HISTÓRIAS DE FIM DE ANO

OSVANDIR CAÇANDO UFOS


Osvandir tomou conhecimento do aparecimento de luzes no céu de Ribeiros, Povoado de Carmo do Cajuru-MG, próximo a Pedra do Calhau, a cerca de 15 Km de Divinópolis.

Pegou suas tralhas eletrônicas, detector de ufos, sinalizadores, bússola, alimentação e colocou tudo num novo veículo que acabara de adquirir.

O tempo estava bom, sol ameno e nuvens lindas no horizonte. Dez horas da manhã ele partiu para mais uma grande empreitada. Até Cajuru a estrada estava boa, depois alguns buracos, mas nada que a cabeça do “Caçador de Ufos” não pudesse resolver. Andou uns 3 km e deparou com uma grande quantidade de mangueiras. Havia manga de muitas qualidades: Jatobá, Pequi, Coração de Boi, Doce de Leite, Manga Maçã, Espada, Rosa, e outras com nomes estrangeiros, mas nem por isso deixavam de ser deliciosas.

Osvandir ficou possesso, nunca tinha visto tanta manga num só lugar. Parou o carro imediatamente e começou atacar aquelas belezuras. As sombras das mangueiras eram enormes e ali o lugar ideal para armar a barraca. Desceu tudo do seu veículo e armou uma rede entre dois frondosos troncos. Mas as mangas continuavam a ser devoradas com muita rapidez. Já tinha comido dez, quinze, ou vinte mangas, não sabia. Cada uma com o seu sabor especial. Acreditem, encontrou uma com sabor de abacaxi.

No meio de tanta fruta os pássaros soltando os seus cantos. Até Canarinho Chapinha que há muito tempo não ouvia, estavam ali saboreando a diversidade da natureza. Um Sabiá Laranjeira chamou-lhe a atenção: fazia um ninho de gravetos, capim e barro bem num galho, logo acima de uma casinha de João de Barro.

Tirou uma soneca e quando olhou o relógio já estava muito tarde para o almoço, mesmo assim comeu um sanduíche que levara. Pegou o binóculo e vasculhou o céu azul em busca de alguma coisa que pudesse fotografar. Nada. 

Tudo estava como Deus criou. A noite vinha chegando, para lado Oeste o sol escondia-se por trás das montanhas.

Osvandir não havia prestado atenção nas redondezas pela preocupação com as mangas. Do lado direito um lindo lago refletia os últimos raios solares e mais adiante as luzes de um loteamento de chácaras.

Alguns mosquitos perturbavam o sono de nosso herói. Quando tudo parecia calmo um barulho esquisito e muitas luzes, fez com que ele levantasse às pressas pegasse a lanterna e verificasse o que se passava. Era meia-noite, a sua barriga começou a roncar. Era o efeito purgativo das mangas. Correu para o mato. Atrás de uma moita de murici ele ficou por um bom tempo lembrando o que passou em Itaúna, quando usou como papel higiênico algumas folhas de Aroeirinha. Mas desta vez ele estava prevenido. Sacou da sacola aquele rolo de 60 metros e usou a vontade…

Assim que terminou aquele ato fisiológico, já refeito, foi pesquisar pelas redondezas. Do lado do lago avistou umas luzes de cor azul, que subiam e desciam, fez algumas fotos. Caminhou em linha reta, em direção a pedra do Calhau, estava muito escuro. Uma coruja voou ao seu lado. Assustou-se. 

Caminhou mais um pouco. Por entre os galhos e ramagem daquelas árvores de cerrado vislumbrou o que procurava. Uma luz forte ofuscou seus olhos. Levou a mão direita a procura de seu binóculo, mas não o encontrou. A solução era bater algumas fotos. Aproximou mais um pouco do local, algumas árvores prejudicavam a visão. Mudou de posição. De repente grandes luzes verde, azul e vermelha começaram a piscar e outras amarelas, bem pequenas, giravam em torno daquele objeto não identificado.

Depois de farto material fotográfico colhido Osvandir voltou satisfeito para seu acampamento. Agora ninguém poderia dizer que ele era um “Ufólogo Maluco”. Tinhas as provas de um verdadeiro ufo. Já era manhãzinha e ele resolveu voltar para casa.

O primeiro impulso foi jogar as imagens no computador e verificar com mais calma. De tanta emoção atrapalhou-se todo. Não conseguia fazer o seu moderno equipamento funcionar quando mais precisava dele. A solução foi procurar o Asa Color para revelar as fotos digitais.

De posse de 20 fotos, reveladas às pressas, notou um aparelho esquisito que não deu pare ser identificado.

Mediante o fato, Osvandir resolveu voltar ao locar imediatamente. Talvez a nave estivesse avariada e ainda estaria naquele local. Parou onde havia acampado. Entrou no mato e andou cerca de um quilômetro e descobriu aquele objeto ainda no mesmo local.

A noite nem tinha notado que havia uma casa ali perto. Aproximou mais e encontrou a dona da casa que foi logo cumprimentando:

__Bom dia, meu senhor!

__Bom dia.

Como Osvandir olhava muito em certa direção ela foi logo explicando:

__Ficou bonita, não moço? Aproveitei esta antena parabólica velha e fiz esta árvore de natal, bem diferente.

__Ficou linda, minha senhora.


Manoel Amaral
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