A BOTIJA E A COBRA GRANDE

Autor: Marleno de Paula Moura
O cearense Moura nasceu no ano de
1935 em Fortaleza-CE, onde reside.
Osvandir recebeu um telefonema do seu primo Zeca. Este disse ter sonhado com um homem velho, barbado, que lhe pediu para desenterrar um pote cheio de utensílios de ouro, como cálices, castiçais, pulseiras, anéis, moedas etc. O homem o enterrou na fazenda dele, a uns dez passos a partir do tronco de uma mangueira velha, na direção leste, nos fundos da fazenda. O velho pediu para ir à meia noite e não levar ninguém, como companhia. Este sonho se repetiu por 3 noites seguidas. O homem velho disse que queria descanso para seu espírito.
Zeca lembrou-se do seu primo Osvandir.

Capítulo I

A VIAGEM

Aceitou o convite do primo, apesar dessa viagem ser dispendiosa e com lucro muito duvidoso. Foi vacinado contra malaria para poder estar algum tempo em qualquer região úmida, cheia de muriçocas ou carapanãs.
Comprou passagem até Manaus. Deixou em Goiás todos os seus negócios imobiliários em dia.

Arrumou uma pequena maleta, contendo 3 mudas de roupa, Cartão de Crédito e algum dinheiro em cédulas. Iria passar poucos dias. Partiu de avião, para Manaus de onde iria de embarcação para Manacapuru; distante uns 90 km, subindo pelo rio Solimões.

Quando lá chegou, Zeca já o esperava no porto com um largo sorriso e de braços abertos. Se abraçaram sorrindo.

O primo era agricultor e criava pirarucu em curral. Ele conduziu Osvandir no seu Fuscão-95, para sua fazenda em Matões, distante uns 5 km de Manacapuru, mas margeando e subindo pelo rio do mesmo nome.

Osvandir não era dotado de cupidez, mas sentiu a atração pela aventura e via uma oportunidade para pesquisar mais um fenômeno paranormal.

Conversaram durante o trajeto trocando idéias de como agiriam. Chegando na fazenda, Osvandir foi apresentado à simpática esposa e seus dois filhos menores de idade. Jantaram e deitaram-se cedo para despertarem às 23h, conforme a aparição havia exigido.

Osvandir carregava uma alavanca e uma pá. Zeca levava uma enxada e uma lanterna de 4 pilhas. A noite estava úmida, mas não estava fria. Depois de caminharem uns 20 minutos chegaram à grande e antiga mangueira de uns 30 metros de altura. Zeca já havia marcado 15 passos a partir do tronco da árvore em direção ao leste, conforme a instrução do homem.

A marca foi feita durante o dia por meio de estaca enfiada no chão. Começaram a cavar ali, terra macia e negra. Zeca começou a cavar mais ou menos um metro e tocou em alguma coisa sólida. Abriu mais a largura do buraco para melhor ver a tampa de argila do pote.

Osvandir quebrou a tampa com a ponta da alavanca e havia milhares de baratas fervilhando no seu interior. No mesmo instante os dois ouviram o rosnado de um cachorro. Um frio desceu pelas suas respectivas espinhas. Viraram-se e viram um cão preto com olhos em brasa saindo do pé da mangueira vindo em direção deles. Soltaram tudo no chão e correram em direção à casa do Zeca.

Moura

OSVANDIR NO CEARÁ VIII

Capítulo VIII

DISCO VOADOR

— Adeus Osvandir! Até na próxima, disse o Moura,
olhando para um avião que voava no céu azul de Fortaleza.

Continuou na estrada de pedras que a seguir foram rareando e a estrada foi se tornando cheia de lombadas íngremes, com descidas e subidas, curvas em seqüências para ambos os lados da estrada. Osvandir viajou os quilômetros restantes, a baixa velocidade com a marcha 4L, reduzida engatada, o que permitia maior aderência no terreno.

A baixa velocidade o permitira fazer curvas fechadas e inesperadas. Aquela pista fora feita para acabar com carros ou com os motoristas. Atingindo o ponto final, que era uma clareira no mato, com um alpendre espaçoso, viu uma oficina mecânica e alguns jipes, bikes e MotoCross, bem arrumados, enfileirados lado a lado. Um dos ajudantes avisou à estação de partida, que Osvandir tinha chegado, por um HT, ( Habd -Talk” – transceptor portátil, em FM) e que não havia ruído de outros carros atrás dele. Osvandir informou que os outros três estavam atolados na pista.

Osvandir sentiu-se pouco satisfeito, porque não houve disputa com campeões, mas adorou fazer o que gostava.Entraram no hotel e viram algumas das moças, colegas de excursão. Cuidaram da higiene pessoal e sentaram-se à mesa para o almoço. Trocaram informações a respeitos dos lugares visitados pelos três grupos.

Osvandir aproveitou seu tempo escrevendo o seu diário no notebook.A tarde a guardiã loura, avisou que todos iriam visitar a Serra do Estevão, onde poderiam ver os principais pontos turísticos.

Depois de mais ou menos uma hora, chegaram ao município de Dom Maurício. As pessoas se dividiram e foram visitar os locais indicados pela guardiã.

Osvandir resolveu ir até ao Pico da Torre que estava a uns 760 m de altitude, para ver melhor a panorâmica de Quixadá e a Pedra da Galinha Choca. Pedalou sua bike por uns 5 km subindo lentamente uns 300 metros a ladeira. De longe avistou as torres de repetição equipadas com pequenas antenas parabólicas apontando para várias direções.

Ele estava com sua mochila conduzindo o que era necessário, como máquina fotográfica digital, binóculos, faca de mato etc. Sua pistola estava nas costas entre a calça e o lombo.

Seus olhos não saiam da figura da Galinha Choca, que era admirada pelas formas perfeitas. De repente, vindo do sul, viu um objeto com o perfil de um prato virado contra o outro, cor de alumínio, brilhando no sol. Atravessou lentamente o Complexo Rochoso, por trás da Galinha Choca. Muito nervoso e apressado retirou imediatamente sua câmera digital da mochila, que estava sobre suas pernas e já estando preparado para foco infinito, ligou, apontou e clicou por várias vezes. O objeto veio para mais perto e mergulhou de vértice por trás da Pedra da Galinha Choca, ocasião em que viu que o objeto era discóide.

O aparelho desapareceu no mergulho sobre a montanha de pedra.Tudo foi fotografado, não conseguiu acreditar que um objeto voador entrasse em uma serra de pedra, sem haver abertura. Conferiu as fotos de sua câmera e novamente viu o aparelho mergulhar na rocha, sem abertura alguma.
— Ganhei na Loteria e agora posso voltar para Fortaleza, disse Osvandir em voz baixa, só para ele.

Os visitantes foram chegando aos poucos e guardando suas bicicletas no alpendre, onde um empregado as examinava rapidamente.

Todos chegaram, subiram na van e esta desceu a serra em direção ao hotel em Quixadá.
— Srta. Elizabete, lamento informar, que apesar de estar gostando do passeio e do bom trato, tenho que voltar urgente para Minas, disse Osvandir.
— Nós lamentamos muito sua ausência, mas como há urgência, não há outro jeito.– Obrigado pela compreensão. Poderia me dar o endereço da estação rodoviária?- Sim, depois do almoço chamarei um táxi para levá-lo até lá.

Osvandir levantou-se e despediu-se de cada componente da excursão, bem como da guardiã. Voltou para seu quarto, onde apanhou as duas malas e o notebook.

Já no hotel, em Fortaleza, antes de deitar-se completou seu diário no notebook, ressaltando seu avistamento incrível. Transferiu as fotos da máquina para seu notebook.

Agendou um encontro com seu amigo para aquele mesmo dia:
— Moura, passei aqui para despedir-me e mostrar-lhe o que consegui em Quixadá, veja a seqüência de fotos na minha câmera!

Moura manejou a máquina fotográfica para ver as fotos. Na primeira ele logo reconheceu o perfil de um disco voador, muito distante sobre umas montanhas. No final chegou a foto em que o aparelho mergulha para dentro da rocha por trás da Galinha Choca.
— Osvandir, acredito porque estou vendo a foto e não houve tempo para você praticar qualquer truque. Vem a pergunta. Eles vêm do céu ou do centro da Terra?
— Acho que ninguém sabe. Ufologia é um terreno cheio de ilusões para nossos sentidos. Só nos baseamos neles, pois são os detectores das nossas realidades. O que pode ser realidade para uma pessoa, pode não ser para outra. Passou daí, só há conjecturas, lendas que são acreditadas, na falta e outras realidades. De qualquer forma estou muito satisfeito com o que consegui, respondeu Osvandir.

Final
Moura – Fortaleza – CE – 6 / 9 / 2008

OSVANDIR NO CEARÁ III

Capítulo III

A PEDRA DA GALINHA CHOCA

“Os grampos na telefonia brasileira me lembra a
União Soviética, com seu sistema de escuta e
“deduragem”. (Moura)

Ao chegar a Quixadá, Osvandir viu logo a pedra da Galinha Choca do lado direito de quem vem de Fortaleza.

Quando todos desceram da van, o guia, o primeiro a descer disse:
— Sejam bem-vindos a Quixadá, a cidade dos monólitos e da Galinha Choca. Esta excursão consiste de várias modalidades. Recomendo antes de tudo, com respeito à vestimenta e acessórias. São indicados o uso de mochila, vestimenta de tecido resistente, protetor solar, chapéu e traje de banho. Uma máquina fotográfica e um binóculo são excelentes acessórios.

Osvandir sentiu-se menos rico, depois de dormir no Othon, mas lembrou-se de que estava em uma cidade do interior do Ceará. Foi avisado pelo guia que às 8 horas iriam iniciar a excursão na Cidade e arredores. Ele saiu do hotel, chegando à calçada já havia pessoas esperando o veículo da excursão.

A Van chegou, uma linda moça loura desceu e falou:
– Sou a guia da Agência podem entrar todos. Vamos até uma praça espaçosa para falarmos sobre a história de Quixadá e seus mais importantes pontos turísticos. Estacionaremos numa praça larga e bem arborizada com árvores antigas. Todos desceram e se colocaram na sombra de uma árvore frondosa.

— Por favor, sentem-se no chão, para terem melhor contato com a natureza. Vamos juntar mais um pouco para explicar o que iremos ver hoje e saber sobre os pontos turísticos e prática de esportes radicais.

Vou começar pela história da cidade. Todos já estão com traje esporte que é a melhor opção.
Vou ler resumidamente sobre a história desta cidade; nunca consegui decorar esse texto.
– A colonização de Quixadá ocorreu através da penetração pelo rio Jaguaribe, seguindo seu afluente o rio Banabuiú e depois o rio Sitiá, cujo objetivo principal era a conquista de terras para a pecuária de corte e leiteira…
Já estavam ali por meia hora e a jovem loura não havia terminado de ler tanta história do Nordeste. Os pontos turísticos principais são:
Açude Cedro, Santuário Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, Chalé da Pedra, Lagoa dos Monólitos, Pedra do Cruzeiro, Serra do Estevão, Clube Cearaqui.

Em 2004, o então estudante de arquitetura da Universidade de Fortaleza, Osíres Abreu de Menezes Bezerra apresentou como Trabalho de Conclusão de Curso, um Projeto para Construção de um Centro Ufológico em Quixadá-CE – considerada por muitos a capital ufológica do nordeste.

A Guia continuou, falando sobre os esportes radicais praticado no local: Vô Livre, Moutain Bike, MotoCross, Off Road, Rapel e Trekking.

As principais trilhas para trekking são: Barriguda, Olho D’água, Andorinhas, Boqueirão, Cabeça do Gigante.

A Cabeça do Gigante, é uma enorme escultura natural, caracterizada por três grandes locas que se interligam e atravessam todo o serrote, formando entre os vazios impressionantes arcos de pedra que se assemelham à cabeça de um gigante.

OSVANDIR NO CEARÁ II

Capítulo II

OS CASOS UFOLÓGICOS

O Brasil é o país mais rico do mundo.
Roubam à noite e no dia seguinte ele está novamente rico.
É o Milagre Brasileiro.” (Moura)

Moura olhou para cima procurando se lembrar de alguma coisa:
— Vou falar sobre o que eu me lembro, pela imprensa e do que vi na Internet:
“No início deste ano um médico de Quixadá fotografou, por acaso um Disco Voador, bem alto, por trás das serra, além da Galinha Choca. Lá aparecem Discos Voadores e Bolas de Fogo. Já aconteceu um avistamento, presenciado pelas pessoas que estavam presentes a um comício, nas vésperas de eleições. Todos correram da pracinha. Não me lembro o ano, mas foi um dos maiores avistamentos. Antes disso houve o caso de um homem de meia-idade que viu um disco voador e recebeu um facho de luz no rosto. Desde esse tempo ele foi enfraquecendo, passou a viver em uma rede e a mente dele involuiu e dizem que ficou com a idade mental de uma criança de 9 anos. Ele faleceu há mais ou menos 5 anos atrás. Não tenho mais certeza das datas.”

— Lembro muito bem deste caso, retrucou Osvandir

Moura continuou contando: “O agricultor Antônio disse que viu um disco sobre a Pedra da Galinha Choca, ao lado do Açude Cedro, neste ano, por volta das 21/22 horas.
”As aparições são comuns, para Tadeu, funcionário aposentado do Banco do Brasil. Ele garante que já viu vários ÓVNIS em sua fazenda, que fica próxima de Quixadá.”

“O músico Dudu, disse que já foi perseguido OVNIs . Disse que seu conjunto saía de um show e foram seguidos por uma esfera grande com luzes piscando, de cores variadas. O carro parou sozinho e
ficaram na estrada. Depois disso uma bola gigante voou em alta velocidade para o poente.”

Osvandir ouviu tudo atentamente e depois, curioso, perguntou:
— Moura você já teve avistamentos?
– Já tive cinco, mas nunca vi um disco voador, só esferas ou sondas, sendo três com luz própria.

Osvandir perguntou:
— Gostaria de saber as suas opiniões a respeito de UFOs?
Moura respondeu:
— Minhas opiniões a esse respeito são muitas e nenhuma. Não sei de nada. Talvez poucas pessoas saibam a verdade, pois o campo é muito vasto. Existe muito acobertamento pelos governos.

Deu 12 horas e Da. Conceição anunciou que a mesa estava posta.
Foi um almoço frugal. Constou de filé ao “molho madeira”, feijão preto temperado com carne do sul e lingüiça, arroz branco, purê de batatas, macarrão talharin, salada de verduras. Serviram refresco de cajá e creme de abacaxi na sobremesa.

– Não tenho Don Perignon, pois sei que você gosta de vinho. Aqui só tenho o suco de uva, que não é a mesma coisa, disse o Moura, como a se desculpar pela ausência de um bom vinho.

Terminado o almoço, Moura e Osvandir demonstravam preguiça e prazer, pela barriga cheia. Voltaram a sentar-se nas cadeiras do alpendre arejado, para conversarem mais.
– Moura, devo que estar no hotel bem antes do carro da agência chegar. Ainda tenho que tomar banho.
– Fique à vontade, disse o Moura, já lamentando a ausência de “um bom papo”, com o Osvandir.

O táxi foi chamado e veio logo. Começaram as despedidas, desejos de boa viagem e muita sorte na excursão.

Na manhã seguinte Osvandir serviu-se do café, com variedades, pagou a diária e desceu para a entrada. Mais ou menos às 9 horas a Van da Agência de Turismo parou em frente ao Othon Pálace Hotel.

— Estamos aqui para conduzi-los até Quixadá. Podem entrar, colocar as malas na traseira do veículo, por favor.

O veículo vinha apanhando as pessoas nas residências ou hotéis.
Osvandir colocou suas duas malas na van e subiu no veículo se acomodando em um dos bancos, sentando junto a uma janela. Estava com seu Notebook a tiracolo. Também retirou a mochila das costas onde havia pertences que poderiam precisar a qualquer instante.

Começou a viagem de uns 170 km, rumo a Quixadá. Após umas 4 horas de viagem, chegaram ao Hotel Monólitos, onde ficariam hospedados, no centro da pequena cidade.
Continua…
Moura e Manoel

OSVANDIR NO CEARÁ III

Capítulo I
O ENCONTRO COM MOURA
“Chamam isso aqui de Terra da Luz” Moura

Osvandir ao seguir para casa do Moura, encontrou novamente com alguns assaltantes num beco escuro e sem saída. Um deles portando arma em punho, queria tudo: dinheiro, jóias, relógios, celular e até o tênis de marca.
– Calma, calma, disse Osvandir. Vocês podem levar tudo o que quiserem. Segure meu celular, o anel de ouro e o relógio. Leia a marca. É um Rolex, de ouro, custou 800 pratas.

Quando o assaltante do 38, pegou com a mão esquerda, o celular, o anel e foi ler a marca do relógio, Osvandir retirou rapidamente de trás da sua cintura, no lombo, uma pistola CZ, calibre 7,65, que já estava engatilhada e atirou na coxa direita do assaltante. O bandido soltou tudo o que tinha nas mãos e segurou a coxa, que estava sangrando.

Havia um grandalhão encostado em um táxi branco estacionado e gritou para o Osvandir. Entra logo aqui, jovem!
— Você está bem? Que pergunta besta. Também já fui assaltado!

Osvandir ainda estava com a pistola na mão e antes de sentar ao lado do motorista a enfiou entre a calças e o lombo na altura da cintura
— Você tem porte de arma? Perguntou o motorista.
— Tenho sim, disse Osvandir, com a testa franzida, demonstrando muita preocupação. Consegui um porte com um amigo meu da PF. Meu nome é Osvandir. Venho de Minas.
— Meu nome é Salvador. Não se preocupe. Vi você saindo do Othon. Assisti ao assalto. Você tem algum outro lugar par ir?
— Tenho aqui o endereço de uma amigo meu. Podemos ir pra lá. Tirou um pedaço de papel de sua carteira e o entregou ao motorista. Sabe onde fica?
— Não se preocupe. Dá pra achar.

O táxi tomou a direção do sertão, pelos lados do bairro Montese. O motorista fez o percurso contando histórias de assaltos em Fortaleza. Ouvindo as histórias ficou pensativo e preocupado. Veio para um lugar perigoso, conforme informações do Manoel.

O táxi parou em uma casa com muro de pedra. Osvandir pagou a corrida e recebeu um cartão do motorista, com o número do telefone.
— Obrigado pelo que você fez por mim, lhe devo muito. Boa sorte pra você!
— Obrigado. Pra você também. Boa viagem.

Osvandir desceu e apertou a tecla da campainha da casa. O portão foi aberto por um velhinho de cabeça branca.
— Aqui é a residência do Moura?
— Sim, sou eu.
— Sou o Osvandir, amigo do Manoel, que deve ter comunicado minha vinda a Fortaleza e Quixadá.

Um sorriso mais largo se abriu no rosto do Moura, que estendeu a sua mão direita e apertou a mão do Osvandir.
— É um prazer conhecê-lo e o tê-lo aqui em casa.

A entrada distava uns 15 metros para o alpendre da casa, que tinha um jardim ocupando toda a área.

Moura puxou umas cadeiras de jardim, brancas e as colocou uma de frente para a outra e disse:
— Por favor, sente aqui Osvandir. Acho que temos assunto a tratar.

Do alpendre Moura chamou sua esposa, Da. Conceição e fez a apresentação de ambos.
— Conceição, este é o Osvandir, um ufólogo recomendado pelo meu amigo Amaral. Ele está de passagem por Fortaleza para visitar Quixadá. Eu o convidei para almoçar conosco.
A dona da casa disse que informaria quando o almoço estivesse pronto.

— Onde você está hospedado? Perguntou o Moura.
-– Estou no Othon Palace Hotel, perto da praia.
-– É um excelente hotel.
— Vim visitar Quixadá, mas não sei nem por onde começar. Vi alguma coisa pela Internet pelo meu notbook.
– Talvez você tenha lido sobre a agência de turismo, Sertão & Pedras. Vou ligar pra lá, agora mesmo. Já tenho anotado aqui todos os dados.

Iniciou a conversa com a referida Agência, pedia informações e Osvandir ia anotando tudo.

Moura disse:
– Tudo acertado, Osvandir. Você almoça aqui. A comida não é tão chique quanto no Othon, mas dá pra comer.

Moura continua a conversa:
— Como você foi tratado até agora?
— Fui assaltado na saída do hotel, quando pretendia ver a praia, que em Minas não tem.

Osvandir contou sobre o assalto sofrido e a ajuda do taxista Salvador.
— Não é nenhuma novidade. Você agiu como um Agente da Cia, disse o moura que continuou falando:
— Você fez muito bem. Aliás, como Amaral já o alertou; bandidos também assaltam até ônibus intermunicipais, nas paradas, ou já viajam neles desde o terminal de ônibus.
— Caro Moura, já fui assaltado também em um avião de turismo da Oceanic, pode verificar como foi na minha história no blog.

Moura continuou falando:
— Na Av. Beira Mar, já foram assaltados este ano, o Presidente do STF e o nosso ex-vice Governador, Lúcio Alcântara.

Osvandir, mudou de assunto e disse: – O Manoel indicou você porque sabe que é um dos poucos que acreditam em OVNIS. Sabe alguma coisa do assunto, acontecido em Quixadá?

(Continua…)

(Moura e Manoel)

OSVANDIR NO CEARÁ II

O ASSALTO AO OCEANIC 815
“Onde acaba o amor têm início o poder, a violência e o terror”.
Carl Gustav Jung


A frase acima é verdadeira e o terror tira o raciocínio das pessoas.

Osvandir estava na rua lutando com os três jovens. Quando um sacou a faca, ele aplicou-lhe um tremendo golpe no pulso e a faca sumiu na rua. O outro recebeu, sem menos esperar recebeu um forte abalo no peito e sua arma também foi atirada à distância. Assim que os dois foram abatidos, dominados, o outro saiu em disparada pela rua abaixo.

Era um dia de sorte para Osvandir. Pegou um táxi, seguiu para o aeroporto, ligou para o Moura, informando que estava seguindo para uma pequena viagem de turismo pela Oceanic Airlines, era o 815. Um empresa pequena, para viagens pela orla marítima.

Na pressa nem notou o nome da empresa e o número do vôo.
Os portões se abriram, Osvandir seguiu pelos túneis até atingir o avião. Tomou o seu assento marcado na passagem, leu um pouco e depois cochilou. O avião ia partir, uma demora danada para levantar vôo.

Parecendo que não iam voar mais, o pequeno aparelho de cerca de 20 passageiros, levantou vôo, como um Tuiuiú, aquela garça desengonçada do Pantanal.

Tudo ia tranqüilo, com um guia turístico mostrando para os estrangeiros as belezas de nosso país. Lá em baixo muitas coisas lindas realmente estavam passando por nossas janelas. Os vôos rasantes nos permitiam ver de perto e de cima muitas coisas que não poderíamos perceber lá de baixo.

Quase meia hora de delícia no espaço, aquele cafezinho, tinha até Whisky, Osvandir ficou sem saber se era do Paraguai, pois detesta até o nome desta bebida. Só tomou duas vezes na vida: uma para ver como era; a outra foi obrigado.

Resolveu sair lá do fundo onde estava e foi até a cabine dos pilotos, para perguntar qualquer coisa que as meninas não sabiam responder.
Por um espelho instalado próximo da porta do Capitão pode notar algum alvoroço lá no fundo de onde tinha saído.

Virou-se, antes mesmo de chegar até a cabine. O caos estava instalado. Um passageiro, de arma em punho, queria assaltar todos turistas. O barulho era muito grande.

Osvandir retornou devagarzinho para onde era seu lugar e ficou esperando o desenrolar dos fatos. O assaltante não seria bobo de sair dando tiro a torto e direito dentro do avião. Era sujeito escolado, acostumado com estes tipos de assaltos. Primeiro começou em ônibus, no centro de Fortaleza. Depois que ouviu sobre aquele grande assalto ao Banco Central, onde levaram R$154.000.000,00, ele também resolveu ganhar mais. Aperfeiçoando os seus serviços, partiu para coisas maiores.

Quando passou por Osvandir, este lhe deu dinheiro, relógio e uma pulseira. Os outros passageiros estavam todos apavorados. O “camarada” era muito esperto, só começou o assalto quando o avião estava fazendo manobra para pousar.

O seu pensamento era descer pelas escadas e sumir no aeroporto, pegando seu carro que deveria estar estacionado em algum lugar por ali. Porém ele não contava com as estratégias de Osvandir.

Assim que tudo havia sido recolhido, Osvandir aproveitou-se de um descuido do mesmo e sorrateiramente foi para o lado da porta.

Veio aquele homem grande, cheio de celulares, relógios, colares, dólares, reais e outras coisas de pouco valor. Ao atingir o centro do avião percebeu um braço forte no seu pescoço. Foi atirado ao chão e completamente dominado. Os bens foram devolvidos aos respectivos donos. Só um pequeno problema, sobrara um celular.

Amarrado, amordaçado, foi entregue as autoridades no aeroporto. O celular que sobrou, deduziu-se que seria do assaltante.

Ao sair do avião uma das aeromoças quis saber o nome daquele jovem que dominou tão bem o assaltante e foi logo perguntando:
__ Quem é você?
__ Meu nome é Osvandir. Sou de Goiás, moro em Minas.

Ao sair dali, nem percebeu que estava com um celular na mão. Dirigindo-se para a praça de alimentação, almoçou, pagou e quando estava para ir para o hotel o celular tocou:
__ Santana! Você não chega “meu”. Já tem gente aqui por perto. Se não vier em dez minutos eu vou embora…

(Continua)

Manoel

OSVANDIR NO CEARÁ

A CHEGADA
Ah, minha amiga, meu amigo, (no Brasil) nada se cria, tudo se desvia.
Tem gente que desvia avião, um troço grande daquele,
imagine merenda escolar, que cabe no bolso da calça.”
Ricardo Kelmer – Jornal O Povo – Fortaleza-CE
Osvandir resolveu sair da Bahia, onde viveu aquela aventura na casa assombrada. Al estava certo, ele ficara um pouco abalado com os últimos acontecimentos. Mesmo assim resolveu voltar para a casa do Manoel que havia sofrido um acidente feio. Uma queda quebrara-lhe o nariz e várias escoriações pelo corpo. O rosto estava ainda inchado, vários dentes foram afetados. A arcada dentária deveria ser recuperada através de cirurgia.

Moura havia solicitado a sua presença no Ceará, havia bastante tempo, o recurso era ir para aquele estado verificar os estranhos acontecimentos ufologícos.

Enquanto seguia para aquele estado recebeu notícias do Bahia, pelo amigo JJ, que em Conceição do Almeida, naquele Estado, estaria aparecendo uma luz, ao cair da noite, que muda de cor. Uns acham que é a Mãe do Ouro, outros acreditam tratar-se de naves espaciais.

Osvandir deverá voltar aquele estado para verificar estes fenômenos.

Saiu de Belo Horizonte, em vôo direto para Fortaleza, no Ceará. Tempo bom, muito sol, viagem sem nenhum contra tempo.
Ao descer do avião, pegou uma de suas malas e seguiu até o setor de informações do Aeroporto Internacional Pinto Martins.

Deu uma ligeira olhada para pista, calculou que teria uns dois quilômetros e meio, mais ou menos, bem acabados e bem equipados, com luzes noturnas em perfeito funcionamento.

No pátio de estacionamento vários aviões de médio e grande porte, em posição de vôo.

Dirigiu-se ao Serviço de Informações Turísticas para saber alguns detalhes sobre hotéis e passeios pela capital Fortaleza.

Logo após, esteve na Praça de Alimentação, tomou um chope, comeu algumas batatinhas fritas, olhou vitrines, passou por uma banca de revistas e adquiriu os jornais O Povo e o Diário do Nordeste. No último uma manchete o preocupou:

TAXISTA ACUSADO DE ASSALTO
Não quis nem abrir o resto do jornal. Pegou o outro e as manchetes eram:
Tentativa de assalto deixa homem baleado
Onda de furtos no Centro assusta comerciantes

Informava que na Avenida Imperador a coisa andava feia. Os comerciantes estavam fechando as portas por causa dos crimes.

O Moura tinha toda razão, as coisas no seu Estado não andavam bem.
Ao chegar ao Hotel Fortaleza Othon Pálace, próximo da praia, deu uma olhada no local. Um sol bom para se bronzear, muita gente deslocando-se para as barracas, muita comida e bebida, artesanato e outras coisitas mais.

Confirmou a reserva feita pela internet, pegou as chaves do apartamento e subiu para um banho. Ao ligar a TV, outra notícia não lhe agradou:
Igreja fechada por falta de segurança…
O café da manhã, com frutas, biscoitos, bolos, queijos, presuntos, pães, e várias outras iguarias era um verdadeiro almoço.

Deu uma passada pela piscina, sala de massagem, sauna e acabou chegando ao restaurante. Três salões enormes, para eventos, chamou a atenção de Osvandir. O Hotel era mesmo um dos melhores de Fortaleza.

O encontro com Moura estava programado para o dia seguinte.
Tudo seguiria normalmente, se não fosse um pequeno incidente ocorrido na rua. Três jovens viciados em drogas abordaaram Osvandir solicitando dinheiro. Este reagiu e um deles arrancou uma faca e o outro um revólver 38…

Continua
Manoel
http://www.othonhotels.com/H00693/POR_index.asp