OSVANDIR & O DIA EM QUE A INTERNET ACABOU IV

Capítulo IV

A VOLTA

“E tudo voltou como d’antes no castelo de Abrantes”
(Sábio Velhinho de Jerico)

O povo em polvorosa, gritando:
__ A energia elétrica chegou! Os rádios e TVs estão funcionando!
__ Mas o que estão falando sobre a estranha luz, perguntou Osvandir.
__ Nada ainda, respondeu Jeq.

A TV da sala da casa do Prefeito e a do bar da praça, estavam funcionando. Ora vinha a imagem de um militar, ora de um homem parecido com o Presidente.

A viagem do Osvandir foi adiada até segunda ordem. Precisava saber mais alguma coisa.

Foi com Jeq até a sua sala de trabalho e tentaram ligar o computador.
Só aparecia uma tela vazia e sem cor. Internet não estava conseguindo acessar.

Quando eles conversavam uma imagem apareceu na tela, que não parava de girar. Algumas letras foram completando o texto:

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A página não pode ser exibida
A página que você procura não está disponível no momento.
Talvez o site esteja passando por dificuldades técnicas ou você precise ajustar as configurações do navegador.

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Que navegador? Não tinha nenhum para usar. Mas qualquer coisa já estava começando a funcionar.

Os nerds de garagem já estavam bolando planos para novos programas.
Google não existia mais, nem yahoo, muito menos UOL e Gmail. Funcionava muito mal um tal de Yagoo…

Os programas do Bil Gates foram para o beleléu… Uma vantagem grande foi que os vírus desapareceram.

Alguns joguinhos, simplezinhos, já estavam funcionando.

Os nossos arquivos foram todos deletados. Alguns processadores de textos foram entregues ao público gratuitamente.

Só os Militares estavam usando a internet fluentemente. O povão dependia das Companhias de Telefonia, Satélites, um inferno sem fim…

Um grupo de programadores estava trabalhando rápido para colocar à disposição do povo uma série de programas.

Um buscador já funcionava a todo vapor: Busk. Um navegador também começava a dar as caras: Jangada. O melhor processador de textos até o momento era o ÁgilStar. Neste campo de programação, os brasileiros estavam levando a melhor. Novos programas de e-mail: Carta e Recado.

Os blogs começaram a surgir, assim meio acanhados e os principais provedores de blogs eram: Valentepress, AsilBR. Todos os domínios passaram a ter números, ao invés de ponto com. O do Brasil era 666.

Os computadores estavam muito valorizados, porque a maioria foram abandonados e inutilizados. Senhor José, dono de grandes galpões de peças velhas de informática estava faturando bastante.

Foi aí que a China começou a vender aquelas porcarias bem baratinhas que todo mundo podia comprar. Os parentes de Bill Gates lançaram no mercado o Windows 3.0, limpinho, sem aquelas bobagens que pareciam árvore de natal, com presentinho dependurado por todo lado. Só processador de texto, mais nada. Pagava-se apenas uma pequena taxa de uso. O mercado reagiu, eles ficaram bilionários novamente.

As empresas fabricantes de anti-vírus, colocaram maliciosamente no meio, os seus vírus. O comércio eletrônico voltou a funcionar normalmente. Só o povo que estava um pouco atrasado com os assuntos da área.

O barateamento do CPU garantiu a aquisição de PC por muitas pessoas, o caminho seguido desde o ano de 2011 era o de simplificação.

Todos os programas eram “baixados” apenas para uso pessoal. Ninguém precisava mais comprar qualquer tipo de software. Estavam todos disponíveis na internet. Isto significa que os computadores eram usados apenas para a conexão. Ninguém precisava fazer dowload e nem comprar aquelas placas caríssimas.

Filmes? Vídeos? Fotos? Livros? Música? Estava tudo lá, bem guardadinho, como se você fosse procurar na locadora ou biblioteca.

A TV, o PC e o DVD finalmente estavam unidos num só aparelho.

Grandes espaços eram reservados na rede para os arquivos, cerca de 15 giga por pessoa física, para guardar o que quisesse, sem custo algum. Só as pessoas jurídicas pagavam um preço mensal.

Os Celulares começaram a gritar por todo canto e o petróleo do pré-sal, esquecido nas profundezas, voltou a jorrar e este país a funcionar. Funcionar?

“E tudo voltou como d’antes no castelo de Abrantes!”

Manoel Amaral

Leia mais Osvandir em: http://www.textolivre.com.br/component/comprofiler/userprofile/Manoel

OSVANDIR E OSVALDIR NO RIO

Capítulo I
COPACABANA PALACE

Ainda rememorando as aventuras por que passou no meio da floresta Amazonas, com o dicionário de Topônimos Brasileiros de Origem Tupi, de Luiz Caldas Tibiriçá na mão, onde lia algumas palavras mais pronunciadas naquela região, veio-lhe na mente alinda imagem de Caá-Potyra, a “Flor do Mato”, morena de olhos azuis, com aquela meiguice de índia ainda não aculturada.

O avião moveu-se para cima e depois para baixo, qualquer coisa não ia bem. Uma fumaça saía de um lado da asa direita. Passageiros em polvorosa. As máscaras de gazes caíram, dando a impressão que a coisa era mesmo grava. Mas já estávamos próximo ao aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro.

Naquela segunda-feira, uma névoa intensa cobria a região, não se avistava ninguém, nem nada, a partir de uns 50 metros de distância.

Ao apanhar as malas notou um motorista de táxi de bigode fino, olhos castanhos, magro, de uns 30 anos, nem bonito nem feio, aquele tipo de pessoa que qualquer um pode reconhecer na rua. Ali estava OSVALDIR, motorista de táxi, típico carioca, com aquele linguajar característico, soltando o “s”, contador de histórias.
__ Olha só quem eu encontro no Rio, falou Osvandir.
__ Sim Senhor, para onde vai?
__ Para Copacabana.
__ Vou levar o Senhor para um bom hotel, pode deixar.

No trajeto, Osvaldir começou a contar uma história, mas Osvandir estava com sono e não ouvia muita coisa. O motorista aproveitou-se para dar umas voltas, enquanto o velocímetro rodava, rodava e os valores iam subindo. A corrida teve seu preço triplicado.

Ele pegou a Via Perimetral, virou na Av. Presidente Vargas, passou pela Praça da República, virou a esquerda e já estava saindo do centro.

Uma parada acordou Osvandir, um barulho de metralhadora pipocou no ar. Eram as quadrilhas em constante luta pela posição de comando nas favelas. Estávamos atravessando a Favela Dona Marta.
__ Já estamos quase chegando doutor, pode ficar tranqüilo.

Agora sim, ele contornara uma rua estreita, naquela escuridão e voltara para o local indicado: Copacabana.

Passou pelo túnel André Rebouças seguiu direto beira mar, pegando a Av. Atlântica e algumas quadras depois deixou Osvandir no Copacabana a, aquele lindo hotel que os chineses estão tentando construir uma réplica lá em Pequim.
__ Osvaldir, quando foi inaugurado o Copacabana Palace?
__ Em setembro de 1923, considerado o mais suntuoso edifício do gênero que possui a América do Sul e um dos mais lindos do mundo.O hotel tornou-se um ponto de convergência da alta sociedade carioca e turistas do mundo inteiro. Tenho trazido para cá pessoas dos EUA, França, Alemanha, Rússia, são tantas que nem lembro mais.

Ao descer do veículo Osvandir dirigiu-se a portaria do hotel para confirmar sua reserva.

__ Apartamento Luxo Clássico, com vista para a praia de Copacabana e sala de estar. Falou o atendente.
__ “Rio, Cidade Maravilhosa”. Temos atrações incríveis como museus, igrejas e prédios históricos e com suas belezas naturais como o Pão de Açúcar, o Corcovado, o Jardim Botânico e o Parque Lage o Rio é uma cidade incomparável! O carregador de malas não cansava de explicar.

Osvandir cansado, dirigiu-se ao apartamento para uma soneca.
Uma hora depois desceu para o café da manhã no Restaurante Pérgula, próximo à piscina.

Naquele primeiro dia iria visitar o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, na parte da manhã.
Ligou para o Osvaldir, o celular não atendia. Aguardou alguns instantes e tornou a ligar.
__ Alô, é o Osvaldir? Aqui é o Osvandir, lembra-se, de ontem, quando você levou-me até o Copacabana Palace Hotel.
__ Onde você está?
__ Estou na portaria do Hotel.

Meia hora depois chegou o motorista de táxi, apavorado, dizendo que tinha sido assaltado pela terceira vez neste mês.

Explicou onde queria ir e seguiram rápido, primeiro para o Cristo Redentor, aquela estátua maravilhosa de onde pode avistar-se grande parte da cidade maravilhosa. Várias pessoas e paises diferentes estavam ali aos pés de uma das maravilhas do mundo.

Seguindo para o Pão de Açúcar, uma pequena parada para tomar água de coco e devorar aquele churrasquinho de camarão.

__ Osvandir, o bondinho do Pão de Açúcar é considerado um dos mais seguros do mundo. As atuais linhas são dotadas de dispositivos de segurança, com alarme em todos os pontos. O percurso é todo programado e controlado por equipamento eletrônico.
__ Sei disso Osvaldir, são três estações – a da Praia Vermelha, Morro da Urca e Pão de Açúcar – interligadas por quatro bondinhos.
__ Você vai subir comigo?
__ Não! Tenho medo de altura!

Enquanto nosso amigo subiu da Urca até o Pão de Açúcar o Osvaldir ficou por ali, batendo papo com turista e se metendo em confusão.

Do bondinho podia-se ver a Praia Vermelha e adjacências.

De volta para o hotel, Osvandir resolveu ler os jornais do dia.
Pegou o Estadão e a primeira manchete que viu foi a seguinte:

Globo pode encerrar programa “Faça Sua História”

A seguir tecia uns comentários sobre a audiência do programa que não ia bem, não atingindo nem 20 pontos no Ibope.

Faça Sua História” é o programa do taxista Osvaldir, estreado em 06 de abril de 2008, na Rede Globo de Televisão.

(Continua)Manoel