todo molhado resmungou:
__ Se soubesse que a água estava tão fria não tinha armado a rede!

Manoel

OSVANDIR E AS HISTÓRIAS DE PESCADORES

Parte I
CHUVA ESTRANHA
“A pesca assemelha-se à poesia: é necessário nascer pescador.”(Izaak Walton)

Todo fim de ano Osvandir viaja para o interior de Goiás, sua terra natal.
Ali ainda contam todo tipo de história de pescador, de assombração, de caminhoneiro, de mentiroso e outras mais, afirma ele.

Numa destas rodas, à beira do fogo, um senhor franzino, bigode branco e fino, cerca de sessenta anos, contou uma história complicada.

Diz ele que no povoado de Arranca Toco, no interior do interior, lá bem longe, onde a TV e nem o computador ainda não poluíram a mente de ninguém, existia um teimoso pescador que às vezes ficava horas e horas à beira do rio e não conseguia pescar nada que valesse a pena.

Era nervoso e por pouca coisa estava sempre brigando com a família. Xingava todo mundo, pegava as varas, os anzóis, a lata de iscas e ia pescar.

Quando pescava muito num lugar, o peixe rareava, resolvia mudar de lugar e onde pescava ultimamente, perto da cachoeira Véu de Noiva estava acontecendo isso. Nada de piabas, só mosquitos.

Numa destas idas e vindas ficou sabendo de umas luzes que estavam aparecendo lá para os lados da fazenda Céu Azul, do Senhor Jerônimo. Resolveu ir até aquele local para analisar os fatos.

Naquele dia, apesar das discussões costumeiras, ele saiu cedo, despreocupado, iria fazer uma grande pescaria. Havia chovido a noite e a água estava um pouco turva, boa para certos tipos de peixes que ficam pulando toda hora para abocanhar um inseto ou alguma frutinha que dá na beira do rio.

Pegou uma minhoca bem grande, iscou o anzol, já bem gasto pelas centenas de vezes utilizado e começou a pegar peixes de todos tipos e tamanhos. Alguns que nunca vira naquela região, saiam grudados no anzol.O pescador nem tinha como levar para casa tudo que estava pescando.

Um barulho estranho veio das árvores do outro lado do rio, apesar da calmaria, parecia um redemoinho. Uma chuva de peixes caiu do céu, depois de uma ventania forte, que tombou várias árvores e formou um misterioso círculo no canavial mais próximo.

Josino, o insistente pescador, descobriu logo porque tinha tanto peixe no rio e alguns que nunca tinha visto.

No meio da estrada ficou cheio de peixes de todos tamanhos, pegou alguns e ia colocando na sacola mas notou que nenhum deles se mexia. Olhou melhor e pode constatar que estavam mortos há um bom tempo.

Não entendeu nada, voltou ao local do poço onde pescava e colocou na sacola somente os estavam vivos.

De volta para o povoado contou para a turma o que aconteceu e ninguém acreditou.

Quando saiu, seguindo para sua casa, alguém falou:
__ Isso é história de pescador!

Parte II
O PODER DAS ÁGUAS
“Existe uma tênue diferença entre pescar e ficar na margem, em pé como um idiota.” (Abraham Lincoln)

Josino, o nervoso pescador, depois de mais uma desavença em casa, mesmo tendo chovido muito a noite inteira, resolveu ir pescar que era a coisa que entendia muito bem. Cada peixe um tipo de isca, anzol apropriado e vara certa. Tem até peixe que nem se pega com anzol.

Desta vez ele ficou só observando o rio, a enchente tomava conta de todo o espaço do terreno. Muitos objetos da cidade mais próxima estavam descendo rio abaixo: sofás, colchões, geladeiras, fogões. Muitos animais domésticos também lutavam contra as águas.

No povoado de Pedra Grande “Seo” Souza bebia o último gole de pinga num boteco de fim de rua, sempre acompanhado de seu inseparável cavalo de nome Gigante, apesar de ser pequeno.

O Senhor Quim, conhecedor da região, insistiu para que Souza não prosseguisse viagem, poderia até ficar em sua casa naquela noite.

Teimoso, o cavaleiro bêbado, seguiu para a beira do rio, onde ficava sua fazenda lá do outro lado.

Ao aproximar-se das águas o velho animal empacou. Com espora no lombo nadou cerca de cem metros, foi levado pela correnteza, rio abaixo. Nadou para beira de um barranco onde um galho de uma frondosa árvore arrancou o cavaleiro dos arreios do “poderoso” Gigante. O cavalo seguiu rodando, com o poder das águas.

Josino olhou para o lado direito e viu um animal arreado, que conhecia muito bem, debatendo-se no meio da enchente.

Resolveu largar a pescaria e seguiu rio acima. Não tinha esperança de encontrar o Senhor Souza, vivo.

Andou quinhentos metros no meio de barro, mato, canavial e na curva do rio vislumbrou uma árvore grande com qualquer coisa na copa.

Era gozado e trágico ao mesmo tempo, Souza lá estava num galho da árvore, imaginando estar montado em seu cavalo, mais parecia o D. Quixote do sertão.

Josino lembrou que quando subia notou uma corda dependurada numa galhada, voltou lá e com um pouco de astúcia conseguiu retirá-la da árvore. Enrolou-a de maneira que ficasse mais fácil o transporte e voltou correndo para onde se encontrava o cavaleiro perdido, que lutava contra as águas.

Amarrou um pedaço de pau curto e grosso na ponta da corda e jogou-a para o lado da árvore. A primeira tentativa não deu resultado, quase perdeu-a. Entrou mais um pouco na água e atirou novamente mirando bem o centro da copa da árvore. Deu sorte, o pau enroscou-se num dos galhos da árvore.

Josino gritou para Souza amarrar bem a ponta da corda em algum ponto mais resistente. Daí a pouco vinha aquele velho homem debatendo-se na água, a sua amarração não ficou bem feita, o nó soltou-se; acontece que o pescador, precavido, havia amarrado a outra ponta num velho toco no meio do mato.

São e salvo, Souza chegou ao povoado em companhia do pescador Josino e foi logo convidando todos para tomar uma rodada de pinga.

Quando contou o que aconteceu e Souza ali confirmando, alguém do meio da turma disse:
__ Isso que é verdadeira história de pescador!

Manoel

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O GRAMPO DOS ARAPONGAS

“Meu nome é Vieira, Osvandir Vieira.”.
“My name is Vieira… Osvandir Vieira”
Do Livro “As Histórias do Osvandir
”.

Não é que os Arapongas resolveram mostrar as caras, enfrentando nada menos que a Polícia Federal e grampeando até o do Presidente da República.

Dizem que a antiga ABIN, nunca foi desativada conforme acreditavam os políticos. Na época do Collor o SNI (Serviço Nacional de Inteligência) foi desativado, mas vários Servidores continuaram em outros Departamentos, outros Setores. Quando foi criada a ABIN, eles voltaram.

Outro dia passei em frente à casa de um político e notei um tênis novo dependurado num dos fios de telefone pelo cadarço. Dizem que eles fazem isso para ter maior poder de escuta.

Hoje você pode sentir que o seu telefone não vai bem quando está chiando muito. Aliás, nos Estados Unidos dizem que quem matou JK foram as telefônicas. Aqui é a mesma coisa. Todos grampeiam todo mundo.

Tancredo Neves, aquele sábio político, quando tinham que transmitir uma ordem mais secreta jamais usava telefone ou falava dentro de seu gabinete. Dizia que estava tudo grampeado. Chamava o cidadão para um passeio na rua e transmitia as mensagens. Isso já não é mais seguro.

Hoje ficou tudo pior, nem na rua estamos a salvos de sermos gravados. Existem pequenas antenas, tipo parabólica, usadas em carros, que capturam vozes e outros sons a uma distância muito grande.

Candidatos, também pessoas importantes, todas estão sujeitas a gravações de telefones e conversas de rua, portanto tome cuidado. Sempre existe alguém espionando atrás de um muro, uma árvore ou mesmo na outra ponta da linha.

Até estes inocentes MP4, gravam com muita perfeição. Ainda temos minicâmeras que filmam com muita nitidez. Não fale bobagem pelo telefone.

Um inocente pau de fósforo ou palito, podem estar ocultando uns microfones, minicâmeras ou uma antena de transmissão à curta distância.

Osvandir estava fazendo pesquisas para um trabalho na Universidade, quando de repente notou na sua mesa um pequeno fio debaixo de alguns papéis. Foi puxando, puxando e foi dar numa câmara instalada dentro de um suporte para lâmpadas.

Mandou fazer uma varredura total em seu escritório. Várias vezes já recebeu telefonemas ameaçadores dizendo que iriam publicar algumas fotos suas e uma mulher. Não deu crédito, quando na manhã seguinte recebeu algumas fotos pelo correio onde fizeram montagens muito boas, mas comprometedoras.

É assim que muitos agem na política, nos negócios. E por falar nisso, os grandes negócios realizados de uns tempos para cá, todos os participantes estavam grampeados. Os grupos interessados já sabiam dos resultados muito antes de serem realizados.

Nas licitações de grandes obras os grampos voam nas Prefeituras e Câmaras. Sem contar violação de envelopes e outros documentos para favorecer a terceiros. Estamos no Brasil, onde tudo pode acontecer.

Na sua vinda do Ceará para Minas Osvandir ouviu algumas história bem cabeludas sobre grampos telefônicos. Algumas de políticos e outras de grandes industriais.

Osvandir acha que estava livre de grampos uma vez que usa mais o Celular, ledo engano é justamente este aparelho que está mais sujeito a grampos e não é nem um pouco seguro.

As tais de varreduras ambientais não resolvem nada, de fora do prédio podem monitorar as ligações. Além do mais eles têm muita gente infiltrada nas companhias telefônicas.

Temos quase certeza que esta comissão da CPI do Grampo deve estar totalmente grampeada bem como os seus representes máximos.

As tais maletas da ABIN fazem muito mais do que estão anunciando. Osvandir sabe muito bem disso, já estudou o assunto a fundo.

Quando houve aquele roubo dos Notebooks da Petrobrás eles já estavam sabendo há muito tempo. Todas as descobertas de petróleo eles ficam sabendo muito antes que todo mundo.

Estão lembrados da história do Mensalão? Tudo começou com uma gravação clandestina onde um cidadão dos correios recebia uma propina e aí o Jefferson liga o caso ao Mensalão, onde os Deputados recebiam do Banco Rural propinas para votarem em projetos do Governo.
A confusão foi geral e apareceu aquele tal de Marcos Valério. Dizem que ele tem outros casos interessantes que deveriam ser investigados. Lacerda suspeita de conexão com Satiagraha,(“caminho da verdade”) exatamente este esquema que deu origem aos tão falados grampos da CPI. Outros até acham que existe conexão internacional,(Portugal Telecon) é só abrir o jornal e tudo está lá.

Osvandir como é curioso, pergunta?
— A quem interessa isso tudo?

Quando acabou de fazer esta pergunta viu cair do céu um objeto estranho, quadrangular, um ufo, em alta velocidade. As luzes se apagaram? Não! O objeto caiu na cabeça de Osvandir e ele desmaiou.
Era uma maleta preta, tipo James Bond, bem fechada…

Manoel