PARANOIA

PARANOIA
LENDAS URBANAS – 065

03h50min da madrugada.

— Trrrriiiiiiimmmmmm!

— Quem é? Deseja falar com quem?

— ZZZuuuuuuuummm!

Olhando o Bina, o número iniciava com 06565.

Que seria aquele barulho? Era muito esquisito.

Não falavam e nem perguntavam nada.

Os internautas diziam que era o fantasmagórico chamado dos mortos, sempre naquele horário chamando em vários telefones ao mesmo tempo.

Aquilo acabou virando lenda na região, Facebook estava infestado destas histórias.
Assim algumas pessoas que retornaram as ligações de seus celulares, os créditos foram rapidamente consumidos.
Alguns acham que poderia ser um novo golpe para capturar os dados bancários, quando as pessoas estão ainda quase dormindo, estado vulnerável.
As hipóteses mais absurdas foram propostas e afirmando até que estariam clonando o seu celular.
Enquanto isso os jovens, amedrontados, sem créditos, não atendiam mais a qualquer chamada.
Os policiais, pesquisando várias denúncias com os números chegaram a vários pontos.
Usando a internet, no sistema de busca, descobriram que o número de onde foi realizada a chamada,  vinha de um presídio do Rio de Janeiro. Outro número pesquisado foi dar lá no estado da Bahia.
Seria tudo isso mesmo verdade ou não passaria de uma paranoia.
— Trrrriiiiiiim!
Ninguém quis atender…
Manoel Amaral

O MEDO



 “A diferença entre a polícia e o bandido é que o crime paga melhor.”  Ediel
Medo, medo de tudo, de viajar, trabalhar, abrir o portão da garagem.
Temos que fazer diversos trajetos ao sair de casa, tomar cuidado com o celular, o tablet ou o dinheiro no bolso, coisas que desaparecem num abrir e fechar de olhos.
Bandido hoje é mais equipado do que a polícia. Tem mais dinheiro que todo mundo. Pode pintar e bordar que não vai preso. Já nós, só bordar…
Em Aparecida do Norte, estando na rua fique com a mão no bolso por que lá o dinheiro desaparece como por encanto. Não é só lá em toda cidade grande e agora também nas pequenas. Não temos salvação, só mesmo jogando uma bomba atômica no país e depois começar tudo de novo.
Lembrei até de um filme, mas não o nome, onde quando encerra a guerra numa periferia de um grande centro, matando todos os líderes, uma criança de uns dez anos aparece e levanta um fuzil.
Significa que a guerra nunca vai acabar.
Estamos no fim do fim? Parece que sim, tem de tudo atualmente: muita liberdade, governo desgovernado, povo desesperado, bandido no comando e terminar não sabem quando.
As chuvas não vêm quando precisamos, quando vem saem arrasando tudo. A seca já atinge locais nunca dantes atingidos. Rios estão secando, geleiras derretendo, temperatura só aumentando. Terremotos, maremotos, tufões, vulcões, tsunamis cada dia aumentam mais, é o efeito dominó.
E o lixo só diversificando. O mar está todo poluído, os rios nem se fala, os córregos estão cinza-escuro. As nascentes estão secando.
A coisa está preta, pior que preta: pretíssima! O homem, principal responsável por isto tudo, continua poluindo cada vez mais.
E o país onde tem a maior reserva de água doce do mundo, está com falta d’água em vários locais.
São Paulo, a maior cidade da América Latrina, está pedindo água.
E aviões sumindo, navios afundando, carros batendo, trens descarrilhando e o ser humano desintegrando.
O povo está ficando cansado de esperar por liberdade e segurança, ensino e saúde, paz sem guerra e nada de bom vislumbra no horizonte.
O homem não pode nem exercer o seu sagrado direito de defesa que vão logo esquartejando e separando-lhe a cabeça.
A vida é dura, cruel, difícil de acreditar. O real ultrapassa a ficção.
É o produto ruim do homem, homem que devora o homem.
Manoel Amaral

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ONDE ENCONTRAR ASSUNTO PARA SUAS HISTÓRIAS

ONDE ENCONTRAR ASSUNTO PARA SUAS HISTÓRIAS

Imagem Google

Se for conto é tudo inventado, juntando um pedaço de uma conversa de rua com alguma coisa lida em qualquer lugar.

Uma observação da natureza, pássaros, animais, flores, árvores, etc.
Se for crônica costumo fazê-las baseado em jornais, notícias da semana ou do dia. O que se destacou das outras, assunto exótico.

Nos jornais populares é ainda melhor, muito fácil de encontrar o seu assunto.
Nos contos tomar cuidado que a realidade pode ser muito pior do que o romantismo do autor na sua ficção.

Hoje, com as drogas por todo canto a ficção não está significando grande coisa. A realidade, cruel, não passaria pela cabeça do escritor.

Então? Como dosar a pílula? Misture um pouco de realidade com um pouco de ficção e tudo vai dar certo.

Nos botecos, nos elevadores, na observação de pessoas na rua. Sente-se num local como uma praça e passe a observar, vai ver muitos assuntos para suas crônicas e contos.

Nas filas de bancos, supermercados, mercearias e até na sua igreja, podem surgir mil e uma histórias para você passar para o papel, omitindo os nomes, criando novos personagens, claro.

E aquelas anotações que você fez há uns dois anos, que estão no caderninho, em papel solto na gaveta ou no seu computador.

Eu tenho mais de 200 títulos para contos, que ainda não foram utilizados. Como já disse em outra postagem, escrevo primeiro o título, depois vou pensar na história.

No caso das anotações, coloco um roteiro para não esquecer o que deveria escrever.

E as histórias de sua netinha, que certamente daria um livro? Vá passando para o papel que no final dá certo.

Manoel Amaral

OSVANDIR E A MULHER DE PRETO II

Capítulo II

A Mulher de Preto

― Onde fica a Fazenda Carreiras? ― quis saber Osvandir.

O rapaz do hotel informou que é onde está localizada a Casa de Tiradentes, na Estrada Real. Ele achou tudo aquilo meio estranho.

Jantou pouco e tirou uma soneca. Acordou sobressaltado, olhou o relógio; era quase meia-noite. Vestiu a sua roupa preferida e foi até o local da festa.

Quando colocou o pé no primeiro degrau da casa noturna, o sino da matriz deu a primeira badalada e seguiu até as doze, aí ele viu em sua frente aquela adorável desconhecida, toda de preto e um lindo colar de pérolas no pescoço. O tecido de seu vestido parecia tão fino que ele tinha a impressão que ela voava.

Durante a festa ao aproximar-se de seu rosto para beijá-la ele notou uma corrente de ar frio, com se tivesse aberto a porta de uma geladeira.

Resolveu afastar-se e deixar o beijo para mais tarde.

― Vamos até a minha casa? Poderá ficar por lá, se desejar, ― disse a Mulher de Preto.

Osvandir não teve alternativa e seguiu os passos dela. Saíram da cidade, passaram pela casa de Tiradentes e logo a seguir entraram por uma estrada de terra, estreita e esburacada. Lá longe uma luz diferente, parecia de lampião.

Viu alguns homens indo para o trabalho, com grandes chapelões e calças de algodão grosso. Não resistindo à curiosidade perguntou:

― Onde vão estes trabalhadores, que mais parecem do século passado?

― São escravos do meu pai, vão para colheita de café. ― Escravos? Como assim? ― Aqui ainda tem escravos, você não sabia?

― Não! Mas e a Lei da Princesa Isabel?

― Saiu no mês passado, ainda não deu tempo de demitir todo mundo e alguns resolveram ficar por aqui mesmo…

― ????

Osvandir fez uma cara de espanto e resolveu encerrar o assunto por ali mesmo. Não estava entendendo mais nada.

Deixou a linda dama de preto na porta da fazenda, que parecia muito antiga, com aquelas janelas de madeira pintadas de azul e as paredes muito brancas.

Depois de andar por alguns minutos, parou o carro lá no alto e olhou para trás e tudo parecia ir desaparecendo, a luz de lampião apagou-se, as cercas do curral foram todas caindo, a casa foi ficando cada vez mais em estado de ruínas.

Sem entender nada ele correu para o hotel. Não conseguiu dormir nada, também já era dia e o sol nascera lindo por trás dos montes. No outro dia, muito curioso, Osvandir resolveu voltar ao local da fazenda.

O que viu foram apenas ruínas e próximo de uma árvore de gameleira, já de galhos secos; um pequeno cemitério cercado de pedras cobertas de musgo. Não entrou, mas do lado de fora mesmo pode notar que lá havia três túmulos em destaque: dois maiores com nome de um homem e outro de mulher, falecidos em 1890 e 1891, no centro, um menor, com uma estátua de anjo, já sem asas. O nome que conseguiu ler com muita dificuldade foi: Angelina da Cruz, tendo como data de nascimento 1865 e falecida em 1901.

O pior estava por acontecer! Quando chegou ao hotel, um pouco assustado, o porteiro veio logo com um novo bilhete.

― Olha aqui Osvandir, aquela mulher esteve aqui de novo e deixou este recado para o você. Tomei a liberdade de perguntar-lhe o nome e ela respondeu que era Angelina.

Osvandir quase caiu de costas. Encostou-se na parede, depois assentou-se. Pediu um copo d’água. Não estava parando em pé. Ficou por ali por um bom tempo até recuperar-se do grande susto.

Abriu o papel, que parecia mais velho ainda que o primeiro e leu:

Osvandir, desculpe-me se te assustei. Esqueci o colar de pérolas no seu carro. Pode deixá-lo aos pés da Santa da Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Angelina”.

O mais estranho foi a data que encontrou no bilhete, logo após a assinatura: 18 de junho de 1888.

Manoel Amaral

OSVANDIR E A MULHER DE PRETO DE OURO BRANCO


“Pela Estrada Real e seus descaminhos o suor escorreu,

o sangue correu e o ouro escoou a caminho da Europa.”

(Instituto Estrada Real)

Capítulo I

Ouro Branco

Numa aventura anterior, em 1999, Osvandir esteve em Ouro Preto e encontrou a Mulher de Branco, passou um susto danado.

Agora ele resolveu visitar a cidade de Ouro Branco, também em Minas Gerais.

Perguntou na Prefeitura a origem do nome Ouro Branco e um funcionário informou que o ouro de cor amarela, natural claro, produzida pelo metal paládio a ele associado, é denominado de “Ouro Branco”.

Ficou instalado, provisoriamente, no Hotel Mirante da Serra.

Resolveu ver uma velha gameleira que segunda a história, foi onde ficou exposta a perna direita de Tiradentes. Sentiu os pelos dos braços arrepiarem quando chegou perto.

Ali na Estrada Real, viveu o momento onde o Governo do Estado mandou distribuir várias partes do corpo de Tiradentes, colocando-os onde ele mais frequentava.

Saindo deste caso tenebroso foi para o Hotel, nem teve coragem para almoçar. Tomou apenas um café.

Ao sair, o porteiro disse-lhe que tinha um recado de uma mulher muito bonita. Eis o que estava escrito naquele papel amarelado pelo tempo: “Venha encontrar-me na Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens”.

Reparou bem no papel e notou que o bilhete fora escrito com uma velha caneta-tinteiro, com tinta azul. Achou aquilo meio estranho, por que hoje em dia ninguém escreve mais com estas canetas.

Deixou de pensar no pior, a caneta poderia ser a famosa Mont Blanc. Nada de terrorífico, coisa de gente fina.

Queria mesmo conhecer a Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens, bem antiga. Pegou o carro e deu umas voltas pela cidade, pensou melhor e voltou ao Hotel para almoçar.

Quando o relógio da matriz bateu doze badaladas ele levantou-se repentinamente, nem tinha almoçado direito e foi ao encontro da misteriosa mulher.

De longe ele pode notar na porta da Capela uma mulher vestida de preto.

Agora ele estava metido em encrenca muito pior do que a Mulher de Branco de Ouro Preto.

Ao aproximar o veículo, notou que ele era muito magra, tipo modelo profissional, com uns vinte e cinco anos aproximadamente. Muito bonita, cabelos negros e um batom vermelho muito forte. Rosto um pouco pálido.

― Olá meu jovem, ― disse ela logo aproximando de Osvandir.

― Como vai? Qual o objetivo deste convite tão especial?

― Você não queria conhecer Ouro Branco? Deixa comigo. Meu pai é proprietário de umas terras próximo da Fazenda Carreiras, na Estrada Real.

― Ouvi falar que hoje haverá uma balada… ― nem bem Osvandir, completara a frase, aquela linda mulher foi dizendo:

― Eu sei onde é, poderemos ir. Vou te mostrar o local e à noite estarei a sua espera lá.

Despreocupado Osvandir voltou para o Hotel; mas e nome da moça? Ele nem perguntou. Procurou o porteiro do hotel, ele também não sabia o nome da mulher.

A MULHER DE BRANCO DE OURO PRETO

O baile estava muito animado, corria o ano de 1999, Osvandir resolvera passar as férias naquela belíssima cidade de Ouro Preto.

Uma linda garota aproximou-se de sua mesa e uma conversa foi iniciada:

__ De onde você vem? – Quis saber a garota.
__ Sou do Centro-Oeste de Minas. – Respondeu Osvandir, já meio entusiasmado.
__ E você, é daqui mesmo ou de outra cidade?
__ Sou de uma cidadezinha do interior. Moro no Internato há alguns anos.

Beberam muito, dançaram bastante e na hora de ir embora, como estava fazendo muito frio, Osvandir cobriu aqueles ombros desnudos da jovem, que usava um longo vestido branco, com o seu blusão.

Seguiram de carro até as proximidades da Capela de Nossa Senhora das Dores, aí ela disse:
__ Moro por aqui…
__ Você já vai descer, não quer conversar mais?
__ Preciso entrar antes do amanhecer, já é muito tarde, depois conversamos mais.

Osvandir nem sabia o nome dela, correu atrás e perguntou:
__ Como é o seu nome? – Ela já sumia na esquina daqueles velhos casarões da rua, mas respondeu:
__ Meu nome é Maria Cândida.

Uma lufada de vento, de arrepiar, atravessou a rua e levantou os seus cabelos. Sentiu um clima de terror. Tudo por ali tão estranho.
Pensou: __ Amanhã volto para conhecê-la melhor.

No outro dia voltou, procurou informar-se sobre um internato para mulheres. Encontrou um, próximo a linda igreja barroca. Foi até a secretaria e perguntou sobre Maria Cândida.

Consultaram a listagem de internos e não encontraram nenhuma Maria Cândida. Aí perguntaram:
__ Ela estava de branco?

O medo percorreu a espinha dorsal de Osvandir, mas mesmo assim respondeu:
__ Sim, ela estava de branco, por quê?
__ Você não sabe? É a famosa Mulher de Branco, faleceu há muitos anos. Poderá comprovar o que digo, veja no cemitério ao lado da igreja, a sua tumba.

Ao sair daquele local, Osvandir foi visitar o cemitério indicado. Procurou muito, mas lá no canto direito, num velho túmulo estava escrito na lápide:
Maria Cândida, nascida em 1800 e falecida em 1823.

E seu blusão? Que fim levou?
Ao chegar ao Hotel uma secretária entregou-lhe o blusão dizendo que uma linda jovem, de branco, dissera que era para entregar para você.

Foi aí que Osvandir passou acreditar na lenda da Mulher de Branco de Ouro Preto.

MANOEL AMARAL

HÍSTÓRIAS DE TERROR – O Defunto

O DEFUNTO

Tem pessoas que vão a velórios para conversar, rever amigos, tomar uma pinga da roça, fabricada com mistura de puro álcool ou para tomar um cafezinho na cozinha.

Outros vão fazer Merchandising, distribuir cartão, vender produtos e incrível, – não vai acreditar, – para chorar, berrar.

Advogados vão para ver se conseguem faturar mais um inventário.

Tem gente que é viciado em velório. Muitos cidadãos adoram fazer discurso quando o caixão está descendo na cova. Palavras de pura falsidade:
__ “Conheci este cidadão, gente fina, pagava todo mundo, ajudava quem podia, nunca foi preso, foi um grande político sem nunca ter ganho nenhuma eleição…”

Puro humor negro (não adianta reclamarem, não existe humor Afro-brasileiro). Mais palavras, palavras e palavras falsas.

Um até chorava de verdade, era velho amigo do falecido, havia emprestado alguma grana para ele e sabia que agora não receberia nunca.

Mas neste caso o defunto era mesmo querido, estava ali esticado, com algumas folhas incomodando-lhe o nariz e uma abelha que insistia em beijar todas as flores do caixão e das coroas.

O prédio do velório era novo, bem construído, com um defeito muito grande: era muito próximo demais do cemitério. Já pensaram? De madrugada se os mortos resolvessem dar uma passeada entre os vivos?

Estava aproximando-se da meia-noite, as conversas foram rareando, ficaram apenas dois bêbados ao lado do caixão. Zezinho, velhinho e medroso; Zequinha, jovem e corajoso.

Os outros foram todos embora, com promessa de voltarem de manhã para continuar os papos. Aqueles dois ali, quase dormindo. Um sempre cutucando no outro. Zezinho dormiu que até caiu da cadeira.
Sono pesado. Zequinha resolveu ir embora e saiu de mansinho.

Ficou então Zezinho naquele sono bom, ali ao lado do defunto. Acordou, o falecido ainda estava ali. Continuou dormindo.

O defunto, com o saco cheio, resolveu levantar-se do caixão e ficou ali sentado numa cadeira, mais afastado. Nesse meio tempo Zezinho acordou sobressaltado, olhou ao lado e havia um novo companheiro.

Começou a conversar:
__ Está muito tranqüilo isso aqui, né companheiro?
__ Um pouco – falou o defunto com voz um pouco rouca.

Foi aí que a coisa pegou fogo! Zezinho resolveu dar uma conferida no defunto e teve a ingrata surpresa de encontrar o caixão vazio. Apavorado foi falar com o novo colega:
__ Não a de ver que o defunto saiu do caixão?
__ Como era o nome dele?
__ João da Mariazinha…
__ Este é meu nome.

O bêbado deu três pulos, desceu o morro correndo só indo parar quando chegou em sua casa. Até esqueceu que estava tonto.

Manoel Amaral
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OSVANDIR E A MULHER DA MALA II
Capítulo II
As Malas
“Nós somos nossos defeitos”. (Osvandir)
(Para o Amigo Al, da Bahia)

Muitos leitores queriam saber o que continha naquelas duas malas da Mulher de Branco.

O Osvandir fez uma investigação sobre este assunto, vamos ver a seguir a sua conclusão: Parece que tinha um pedaço de pano branco, com manchas de sangue, vazando para fora da mala maior.

Aquilo seria um crime? Ou apenas o assoamento de nariz, em época de Gripe Suína? Poderia ser outra coisa também: resto de roupa íntima, em dia de menstruação.

Pegou o ônibus, desta vez em Bom Despacho, tinha feito uma venda importante, deveria ir aquela cidade para receber o valor de vários computadores para uma Lã House, adquirido por uma livraria, e também um Notebook, para um açougue. As coisas são assim mesmo, inusitadas.

Vinha vindo tranqüilo no ônibus, cheio de estudantes, com uniformes azuis e brancos, de uma escola famosa na cidade.

Ao estacionar na Rodoviária de Nova Serrana, lá estava a Mulher de Branco, conversando com o motorista, desta vez um outro, para nós desconhecido.

Muito gentilmente ele atendeu aquela senhora, pobre senhora.

Com todos estes pensamentos na cabeça, Osvandir olhou para traz e viu aquela mulher: magra, olhos azuis claros, rosto comprido, seios pequenos, quase aparecendo sobre aquelas vestes esvoaçantes contra o vento de agosto, dando adeus para todos.

O olho clínico de Osvandir não saiu daquelas malas. A curiosidade mata mais que gripe suína. Ele não conteve e acabou puxando uma daquelas malas, a menor, para bem perto de si.

Na descida, no trevo para Igaratinga, levou consigo, a dita mala, a menorzinha.

Estava aflito, o que teria ali dentro. Ela estava até leve pelo tamanho. Quando parou num posto, foi ao banheiro e levou a pequena mala, uma maleta.

Ao abri-la levou um tremendo susto, até quis gritar! Mas pensou bem e se conteve.

Pensou em deixá-la ali, em qualquer lugar bem visível. E se a Mulher de Branco viesse buscar a mala? Pegou carona no carro do primeiro colega que encontrou e seguiu para Divinópolis.

__ E aí companheiro? O que tem dentro desta mala velha e suja?
__ Segredo, mistério!
__ Ora vai, conta aí, Osvandir!

Foi então que Osvandir resumiu toda a história e o motorista, não gostou do assunto, porque disse que a Mulher de Branco, estava aparecendo no Povoado de Água Limpa, logo à frente.

Foi só ele acabar de falar, olhe ela lá antes da Curva do Cachorro Morto.

Osvandir estremeceu, não esperou ela pedir a mala. Jogou-a pela janela. Ela foi rápida, pegou-a, ainda no ar e sumiu…

__ Mas e o segredo da mala? Agora você pode contar. Ela foi embora mesmo.
__ Certo, vou revelar: dentro da mala tinha apenas alguns retratos antigos, um de casamento e outros de filhos do casal, uma carta que não li e uma blusinha de crianças de uns dois anos.

Manoel Amaral
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OSVANDIR E A MULHER DA MALA I – Conto de Terror

Capítulo I
A Mulher de Branco
(Para o amigo Al, da Bahia)

Osvandir seguia, via ônibus, pela rodovia BR-262, para a cidade de Pará de Minas-MG, saindo de Nova Serrana.

Lá para as bandas do Povoado dos Limas, pertencente ao Município de Igaratinga, uma senhora, de branco, deu sinal, o motorista parou no acostamento e ela perguntou:

__ Vai passar em Pará de Minas?
__ Vamos. – Respondeu o trocador, com cara de jovem que vive assustado o dia inteiro, devido os assaltos constantes, nestas linhas.
__ Pode levar estas malas para mim, até o entroncamento de Pará de Minas? Alguém vai pegá-las naquele local.– Completou aquela mulher magra e de olhos grandes.
__ Pode deixar que entregamos. – Respondeu o motorista, um cara bonachão, gordinho, de bigode fininho, parecido com aqueles artistas de filmes italianos.

A mulher sumiu numa estradinha que não sabemos onde ia dar. Já era quase noite, mas o sol ainda dava sinal de sua presença, atrás do Morro Agudo.

O ônibus seguiu sacolejando por aquelas estradas, ora entrando num acostamento para descer ou entrar passageiros ou então em algum Povoado para uma pequena parada.

__ Quanto pago até Torneiros? – Disse um passageiro que já estava aflito para chegar em casa e devorar um queijinho de Minas, agora Patrimônio Mundial ( pode?).
__ A passagem é R$3,50, mas porque esta aflição? – Aquele trocador estava achando que seria mais um ladrão que estava apenas disfarçando…
__ É que tenho que apartar algumas vacas e já está ficando tarde…

Nesse meio tempo entra uma senhor, cabelos grisalhos, com um saco (uns 5 quilos) de feijão e alguns ovos numa cestinha. Colocou aqueles ovos, várias dúzias, ali no piso do corredor. Já imaginaram o que poderá acontecer na saída de algum passageiro? Pois foi isso mesmo que aconteceu: um rapazinho distraído pisou no balaínho e alguns ovos foram para o beleléu.

A mulher, muito bondosa, disse ao rapazola que não tinha importância, era para presente, mas o feijão ainda estava a salvo.

Numa curva em “S”, aquele saco de feijão que estava desamarrado, esparramou no assoalho transformando-se numa verdadeira arma para derrubar qualquer um.

Um moleque pisou com seu tênis, moderno, de amortecedor, escorregou e bateu com a testa na cadeira de número 13. Reclamou do número da cadeira, disse que o dito dá azar.

Uma moça, bonita, de batom vermelho, acudiu o rapaz e limpou o sangue que escorria em sua testa. Ele agradeceu e disse que era técnico em informática, deu-lhe um cartão e pediu para procurá-lo em Pará de Minas, consertava tudo, até impressoras antigas.

Osvandir seguia ali quietinho, mas de olho naquelas malas que estavam bem perto do motorista. Já estava quase chegando na entrada para a cidade onde elas deveriam ser entregue.

Mais uma subida, uma descida, uma curva à direita, um baixadão e lá estava o ponto onde alguém estaria esperando aquelas malas, que parecia não conter coisa agradável dentro.

Algumas máquinas, construindo uma terceira pista, atrasaram um pouco aquela viagem. As pás carregadeiras estavam levando terra para aterrar um buraco bem ao lado da rodovia.

Lá estava alguém a espera das malas. Uai! Mas que coisa interessante! Parece que era a mesma mulher que entregou as (mal)ditas lá atrás, no Povoado dos Limas…

Aproximando mais, Osvandir pode conferir que era mesmo aquela mulher, magra, olhos grandes, roupa fina e branca. Estava escuro, mas deu para reparar esses detalhes porque o trevo era bem iluminado.

O ônibus parou, a mulher pediu as malas, o motorista solicitou ao trocador que descesse e as entregasse aquela pessoa as duas malas grandes. Nem prestaram atenção naquela estranha mulher.

__ Muito obrigado seu motorista. – Disse aquela mulher, magra e de olhos grandes.
__ De nada, minha senhora. – Respondeu o motorista e trocador, sem nem mesmo olhar para quem as recebia…

Fica aí a história para o leitor decifrar este mistério.

Manoel Amaral
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OSVANDIR E A GAROTA DA CADEIRA 11

“O amor é a asa veloz que Deus deu à alma para que ela voe até o céu.”- Michelangelo


O ônibus, novo, corria como se tive asas, voava. As pesadas máquinas de terraplanagem estavam trabalhando um trecho de estrada. O asfalto ia ser recapeado.

Num gesto, com a mão direita, o rapaz deu sinal, o ônibus parou no acostamento.

Subiu os degraus apressado, olhou até ao fundo, lotado! Somente a cadeira 12 estava vaga.

Na cadeira 11 havia uma garota de olhos castanhos, batom e esmaltes da mesma cor. Blusa de malha riscada horizontalmente, em cores variadas e claras, a calça azul, dessas que estão usando agora, com listras coloridas junto às costuras, enviesada, com metais bem brilhante.

Muito bonita a garota! E o rapaz ficou naquela vontade louca de saber para onde ia, como se chamava e de onde vinha, se estudava: porém ela nada falava…
Cadeira 11 = ………
Cadeira 12 = ??????

Seus longos brincos de ouro, balançavam com as oscilações do veículo.

Olhou para suas mãos. Queria saber se era noiva ou casada. No seu dedo anular da mão direita havia apenas um anel, com uma pérola no centro e pequenas pedras azuis em volta. Eh! A garota era solteira!
Cadeira 11= ……
Cadeira 12 = !!!!!!

Entretanto não havia maneira de iniciar um papo. Idéia !!! Perguntar se ela fazia faculdade? Ou se trabalhava e onde?

Os traços fisionômicos eram lindos: nariz pequeno, olhos castanhos, cabelos longos e lábios carnudos. O corpo muito bem estruturado…
Cadeira 11 = …..
Cadeira 12 = ????

Uma rajada de vento chegou ao rapaz atrapalhando-lhe os cabelos. Passou a mão no rosto impaciente e fechou a janela.

Um desastre na estrada. Oba! Chance de iniciar uma conversa com a Garota da Cadeira 11. Um Wolkswagen ao fazer uma manobra para atravessar o asfalto e entrar num posto de combustível, bateu num caminhão-tanque. Dois feridos.

No entanto:
Cadeira 11 = ……
Cadeira 12 = … … …

Chegou num terreno montanhoso, paisagem encantadora! Céu azul lá no fundo. Algumas nuvens branquinhas. Asfalto cheio de curvas e aquele balança-pra-cá, balança-pra-lá. Uma freada brusca, uma derrapada e a garota encostou o braço no rapaz.
Cadeira 11 = …(Um sorriso) …
Cadeira 12 = _ Não tem problema!
Cadeira 10 = (Toca a campainha do ônibus)
Cadeira 12 = !?!?!?!?
Cadeira 10 _ Vamos Márcia (Bate na cadeira 11)…
Cadeira 12 = !!!!!!
Cadeira 10 = (dirigindo ao rapaz: __ Esta menina me dá um trabalho!)

Foi aí que o rapaz da cadeira 12 pode observar que por traz daqueles olhos castanhos, misteriosos e dos lábios carnudos, havia um bonito sorriso de menina-moça surda-muda!

Manoel Amaral
(original escrito em 1973)