O BRASILEIRO É SEM EDUCAÇÃO

O BRASILEIRO É SEM EDUCAÇÃO

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Imagem Google

O copo de plástico, como é visto hoje, foi concebido na década de 30 (1930), mas como naquela época a moda demorava muito a chegar por aqui, só pelos anos 60 que virou uma praga, aonde a gente ia, encontrava um.

Naquela época tudo era diferente de hoje, não vamos ser chato, dizer que tudo era melhor, não era. Tinha muitas coisas ruins também.

Mas pelo menos quando a gente saia de uma festa, poderíamos observar que tudo estava em ordem, nenhum copo no chão, nem líquidos derramados nas mesas.

Já tinha o rock, o iê, iê, iê; o memorável conjunto The Beatles e outros de músicas de ritmos acelerados, mas nem por isso saíamos por aí quebrando as coisas e nem tacando fogo nas lixeiras e quebrando as placas nas ruas depois dos bailes.

A hora que a gente chegava em casa era exatamente a hora que hoje os jovens estão saindo para as festas.

O mais popular era o copo americano, de vidro, com 200 ml. Agente bebia, mas não derramava, comia mas não empanturrava de salgadinhos e docinhos.

Hoje ao acompanharmos nossos netos a uma festinha de aniversário já notamos uma grande diferença de nosso tempo.

Antes mesmo de cantar o famoso parabéns, já tem copos plásticos esparramados pelo chão, garrafas pet tombadas nas mesas, papéis e pedaços de coxinhas, empadinhas e cajuzinhos pelo chão. Crianças correndo por todo lado, trepando nas mesas, fazendo xixi na maior tranquilidade fora do banheiro.

A coisa mais chata que acho é a fúria com que as crianças atacam os balões mesmo antes de terminar a festa. Não podem sobrar nenhum, todos devem ser explodidos.

Passando pela rua vemos a educação do brasileiro de hoje, com pequena ressalva para alguns, a lixeira está mesmo ali e tudo você pode encontrar pelo chão: toco de cigarros, papéis de balas, chicletes e picolés. Restos de sorvete e os abomináveis copos plásticos, agora maiores. O dobro dos antigos copos de 200 ml? Não, o triplo. Ou um pouquinho a mais: 700 ml.

E como eles estão espalhados pela rua, calçadas e praças. No meio das flores, gramas e escondidos atrás das grandes árvores. Os sacos de lixo das lanchonetes ou sorveterias já não comportam tanta sujeira, tanta falta de educação.

Sei que muitos vão dizer: —Mas não vamos generalizar! Tem muito jovem bem educado. Joga lixo na lixeira.

Joga, mas são tantos copos (de 700 ml) que a lixeira não suporta e nem os sacos plásticos.

Produzimos lixo em excesso, somos verdadeiros homens de plástico. Tudo, tudo, agora é feito de plástico. Quem imaginaria um relógio feito de plástico?
E as garrafas pet para refrigerantes? Começaram com os tímidos 900 ml, passaram logo para 1.500 ml e agora já encontramos de 3.500 ml e brevemente já estaremos nos 5.000 ml ou 5 litros. Todos estão bebendo demais, alargando o estômago.

Estava eu numa mesa de um bar, saboreando alguns pastéis assados, quando notei três jovens assentando-se na mesa ao lado. Pediram qualquer coisa para beber. O calor estava insuportável. Mandaram vir uma Coca Cola de 3.500 ml. Aí pensei: — Quase 1.200 ml para cada um, se tomarem tudo. É muita coisa, vão alargar o estômago demais, por causa de uma bebida tão viciante como essa.

E não é que não largaram nem uma gotinha na garrafa? Não sobrou nada para uma abelhinha que estava voando por ali. Iam para aula com a barriga naquela situação, ainda mais com aquele produto que tem muitos ingredientes na receita que até hoje ninguém sabe exatamente o que é. A sua fórmula continua sendo um dos grandes segredos industriais da atualidade.

O mesmo acontece com as pipocas nos cinemas. Fico até com vergonha de dizer, naquele tempo a gente pegava um saquinho de pipoca que cabia na palma da mão. Hoje os meninos que não estão nem andando ainda já entram com embalagem do seu tamanho. Grande mesmo nunca vi coisa igual, para que tudo isso?

Mas estamos na era do exagero, vejam só o tamanho dos sanduiches que vão pelo mesmo caminho das bebidas. Para que tanta ganância de ganhar e os outros de comer?

“Nos Estados Unidos existem 4 milhões de pessoas com obesidade mórbida, e no Brasil existe mais de 1 milhão. Em cada 10 brasileiros 4 estão acima do peso.” Vou por umas aspas aqui e informar que não sou eu que estou afirmando isso. São médicos, hospitais e serviços de saúde do país. E o pior: morrem 80.000 obesos por ano.

As crianças, desde cedo são estimuladas a ficar em casa, comendo bolacha, vendo TV, no computador ou jogando videogame, com uma vida sedentária.
Já prestaram a atenção nas barrigas? Estão cada vez maiores. Cerveja nos adultos e refri nas crianças. Não estão almoçando e jantando, estão “tomando todas”, como gosta de dizer um vizinho.

Acho até melhor parar por aqui, o assunto vai desdobrando-se, de uma coisa pulamos para outra, vai rendendo e para internet mais de duas páginas já é muito grande…

Manoel Amaral
http://osvandir.blogspot.com

O Soldadinho de Plástico

“Como os tempos mudaram, nem existe mais brinquedos de chumbo.”
Osair, tio do Osvandir

Naqueles tempos, onde não tinha apagão e nem Ministro Lobão, um velho General, grande herói de guerra, resolveu fazer 25 soldadinhos, com espingardas ao ombro, todos de sucata de garrafa pet, para dar de presente ao seu netinho.

O aniversariante abriu a caixa de presente e foi colocando-os enfileiradinhos. Eram quase todos idênticos, um deles tinha apenas uma perna, porque o plástico acabou e não deu para completar o bonequinho, mas isso não impedia que ele ficasse em pé junto aos outros.

Ali naquela sala tinham vários brinquedos caros, da indústria nacional e outros bem baratinhos vindos da nação vizinha.

Mas o que mais chamava a atenção do soldadinho de plástico era uma bela garotinha, que estava à porta de um castelo de papelão com um lindo vestido de bailarina, de tecido de TNT e um xale cheio de pedrinhas brilhantes de biju.

Ela tinha os braços e uma perna levantados e ficava a dançar ao som de uma música eletrônica; o soldadinho de plástico mal conseguia parar em pé, mas nem lembrava que só tinha uma perna de tanta emoção.

Morador de uma caixa de tênis, o seu batalhão, vivia marchando prá lá e pra cá.

Em noite de lua cheia, quando não havia queimadas, nem outras fumaças no ar, fazia chorosas serenatas para sua amada.

No meio da festa apareciam juntinhos e ele sempre olhando para aquele belo rostinho.

De outra velha caixa de sapatos surgiu um ser estranho, que foi confundido com o Saci Pererê, mas este tinha as duas pernas. Ele ficou nervoso e gritou com o soldadinho de plástico:
― Pode largar a minha bailarina!

O Soldadinho nem deu atenção, só ficou agarrado à linda mocinha.
Aí o feioso personagem gritou com mais força ainda:
― Depois da meia-noite você vai ver! As coisas vão ficar pretas!

Quando chegou meia noite o velho relógio de parede da mansão bateu: dim, dom; dim, dom.

Depois da última badalada tudo escureceu! Apenas uma luz de um raio no céu e o barulho do trovão.

O soldadinho foi atirado na rua e aquela chuva forte provocou uma enorme enxurrada que tudo levou. Grande quantidade de terra e pedras desceram das encostas. E o pequeno soldado de plástico seguia acompanhando as águas. Deu sorte, pois no meio do rodamoinho havia um bueiro, aí ele conseguiu voltar ao ponto de onde caíra.

Foi resgatado por seus amigos do batalhão, olhou para um lado e para o outro e vislumbrou aquela menininha linda que chorava num cantinho.

De repente uma das crianças jogou o soldadinho na lareira e ele sentiu um calor envolvendo o seu corpo. Achou até que seria o imenso amor que sentia pela bailarina. Conseguiu, ainda, dar uma última olhada para sua amada. Ela retribuiu, atirando o seu xale, o que piorou a situação, o fogo aumentou. Um vento forte que vinha da janela da sala e sem que ninguém soubesse como, levou a bailarina para a lareira.

Uma luz azulada foi vista pelas crianças lá pelos lados da fogueira. Dos dois só sobraram algumas pecinhas de biju da bailarina e um pedacinho de plástico do soldadinho.

Manoel Amaral