CARGA SAQUEADA

CARGA SAQUEADA

Imagem Google

O ano de 2014 mal começou e o registro de acidentes com caminhões, nestas estradas esburacadas, sempre aumenta. Dia 1º, em Poções/Ba  um caminhão da Coca-Cola tombou e populares aproveitaram para saquear a carga.
Ainda neste mesmo dia,  um caminhão de batatas foi acidentado em Campina Grande e a carga foi levada principalmente por crianças do bairro do Catolé.
No dia 02, foi a vez de uma carreta carregada com cerveja em lata, que saiu de Corumbá com destino ao estado de São Paulo. A carga, acabou se espalhando na pista e foi saqueada por populares.  
caminhão que tombou em  Itabela nesta quinta, dia  2 de janeiro, levava quase 30 toneladas de bebida alcoólica, carga diversas, garrafas de bebidas, entre uísque, vodca, energético e cachaça. Algumas pessoas foram presas, quando estavam saqueando a carga.

No interior de Alagoas, no Sábado (04) município de Pilar, um caminhão carregado de louças e copos, tombou e acabou caindo numa valeta. A carga de louça foi saqueada por populares.

Um caminhão carregado com bebidas tombou na sexta-feira (10) em  Mariópolis, no sudoeste do  Paranã, uma das cintas que seguram a carga arrebentou. As pessoas que moram nas proximidades da rodovia roubaram a carga de três mil caixas de cerveja. A Polícia não conseguiu evitar o saque devido à grande quantidade de pessoas que estavam no local.
Quarta-feira, 15, no trecho que liga Palotina a Assis Chateaubriand, proximidades da entrada para o patrimônio do Nice, um veículo tombou às margens da rodovia, espalhando toda a mercadoria, populares saquearam toda a carga de cigarros do Paraguai.

Uma carreta carregada com óleo de soja, que trafegava próximo a cidade de Bambui/Mg, no domingo (19), quando o motorista perdeu o controle da direção do veículo em uma curva e tombou, a carga foi saqueada.

Um caminhão que transportava pneus, tecidos e cremes neste sábado (21), em Carmópolis de Minas, sofreu um acidente. Como sempre, parte da carga foi saqueada por populares.

Em dezembro do ano passado tivemos os seguintes:
Uma carreta tombou quando transportava milho, em Redenção/PA, na quinta-feira, a rodovia tem muitos trechos com buracos e pontes perigosas, sendo o tráfego muito grande de caminhões carregados de mercadorias de todos os tipos. Parte da carga foi levada por populares.
Um caminhão carregado de carne bovina tomba na localidade Boqueirão, próximo a Nazaré do Piauí, nesta quinta-feira. A carga foi subtraída por populares.
Para ilustrar esta crônica recortamos de vários jornais do país os textos acima, apenas nos meses de dezembro e janeiro. Sabemos que no ano inteiro isso acontece e na maioria das vezes a carga desaparece, isto é, levada, subtraída, ou melhor, saqueada por populares.
A alegação é sempre a mesma, a carga está segurada, as empresas não perdem nada.
Mas vejam bem, não é este o caso, saquear é crime, com pena de até 4 anos de reclusão.
Essa prática que se tornou comum por aqui, quando um caminhão está acidentado na estrada, várias pessoas vão logo pegando as mercadorias, mesmo não tendo utilidade para elas.
Já vi gente saqueando até carga de melancias e em local muito perigoso.
É que o povo anda faminto e aonde um vai, a boiada vai atrás.
Nossa alerta é para que não parem o seu carro na estrada e em hipótese alguma desçam para apanhar mercadorias de veículos acidentados. Pode acontecer algum acidente e por causa de algumas batatas alguém perca a vida.
Manoel Amaral
Fonte: Jornais das regiões onde ocorreram os acidentes.

OSVANDIR E OUTRAS HISTÓRIAS III

ALAMBIQUE

“Se cachaça fosse boa,
não precisava de tira-gosto!”
David Blaser

No Fumal, o pai abandonou o algodão e passou a cuidar apenas da cana. Fabricava rapadura e cachaça. A marca da pinga era “Palmeira”, muito conhecida na região pelo esmero na fabricação, sem nenhum produto químico, apenas fubá de milho e garapa.

A fama da “água-que-passrinho-não-bebe” atravessou fronteiras e de Itaúna, Pará de Minas, Pitangui e Divinóplois apareciam gente interessados em comercializar a maldita da pinga, a “puríssima”. E a Palmeiria fez muita gente visitar nossa fazenda. Até alunos da quarta-série do Grupo Escolar Benedito Valadares estiveram por lá para conhecer como fabricavam a “branquinha”.

Fiquei até um pouco envergonhado por ver tantas meninas bonitas, com o vistoso uniforme de saia azul e blusa branca. O Joaquim era quem alambicava a “cheirosa”, portanto foi explicando para todos os principais processos pelos quais passavam desde o corte da cana madura, o carro-de-boi, o engenho, os cochos, o alambique, a serpentina e finalmente a “abrideira”, saía geladinha direto para os barris ou tonéis de madeira.

As crianças aproveitavam para tomar uma deliciosa garapa, comer melado ou rapadura (pac-pac). Outros preferiam chupar mexerica ou laranja. O certo é que todos se divertiam. Os professores apreensivos de que alguns pudesse machucar-se, tomavam a “branquinha” para disfarçar.

Acabou acontecendo mesmo! Uma menina mais assanhada que as outras resolveu subir no monte de lenha que servia a caldeira do engenho e acabou engarranchada no meio das toras de madeira. Outro menos avisado subiu num monte de casca de arroz no quintal, nem percebendo que ele estava em “combustão interna”, queimava por dentro. O menino acabou queimando o pé esquerdo, dando uma trabalheira danada para os professores.

A caixa de primeiros socorros foi usada e vários alunos receberam esparadrapos nas mãos e pés.

Um professor tirou do bolso uma lista dos nomes mais conhecidos da pinga:
“Água ardente, abrideira, água-que-passarinho-não-bebe, águas-de-setembro, aninha, azougue, azuladinha, azulzinha, bagaceira, baronesa, bicha (no bom sentido), bico, boa, borbulhante, boresca, branca, branquinha, brosa, brozinha, cambraia, corta bainha, cândida, cachaça, caiana, cana, caninha, canguara, canha, canjica, canjibrina, catuta, caxaramba, caxiri, cobreira, corta baínha, cotréia, cumbu, cumulaia, danada, delas-frias, dengosa, mdesmacha-samba, dindinha, dona branca, elixir, engasga-gato, espírito, esquenta-por-dentro, filha-do-senhor-de-engenho, fruta, girgolina, gramática, grampo, homeopatia, imaculada, já-começa, januária, jesebita, jimjibirra, joça, junça, jura, legume, limpa, linha branca, lisa, maçangana, mandinga, manhosa, mãe de Luanda, mamãe-sacode, mandureba, monjprina, marafo, maçã-branca, montuava, morrão, morretiana, óleo, orantanje, panete, parati, patrícia, perigosa, pevide, pilóia, pinga, piribita, porongo, prego, pura, purinha, puríssima, Roma, remédio, restilo, retrós, roxo-forte, samba, sete virtudes, sinhaninha, sinhazinha, sipia, simba, sumo-de-cana, suor-de-alambique, supura, tafiá, teimosa, terebentina, tinguaciba, tiquira, tiúba, tome-juízo, uca, xinapre, zuinga”.

O nosso professor copiou os sinônimos do Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, organizado por Hildebrando de Lima e Augusto Barroso em 9a. edição de 1951, Editora Civilização Brasileira.

MANOEL AMARAL

Fonte: 1 – Joaquim Ferreira do Amaral
2 – José Ferreira do Amaral