OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA II

OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA II

Capítulo II
O VELHO RELÓGIO

Olívio resolveu procurar alguém de sua confiança para ajudá-lo a desvendar o segredo daquilo tudo. Pegou o mapa e guardou num local desconhecido dos demais, tomando o cuidado de envolvê-lo em tecidos para não danificá-lo ainda mais.

O relógio, a cópia do mapa e dois pedacinhos de papéis, levou-os consigo até a capital.
Por pura sorte ficou sabendo que um rapaz iria dar uma palestra sobre “códigos na ufologia” no salão do hotel onde hospedava.

Foi, gostou, depois do show fez umas perguntas, sobre outros assuntos, as repostas foram satisfatórias. Viu que ele entendia um pouco de arqueologia, códigos, criptografia e povos indígenas do Amazonas. Convidou-o para uma conversa mais tarde.

Num local bem discreto, Olívio encontrou-se com o palestrante:
― Bom dia Osvandir – disse o velho garimpeiro.
― Bom dia meu Senhor – respondeu o palestrante.
― Vamos até aquela mesa ali – indicou uma mais afastada. Vamos tratar de negócios.
― Estou à disposição para analisar os seus problemas.

Daí, conversa vai, conversa vem e um pouco de receio de ambas as partes, Olívio mostrou o relógio, os dois papéis e a cópia do que seria um mapa para Osvandir.

Ao colocar as mãos naquele velho relógio, parecido com um que seu avô usava, lá no interior de Goiás, sentiu um calafrio.

Como lidava sempre com estes objetos antigos foi logo abrindo-o deixando cair um finíssimo papel na mesa.

O garimpeiro assustou-se e disse que não tinha conhecimento deste documento.

Osvandir desdobrou aquele papel, passando a mão direita sobre a mesa, para desamassá-lo.

Havia várias anotações, com caneta de ponta fina e um mini mapa de alguma região.

O velho homem, acostumado com tudo lá no sertão, ficou paralisado.

Era uma cópia perfeita do mapa tatuado nas costas do defunto e que tanto trabalho lhe deu para curtir a pele.

Contou toda a história para Osvandir, por que estava ali e sobre o outro mapa tatuado, os dois papeizinhos, o relógio e o medo de alguém descobrir aqueles segredos todos.

Osvandir tranquilizou-o dizendo que tudo ficaria só com os dois. Não precisaria preocupar-se.
Só aí ele pode dormir em paz, coisa que não fazia desde que descobrira aquele corpo.

De manhã, já no café, Olívio foi contando mais alguns detalhes. Falou sobre uma lenda de um grande garimpo de diamantes nas terras indígenas, entre duas serras, que até hoje ninguém havia descoberto e que os índios sempre falavam.

Osvandir havia examinado os dois pequenos pedaços de papel e achou que poderia ser outro tipo de informação importante diferente do mapa.

Quanto ao mapa foi analisando tudo e anotando em seu note book. Passou numa copiadora e mandou ampliar em papel tamanho A2 (42,0 cm x 59,4 cm), mas não existia aquele ali, então ampliou o máximo em tamanho A3 (29,7 cmx 42,0 cm).

Pelos contornos achou que já havia visto em algum lugar. Copiou os mapas mais antigos da região amazonas e foi examinando devagar.

― Eureka! Não falei, sabia que já tinha visto em algum lugar este desenho!

Era uma região de uma reserva indígena, os contornos conferiam.

Manoel Amaral
Este texto faz parte do livro “Antologia I – Blog do Osvandir”

ALADIM E O CARTÃO MÁGICO

Imagem Google

“Dinheiro não traz felicidade: manda buscar.”
Márcio Casaroti

Aladim caminhava por uma rua estreita e escura, de um pequeno bairro de cidade grande, quando uma coisa brilhou no chão.

Aproximou-se para ver do que se tratava, olhando para os lados, pensando logo em algum bandido.

À luz do sol ela brilhava muito. Subitamente um grande clarão surgiu como se fosse uma lâmpada de mercúrio.

Aladim estava ali a olhar aquela lâmpada brilhante quando notou uma fumacinha branca subindo aos ares.

No meio daquele rodamoinho surgiu um gênio com várias ideias na cabeça, oferecendo tudo, parecendo político em época de eleições.

Oferecia três pedidos para o cidadão Aladim. Riquezas sem fim, modernidades mil, viagens até à lua, marte ou outros planetas.

Aladim, muito comedido perguntou:
― O Senhor tem aí um tal de Cartão Corporativo?
― Cartão corporativo? Onde você viu falar isso meu filho?
― Aqui mesmo em nosso diminuto reino.
― Tá, vou pesquisar… huuuuummmm. Tem vários cartões de Crédito, serve?
― Não, quero somente Cartão Corporativo!
― Do Reino Unido?
― Isso mesmo!
― Está aqui o seu Cartão! Agora você só tem direito a mais dois pedidos, viu?

Aladim pensou, pensou e revolveu pedir mais dois Cartões Corporativos.

O gênio muito encabulado perguntou:
― O que você vai fazer com uns cartõezinhos de plástico?
― Muita coisa – respondeu Aladim.

Uma nuvem branca surgiu e levou aquele gênio maluco.
Aladim ficou ali por muito tempo, admirando aqueles três cartões de plásticos, brilhantes, com faixa dourada.

Lembrou que esta praga de cartões fora criada para facilitar a transparência das contas do reino e diminuir os gastos por meio da comprovação de notas.

Naquele reinado, onde o petróleo jorrava em todo lugar, o cartão podia ser utilizado para qualquer tipo de compra, desde passagens aéreas até pagamento de prestações de vários tipos e saques em dinheiro. Enfim, o cartão era de muita utilidade para qualquer cidadão que trabalhasse na área pública.

Mas Aladim nunca ocupou cargo público, como ficaria a sua situação? Ninguém sabia, também nunca ouve fiscalização dos ditos cartões e todos os usuários estavam usando como bem entendessem aqueles magníficos e brilhantes, suporte de vida!

Foi vivendo e aprendendo, primeiro sacou cem mil para comprar uma casinha. Entusiasmado fez uma viagem pelos países vizinhos, gastando uma nota preta (ou seria uma nota afrodescendente?).

Na volta observou se havia algum comentário, nada, tudo estava como deixara.
Resolveu então arranjar uma namorada e gastar a vontade em bailes, restaurantes, viagens, carros, roupas, e tudo que o cartão poderia comprar. Por enquanto estava usando apenas o primeiro cartão, em caso de problemas passava imediatamente para outro, por que ele não era bobo.

Assim foi enriquecendo cada vez mais, sem ninguém saber como, muitos até pensavam que ele esta vendendo drogas, mas depois chegavam a conclusão que aquele bom moço não iria chafurdar na lama do sistema violento dos traficantes.

Mas um fato muito interessante aconteceu: o gênio Midala resolveu voltar para ver como estava vivendo Aladim.

Chegou, bateu na porta do palácio (palácio?), é, o esperto mocinho já comprara um velho palácio na rua principal do lugarejo e mandara reformá-lo, era o melhor prédio daquele local.

― Enriqueceu muito meu velho amigo! Como foi que fez isso? Com aqueles cartõezinhos de plástico?
― É preciso destreza e muita sabedoria. Não pode ir como muita sede ao pote. Tem que saber usar o que ganha. Movimentar o capital. Nunca desperdiçar. Hoje estou aplicando muito dinheiro em ecologia. Está vendo aquela fábrica? É tudo reciclagem, muitas pessoas trabalham ali. O valor das vendas é dividido entre eles.
― Aladim, meu filho, como você está se tornando sábio. Toma mais alguns cartões, onde poderá usar com sabedoria.
― Obrigado meu gênio. Você poderá visitar-me quando quiser. Agora vamos almoçar com tudo que temos direito e depois uma sobremesa com frutas da região, por que ninguém é de ferro!

O gênio Midala aprovou tudo que Aladim fizera e disse que voltaria sempre.

Manoel Amaral