ROMANCE NA INTERNET TERMINA EM MORTE

ROMANCE NA INTERNET TERMINA EM MORTE
“Bandido bom é aquele que ainda não nasceu.
(Comentarista da notícia)

 

Numa escola com atendimento especializado, Pré-escola, Ensino Fundamental, Ensino Médio em Ituiutaba/MG, Bairro Setor Sul,  no Pontal do Triângulo, na tarde desta terça-feira, 22 de julho, tudo tranquilo.

Mil alunos circulavam no intervalo, uma conversa aqui, uma briguinha ali, um namorico acolá, tudo coisa normal.

Um jovem pulou o muro, num local com pouco movimento, penetrou naquele ambiente estudantil.

Não era aluno da instituição, morava na cidade de Capinópolis, próximo dali a uns 40 km.

Portava um facão, mas ninguém percebeu, cada aluno aproveitava os últimos momentos do intervalo para conversar com os colegas como sempre acontecia.

Aproximou-se de uma garota de 13 anos que ali se encontrava em conversa com algumas amigas.

Sacou a arma branca da mochila e foi logo arrastando-a para um refeitório, local isolado dos outros alunos.

Ameaçava cortar-lhe o pescoço, a razão ninguém ficou sabendo direito.
Os outros alunos observavam a cena em pânico.

Alguém foi até a Diretoria e avisou que tinha um jovem querendo matar uma menina na escola.

A polícia foi acionada, tentou negociar, fez de tudo para que ele largasse a arma.

Ele acabou ferindo um dedo da menina.

Não sendo possível, policiais tentaram segurar o facão com as mãos.

Um tiro certeiro se ouviu e um corpo caiu no chão, tentaram socorrê-lo, mas o rapaz não resistiu aos ferimentos na cabeça e faleceu.

A vítima foi encaminhada ao Pronto Socorro Municipal com um ferimento leve e passa bem.

Pela carteira de identidade ficaram sabendo que o agressor tinha 17 anos.

Eles se conheceram pela internet.

Manoel Amaral
www.afadinha.com.br

O PERSONAGEM ASSASSINO




Aquele personagem fora criado há muito anos, parecia até filho do autor.

Tudo girava em torno dele. Tinha nome próprio, site, blog e e-mail, pai, mãe, tios e avós.

Faltava só carteira de identidade e CPF, mas isso também é demais.

O autor tinha que atender-lhe todos os pedidos. Um dia ele enviou-lhe uma história para publicar, escritas em papel higiênico. O autor reclamou, ele ainda xingou e falou que ia embora para sempre.

Mas não foi, ficou ali azucrinando a cabeço do contista.

Na luta diária com as letras ele sempre burlava o assunto e aparecia em primeiro lugar. Passou a figurar, nas crônicas, nas fábulas e até nas cartas íntimas da família.

Um dia o homem das letras achou que já era demais e preparou um plano diabólico para matá-lo.

Seria um enforcamento de vários personagens e no meio ele também seria enforcado.

Não deu certo, o dito cujo ficou sabendo da trama e viajou antes.

Em outra ocasião tentou afogá-lo, qual o quê, foi ele que quase matou o contista de raiva.

Tentou esquartejá-lo, mas nada, o velho homem das letras é que saiu com várias escoriações. Reclamar com quem? Com a polícia? Iam rir na sua cara!
Pensou, pensou e foi bolar outro plano: quando ele chegasse para entrar na história, tudo pegaria fogo, molhado que estava em gasolina, o computador e a impressora explodiriam.

Não adiantou nada, a HD não incendiou e só sobrou o seu texto.

Quem sabe se chamasse algum traficante, com mais experiência, conseguiria dar cabo neste maldito personagem.

O malvado homem das drogas exigiu pagamento adiantado e contou como seria a morte daquele que tanto afligia o contador de histórias.

Seria levado para o Rio de Janeiro, exatamente no dia em que o exército iria invadir a favela escolhida a dedo.

Este plano também foi por água a baixo, aconteceu exatamente o contrário: o traficante foi preso e morto na prisão.

Já haviam pensado em tudo e nada dava certo, mas o destino poderia ajudar num livro novo que o autor estava escrevendo e o personagem ficava de olho todo dia e aparecia sempre, sem ninguém solicitar a sua presença.

Aquele dia tudo estava preto, choveu demais, os vírus invadiram o PC e aquele criminoso personagem aproveitou e assassinou o Autor.

Manoel Amaral

FICHA SUJA

FICHA SUJA
Imagem Google

A ficha policial era grande, dava para atravessar a rua e atingir o outro lado do quarteirão.

Já tinha feito de tudo: roubado, assaltado, matado, bebido, fumado, cheirado e espalhado o terror por aquelas bandas.

Era mesmo um “mau elemento”. Preso, não ficava na delegacia, entrava numa porta e saia pela outra. E logo estava assaltando as pessoas ou então planejando jogar dinamite nos caixas eletrônicos dos bancos do centro da cidade.

Ele nascera na periferia, mas gostava de fazer os seus trabalhos bem no centro da cidade. E fazia mesmo, era o maior bandido da região.

Gostava de trabalhar sozinho; bebia todas, fumava alguns, mas não era bobo, viciado nem pensar. Todo dia aparecia nos jornais.

Há muito que vinha planejando dar um golpe maior, queria ficar rico.

Conseguiu dinamites, encomendou os pregos chamados “miguelitos”.

De posse das armas partiu para a cidade vizinha com mais três colegas.

Em lá chegando de manhãzinha, foram direto para a delegacia e colocaram os pregos com a finalidade de perfurar os pneus dos carros da polícia.

Numa das entradas explodiram um carro velho para chamar a atenção para aquele lado. Com o barulho, muitos vizinhos foram para aquela região para saber o que estava acontecendo.

Lá no centro, entraram em dois bancos simultaneamente e colocaram as bananas de dinamite nos caixas e acenderam os pavios.

Assim que houve a explosão, eles foram entrando e apanhando o dinheiro liberado dos cofres pelo impacto.

A polícia tentou segui-los, mas com a falta de gasolina e os pneus furados, ficou muito difícil.

Comunicaram o assalto para a cidade mais próxima que montou barreira em todo o trecho da BR, até a cidade vizinha.

Com muito tiroteio e bandidos feridos, conseguiram prender a quadrilha. Um fugiu o que estava transportando o dinheiro.

O jornal anunciou que fora preso pela milésima vez Tonin, o chefe da quadrilha, com apenas onze anos

Com eles a polícia encontrou dez armas, incluindo uma submetralhadora .45, três pistolas 9 mm, três pistolas 380, duas pistolas .40 e um revólver calibre 38. Também foram apreendidas 400 munições de calibres diversos, quatro coletes à prova de balas, luvas e quatro “balaclavas”, aquele gorro que encobre o rosto.
O banco não revelou o valor roubado… Como sempre acontece.
Manoel Amaral
www.casadosmunicipios.com.br

O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE

 Imagem Google

 Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.” John F. Kennedy

O jornal noticiou que um louco fora internado no hospital. Tinha mania de querer matar o Presidente.

O Presidente estava preparando-se para partir. Iria visitar um estado que lhe era hostil, para acalmar os ânimos na política.

A política da esposa era outra e avisava sempre: __ Cuidado querido. Quero que você volte vivo! A gente nunca pode confiar num louco. Ele é sempre capaz de cometer desatinos…
__ Desatinos! O que há? Está com medo querida? Já viajei tanto e nunca me aconteceu nada. Tudo é a prova de bala no carro…

O carro americano, modelo 1963, deslizava suavemente no asfalto e a rádio anunciava que um louco fugira do hospital. O rádio do carro foi desligado por um instante.

Há instante dali, num recanto da cidade mais próxima a conversa era diferente: __ Você já está com o fuzil?
__ Já!
__ Então faça tudo como te ensinamos. Você não deve perder tempo. Estaremos te esperando do outro lado da rua.

Do outro da rua principal dera entrada o carro presidencial e vinha uma fila enorme de outros carros atrás. Os Senadores, Deputados, Governadores e Jornalistas sempre acompanhavam o presidente onde quer que ele fosse. Um forte dispositivo de segurança estava preparado.

Preparado ninguém está para o imprevisto. O presidente sentindo muito calor (teria o ar condicionado enguiçado?), mandou abaixar as capotas à prova de bala, justamente na hora em que virava a esquina.

Na esquina, do alto do prédio mais próximo, um tiro partiu. Todos ouviram, mas ninguém foi atingido. Outros três foram disparados de locais diferentes e o presidente foi atingido na cabeça e no pescoço.

Pelo pescoço abaixo o sangue escorria e hemorragia instalou-se naquele cérebro.

Naqueles cérebros a confusão se formava: __ Mataram o presidente! Assassinos loucos!

O louco saiu correndo, escada abaixo, atravessou a rua mas foi preso por um soldado que já estava ali para isso.

Enquanto isso, o carro presidencial dava entrada no hospital da cidade.

Na cidade o comentário era muito grande e um boato começou a ser espalhado no meio da multidão:
__ Um louco matou o presidente, dando três tiros lá de cima!

De cima, mais alto em pensamento do que a camada popular, os jornalistas imaginavam diferente:
__ Foram três tiros vindo de locais diferentes, o louco preso não era o assassino, o tiro vindo do prédio da esquina não atingiu ninguém.

Ninguém imaginava que o suposto assassino do presidente ia para o matadouro. Os saldados levaram o psicopata para a rua central da cidade. Ele não parecia doente mental, alguém que perdeu a razão, pelo contrário, articulava bem as palavras e seus gestos eram bem compreendidos. Contudo qualquer coisa o impedia de falar o que desejava. Queria gritar para todos que não estava louco. Que aquilo tudo não passava de uma farsa! Até a fotografia com o fuzil! Tudo combinado! Planejado!

Planejado também estava a sua morte! Quando fez um esforço maior para falar, um tiro a queima-roupa provocou uma fumaça no meio da multidão e a câmara da TV pode captar o último gesto do inocente útil, ainda algemado a um soldado.

Um soldado sem qualquer esforço pegou o atirador, ainda com a arma na mão.

Na mão da polícia estava o segredo da morte dos dois e ninguém se atreveu a verificar a verdade. O Relatório famoso, dizia que não havia complicação com organismos internacionais e que o único culpado era o “assassino louco,” o outro era apenas um “espectador exaltado.”

MANOEL AMARAL
Em dezembro de 1963
Do Autor de “Osvandir na Amazônia”
E-booK, na Editora Amazon:
http://www.amazon.com.br/s/ref=nb_sb_noss_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&url=search-alias%3Daps&field-keywords=Osvandir

A ERVA DO DIABO

A ERVA DO DIABO

“Não preciso me drogar para ser um gênio…”

Charles Chaplin

Hoje ele é muito respeitado como palestrante nas rodas antidrogas; mas já foi um dos caras mais viciados que já conheci.

Passo a palavra para José Imaculado, mas conhecido como Zé da Merda.

“Já fumei, cheirei, injetei, tomei e lambi. Fiz de tudo nesta vida para poder manter o meu vício. Roubei, furtei, assaltei, só não matei. Pulei muro, rasguei o corpo em arame farpado correndo da polícia.”

Sempre assim que ele inicia as suas concorridas palestras para viciados e familiares. O seu bairro ficou pequeno, a cidade também. Fez palestras para todo o estado. Viajou até para o exterior, atendendo a pedidos de universidades norte americanas.

“Não acreditem na amiga da mente, isso é pura ficção. A erva maldita rói seu cérebro, provoca distúrbios nos seus neurônios.”

Ele é mesmo bom de fala, consegue manter a plateia prestando atenção às suas palavras por horas e horas.

“A minha intenção hoje é contar para vocês como foi que larguei o vício. Cheguei a levar a minha família a loucura, vendi tudo para comprar a Noia. Até um liquidificador que tinha dado de presente para minha mãe.”

Por aí ele vai tirando lágrimas e sorrisos de todos que ali estão. Zé da Merda virou mesmo um excelente orador. Preste bastante atenção a interessante história que ele vai contar:

“Por que tenho o apelido de Zé da Merda? Vou explicar: tinha uns viciados na cadeia e estavam sempre pedindo drogas aos visitantes, mas a portaria não deixava passar nada. Nestes dias eu estava lá depois de ser preso tentando vender um celular roubado.”

Haviam encontrado uma nova maneira para traficar o Fumo brabo.

Engoliam várias cápsulas e arranjavam uma maneira de ser preso, uma vez dentro da cadeia era só esperar o bagulho sair.

Acontece que na maioria das vezes a embalagem não era bem preparada e rompia-se no estômago e ao sair dava mais trabalho na limpeza.

Era muito interessante, hilário mesmo, vendo ele contar com toda simplicidade como tudo aconteceu.

“Os presos não queriam nem saber, ia cada um pegando o seu papel para preparar o Brow. Mas na pressa eu peguei um pedaço da maldita e fiz logo o meu Palhão. Quando comecei a tirar as primeiras baforadas percebi um odor diferente. Aí fui verificar como haviam transportado a Planta do diabo até a cadeia e fiquei sabendo que tudo aquilo tinha vindo na barriga do idiota do Lolô, um maconheiro já velho que estava à beira da morte. Vomitei três dias seguidos e nunca mais coloquei qualquer tipo da droga na boca. Fumei merda, aí a razão do meu apelido.”

Dá para acreditar? Podem crer, existem viciados usando coisa muito pior que isso!

Boas Entradas de Ano

Fuja das drogas, droga é uma droga!

Manoel Amaral