MILAGRE DIVINO

MILAGRE DIVINO

O Senhor Raimundinho Nonato, morador naquelas paragens do Nordeste, onde há 30 anos não chovia.

Muito religioso, sempre pedindo um milagre vindo dos céus para poder plantar o seu milho ou a mandioca para sobrevivência.

As vaquinhas morrendo uma a uma naquele pastinho onde se via como alimento só aquelas palmas torcidas, secas, pela falta d’água.

Duas filhas, uma de 15 e outra de 22 anos. Namorar por ali era muito raro, moravam longe da cidade.

De repente a garota mais nova começava a vomitar quando via a comida corriqueira. Queria comer outras coisas difíceis de conseguir por ali.

Cochichou com sua irmã mais velha que o seu “chico” não vinha há meses. Fazia referência a sua menstruação.

Os peitinhos estavam aumentando, sentia fadiga e cansaço. Andar ao sol não podia.

A barriga estava ficando inchada e ia frequentemente fazer xixi.

Algumas manchas na pele, muita ansiedade e irritação. Estava sempre brigando com a irmã.

A adolescente causou comoção na família quando anunciou a sua gravidez afirmando que é virgem e que não sabe como foi que isto aconteceu.

O pai da garota rezou 24 horas seguidas de joelhos para agradecer o “Milagre Divino”.

Algumas pessoas do povoado foram até o local e acenderam velas.

A irmã mais velha olhou o quadro da Virgem na parede e falou:
— Não acredito muito nesta história de virgindade, pois Maria só tem uma.

Manoel Amaral

TRANSFORMAÇÃO DE ÁGUA EM GUARANÁ

TRANSFORMAÇÃO DE ÁGUA EM GUARANÁ
I
Image
II
Imagem Google

Num destes domingos de canseira, muita festa no sábado, Osvandir foi assistir missa às sete horas da manhã.
Cochila aqui, tropeça acolá, até chegar à igreja. Depois de uma demora de meia hora teve início a missa do domingo.
Passou a primeira leitura, na segunda voltou o cochilo, e o sono chegou de vez.
Começou a sonhar que estava numa festa de aniversário na cidade de Canaã, perto de São Miguel do Anta, neste nosso estado de Minas Gerais.
A criançada corria por todos os cantos, pedindo guaraná. De repente aquele líquido tão doce e agradável àquelas crianças, acabou. Não sobrou nenhuma garrafinha.
Ouve um zum-zum, Osvandir foi chamado pelo dono da casa:  — Não temos mais guaraná, como é que há de ser. O supermercado só abre amanhã e não tem nenhum comércio aberto, todos emendaram o feriado de ontem e foram para zona rural. Como vamos fazer? – disse o dono da casa angustiado.
— Osvandir, você não pode fazer alguma coisa, — gritou uma senhora já de idade.
— Eu? Ainda não é chegado à minha hora, tenho apenas 33 anos, mas vou tentar.
Aquela mulher virando-se para os garçons disse:
— Façam tudo que ele pedir.
Osvandir pediu que trouxessem três jarras de dois litros cada uma, com água e gelo. Foi até a sua bolsa, pegou uns envelopes, rasgou-os sobre cada litro e de repente aquilo tudo virou guaraná.
— Milagre! Milagre! – gritaram as mulheres.

Com um cutucão de um amigo Osvandir acordou e o Padre acabava de ler o Evangelho de João, aquele do primeiro milagre de Cristo, a transformação da água em vinho.
Manoel Amaral