O LIVRO IMPRESSO NÃO VAI ACABAR

“O LIVRO IMPRESSO NÃO VAI ACABAR”

“No passado, os guerreiros hábeis tornavam-se,

eles próprios, invencíveis. Depois, esperavam as

oportunidades para destruir o inimigo.”

A Arte da Guerra de Sun Tzu, 500 A.C

A COLÔNIA DIGITAL


Já fazia anos que eles estavam no espaço. Eram jovens, não conheciam o seu planeta de origem.

Tudo ali era digital. Não tinha jornais, revistas, livros impressos. Grandes telões davam as notícias do dia. Escolas adaptaram o antigo quadro negro, do planeta mãe, para enormes telas brancas que funcionavam ao toque das mãos.

O ensino também era implantado no cérebro, em chips, por blocos: geografia, história, matemática, química, biologia, línguas e ciências espaciais.

Naquela Colônia cada um fazia o seu trabalho previamente estabelecido por computadores e ninguém reclamava.

Um dia um jovem rebelde veio mostrando a todos os colegas um livrinho em papel antigo e todos da turma ficaram curiosos. Tinha muitas palavras que eles desconheciam, mas era curioso pegar aquelas páginas amareladas pelo tempo e descobrir o que continham.

O primeiro livro que conheceram chamava-se A Arte da Guerra de Sun Tzu, escrito na China há séculos. Depois apareceram livros de poesia e ninguém sabia para que serviam. Uma garotinha apaixonada foi quem descobriu: copiou um texto e enviou para o namorado. Aquilo dali para frente virou uma febre. Queriam mais e mais livros de poesias.

O fornecedor, aquele jovem rebelde, os descobrira numa velha biblioteca do planeta Terra. Como era um dos únicos que estavam sempre viajando pelo espaço, teve oportunidade de conhecer os livros em papel.

Mas o Olho Mágico, não gostara nada disso. Dizia que os livros em papel estariam disseminando ideias loucas, provocativas e contra o Regime Central. Queriam implantar outro regime de governo na Colônia.

Todos os livros recolhidos, entre eles muitos clássicos da antiguidade, foram para a fogueira eletrônica.

Os robôs que serviam de guarda ao Sistema estavam agora aparelhados para recolher todo tipo de livro impresso que encontrassem.

Para sanar este problema os espertos jovens digitalizavam a maioria dos livros que recebiam. Mas o legal mesmo, eles diziam, era ler no livro em papel. E desafiavam os robôs colocando capas coloridas que os qualificavam como produtos eletrônicos. Alguns até liam à noite para não serem surpreendidos.

A maioria dos livros já estava lançada na rede de comunicação extranet, onde todos ficavam plugados dia e noite.

Cada dia novas maneiras de ler o livro em papel era repassadas, ao pé do ouvido, para todos. Os guardas eram enganados de todas as maneiras. Até na hora das aulas eles conseguiam passar pequenas listas com textos, indicando outros livros interessantes.

Tudo estava indo muito bem, até que aquele jovem rebelde resolveu por em prática o que leu no primeiro livro que circulou na Colônia Digital: A Arte da Guerra de Sun Tzu.

Armou uma torre de livros bem na praça central e no meio daquela confusão, todos querendo apanhar o seu, foi aí que ele conseguiu desativar vários robôs.

Criou uma equipe e começaram a desmontar todos eles, não tinham armas, mas tinham inteligência e armavam emboscados para as máquinas que não sabiam raciocinar como eles.

Numa daquelas emboscadas descobriram uma grande nave espacial escondida num enorme galpão.

O jovem rebelde elaborou um plano de fuga daquela Colônia. Um grupo, muito maior do que os androides, furaram o cerco e embarcaram naquela nave. Já sabia navegar pelo espaço devido as suas experiências anteriores.

Dirigiram para o Planeta Azul, demorou dois dias, mas foram dias felizes e todos vinham com um livro nas mãos.

No planeta puderam conhecer várias bibliotecas reais e livros por todos os lados, sem o perigo de serem molestados. Ao contrário, eram incentivados a ler.

MANOEL AMARAL

OSVANDIR NO PLANETA MARTE

Capítulo II
A FALTA D’ÁGUA

Passado o susto veio a preocupação: como adaptar-se rápido ao clima e surpresas do planeta vermelho.

O dirigentes ficaram apreensivos com mais gente e mais problemas para todos. A água já era considerada como produto raro, contrabandeada e controlada pela máfia espacial. Descobriram alguns vulcões extintos em cujas crateras foi encontrada água em estado sólido. A retirada deste precioso líquido era muito dispendiosa. O preço de uma garrafinha de 500 ml estava valendo praticamente 1/10 do dia de trabalho.

O trabalhadores braçais usavam apenas um clip no nariz para adaptar-se ao ar do planeta e roupas especiais, quando trabalhavam nas minas; os demais não usavam nada, trabalhavam como Agentes Administrativos, dentro das construções previamente preparadas pelos americanos, verdadeiras latas de sardinha, com incríveis tubos de ligação, uma verdadeira teia.
A ventilação deixava muito a desejar. As músicas perturbavam, pois os ouvidos não estavam acostumados com aqueles ruidos espaciais do Electro, um aparelho que distribuia som e imagem por todo canto.

Com seu caderno eletrônico nas mãos, um sucessor do Kindle, da Sony, Osvandir vagava de seção em seção colhendo fotos, fatos e boatos.

Fez uma pequena visita aos indianos e chineses e ficou horrorizado com o que ouvia. Disseram que alguns habitantes de outros planetas também estavam explorando outros tipos de minérios em vários locais do planeta.

Aquilo tudo era uma verdadeira confusão. Pegou um Aero-car, aparelho que voava a baixa altura e pode observar que realmente o planeta virou um verdadeiro caos, com todos tipos de seres: humanos, desumanos e extraterrestres.

Naquela pequena viagem sobre planeta, pousou num aglomerado de seres vindos do Planeta X, mais conhecido como Nebiru, que tinham a aparênciam dos humanos, um pouco mais vermelhos, como os indios brasileiros, mas bem mais escuro. Como diziam os chineses: “os marrons”.

Eles tinham os dedos das mãos presos por uma membrana e atrás das orelhas três perfurações de três centímetros cada uma, as guelras. Disseram que moravam no fundo do mar, de onde vieram. Até que os olhos pareciam mesmo, olhos de peixe, fora isto, o resto era como qualquer pessoa.

Com a ajuda de um bom tradutor, do Google, novo aparelho lançado no mercado, conseguiaa falar com vários deles e descobriu que tinham um nível cultural excelente, apenas um grande defeito para quem vai viver vários meses em comunidades fechadas: eram muito brigões. Qualquer discussão já gerava um briga dificilmente dominada pelos “homens da farda vermelha”, como eram conhecidos os Soldados do Sistema (SS).

Conversava animadamente com uma garota marrom, quando inesperadamente surgiu por detrás de uma porta um jovem com um pedaço de ferro nas mãos e foi logo atacando a todos. Com um simples movimento das mãos, técnica aprendida no Nordeste do Brasil, com o velho Mestre Moura, Osvandir conseguiu dominar aquele revoltoso ser… humano.
Retirando-se daquele local resolveu voltar para o seu Setor 9, bem distante dali.

Quando estava avistando a sua área de trabalho, qualquer coisa explodiu no Aero-car.
(Continua…)
Manoel Amaral