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A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES

Imagem: Google
“E eles tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos;” (Apocalipse 4:8)
Mais de cinco mil pessoas rodeavam o orador, não tinham o que comer, já estava escurecendo. Todos os apóstolos apreensivos.
O Apóstolo Lucas, mais conhecido por Lukinha, logo abaixo do lago, à direita do Mestre, foi quem falou:
“Mestre, ninguém tem o que comer, o que fazer?”
Mas ele respondeu: “Vós mesmos, dai-lhes de comer!”
Os discípulos perguntaram: “Queres que gastemos duzentos denários para comprar pão e dar de comer a toda essa gente?”
O Senhor continuava falando ao povo ali naquele monte e todos ficaram extasiados com aquele Milagre.
O Profeta que tudo viu, não estava com tanto entusiasmo assim. Quando escureceu as nuvens, depois de uma forte chuva ele ficou de sobreaviso, sabia que alguma coisa iria acontecer.
No meio das nuvens negras quatro máquinas voadoras apareceram e elas tinham seis asas que giravam sem cessar.
Vários balaios de peixes fritos e pães foram deixados no chão. De tão hipnotizados que estavam com as palavras daquele Homem, os cristãos nem viram nada.
O difícil foi distribuir aquilo tudo e depois recolher o que sobrou.
“Todos comeram e ficaram saciados, e ainda encheram doze cestos de pedaços dos pães e dos peixes. Os que comeram dos pães foram cinco mil homens.”  
No outro dia foi mais fácil, foram distribuídos cestas básicas, utilizando o mesmo esquema. Desta vez tinha uma espécie de rolo papel, que ninguém sabia para que servia.
Os sabonetes de todas as cores e que eram usados só nos banhos dos Senadores e dos ricos foram entregues a população.
Uma espécie de pasta de dentes, feito a base de hortelã, colhido nas hortas do governo também fazia parte daquela cesta.
Muito leite de cabra para todos, Otávio queria ver o povo satisfeito.
“Otávio agrada aos pobres sem, contudo, resolver o problema da miséria reinante em Roma.” – dizia a oposição.
“Ele quer é ver os cristãos bem gordinhos para alimentar os seus leões” – respondia outro
A Apóstola Maria Madalena conseguiu as cestas com um grande comerciante da região e entregou tudo ali mesmo, no meio do pasto. E ainda ressaltou que dali para frente, todos os produtos poderiam ser adquiridos bem mais baratos em qualquer comércio de Roma.
Osvandir acordou com a bíblia nas mãos, aberta em Marcos 6:34-44.

OSVANDIR E O DESPERTAR

“A realidade supera a ficção.”
(Osair, tio do Osvandir)

Ela estava ali naquela cama de hospital, viera por causa de uma pneumonia.

Há muito não andava, não falava, não movia nem um dedo, imóvel por mais de três anos, em estado de coma.

Era ainda jovem, de repente caiu doente e não se levantou mais. Os médicos não descobriram por que. Seus órgãos internos funcionavam normalmente. O coração batia, o sangue corria nas veias. Alimentava através de sonda. Abria os olhos mas não via.

Ouvia, mas somente aqueles além do ultra-som. Sentimentos tinha. Precisava despertar daquela vontade adormecida.

Passava anos e anos e sua família ali cuidando sempre. Algumas partes do corpo já estavam com enormes feridas devido à posição do deitar.

O seu estado era razoável. A família foi diminuindo. A mãe faleceu, algumas irmãs também.

Mas a luta diária continuava. Os tios, as tias, os irmãos, todos se revesavam para cuidar daquela menina-moça que não despertava.

Tinha uma irmã que não gostava muito daquilo tudo e resmungava sempre: — Não quero ver esta menina sofrer tanto.

No outro dia a dita irmã faleceu. Não viu ela sofrer mais.

Num dia qualquer, de um mês ensolarado da primavera, despertou, levantou-se, sem ninguém saber como e por que, continuou a andar e falar como se nada tivesse acontecido.

MANOEL AMARAL