OSVANDIR E O PORTAL DO TEMPO – Cap. I

OSVANDIR E PORTAL DO TEMPO – I


Capítulo I
OSVANDIR E O PORTAL DO TEMPO

“Só um tolo deseja aquilo que não pode ter”.
Rei Arthur

Osvandir, agora com 32 anos, moreno claro, olhos azuis, corpo escultural, lutador de várias modalidades de artes marciais asiáticas, aprendidas com o Mestre Moura, no Ceará. E ainda a Capoeira, e o Vale Tudo, no Rio de Janeiro, sendo um exímio atirador com a sua pistola Beretta, de fabricação italiana, da época da segunda Guerra Mundial.

Seus pais Osvaldir e Osvandira, tiveram um fim trágico numa estrada do interior goiano. Os corpos nunca foram encontrados. A origem do nome de  OSV-ANDIR começou aí. Bem, agora devidamente apresentado vamos à aventura.

Há muito queria visitar a Porta do Sol, no Peru, a entrada para Machu Picchu no tempo do império, com uns 2.700 metros de altitude.

Como ele não é muito afeito a altura, começou a passar mal, sua moto perdeu velocidade. Bateu num barranco, saiu da estrada. Osvandir foi arremessado a mais de 200 metros morro abaixo. Por sorte, na queda, conseguiu agarrar-se numa raiz e voltou para o topo, depois de muito esforço e vários cortes nas mãos.

Os antigos descendentes dos Incas diziam que a Porta do Sol era na realidade um Portal do Tempo. E Osvandir não escondia de ninguém o que ele pretendia fazer.

Foi chegando mais perto, as trilhas piorando, até que numa curva de 180 graus quase perdeu a vida, se não fosse a perícia de um de seus colegas em alertá-lo, hoje ele não estaria por aqui.

Lá no alto o Portal todo imponente com a figura de um jaguar estilizado, no centro, ao alto da porta.

O monumento foi analisado de um lado e de outro. O lado escolhido para entrada foi por onde apareceria o jaguar.

O salto foi preparado para o nascer do sol do dia seguinte. Mochilas e barracas foram retiradas das motos e após alguns minutos estava tudo armado. Seria uma noite de muitas histórias lá no alto daquele ponto turístico do Peru.

Nem bem amanheceu Osvandir já estava pronto para a partida. Os seus colegas estavam curiosos com o que poderia acontecer.

Acelerou ao máximo a sua moto Harley-Davidson, a distância era pequena. Numa manobra suspendeu a roda da frente e deu o salto para o desconhecido.

Os seus colegas foram do outro lado e Osvandir tinha desaparecido com a moto e tudo, só ficando para trás um lenço azul, para pescoço, em tricô, feito por sua avó. 

Assombrados, eles partiram em busca de informações e chegaram a conclusão que ele atravessara mesmo o Portal do Tempo.

Onde fora parar?

(Continua…)

Manoel Amaral

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Capítulo II
OSVANDIR E UM SALTO NO ESCURO

“Não existe morte pior que o fim da esperança”
Rei Arthur

Osvandir caíra num monte de feno, numa velha estrebaria, ao lado de um magnífico castelo.

Perguntando a um assustado zelador onde estaria, este respondeu:
— Nas terras do pai de Arthur e ali o seu castelo. Onde foi que conseguiu uma armadura como essa? – Ele referia-se ao capacete, ao tênis Nike e o blusão negro do Osvandir.

— Vim do futuro! – Aí as coisas pioraram, o velho zelador Joseph do Morro Alto, ficou mais assustado ainda.

— Que máquina é essa aí, como isso anda em duas rodas deste jeito. Aqui os carros têm rodas paralelas.

— Isto é uma Moto, de Motocicleta, ou seja: veículo de duas rodas.

— Meu Deus, como este mundo está mudado! Isto só pode ser mágica do Mago Merlin.

— Onde posso encontrá-lo? – Quis saber Osvandir.

— O velho Mago? Ele vive no castelo do pai Arthur, mas para encontrá-lo basta dar uma volta pela floresta, a tardinha, ele está sempre por ali colhendo plantas medicinais.

Osvandir seguiu a orientação do velho Joseph, que só sabia lidar com cavalos.

Deu sorte, naquela tarde, depois de rondar o castelo, entrar na mata, viu um velho de barba branquinha. Bem diferente das figuras dos livros de sua juventude, mas era ele mesmo: o Mago Merlin! O mais famoso de todos os tempos.

A conversa não foi muito boa, Merlin não queria papo com um desconhecido. Quando Osvandir falou que era do futuro, aí o velhinho ficou entusiasmado. Queria saber uma porção de coisas.

— E esse belo sapato? Como foi feito? Que couro usou? – perguntou.

— Não usou couro natural, apenas uma imitação, é o couro sintético.

— Mas Nike, você veio como? Voando? Numa máquina do tempo?

A mocinha chamava Michael J. Fox,  de Calvin Klein, famosa marca de calças jeans dos anos oitenta, porque vira o nome gravado numa de suas calças, na história do filme “De volta para o futuro”.

— Mestre, o meu nome não é Nike, isto é apenas uma marca de tênis. Meu nome é Osvandir.


Com tantas coisas para perguntar, de ambas as partes, foram encaminhando-se para o castelo.

Logo na entrada encontraram o jovem Arthur.

(Continua…) Escrito originalmente em 25/07/2012

Manoel Amaral
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Capítulo III
O MAGO E OSVANDIR

Se queres prever o futuro, estuda o passado.
No interior do castelo, próximo da sala do trono, aquele jovem queria saber para onde Osvandir ia com aquela armadura toda. Se seria algum campeonato ou torneio de algum reino vizinho.

Osvandir informou que aquela vestimenta era apenas o equipamento de proteção para quem fosse usar um veículo do futuro.

— Futuro? Você disse futuro? Quem é este jovem, Merlin? – As preocupações tinham fundamento, naquela época poderiam aparecer espiões contando mentiras sobre outros reinos.

— Arthur, vou conversar direito com Osvandir, depois nós dois conversamos.
— Osvandir? Este é o nome dele? Nunca vi um nome tão estranho assim!

Chegando, no que seria assim como um laboratório, com tubos por todos os lados e muitas anotações até nas paredes, puderam conversar mais à vontade.

O Mago queria saber muitas coisas, principalmente onde estava a máquina que usara para chegar até aquelas terras.

Osvandir informou que não usara nenhum veículo, apenas um Portal do Tempo. Que vinha do Brasil, mais precisamente de outro continente. Devido a incredulidade do Mestre, Osvandir teve que leva-lo até a sua moto, que estava guardada na estrebaria.

Quando a viu ficou completamente pasmo. Amarelou, vermelhou e falou:
— Mas que raios é isso? Uma máquina do tempo? Como funciona? – E foi logo tomando o assento, ligando a chave de ignição e sem saber acelerou.

O tombo já era esperado. Não machucou-se porque ali só tinha feno.

— Quero dar uma volta e ir para o futuro!
— Não é bem assim Merlin. Vamos apenas dar uma volta.

Osvandir escolheu um pequeno trecho da estrada, foi e voltou, para a decepção do velhinho. Ele queria ir para o futuro.

O quarto que foi destinado ao novo hóspede, era bem próximo do laboratório.

Abriu a sua mochila, sob os olhares do Mago, que observava tudo. Retirou duas garrafinhas de 200 ml de Coca Cola e deu uma para ele provar.

— Hummmmm! Parece xarope. Para que serve?

— Não, isso não é remédio é refrigerante, uma bebida de nosso tempo.
— Vou pesquisar os ingredientes.

Osvandir guardou a outra junto com os seus equipamentos e pediu ao seu novo amigo que o levasse até onde estava enterrada a espada Excalibur.

(Continua…)

Manoel Amaral
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EXCALIBUR


“Excalibur, o mito, a espada
Que numa rocha foi enfiada
E Artur provou o 
seu valor
Quando da pedra a arrancou.”

Ibernise M. 
Morais Silva. Indiara (GO),
O mito, a lenda, lá estava aquela linda espada toda cravejada de brilhantes e com o cabo em ouro maciço, enterrada até a metade numa rocha.

Se fosse no Brasil já tinha quebrado a rocha de qualquer jeito para roubar a espada, mas naquele reino onde contaria mesmo era a honra, a honestidade e a lealdade, o jovem teria que retirá-la com as suas próprias forças, para tornar-se rei.

Osvandir olhou de um lado, de outro, ela estava numa pedra grande, de granito. Balançou-a, experimentou arrancá-la, nada! Ela estava profundamente enfiada numa rachadura.

Voltando ao castelo, foram almoçar.

Perguntando sobre vinagre, alguém lhe passou um pequeno recipiente de vidro com um líquido escuro. Era o mais puro vinagre balsâmico que usavam nas refeições naquele tempo.

Guardou o vidro junto com a coca cola. Estava pensando numa maneira de ajudar o jovem Arthur.

Na primeira noite fez uma mistura líquida, foi até a espada despejou um pouco em todo contorno da lâmina. Balançou-a mais um pouco e nova dose daquele líquido misterioso.

Na noite seguinte fez o mesmo e assim foi durante uma semana.

No sábado Arthur iria tentar retirar a espada. A festa estava toda pronta. Um dos mais belos cavalos fora escolhido para levar o jovem Arthur até o local.
A multidão aglomerara em torno daquela famosa espada, a Excalibur.

Quem conseguisse retirá-la tornar-se-ia o rei. Muitos tentaram, mas em vão, agora pela última vez era permitido ao jovem exercer este direito.
Foi aproximando-se aos poucos, o sol batia naquela lâmina de aço e refletia nos seus olhos.

Posicionou com um pé direito próximo da base da espada, com as duas mãos fez um primeiro esforço, nada! Na segunda tentativa a espada se moveu, estava saindo da pedra. Na terceira ela soltou-se totalmente e foi erguida.
Um grito partiu da multidão. Logo as festas começaram. O povo festejou até o raiar do dia.

A coroação do rei estava marcada para as 10h00min, tudo acertado.

Osvandir ia partir. O Mago Merlin estava ao seu lado indicando que o melhor local seria um portão nos fundos da muralha do castelo, que diziam onde as pessoas desapareciam.

A máquina roncou, as rodas da frente estavam no ar, Osvandir sentiu um friozinho na barriga. Partiu!

Já do outro lado caiu perto de um portão de cemitério de uma antiga igreja de cidade histórica de Minas.

Repetindo a história para os seus colegas a sua volta eles não entenderem uma parte:
— Osvandir, mas que líquido misterioso era aquele que você usou para ajudar o Arthur a extrair a espada da pedra.

— Um dia eu colocava um pouco de vinagre, outro dia coca cola. É que li numa dessas histórias romanas que um rei dissolveu as pedras de uma montanha, com vinagre, para passar com o seu exército, lá na Itália; fiz o mesmo com a pedra, para liberar a espada.

— Mas o que tem a ver a coca cola com isso?

— Você nunca ouviu falar que coca cola com suco de abacaxi dissolve pedra nos rins?

Manoel Amaral

Fonte: 
Para ler todo o poema:
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OSVANDIR E O CÁLICE SAGRADO

O cálice da Santa Ceia tem o valor simbólico da celebração da eucaristia.

Já seu poder mágico é só uma lenda”,

Rafael Rodrigues Silva,

A procissão sairia de uma Igreja do centro e iria para um bairro mais próximo, cerca de 1 km, tudo entre ruas movimentadas, carros, motos e bicicletas. Cada um levava sua vela e lanterna, aquele símbolo do fogo, desde os tempos remotos dos cristãos. A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XII. A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ”Este é o meu corpo, isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim”. Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo depois de Pentecostes.

Osvandir ia por ali, entre uma jovem de longos cabelos na frente e dois velhinhos atrás.

O Santíssimo logo adiante, com aquele esplendor, iluminado pelo sol forte do fim de tarde. Como uma cobra que se contorcia, a procissão, com centenas de pessoas, seguia rua abaixo, virava aqui e acolá, onde estava determinado o trajeto. De repente uma faísca nos céus, um brilho nos olhos e Osvandir: estava na Idade Média à procura do Santo Graal, o Cálice Sagrado.

Ao lado de um cavaleiro, nomeado pelo Rei Arthur, ali estava ele, ouvindo mais uma fala do Mago Merlin, profeta, conselheiro e Grão-druida.: ― Cavaleiros! Vocês estão aqui hoje, reunidos, nessa mesa redonda que é para nunca haver discussão, para saber qual o próximo passo ordenado pelo nosso Rei. “A cadeira situada à direita do rei está reservada a um único cavaleiro. A esse cavaleiro eleito caberá uma santa missão. Vocês sabem que, no dia em que Jesus foi crucificado, um romano convertido, José de Arimatheia, recolheu o sangue de suas chagas em uma taça, o Graal. Só o cavaleiro que a encontrar poderá ocupar a “Cadeira Perigosa.” Osvandir ouvia tudo em silêncio. Merlin fazia os últimos juramentos, transmitindo a todos cavaleiros: ― Juro partir em busca do Cálice Sagrado…

Osvandir foi destacado para um determinado local, onde havia um castelo em ruínas, mal assombrado. Um friozinho percorreu-lhe a espinha. Estava com muito medo. As buscas começaram ali mesmo na entrada.

Tudo foi vasculhado, com ajuda de três dos seus companheiros. Um pequeno detalhe chamou-lhe a atenção: várias frases em latim numa parede. Com seus precários estudos da língua, pode notar que alguém contava uma história muito estranha.

Abaixo do texto um pequeno buraco em formato de cruz. Osvandir retirou do seu bolso um medalhão antigo, com uma saliente cruz, colocou-o naquela abertura e girou para a direita. Ouviu apenas um pequeno barulho além da parede. Girou novamente, desta vez para esquerda e uma porta se abriu. Lá no fundo uma sala inteira só com peças em ouro, diamantes, esmeraldas, rubis e outras pedras preciosas.

Admirado com todo aquele tesouro bem ao alcance de suas mãos, mandou transportar tudo até a presença do Rei Arthur. Arthur estremeceu, quando verificando no meio daquelas coroas todas cravejadas de diamantes, encontrou um velho cálice com o símbolo sagrado da igreja cristã. Na reunião, à noite, o Rei chamou alguém para assentar-se ao seu lado, na “cadeira perigosa”.

Vinha com o rosto coberto, ele assentou-se naquela cadeira ricamente bordada e ao levantar o olhar, por sobre a mesa estava escrito o nome: Osvandir, – em letras gravadas a ouro. Quando o Rei fez um brinde a todos, uma faísca brilhou no céu.

Um tropeção numa pedra de calçamento e acordou daquele cochilo por um milésimo de segundo, uma pequena fração do tempo.

Os olhos de Osvandir estavam direcionados para aquele Ostensório, ou custódia, formosamente decorado e pintado a ouro; ele seguia lentamente naquela procissão, já quase chegando o ponto final.

Manoel Amaral