O COLETOR DE LIXO

O Coletor de Lixo
Zé Prequeté, lixeiro dos bons, trabalhava no morro recolhendo o lixo entre tiros de uma facção e outra.

O Chefão do Tráfico, que já estava com a sua cabeça a prêmio, o conhecia e estava sempre dizendo:

–Zé, passa lá em cima que tenho um lixo para recolher.

E ele ia sem medo nenhum, no meio daquele tiroteio diário.

Trabalhava de sol a sol e dava para tirar um dinheirinho para as despesas da casa.

Era solteiro, morava numa cabana, bem escondidinho aonde ia juntando tudo que poderia render-lhe algum dinheiro.

Também prestava serviços à população, quais sejam carregar uma sacola da D. Maria nas escadarias todas por uns trocados, ou levar algumas malas até a parte baixa.

Aquela manhã estava feia, o tiroteio aumentou, a ordem era não sair de casa.
Nos postes uns cartazes com foto do Chefão e embaixo uma palavra escrita com letras grandes: PROCURADO. E o valor era alto: R$50.000,00. Tudo em polvorosa, não sabia o que fazer, ficar em casa é que não podia.

Pegou o seu velho carrinho, subiu a ladeira, desceu o morro e foi parar num local onde nunca tinha ido; uma construção esquisita. Parecia uma torre, com várias janelas redondas de concreto puro, no meio daquelas casinhas pobres, algumas até feitas de papelão.

Zé entrou, pé-ante-pé, bateu numa caixa velha e ninguém respondeu. Pensou: –Não deve ter ninguém por aqui.

Olha daqui, pesquisa acolá e descobriu uma escada em espiral e no centro um cano grosso, igual aquelas de bombeiros. Resolveu descer pelo cano abaixo praticando uma travessura que sempre quis fazer.

Lá no andar de baixo não tinha móveis nem nada. Mas ao encostar-se numa parede ela moveu-se e o Zé assustou-se. Quando percebeu estava do outro lado, num quarto bem escuro. Olhou a fiação elétrica, não tinha. Ainda bem que nunca esquecia a sua velha lanterna. Focou nas paredes: nada e nem no teto. No piso umas Saliências esquisitas lá num cantinho.

Antes de tomar qualquer decisão pensou bastante. Foi até lá e viu que eram de metal. Passou a mão na testa, limpou o suor e foi em frente: apertou o primeiro botão. Um buraco apareceu e alguma coisa brilhou lá no fundo.

Zé Prequeté sentiu o coração bater fraco, sua pressão estava baixa. 

Sentiu uma tontura e dor de cabeça. A vista escureceu, pensou que ia desmaiar, sentiu um cansaço, visão embaçada e ficou com vontade de vomitar; pegou uma balinha no bolso e deitou-se no chão por alguns minutos. Quando melhorou foi ver o que tinha encontrado.

Pegou uma corda que sempre trazia enrolada na cintura, amarrou numa viga de aço e desceu com a lanterna em punho.

Cerca de três metros, para baixo, deparou com sacos e mais sacos plásticos, com notas de cem e cinquenta reais. Moedas desconhecidas e pareciam de ouro. Pegou um pacotinho de notas de cinquenta reais e umas cinco moedas.

Antes de voltar para sua cabana, fez questão de deixar  tudo igual como encontrara.

Pegou uma nota de cinquenta reais,  comprou alguns pães e pediu ao caixa da padaria que trocasse por notas menores.

Levou a moeda que brilhava, lá embaixo, onde tinha um joalheiro seu amigo e perguntou o que achava.

–Olha Zé, esta é uma moeda muito valiosa e não deve ficar andando com ela por aí.

–Quem sabe o Senhor poderia guardá-la para mim?

–Posso e te passo um recibo para sua segurança.

Capítulo II
O CASTELO

Zé subiu novamente o morro, desceu a escarpa e foi para aquele lugar secreto. Desta vez levou uns sanduíches e água.

Pegou as cordas amarrou na viga de aço e desceu até o fundo do buraco.
Amarrou todos os pacotes de dinheiro, que nem sabia quanto seria e puxou tudo para cima. Colocou um-a-um todos os pacotes no seu carrinho e cobriu com umas caixas velhas.

As moedas colocou-as num saco plástico reforçado.

Ainda ficaram vários sacos que levaria na segunda viagem.

Viu armas e muita munição, não quis pegar nada. Na favela quem está armado a polícia prende.

Desceu até a sua cabana, colocou tudo numa caixa de papelão e várias caixas por cima.

Visitou a parte baixa, fez barba e cabelo com o seu amigo.

Visitou a joalheria onde deixara a sua moeda valiosa e teve uma notícia não muito agradável: Ela fora assaltada na noite anterior e os ladrões mataram o proprietário.

Sobre a sua moeda o filho não soube informar nada.

O jovem não quis continuar o negócio do pai e mudou-se.

José, que não era bobo nem nada, tratou de mudar-se daquele local, procurando um apartamentinho lá embaixo. Pagou três meses adiantados, conforme norma da casa.

Comprou roupas novas e duas malas grandes, pensando no futuro.
Alguns meses depois viu uma reportagem sobre terras no Estado de Goiás. Resolveu que deveria ir para aquele estado tentar nova vida.
Informou sobre o preço da passagem aérea, achou um absurdo, mas comprou uma para o fim de semana.

Ele que nunca havia saído do morro, agora estava voando para outro estado e com as duas malas recheadas.

Procurou os jornais e anúncios de venda das fazendas. Ligou para alguns proprietários, foi anotando os preços e comparando.

Achou uma que lhe servia: foi ver o preço, quase caiu de costas. Conferiu com outras imobiliárias e o preço era aquele mesmo.

Contou um pacote de dinheiro: tinha R$5.500.000,00, perguntou ao advogado da empresa com aquele preço o que poderia comprar. Não queria coisa grande e sim conforto e próximo à cidade. O gado iria comprando aos poucos, nada que houvesse suspeita.

Visitou vários locais e viu um que poderia dar negócio, o problema era que a proprietária era muito bonita e ele não gostava de fazer negócio com mulher.

Mandou prepararem a documentação e marcou o dia para o pagamento. Informou que seria à vista, dinheiro vivo.

O corretor de olho no gordo dinheirinho da corretagem arrumou tudo direitinho marcando daí 15 dias, para assinaturas.

Zé que agora era Senhor José Dias mudou para aquele local e foi aprendendo como lidar com gado, como comprar e vender.

Conversou muito com vizinhos interessados na sua grana.

Lá no fundo da casa tinha uns tanques repletos de peixes já em ponto de comer, muitas tilápias e outros peixes.

Um dos tanques tinha só traíras, pois elas comem os outros peixes.

Zé resolveu até fazer um churrasco num sábado e convidou os vizinhos. 

Foi fazendo amizades, nisso ele era perito.

Quanto ao dinheiro estava bem guardado.

Viu e ouviu pela TV que a polícia havia invadido o morro e encontrado várias armas e aquele prédio ela conhecia bem…

Ficou bem caladinho e até arranjou uma namorada que lhe foi apresentada num churrasco.

Seu pai havia falecido e deixado um enorme herança e precisava de alguém para administrar os seus bens.

José Dias, rico, ficou mais rico ainda, acabou casando-se com a mulher que lhe apresentaram. 

Os filhos foram aparecendo e uma ilustre figura que por ali apareceu até veio lhe pedir o seu apoio, queria candidatar–se a Senador.

Na realidade ele queria era algum dinheiro para campanha. José pediu que ele passasse no escritório da cidade, no outro dia.

Assim foi formando um mito sobre este misterioso fazendeiro do Estado de Goiás. Histórias e piadas foram criadas e seu nome correu todo o estado.

Manoel Amaral

ZICA VIRUS OU PREVISÕES PARA 2016

DIVERSAS PREVISÕES E PROFECIAS PARA 2016
Osvandir pesquisou, anotou, perguntou, entrevistou e vejam só o que ele pode apurar para o ano de 2016.  As fontes são secretas, como sempre, um mago do Amazonas, um astrônomo e um físico de São Paulo, um vidente, uma Mãe de um terreiro da Bahia, um escritor do Rio, um índio do Mato Grosso e vários outros estudiosos do assunto.


Tem três anos que publico esta lista e não mudou nada.
As previsões são as mesmas, entra ano e sai ano:
Tufões, maremotos e terremotos, passarão pelos EUA.
Um político safado baterá as botas para tirar a lama do Petrolão.
Atentado a bomba no Iraque, Paquistão ou Israel.
Israel promete não fazer mais guerra contra os fracos.
Ob ama o povo americano.
Terremoto na China ou no Japão destruirá uma cidade.
Maremoto pode acontecer no mar, próximo de alguma praia.
Arrastão: marginais vão “limpar” 1.500 pessoas na praia.
Mais um escândalo, políticos roubarão a caixinha de Natal.
Alguns políticos brasileiros terão prisão de ventre.
A turma do “colarinho branco” ficará sem a gravata.
Os EUA não invadirão mais nenhum país este ano.
A Amazônia deixará de ser cobiçada pela Inglaterra e por outros países.
As balas perdidas do Rio e São Paulo serão encontradas.
O Zica Virus foi inventado e patenteado por laboratório há muito tempo. E os cientistas, depois da aprovação da CPMF, chegarão a conclusão que ele não tem nada a ver com a Anencefalia.
Lembram dos mosquitos transgênicos? Está aí o resultado.
Mar de Lama não acontecerá em 2016. KKKKKK  E se acontecer as empresas não terão culpa de nada. O povo que é culpado por morar na beira do rio.
A AIDS terá uma vacina baseada no cocô de galinha preta.
Os traficantes vão doar grandes quantias em dinheiro, para a saúde pública.
Não haverá mais acidentes em nossas estradas que estão em ótimas condições.
Choverá muito no deserto de Atacama, ao norte do Chile.
Um vulcão extinto entrará em erupção, semeando lava no mar, formando uma ilha misteriosa.
Um meteoro cairá próximo ao México, aumentando, em consequência, o tamanho da ilha de Cuba, para desespero dos EUA.
Os minérios nióbio, urânio e outros importantes na era espacial, serão muito bem controlados pelo Governo Brasileiro.
Os Bancos vão baixar os juros dos cartões e cheques especiais.
As empreiteiras prometem gordas doações para eleição de 2016
Gasolina vai baixar de preço.
Governo diminuirá os impostos em 2050.
Deputados votarão o fim da reeleição em 2100!
Arqueólogos encontrarão numa ruína na Austrália novas profecias Maias para o ano de 2016.
As bolsas do mundo inteiro sofrerão queda neste ano, comemorando os 87 anos da “Quebradeira de 1929”.

Manoel Amaral

A TAÇA DA COPA DO MUNDO

A TAÇA

Imagem Google

Osvandir descia aquela rua esburacada, suja, lixo nas esquinas, catinga de urina por todo lado, era a ressaca proporcionada pela copa.

É que os Hermanos não são muito educados, e depois dizem que nós é que somos sem educação, não respeitamos as leis, não somos patriotas e etc. e tal.

Receberam as lições deles, não apanharam aqui, foram sem a taça e pronto. Caso encerrado.

Clos não queria saber mais de copa do mundo, estava preocupado agora era com o desaparecimento da Taça original.

Mas tudo isso aconteceu? Veja os fatos.

Aquela taça que a presidenta entregou ao campeão, tão brilhante, de ouro 18 quilates, com 36,8 cm de altura e 6,175 kg de peso. A base em duas camadas de malaquita semipreciosa, e a parte de baixo tinham gravados o nome de cada país campeão. Era falsa!

Foi um conhecedor de joias, aqui do Brasil, quem deu o grito:
Essa taça é falsificada!

Formaram logo uma comissão para estudar o assunto.

Como? Falsificada? Só pode ser coisa de brasileiro! E a segurança da Copa das Copas?
Até o Serviço de Inteligência foi requisitado para investigar o assunto.
Os alemães a levaram e estão muito felizes, mas onde está a original?

Do Brasil foi requisitado o Osvandir, que no momento andava meio ocupado com um visitante vindo da Franca, também investigador, o seu amigo Jean Jacques Clouseau, com o apelido de Clos.

Começaram seguindo os passos, através de vídeos, desde a chegada ao estádio e a entrega.

Notaram um vulto no meio da multidão com uma maleta de meio metro de comprimento, em atitudes suspeitas.

Logo as câmaras foram escurecidas, por um apagão intencional, e a seguir o mesmo vulto saiu para outro lado com a mesma maleta.

Acredita-se que minutos antes de ser entregue ela foi trocada por um bandido, vestido de jogador, que logo desapareceu no meio da multidão.
E agora? Como avisar aos alemães? E a FIFA? E se a jogada fosse dela?

Osvandir e Clos partiram para a Alemanha para investigar o assunto.

Receberam a incumbência de verificar se a taça era mesmo falsa.

Mas eles teriam que agir rápido, pois ao abrir o jornal do dia encontraram:

Alemães admitem que danificaram a taça da Copa nas comemorações

A taça da Copa do Mundo foi danificada por algum jogador alemão que se empolgou, completava o R7.

Ao chegarem ao local onde estava depositada, Osvandir e Clos disseram que eram do Brasil e precisavam fazer umas fotos da taça para o Museu do Futebol.

Acontece que Osvandir levou consigo uma pequena broca e ao colocá-la em posição para a foto passou a mão pelo pedestal. Pressionou o equipamento e com um furinho quase invisível retirou material do interior da taça.

Aquele material foi colocado rapidamente no seu bolso, sem que os guardas nada desconfiassem.

De volta ao Brasil, foram encontrar-se com o joalheiro que iria examinar o material coletado na taça.

Não precisou nem examinar, ele foi categórico:
É chumbo mesmo! Aquela cópia da taça é de chumbo recoberta por um folheado, do mesmo peso e tamanho da original.

Essa viagem e tanta observação por nada! A FIFA e os organizadores já sabiam. A taça original nunca foi entregue aos jogadores.

Aquilo era mesmo uma fantasia.

“Tudo bem que a taça recebida pelos alemães seja apenas uma réplica da original, que é feita com 5 kg de ouro puro e avaliada em cerca de 7,5 milhões de euros. O troféu verdadeiro foi entregue ao capitão Philipp Lahm, mas não seguiu viagem com o elenco campeão à Alemanha.”

Foi exatamente o que informou o jornal na manhã seguinte. 

Tanto esforço por nada!

Manoel Amaral

www.afadinha.com.br

OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA IV

OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA IV
Capítulo IV – Final

O TESOURO ENTERRADO
Osvandir trazia um prospector de mineração, importado dos EUA. Comprou através de um colombiano. Estava novinho, era a primeira vez que iria usá-lo.
Ligou o aparelho, toda a área, com 30 metros de profundidade, era registrado na tela. Quando havia a presença de qualquer metal o aparelho dava um sinal.
Havia um multi-sensor integrado que oferecia as imagens em 3D, em alta resolução, aquele equipamento era de última geração, moderníssimo.
Um GPS estava acoplado ao aparelho para registrar o local exato dos metais. Tudo era registrado naquela diminuta tela digital.
Com o seu tablet (leitor de livro digital) de 10 polegadas, Osvandir ia fazendo as anotações registradas e acompanhando todos os detalhes das representações gráficas.
Um sinal no sensor, uma parada, e ali naquela tela estava registrado qualquer coisa interessante.
Mais um pouco para direita, esquerda e pronto. Era mesmo onde tudo estava enterrado.
Agora era escavar com todo cuidado.
Pararam para um pequeno lanche e depois um longo trabalho de tirar terra. Parece que tudo estava enterrado a mais ou menos 5 metros de profundidade.
Senhor Olívio, muito emocionado, não conteve as lágrimas. Depois de muita pesquisa estava quase chegando ao tão falado tesouro do Garimpo das Duas Serras.
O primeiro que apareceu foi uma sacola de couro, cheio de pedras brutas, mas muito brilhantes ao sol. O velho garimpeiro foi logo dizendo:
―São diamantes e dos redondos. Que maravilha! Devem valer uma fortuna.
Osvandir olhou aquelas pedras, se fosse ele o garimpeiro nem reparava que elas valessem tanto.
Foi até a sua mochila, apanhou uma pequena lupa, examinou e disse:
―São muito puras, sem nenhum trinco ou qualquer mancha.
Olívio, naquele momento sentiu um batida forte no coração e caiu no meio daqueles cascalhos.
Quando Osvandir colocou a mão sobre a sua boca, tocou a veia jugular, notou que ele esta morto!
E agora? O que fazer com aquele tesouro todo? Como impedir que aquele local sofresse uma invasão de garimpeiros e outras pessoas?
Osvandir continuou a cavar mais um pouco e encontrou um vidro de um litro cheio de pepitas de ouro. Algumas bem grandes.
Fez prospecção mais abaixo, mas não encontrou mais nada.
Pegou tudo que havia encontrado, guardou em lugar seguro.
Foi até a aldeia dos índios Cinta Fina, comentou os fatos com o cacique. Este não entendeu direito a proposta de Osvandir.
Ele queria passar para tribo todo ouro e diamantes encontrados na caverna.
Não queriam de maneira alguma aceitar aquela riqueza toda, achavam que Osvandir deveria ficar pelo menos com 10% do total de tudo.
Para não haver confusão, aceitou aquela oferta, pediu ao cacique que isolasse o local, apagasse todas as pistas e enterrasse o corpo do garimpeiro Olívio.
Chegando ao povoado, colocou fogo em todos os documentos relacionado com aquela aventura.
No dia seguinte, viajou para a capital e finalmente em casa pode resolver o que fazer com os diamantes e parte das pepitas que recebeu dos índios.
Depois de muito pensar fez a doação para o Museu do Ouro e Pedras Preciosas, de uma grande capital do país.
No local onde Olívio vivia, lá na mata, um astuto garimpeiro, encontrou num buraco, um mapa de pele humana, envolvido em vários tecidos…

Manoel Amaral

OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA III

OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA III

Capítulo III
O GARIMPO ABANDONADO

Olívio então soltou uma gargalhada e disse:
― Como pude ser tão ingênuo. Estava tão próximo do local, viajei tantos quilômetros para descobrir o óbvio.
― Pois é, as coisas são assim mesmo. Mas temos muitos segredos a descobrir ainda.

Os dois pagaram as contas, pegaram um avião monomotor, Cessna-208, Caravan e partiram para o local de onde Olívio havia saído.

Munidos de equipamentos de sobrevivência na selva, uma boa câmera digital, rádio, GPS para marcar as coordenadas.

Osvandir com poucas horas de observações pode notar que aquele desenho num papel menor seria uma anotação referente a algum garimpo. Visitou vários e não conseguiu identificar nenhum parecido com aquelas anotações.

Com a permissão dos índios entrou na reserva e guiado por um deles foi visitando os garimpos abandonados.

Próximo de duas serras achou vestígios de escavações, pelo minério exposto ao tempo, na beira do rio, verificou que haveria grande possibilidade de ser garimpo de diamante.

Os índios informaram que aquilo ali havia sido abandonado há muito tempo. Foi uma mineração que não deu certo. Não havia diamante nenhuma naquelas redondezas.

Mas Osvandir, insistentemente, seguiu rio abaixo e encontrou outro local abandonado recentemente.

Havia até uma cabana com pertences dos garimpeiros. Um chapéu foi reconhecido por Olívio, que disse tratar-se de um conhecido seu, que fora assassinado naquele dia que também mataram o rapaz da tatuagem.

Não havia dúvidas, o local era aquele. Mas e as duas serras? Olhando para o Norte não havia nada, para o Sul muito menos. Mas ao olharem para o leste, já no fim do dia, avistaram duas serrinhas que quase não apareciam, coberta que estavam pela floresta.

O local era aquele mesmo! Restava saber se o morto guardara alguma coisa por ali. Pesquisaram o local e encontraram três cavernas.

Olhando no outro papel verificou que tudo coincidia. Havia uma cruz vermelha bem na caverna do meio.

Agora era só pesquisar o local…

Manoel Amaral

Texto faz parte do Livro “Antologia I – Blog do Osvandir”

O PORTAL DO TESOURO

Uma chuva fina caiu à noite, de manhã um nevoeiro cobriu a cidade. Em Pitangui, outrora terra do ouro, hoje uma pacata cidade do interior de Minas; dois velhos conversavam:
– Sabe aquela casa velha da rua de baixo? Um Senhor chamado Josias, demoliu-a para levar até um sítio, no Estado de São Paulo. Quer montar uma fazenda só com construções da época do ouro.
– É mesmo? Que coisa, hein? Tanta gente querendo modernidade e este cara quer reconstruir as velharias do século 18. É de se admirar!
– Pois é, fiquei sabendo agorinha mesmo. Estive lá para verificar o madeirame da velha casa. Tem cada peça de 25 x 25 cm, mais de um palmo de largura. A maioria de aroeira e estão ainda muito conservados.

Aquele papo entre os dois velhos senhores ia longe. Um descreveu os tempos da chegada dos primeiros habitantes da região: “Descoberta por bandeirantes paulistas, chefiados por Bartolomeu Bueno da Siqueira, foi a Sétima Vila criada no Estado, em 1715, no ciclo do ouro, e elevada à cidade em 1855…”

O outro falou do tempo do ouro: “Entre 1713 e 1720, aconteceram as primeiras revoltas pitanguienses contra as imposições da Coroa Portuguesa, sendo a primeira, a Sublevação da Cachaça. A Revolta de 1720, liderada por Domingos Rodrigues do Prado, contra a cobrança do quinto do ouro, conclamava que “quem não pagasse, morria”…

Apesar da derrota da Vila de Pitangui, os pitanguienses não pagaram e Conde de Assumar, então governador da Capitania, teve, contrariamente à sua vontade, de anistiar a dívida, dizendo que “essa Vila deveria ser queimada para que dela não se tivesse mais memória”, chamando a população local de “mulatos atrevidos”. Foi a 1ª grande revolta contra a Coroa, antes mesmo da de Felipe dos Santos, em Ouro Preto.

Estes fatos históricos são do conhecimento de todos Pitanguienses e as mais interessantes histórias são contadas nas ruas, nos bares e nos aconchegantes lares daquela cidade mineira.

Uma delas passamos a relatar abaixo:
Na demolição daquela casa velha da rua de baixo, o Sr. Josias, foi amontoando a madeira de um lado e as telhas e adobes de outro. Quando o caminhão chegou estava bem mais fácil para o carregamento.

Tudo foi levando para o “Sítio do Tesouro Encantado”, num pequeno município de São Paulo.

O processo de montagem da antiga casa era mais difícil que o senhor Josias imaginava. Como ele não fez um esquema da construção, nem bateu nenhuma fotografia antes de demolir, teve que desenhar mais ou menos, para os pedreiros tentar erguer as paredes e deixar tudo com o aspecto da primitiva construção.

Os esteios principais foram erguidos, algumas paredes foram levantadas, usando barro para juntar os adobes.

Os esteios mais largos (25 x 25 cm), foram serrados ao meio para completar a construção.

Tinham que tomar muito cuidado porque existiam uns grandes pregos de ferro grudados nos esteios. Eles estavam ainda em bom estado de conservação, alguns mediam 10 cm de comprimento, todos aquecidos na forja e modelados na enorme bigorna.

Em ritmo acelerado seguiam os pedreiros, carpinteiros e ajudantes. Tudo naquela barulheira infernal, até que um grito foi ouvido:

– Nossa Senhora, o que é isso?

O mestre de obras assustado foi onde tudo ocorria e deparou com uma cena muito interessante: várias moedas de ouro, prata, barra de ouro, ouro em pó numa garrafa e uma porção de objeto de valor incalculável, tudo ali esparramado no chão sujo de serragem da carpintaria.

– Santo Deus! O que é isso meu filho.
– Sei não meu pai, tava tudo aí dentro desta peça de madeira, quando passei a serra ao meio, caiu tudo no chão…
– Mas é dinheiro demais, vou chamar o patrão… – Senhor Josiiiiaaas!!!

Josias veio assustado pensando ser algum acidente, quando deparou com todo aquele ouro no chão, desmaiou. Foi muita emoção para um dia só.

– O dinheiro deu para construir a casa? – perguntou Osvandir.
– É claro que deu Osvandir e sabe como tudo foi parar ali? O proprietário da antiga casa usava aquele buraco na madeira, que fora diligentemente trabalhada, para servir de cofre da família, colocaram moedas ali por mais de 50 anos.

Manoel Amaral

Fonte Pesquisa Histórica: Site Prefeitura: www.pitangui.mg.gov.br/

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OSVANDIR EM: DRAGA É UMA DROGA!
“Uma chave de ouro abre todas as fechaduras.” (Christoph Martin Wieland)

Já há algum tempo Osvandir foi passear na casa de sua avó, nos dias de folga do carnaval.
Ficou impressionado com o número de carretas que passava por dia em frente a casa da velhinha.
Contou aproximadamente 50 carretas por dia com nomes de várias empresas, mas todas carregando toneladas de areia.

Perguntou para um vizinho de onde vinha e para onde ia, ele informou que tudo aquilo saia da Fazenda das Tabocas ia para Belo Horizonte, para a construção civil.

Fez os cálculos: cada carreta carregaria entre 20 a 50 toneladas, na média umas trinta toneladas cada uma. Trinta multiplicado por 50 carretas, daria umas 1.500 toneladas diariamente.

Era muita areia para vender! Osvandir resolveu ir até o local da extração. Pegou emprestado, um fusca 1500, ano 1972, azul da cor do céu e saiu para a beirada do rio.

Quando lá chegou deparou com 20 dragas retirando areia do fundo do rio, dia e noite, e uns 5 tratores de esteira revirando os barrancos.

O estrago ambiental era de grandes proporções. O rio já estava quase sem água na época da seca. Só se via pedras e árvores caídas por todo lado.

Conversando com o administrador ficou sabendo que a empresa tinha todos os documentos para extração. Resolveu ir até o escritório e verificou que na realidade ela tinha apenas um velho alvará da Prefeitura local.

Indignado com tudo aquilo foi até a Prefeitura e conversou com o Prefeito, um tipo bonachão que deixava todas as riquezas do Município irem embora sem nada em troca.

O que a empresa deixava no Município? Praticamente nada! Pagava somente um valor ridículo, por ano, para renovação do alvará.

Osvandir quis saber dos projetos de recuperação da área degradada do rio e o Prefeito informou que não existiam nada na Prefeitura. E ainda falava: “a natureza é pródiga, dentro de alguns anos tudo voltará como era antes”.

Devido ao volume de extração por dia, Osvandir ficou meio desconfiado e voltou novamente no local da extração. Desta vez não estava presente aquele Senhor que administrava. Apenas um rapaz de dentes cariados, rosto queimado, chapéu de palhas, descalço e um sorriso amarelo.

Ele muito tímido, levou o Osvandir para tomar um cafezinho no rancho de sapé.
__ Foi coado ainda há pouco, quando acabamos de almoçar. O que Senhor deseja saber?
__ Queria apenas o endereço da empresa em Belo Horizonte, pois pretendo comprar alguns caminhões de areia.

O rapazola saiu com um pedaço de papel onde tinha o telefone e o endereço completo da empresa.

Depois do carnaval, quando a purpurina já havia desaparecido dos salões, apenas alguns sinais de confetes e garrafa pet entupiam os bueiros de enxurradas, Osvandir resolveu ir até a capital.
O bairro era meio afastado, a segurança era total. Ninguém poderia entrar ou sair, sem autorização, devido os altos muros.

Na portaria conversou com um sorridente guarda, sinal que ganhava muito bem. Ele informou que naquele horário não tinha ninguém no escritório.

De relance pode notar que havia no centro do pátio umas máquinas esquisitas, parecia muito antigas, mas rodavam fazendo uma barulheira danada.

Curioso, resolveu bater um papo com o sorridente serviçal. Notou que ele adorava futebol, coisa que Osvandir detestava, mas tinha um pequeno conhecimento devido a leitura de jornais diários.
Falaram muito sobre a situação do Cruzeiro e do Atlético e de outros grandes times de Minas.
O guarda estava muito empolgado por uma cervejinha gelada adquirida por ali mesmo, foi falando tudo que Osvandir desejava saber dos movimentos da empresa. Disse que a areia não vinha só daquele local que ele visitou, mas de vários rios de Minas, principalmente do Centro-Oeste.
__ Mas e aquelas máquinas grandes, para que servem?
__ Ninguém aqui pode saber, mas vou revelar para você, que parece ser gente fina. Elas extraem ouro das areias dos rios.
__ Ouro? Como assim! Então não tem nada de construção civil no meio?
__ Não! O patrão vende a areia lavada por um preço baixíssimo. E se for pouca quantidade não precisa nem pagar, pode levar de graça…
__ Muito bom este seu patrão, hein?
__ Ele é inglês mas já está falando bem o português e foi para o Rio neste o carnaval.

Osvandir saiu dali injuriado. Então aquele esperto cidadão inglês estava saqueando o nosso ouro, como antigamente e portando-se como um simples empresário vendedor de areia para construção civil.

Posteriormente ficou sabendo que o dito Senhor, vermelho como ele só, pelo escaldante sol da região, tinha um esquema montado, com máquinas mais modernas, no estado do Mato Grosso.
Procurando mais informações em Prefeituras do Estado recebeu notícias que ele já estaria atuando também no Amazonas.

Por aí vocês vêem como é fácil sair de nosso país com qualquer mineral valioso…

Manoel Amaral