O VELHO, O MENINO, O BURRO E A PREVIDÊNCIA

O VELHO, O MENINO, O BURRO E A PREVIDÊNCIA

Um Velho foi à cidade para requerer a sua aposentadoria. Levou o seu neto e um velho burro.

O neto disse ao vovô para que subisse no animal e ele iria a pé.

Ao passarem no primeiro povoado uma senhora nervosa disse ao velho que iria denunciá-lo aos Direitos Humanos, por deixar uma criança caminhando enquanto ficava montado no animal.

Pois bem disse o velho, suba aqui com o Vovô e vamos seguir em frente.
Chegando a segunda Vila o povo começou a gritar:

–Desalmados, não vêm que o pobre animal não consegue nem ficar de pé? Vamos denunciá-los a Polícia e aos Direitos dos Animais.

Só restou então aos dois descerem do animal e seguirem em frente.

Quando passaram a curva e subiram um morro avistaram a cidade.

Foram chegando e o povo gritando: –Cambada de idiotas, andam a pé e deixam este animal fogoso sem carregar nada.

O velho ficou muito contrariado, continuou seguindo para a Agência do INSS e deu entrada na papelada que pegou no Sindicato Rural.

O rapaz que o atendeu franziu a cara e disse: –Falta ainda 20 anos para conseguir a aposentadoria.

O velho saiu enfurecido daquele prédio e vendeu o burro por um bom preço.

Na volta encontrou as mesmas pessoas e a cada uma disse que vendeu o animal para não servir de gozação de ninguém. E explodiu:

–Aposentadoria só daqui a vinte anos é a PQP.

Manoel Amaral

BANDIDOS MODERNOS

BANDIDOS MODERNOS


Mais um banco foi explodido, R$50 milhões foram levados. Essas notícias nem repercutem mais. Os Bandidos usam as armas, os carros, as motos e até aviões modernos.


Enquanto a polícia não tem condições de enfrentá-los. Falta tudo: gasolina, pneus, carros novos e armamento. Elementos bons eles têm, mas o Governo não supre as suas necessidades.

Todos os dias, vemos novos assaltos a bancos em cidades pequenas, os bandidos levam todo o dinheiro e fica tudo por isso mesmo.

Fizeram até uma imitação do grande assalto ao Banco Central de Fortaleza, há alguns anos, quando levaram mais de 140 milhões. Eles alugaram uma casa velha anexa ao banco e num feriado derrubaram uma parede da agência e carregaram tudo que tinha lá dentro.

Num outro caso usaram até uma pá carregadeira para destruir a entrada do estabelecimento bancário. Em todos os casos tudo foi muito bem planejado: polícia imobilizada, população assustada. Explosão de madrugada e o dinheiro some no ar. Se recuperam alguma coisa, não passa de 10% do total, isso quando a importância é revelada.

As estratégias são as mesmas: rodovias desimpedidas para fuga, carros dando todo apoio. Atiram para todo lado para intimidar o povo. Fazem barreiras com carretas ou outros obstáculos que ninguém pode ultrapassar.

Num desses casos, em cidade pequena, tiveram a audácia de quebrar os cadeados e colocando novos impedindo a polícia de sair com as viaturas para perseguição. Sem contar os pregos “miguelitos” que são sempre usados.

Em casos mais difíceis entram por estradas de terra e a seguir por rodovias asfaltadas.

Explodem carros-fortes com a maior facilidade. Levam tudo e até cofres inteiros.
Costumam sequestrar pessoas para garantia de fuga segura e depois as abandona em postos de gasolina ou mesmo no meio do caminho.

Eles agem com esperteza e rapidez não dando tempo para ninguém revidar.

Suas quadrilhas são grandes e cada setor trabalha na sua área, ignorando o serviço do outro, mas tudo muito bem controlado.

São assim os bandidos modernos.

Manoel Amaral
http://www.casadosmunicipios.com.br/blog/

ROMANCE NA INTERNET TERMINA EM MORTE

ROMANCE NA INTERNET TERMINA EM MORTE
“Bandido bom é aquele que ainda não nasceu.
(Comentarista da notícia)

 

Numa escola com atendimento especializado, Pré-escola, Ensino Fundamental, Ensino Médio em Ituiutaba/MG, Bairro Setor Sul,  no Pontal do Triângulo, na tarde desta terça-feira, 22 de julho, tudo tranquilo.

Mil alunos circulavam no intervalo, uma conversa aqui, uma briguinha ali, um namorico acolá, tudo coisa normal.

Um jovem pulou o muro, num local com pouco movimento, penetrou naquele ambiente estudantil.

Não era aluno da instituição, morava na cidade de Capinópolis, próximo dali a uns 40 km.

Portava um facão, mas ninguém percebeu, cada aluno aproveitava os últimos momentos do intervalo para conversar com os colegas como sempre acontecia.

Aproximou-se de uma garota de 13 anos que ali se encontrava em conversa com algumas amigas.

Sacou a arma branca da mochila e foi logo arrastando-a para um refeitório, local isolado dos outros alunos.

Ameaçava cortar-lhe o pescoço, a razão ninguém ficou sabendo direito.
Os outros alunos observavam a cena em pânico.

Alguém foi até a Diretoria e avisou que tinha um jovem querendo matar uma menina na escola.

A polícia foi acionada, tentou negociar, fez de tudo para que ele largasse a arma.

Ele acabou ferindo um dedo da menina.

Não sendo possível, policiais tentaram segurar o facão com as mãos.

Um tiro certeiro se ouviu e um corpo caiu no chão, tentaram socorrê-lo, mas o rapaz não resistiu aos ferimentos na cabeça e faleceu.

A vítima foi encaminhada ao Pronto Socorro Municipal com um ferimento leve e passa bem.

Pela carteira de identidade ficaram sabendo que o agressor tinha 17 anos.

Eles se conheceram pela internet.

Manoel Amaral
www.afadinha.com.br

O LADRÃO ATRAPALHADO

O LADRÃO ATRAPALHADO

Imagem Google

Um ladrão Zé Mané, novo ainda, sem prática nenhuma, mas querendo assaltar a qualquer custo, saiu entrando e saindo do comércio local, com grana no bolso.

Mas o negócio estava tão frequente que os donos desconfiaram do idiota do ladrão e resolveram dar-lhe o troco.

Numa manhã ele entrou numa padaria e quando disse:
–É um assalto, passe a grana – a menina do caixa gritou e logo apareceram uns rapazes e desceram o pau no dito cujo.

Escaldado da primeira tentativa do dia resolveu partir para outra.
Desta vez entrou num comércio menor e aproveitou que quem estava no balcão era uma mocinha e sozinha.

Disse que queria dinheiro, com a cara coberta pela metade, pela sua blusa e achou que assustou. Que nada, a moça partiu para cima dele,  gritou pelas pessoas que passavam por ali e ele apanhou de novo.

Outro dia ele foi parar no hospital por tentativas frustradas de assaltos a pequenos comerciantes.

Mas lá no centro ele se deu mal, na primeira loja que entrou o gerente já sabia da sua existência,  chamou todos os empregados e o prenderam no banheiro. Chamaram a polícia, mas logo foi solto e continuou com a sua peregrinação de desastres.

Mas não parou por aí e disse:
–Oba, oba! Já sei, vou para o primeiro posto de gasolina que encontrar.

Arrumou um pedaço de galho seco e lá se foi atrás do dinheiro para comprar drogas. O viciado precisa sempre de grana para manter o seu vício, o traficante não vende fiado. Quando vende acaba matando o cliente por falta de pagamento.

Bom, o assaltante atrapalhado não acertava uma. Era mesmo um azarado. Assim que se aproximou do Posto Xexéu levou um susto. Havia policiais por todo lado. Correu e se escondeu num matinho de dum lote vago.

Os policiais acabaram de pegar  outro seu colega que assaltava de moto, muito mais prático.

Então ele resolveu inovar. Arrumou (roubou) uma bicicleta antiga, daquelas sem nenhum recurso, com uma catraca velha.

Fez um pequeno assalto com bom resultado, conseguiu arrumar uma graninha.
Mas como sempre ele “não dava uma dentro”, caiu na bobagem de assaltar o Supermercado PP (Pague Pouco).

Quando ele olhou estava cercado pelos empregados, tentou ainda safar-se montando na velha bicicleta, sem fôlego, não conseguiu chegar nem na esquina.

Foi amarrado  num poste com bicicleta e tudo até a polícia chegar. Desta vez foi preso e pode até ser solto no final da semana.

Enquanto isso os comerciantes tem folga deste “di Menor”.
Manoel Amaral

O MEDO



 “A diferença entre a polícia e o bandido é que o crime paga melhor.”  Ediel
Medo, medo de tudo, de viajar, trabalhar, abrir o portão da garagem.
Temos que fazer diversos trajetos ao sair de casa, tomar cuidado com o celular, o tablet ou o dinheiro no bolso, coisas que desaparecem num abrir e fechar de olhos.
Bandido hoje é mais equipado do que a polícia. Tem mais dinheiro que todo mundo. Pode pintar e bordar que não vai preso. Já nós, só bordar…
Em Aparecida do Norte, estando na rua fique com a mão no bolso por que lá o dinheiro desaparece como por encanto. Não é só lá em toda cidade grande e agora também nas pequenas. Não temos salvação, só mesmo jogando uma bomba atômica no país e depois começar tudo de novo.
Lembrei até de um filme, mas não o nome, onde quando encerra a guerra numa periferia de um grande centro, matando todos os líderes, uma criança de uns dez anos aparece e levanta um fuzil.
Significa que a guerra nunca vai acabar.
Estamos no fim do fim? Parece que sim, tem de tudo atualmente: muita liberdade, governo desgovernado, povo desesperado, bandido no comando e terminar não sabem quando.
As chuvas não vêm quando precisamos, quando vem saem arrasando tudo. A seca já atinge locais nunca dantes atingidos. Rios estão secando, geleiras derretendo, temperatura só aumentando. Terremotos, maremotos, tufões, vulcões, tsunamis cada dia aumentam mais, é o efeito dominó.
E o lixo só diversificando. O mar está todo poluído, os rios nem se fala, os córregos estão cinza-escuro. As nascentes estão secando.
A coisa está preta, pior que preta: pretíssima! O homem, principal responsável por isto tudo, continua poluindo cada vez mais.
E o país onde tem a maior reserva de água doce do mundo, está com falta d’água em vários locais.
São Paulo, a maior cidade da América Latrina, está pedindo água.
E aviões sumindo, navios afundando, carros batendo, trens descarrilhando e o ser humano desintegrando.
O povo está ficando cansado de esperar por liberdade e segurança, ensino e saúde, paz sem guerra e nada de bom vislumbra no horizonte.
O homem não pode nem exercer o seu sagrado direito de defesa que vão logo esquartejando e separando-lhe a cabeça.
A vida é dura, cruel, difícil de acreditar. O real ultrapassa a ficção.
É o produto ruim do homem, homem que devora o homem.
Manoel Amaral

www.casadosmunicipios.com.br

OSVANDIR E AGOSTINHO NO RIO II – FINAL

Capítulo II

O CAVEIRÃO

“A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano”
(Papa João Paulo II)

Tudo parecia tranquilo naquela manhã de quinta-feira, Osvandir acabava de chegar de mais um passeio turístico pelas praias de Copacabana.
Tomara banho e seguira para o restaurante do hotel para almoçar.
Quando estava saboreando o último gole do vinho francês Chateauneff que estava sobre a mesa, o seu celular tocou. Era a Bebel, mulher do Agostinho, solicitando ajuda. Alguém iria passar no Hotel para apanhar Osvandir e levá-lo até o local.

Naquela apreensão sem saber o que seria, Osvandir ficou lendo uma revista Época, ou melhor, olhando as figuras. Mulheres lindas desfilavam na calçada de Copacabana. Um friozinho vinha do mar e assolava a todos.
Um carro parou na entrada do hotel, o coração de Osvandir começou a bater mais forte, mas acalmou-se logo após, quando notou uma bela mulher loura, descer do veículo.

Era a acompanhante que iria levá-lo até onde estaria o seu novo amigo Agostinho. O motorista, meio suspeito, portava uma estranha barba ruiva e um longo bigode a atravessar-lhe o rosto. Um chapéu panamá encobria-lhe parte da cabeça. Os óculos escuros de aro largo, cobria todo seus olhos. Tinha mais ou menos uns 35 anos. Falava pouco e media as palavras.

Um mistério rondava o ar, o que seria que estava para acontecer? Agostinho estaria em perigo de vida? Fora assaltado mais uma vez?

Torturado por estes pensamentos começou logo a conversar com a passageira, sua acompanhante.

― O que foi que aconteceu? Mais um assalto?
― Não! Não! Você vai ficar sabendo logo que chegarmos a Favela da Rocinha.
Um barulho, já seu conhecido, fez-se ouvir lá nos morros. Era uma metralhadora, cuspindo fogo em algum lugar.

Num balanço do veículo, Osvandir pode notar uma arma na cintura do motorista. Parecia uma Pistola Taurus PT 92, para 12 tiros. O medo foi tomando conta do nosso aventureiro.

Rio de Janeiro não era brincadeira não. Uma autoridade paralela governava o Estado. Estava escrito no rosto daquele motorista.

Os Grupos de Elite, das favelas possuem armas muito mais pesadas e mais possantes que as armas dos policiais. Tem até um  Fuzil HK G3 – de calibre 7.62×51 mm atira 600 tiros por minuto e suas balas percorrem mil metros em um segundo. Olha só o absurdo, 600 tiros por minuto. É bala que não acaba mais. Por esta razão que existe tantas mortes por bala perdida. Não são perdidas, saem desta arma; quando os atiradores, bêbados ou drogados, saem atirando a esmo.

Dava para perceber que se aproximavam do local, devido a barulhada de balas cruzando no espaço. A Favela da Rocinha é a maior da América Latina, tem 150.000 habitantes, que na maioria é gente simples, honestas, que trabalha para ganhar o seu suado pão de cada dia. Tem de tudo, é uma cidade dentro da cidade. Tem até governo próprio. Os traficantes dominam maior parte do local, com seus possantes AK-47 que é  a arma mais usadas por eles, em São Paulo e Rio de Janeiro.

Desceram num local nada recomendável, havia um barracão lá no fundo, com telhas de amianto e uma pequena varanda na frente. Estava ainda por terminar, as paredes de tijolos velhos, sem reboque.

Osvandir ficou com um pé atrás, com a pulga atrás da orelha. Qualquer coisa não ia bem. Os homens estavam nervosos, correndo para um beco bem estreito e escuro. Vários tiros foram ouvidos ali por perto, anunciavam qualquer coisa.

A mulher agachou-se atrás de uns velhos tambores de óleo. O motorista sacou a arma e atirou para os lados do beco. O clima estava quente. Os sequestradores perderam o homem da TV Globo. Agostinho havia fugido do cativeiro. Não havia nada que negociar. Osvandir também arrumou um jeito de escapar daqueles dois.

Enquanto o Caveirão, carro especial da Polícia, roncava lá em baixo e um confronto era montado, as pessoas fugindo do local. O comércio cerrava as portas. Tudo parecia um clima de guerra. Quem não está acostumado com aquilo, fica muito assustado.
Foi aí, que por um milagre, apareceu no começo da rua, um táxi. 

Osvandir deu sinal e ele foi parar mais embaixo. Entrou apressadamente e mandou e que seguisse para o Hotel Copacabana Palace:

― Vá direto, não faça nenhuma parada, pago o dobro da corrida!
         ― Sim Doutor! Disse o taxista.

        Quando já refeito do susto, saboreando um copo de água mineral, Osvandir ficou sabendo pela TV que havia um confronto na Favela pelo desaparecimento de Agostinho da TV Globo, do cativeiro.

        Os repórteres informavam que ninguém sabia de mais detalhes…

FIM

Manoel Amaral
www.casadosmunicipios.com.br

NOTA DO AUTOR: Este texto foi enviado, graciosamente, para Rede Globo para compor algum capítulo da Série “A Grande Família”, em resposta o autor recebeu o seguinte e-mail: 

Manoel Amaral

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