OS TRÊS PORQUINHOS

OS TRÊS PORQUINHOS


Nova versão de Osvandir

Era uma vez, não faz muito tempo, três porquinhos que viviam felizes e tranqüilos na casa de sua mãe, na zona rural.

Como já estavam na meia idade, a mãe resolveu enviá-los para cidade, então chamou os porquinhos e disse:
– Queridos filhos, vocês já estão bem crescidinhos. Já é hora de terem mais responsabilidades, vou enviá-los para casa de seus tios, na cidade, para se tornarem mais experientes.

Distribuiu o cada um o dinheiro que seu pai, o senhor Porcão, deixara como herança e despediu-se dos mesmos:
– Até mais, meus filhos queridos, vão aprender alguma coisa na vida…
– Tchau mamãe, – disseram todos.

Pegaram o primeiro ônibus que por ali passava e foram para a cidade. O dia estava lindo, mas alguns passageiros reclamavam que o ambiente não estava cheirando bem.
– Deve ser o meu irmão mais novo, – disse Pedro, mais conhecido por Pedrito, – ele não costuma tomar banho direito.

– Olha irmão, eu estou limpinho! Tomei banho hoje. Deve ser alguém que soltou um pum por aí e está jogando a culpa nos outros, – respondeu o porquinho mais novo, conhecido como Palhaço.
– Ora gente, vamos deixar de briga, já estamos chegando à cidade, – falou Palito, o elegante porquinho do meio.

Desceram do ônibus e foram à procura da casa do tio, pejorativamente chamado de Senhor “Porcaria”. É que ele não prestava mesmo, bebia muito e vivia nas portas dos bares da cidade. Não cuidava bem da família.

Pedrito vendo aquilo, e a pobreza da família, resolveu procurar outro lugar para morar. Cada um foi para um lado. Palhinha foi para a periferia e acabou encontrando um barracão numa comunidade.
Palito comprou madeira, montou uma casa e passou a fabricar móveis ecológicos, com eucaliptos.
Já Pedrito que recebeu mais dinheiro, comprou uma boa casa no centro da cidade.

Os anos se passaram e cada um por seu lado. Um dia os bandidos subiram o morro, o chefão chamava-se Lobão, era muito bravo, mandou todo mundo sair e colocaram fogo nos barracões, entre eles estava o de Palhinha.

Muito triste, sem ter para onde ir, procurou o seu irmão mais velho
que o recebeu carinhosamente, mas como Palhinha não gostava muito de trabalho, resolveu procurar o outro irmão, o Palito, que fabricava móveis. Como por lá também tinha muito trabalho ele só almoçou e saiu para outros lados.

Filiou-se a um partido político da cidade. Ele que era palhaço de profissão e se deu muito bem, conseguindo uma vaga para candidatar-se a Vereador.

Seu número: 99.999 e dizia que “noves fora e sobra um”. Quase ninguém entendeu bem o recado, mas no fim da apuração ele teve uma votação espantosa.

Perguntavam para ele o que fazia um Vereador e ele respondia:
– Vote em mim que depois eu te conto. Pior que tá não pode ficá.

O Palhaço Palhinha foi eleito com 90% dos votos da cidade, elegendo mais quatro vereadores para o seu partido.

Aí todos entenderam o seu recado: noves fora e sobra um – todos 9 Vereadores não conseguiram reeleger. O PP (Partido dos Porcos) ficou com maioria na Câmara Municipal.

Com muita inveja, os demais Vereadores do PA (Partido das Araras) e PT (Partido dos Tatus), alegaram que ele era analfabeto e entraram com processo para impedir a sua posse.

No fim não deu em nada, ele era analfabeto funcional(*) e por que naquele país, que era igual aos outros, só mandava quem tinha dinheiro e agora o Palhinha estava muito bem assessorado e com muita grana no bolso.

MORAL: É melhor ser pobre e inteligente do que rico e burro.

Manoel Amaral

(*) analfabeto funcional: toda pessoa que sabe escrever seu próprio nome, lê e escreve frases simples e efetua cálculos básicos.

Imagem: Banco Google