OSVANDIR E AGOSTINHO NO RIO II – FINAL

Capítulo II

O CAVEIRÃO

“A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano”
(Papa João Paulo II)

Tudo parecia tranquilo naquela manhã de quinta-feira, Osvandir acabava de chegar de mais um passeio turístico pelas praias de Copacabana.
Tomara banho e seguira para o restaurante do hotel para almoçar.
Quando estava saboreando o último gole do vinho francês Chateauneff que estava sobre a mesa, o seu celular tocou. Era a Bebel, mulher do Agostinho, solicitando ajuda. Alguém iria passar no Hotel para apanhar Osvandir e levá-lo até o local.

Naquela apreensão sem saber o que seria, Osvandir ficou lendo uma revista Época, ou melhor, olhando as figuras. Mulheres lindas desfilavam na calçada de Copacabana. Um friozinho vinha do mar e assolava a todos.
Um carro parou na entrada do hotel, o coração de Osvandir começou a bater mais forte, mas acalmou-se logo após, quando notou uma bela mulher loura, descer do veículo.

Era a acompanhante que iria levá-lo até onde estaria o seu novo amigo Agostinho. O motorista, meio suspeito, portava uma estranha barba ruiva e um longo bigode a atravessar-lhe o rosto. Um chapéu panamá encobria-lhe parte da cabeça. Os óculos escuros de aro largo, cobria todo seus olhos. Tinha mais ou menos uns 35 anos. Falava pouco e media as palavras.

Um mistério rondava o ar, o que seria que estava para acontecer? Agostinho estaria em perigo de vida? Fora assaltado mais uma vez?

Torturado por estes pensamentos começou logo a conversar com a passageira, sua acompanhante.

― O que foi que aconteceu? Mais um assalto?
― Não! Não! Você vai ficar sabendo logo que chegarmos a Favela da Rocinha.
Um barulho, já seu conhecido, fez-se ouvir lá nos morros. Era uma metralhadora, cuspindo fogo em algum lugar.

Num balanço do veículo, Osvandir pode notar uma arma na cintura do motorista. Parecia uma Pistola Taurus PT 92, para 12 tiros. O medo foi tomando conta do nosso aventureiro.

Rio de Janeiro não era brincadeira não. Uma autoridade paralela governava o Estado. Estava escrito no rosto daquele motorista.

Os Grupos de Elite, das favelas possuem armas muito mais pesadas e mais possantes que as armas dos policiais. Tem até um  Fuzil HK G3 – de calibre 7.62×51 mm atira 600 tiros por minuto e suas balas percorrem mil metros em um segundo. Olha só o absurdo, 600 tiros por minuto. É bala que não acaba mais. Por esta razão que existe tantas mortes por bala perdida. Não são perdidas, saem desta arma; quando os atiradores, bêbados ou drogados, saem atirando a esmo.

Dava para perceber que se aproximavam do local, devido a barulhada de balas cruzando no espaço. A Favela da Rocinha é a maior da América Latina, tem 150.000 habitantes, que na maioria é gente simples, honestas, que trabalha para ganhar o seu suado pão de cada dia. Tem de tudo, é uma cidade dentro da cidade. Tem até governo próprio. Os traficantes dominam maior parte do local, com seus possantes AK-47 que é  a arma mais usadas por eles, em São Paulo e Rio de Janeiro.

Desceram num local nada recomendável, havia um barracão lá no fundo, com telhas de amianto e uma pequena varanda na frente. Estava ainda por terminar, as paredes de tijolos velhos, sem reboque.

Osvandir ficou com um pé atrás, com a pulga atrás da orelha. Qualquer coisa não ia bem. Os homens estavam nervosos, correndo para um beco bem estreito e escuro. Vários tiros foram ouvidos ali por perto, anunciavam qualquer coisa.

A mulher agachou-se atrás de uns velhos tambores de óleo. O motorista sacou a arma e atirou para os lados do beco. O clima estava quente. Os sequestradores perderam o homem da TV Globo. Agostinho havia fugido do cativeiro. Não havia nada que negociar. Osvandir também arrumou um jeito de escapar daqueles dois.

Enquanto o Caveirão, carro especial da Polícia, roncava lá em baixo e um confronto era montado, as pessoas fugindo do local. O comércio cerrava as portas. Tudo parecia um clima de guerra. Quem não está acostumado com aquilo, fica muito assustado.
Foi aí, que por um milagre, apareceu no começo da rua, um táxi. 

Osvandir deu sinal e ele foi parar mais embaixo. Entrou apressadamente e mandou e que seguisse para o Hotel Copacabana Palace:

― Vá direto, não faça nenhuma parada, pago o dobro da corrida!
         ― Sim Doutor! Disse o taxista.

        Quando já refeito do susto, saboreando um copo de água mineral, Osvandir ficou sabendo pela TV que havia um confronto na Favela pelo desaparecimento de Agostinho da TV Globo, do cativeiro.

        Os repórteres informavam que ninguém sabia de mais detalhes…

FIM

Manoel Amaral
www.casadosmunicipios.com.br

NOTA DO AUTOR: Este texto foi enviado, graciosamente, para Rede Globo para compor algum capítulo da Série “A Grande Família”, em resposta o autor recebeu o seguinte e-mail: 

Manoel Amaral

Rede Globo quer se relacionar e interagir com seu público, criando uma programação cada vez mais próxima de quem nos assiste. Informamos, contudo, que a nossa política interna não permite o recebimento ou a análise de materiais (tais como sinopses, roteiros, modelos de programas, formatos etc.) elaborados por profissionais que não são contratados pela emissora. Agradecemos seu interesse e sua audiência.


Cordialmente,
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DA MANIPULAÇÃO AO DEBOCHE

DA MANIPULAÇÃO AO DEBOCHE

Demos uma entrevista (por telefone) para jornalista Alice Maciel “O Estado de Minas”, maior jornal do estado, e ela se fez passar por uma Vereadora de uma cidade que não vou dizer qual, querendo comprar Projetos de Leis.

No outro dia, qual não foi o meu espanto, a manchete dizia:

VEREADOR PODE COMPRAR PROJETO DE LEI POR R$19,90

“O candidato a vereador nas eleições de outubro em qualquer um dos 5.565 municípios brasileiros poderá dispensar o preparo técnico, político ou administrativo. Se eleito, poderá deixar-se tomar pela preguiça. Bastará dispor de R$ 19,90 para comprar pacotes de projetos de lei pela internet e os apresentar nos Legislativos municipais como sendo seus.

Os temas em pauta vão do esporte à educação, do meio ambiente ao lazer, da proteção ao idoso à proteção à mulher. O serviço a R$ 19,90 é de propriedade do mineiro Manoel Amaral, no endereço http://www.casadosmunicipios.com.br. (JORNAL “O ESTADO DE MINAS”

Este texto foi repetido a exaustão por todos grandes jornais deste país, inclusive Revista Veja, Info, Estadão, e todos das capitais.

Um até mais engraçadinho estampou a figura (personagem da Casseta e Planeta) o Sr. Greysson, com o velho bordão: Quer ser candidato a vereador? Seus problemas acabaram! Vem aí o kit vereador! (Rondônia Empresarial) www.rondonia/empresarial.com.br/

Ai aparece o deboche do Jornal Globo News (em Pauta), com jornalista de New York, São Paulo e o apresentador do Programa comparando aquele fato a lojas de R$1,99 e davam gargalhadas e dizendo que aquilo era uma fraude. (g1.globo.com).

Foi até engraçado que o “tiro saiu pela culatra”, pois vieram autoridades declarar que aquilo era um trabalho de assessoria e não tinha nada de ilegal.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso, Cláudio Stábile, disse que não existe lei que proíba esse tipo de negócio. “Não há nenhum impedimento para isso, o vereador pode até contratar uma assessoria para montar seus projetos”, comentou.

Outras também se manifestaram sobre o assunto dizendo que não viam nada de ilegal naquele trabalho de assessoria. Nunca houve venda de Projetos de Leis, no meu caso, apenas as pessoas pagam uma taxa de pesquisa de R$19,90, para acessar o banco de dados com mais de 15 mil Projetos de Leis.

Mas neste trabalho de pesquisa encontrei uma pérola, que passo para vocês, meus queridos leitores: Boni, o “mago da Globo” lança livro:

MANIPULAÇÃO. “Eu achei que a briga do Collor com o Lula nos debates estava desigual, porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade”, contou. “Então nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor com uma ‘glicerinazinha’ e colocamos as pastas todas que estavam ali com supostas denúncias contra o Lula – mas as pastas estavam inteiramente vazias ou com papéis em branco. ”Foi uma maneira, diz o executivo, de melhorar a postura do candidato junto ao espectador para que ele ficasse “em pé de igualdade com a popularidade do Lula”. “Todo aquele debate foi (produzido) – não o conteúdo, o conteúdo era do Collor mesmo -, mas a parte formal nós é que fizemos. ” http://ww.exkola.com.br/scripts/noticia.php?id=58303160

Pois é, manipulação, deboche, tudo ao mesmo tempo é o que a rede pratica sempre quando não tem interesse financeiro em jogo.

Quanto a mim, estou sobrevivendo, o excesso de exposição à mídia só trouxe beneficios para o meu tipo de trabalho. A Globo deu um tiro no próprio pé.

Um conselho do velho aqui: quando alguém ligar para você dizendo que quer uma entrevista sobre determinado assunto, diga que não. Entrevista por telefone só pode dar besteira no final, ainda mais que os repórteres estão ávidos por colocar no ar as velhas picuinhas. Quem vê novela está saturado de ver isso.

Manoel Amaral

www.casadosmunicipios.com.br

http://osvandir.blogspot.com