COMO COLOCAR TÍTULOS EM SUAS HISTÓRIAS

COMO COLOCAR TÍTULOS EM SUAS HISTÓRIAS

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Seria bom escrever todo o texto e só depois pensar no título, mas pessoalmente sempre faço o contrário primeiro coloco o título e só depois vou pensar na história.

Nas crônicas deve ter tudo a ver com o assunto, já nos contos deve ser bem chamativo, do contrário, não conseguirá nenhum leitor.

Nestes tempos de internet o título também deve ser curto, no máximo umas três palavras.

Em Portugal os títulos, quase sempre, são muito longos.

Seja criativo, mas não deixe de ver os jornais, as manchetes chamam os leitores, principalmente os jornais mais populares. E agora com os eletrônicos, os títulos tem uma importância enorme.

Se você está escrevendo uma história infantil é muito importante prestar atenção ao título, do contrário não venderá o seu livro.

Isso é muito interessante, mas já tenho visto uns títulos idiotas que mesmo assim vendem (deve ser à custa de muito marketing).

Tem um conto meu com o seguinte título: A personagem que matou o 
autor.

O SUBTÍTULO

Veja algumas capas de livros e verá que abaixo do título vem um texto, é o subtítulo. É para ajudar a chamar mais a atenção do leitor e complementar o título.

Manoel Amaral

www.casadosmunicipios.com.br

O POBRE VAMPIRO DE SÃO JOSÉ DE BICAS

“Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de
chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas,
pois eu também sou o escuro da noite.”
(Clarice Lispector)

Imagem Google

Ninguém sabia o seu nome, apareceu na festa de fim de semana.

Bebeu, fumou e cheirou. Saiu, tropeçou, caiu e dormiu.

De madrugada acordou. Olhou no escuro da noite e não viu nada.

O barulho de veículos foi diminuindo, ele dormiu novamente. Belos sonhos sonhou.
Da manhã, procurou um boteco para tomar um café forte a fim curar a ressaca de tantas drogas ingeridas.

A cabeça doía muito. Parecia que o cérebro havia evaporado. Não conseguia pensar coisa com coisa.

Enveredou por uma ladeira, viu umas mulheres na calçada. Magras, roupas curtas e muito feias. Ainda procuravam os últimos fregueses.

A pequena cidade de São Joaquim de Bicas, com pouco mais de 25 mil habitantes, pertence a pertence a Região Metropolitana de BH.

Não é a melhor nem a pior das cidades do entorno da capital. Tem as suas sequelas. Bandidagem, ladroagem, roubalheira, drogas, drogas e drogas.


O Jornal O Tempo abriu manchete: Polícia estoura laboratório de refino e distribuição de drogas em São Joaquim de Bicas.

Os serviços públicos, como em qualquer cidade brasileira, deixam muito a desejar.
A Prefeitura não tem como atender tantos pedidos de emprego, conserto de ruas, canalizações esgoto, construção de escolas, pontes, creches e outros prédios públicos.

Os Vereadores continuam legislando sobre troca de nome de rua. O prédio da Sede Administrativa é muito moderno.

Tudo ali deveria correr as mil maravilhas ao primeiro olhar, mas na realidade só mudou a construção, continua tudo como qualquer Prefeitura do Interior. A Oposição de um lado e a Situação de outro, cada um tentando mostrar mais serviço.

Lá também tem casos de crianças desaparecidas: Polícia investiga sequestro e encontra jovem em cárcere privado… que foi manchete Nacional.

Mas aquele Senhor sem nome estava no fim da linha. Os pensamentos voavam. Os restos das drogas no organismo faziam, agora, efeito contrário. Ele foi ficando depressivo, precisava arranjar um local para apagar as suas mágoas e arranjou.
Entrou num beco, viu um tambor velho com pedaços de pau queimando naquela manhã serena. Um friozinho subia a sua coluna vertebral e parava ali na nuca provocando um baque. Parecia uma chave de desligamento de energia. O seu corpo ficava mais leve.

De repente, por entre aquelas ruas estreitas surgiu um louco com uma estaca de metal.

Sem que tivesse tempo de desviar, recebeu aquele forte impacto no peito. Metal frio arregaçando as carnes.

Ainda vivo, tentou encontrar socorro na beira da rodovia, ficou ao lado de um Fiat Palio, de cor prata.

Foi encontrado pela Polícia Rodoviária Federal o homem, de 33 anos, com vida, no km 509 da rodovia, mas morreu logo após dar entrada no hospital.

Manoel Amaral
www.casadosmunicipios.com.br

OSVANDIR, LOBISOMENS E VAMPIROS IV

Capítulo IV

ANOITECER

“Aquele que o amanhecer vê orgulhoso,
o anoitecer vê prostrado.”
(Sêneca )

Osvandir notou que Joanna sempre arranjava uma maneira de fugir da casa por algumas horas. Dezoito horas ela saía e dizia que iria meditar um pouco, no meio da floresta.

Achava aquilo meio esquisito mas não comentava nada. Agora mediante os fatos que estavam acontecendo, resolveu segui-la. Ela virou a esquerda numa encruzilhada, desceu uma grota e agachou-se atrás de uma moita. Osvandir ficou até pensando outras coisas. Porque será que ela não fazia as necessidades fisiológicas em casa?

Estava completamente enganado, do outro lado do caminho um servo pastava distraidamente sobre a ravina. Observou por alguns minutos e só viu um vulto subir e descer sobre o pobre animal. Olhou atrás da moita e não viu Joanna. Correu em direção a vítima, não viu mais nada, somente o animalzinho estirado no chão. Olhou o seu pescoço e apenas dois pequenos furos foi encontrado. Correu, correu. Chegou em casa e lá estava sua namorada lavando louça.

Não entendeu bem os fatos. Teria visto uma miragem? Ou tudo aquilo não estava acontecendo de verdade? Beliscou o braço direito e sentiu dor, era real.

Anoiteceu, tentou ler um livro a luz de velas, não conseguiu. Pegou o MP5 ouviu algumas músicas, o rádio não estava funcionando, daí há pouco sentiu uma rajada de vento vindo da janela do quarto. Olhou para o mato e não viu nada.

Abriu um site especializado em Lobisomem e Vampiros, de Bruno Vox, no seu notebook e lá estava: “Com os nomes de “Versipélio dos Romanos, é o Licantropo dos Gregos, o Volkodlák dos eslavos, o Werwolf dos saxões, o Wahrwolf dos germanos, o Óboroten dos russos, o Hamtammr dos nósdicos, o Loup-garou dos franceses, o Lobisomem da Península Ibérica e da América Central e do Sul, com suas modificações fáceis de Lubiszon, Lobisomem, Lubishome…, é, sempre, a crença na metamorfose humana em lobo, por um castigo divino.”

A diferença entre vampiro e lobisomem sabia bem: “o lobisomem surge sob a forma de um lobo gigantesco que se desloca quer sobre as 4 patas, quer como um bípede extremamente peludo que conserva traços humanos, embora particularmente repulsivos, e garras nas mãos. Em qualquer das formas, rasga as gargantas das vítimas, cuja carne devora em seguida, uma verdadeira máquina de matar.”

“Como são amaldiçoados, os vampiros não entram nas igrejas e nem tocam em símbolos religiosos, vivem em grupos. Eles conseguem assimilar melhor as mudanças que ocorrem no decorrer dos anos, porém os lobisomens são menos adaptáveis, por causa de seu instinto.” Completava aquela descrição na página da internet.

O vampiro é como um morcego gigante, alimenta-se de sangue e não come a carne do animal.
No outro dia, bem cedinho, procurou Dona Maria Rita e quis saber como passara a noite.

__ Caro ufólogo e estudioso de coisa estranhas, o meu marido dormiu como um porco velho. Roncou muito, mas não saiu da cama. Vamos ver as cabras, enquanto ele ainda está na cama.

Chegaram ao pequeno curral e contaram os animais, não faltava nenhum.

Na volta para casa Osvandir encontrou dois homens que seguiam apressados para o outro lado da floresta. Quis saber por que a pressa.

__ Vamos ver um estranho animal que foi aprisionado, no mato, na noite anterior pelo fazendeiro vizinho.
__ Posso acompanhá-los?
__ Claro! De onde vem? – Perguntaram os dois homens que fumavam sem parar, demonstrando nervosismo.
__ Estou passando uns dias naquela velha cabana ali ao lado do lago.
Seguiram para o local e ao aproximarem deram com um enorme lobo, com umas garras compridas e olhos esbugalhados.

Seria mesmo um lobo? Osvandir ficou na dúvida.

Voltou para cabana, as malas já estavam prontas. Deveriam voltar naquele mesmo dia para a cidade. Joanna já estava apreensiva, com um rápido beijo na boca, perguntou:
__ Onde andava, meu querido?
__ Fui até o sítio vizinho conversar com dona Maria Rita, esposa do senhor Zezito, sobre alguns animais.

Na volta para cidade, fez uma pequena parada na casa do sitiante e informou da captura do animal pelo seu vizinho. Estava assim, parcialmente resolvido o mistério dos ataques aos animais.
Dias depois Osvandir recebeu de seu Zezito um telefonema informando que os ataques a animais acabaram.
No dia seguinte um jornal sensacionalista informou em manchete de primeira página: “Banco de Sangue foi assaltado”.

OSVANDIR, OS LOBISOMENS E VAMPIROS

Capítulo III

SOL DO MEIO DIA

“O amigo na hora certa, é o sol ao meio dia,
estrela na escuridão”
(Pe. Roque Schneider)

Joanna ouvira a conversa, disfarçadamente, atrás da porta do banheiro.

Osvandir, um pouco abalado pelo fato, informou a garota de tudo que se passara no sítio do senhor Zezito. A perda das cabras, o fato estranho de estarem sem nenhuma gota de sangue. Aquela história abalou profundamente o nosso jovem.

O sol do meio dia estava mesmo de “estourar mamona”, como dizem por aqui. Joanna, estava na cozinha preparando o almoço. O rapaz, no quarto, procurava algum vestígio, qualquer coisa que pudesse explicar os estranhos fatos que vinham ocorrendo desde a chegada dos dois aquele local.

Tirou as cobertas, sacudiu os travesseiros, olhou debaixo da cama. Nada. Tudo estava normal como antes. Olhou pela janela e viu uma cerca de arame com qualquer coisa balançando ao vento.

Aproximou-se e viu apenas uma mecha de cabelo bem comprido. Deveria ser dos animais que por ali transitam. Não deu a menor importância para aquilo.

Voltou pelos fundos e notou que a porta da cozinha estava aberta. Mas o que significaria isso? Praticamente nada! Perguntou para Joanna se ela havia saído pela porta da cozinha, ela respondeu que não precisou, pois todos os alimentos estavam na despensa.

Olhou para o chão e notou uma pegada parecida com as de cachorro.
Mediu o tamanho e assustou-se, mais de um palmo de comprimento, deveria ser um grande animal.

Seguiu-as e foi dar ao banheiro. Na banheira tinha vestígios de cabelos e barro. Pode notar até um pequeno pingo de sangue na borda da pia.

Perguntou para Joanna o que significava aquilo, ela disse tratar-se de barro de seus pés ao pegar o frango no quintal e o sangue disse que foi lavar as mãos após matá-lo na cozinha.

Caso encerrado, por hora, Osvandir ficou mais tranqüilo.

No outro dia, novamente o Senhor Zezito, apavorado, bateu na porta.

Ao abri-la, o cidadão foi logo entrando e dizendo:

__ Olha Osvandir, ontem foi mais uma cabrita, desta vez ficou toda destroçada. O animal comeu parte da carne do quarto traseiro. A garganta estava com umas três mordidas e o sangue ainda escorria dela.

__ Então Zezito, hoje a história está diferente de ontem. Tem sangue e o animal predador comeu parte da vítima.
__ É, ontem não tinha sangue nenhum na cabrita, enquanto que hoje tinha muito sangue… – falou, nervoso o sitiante.
__ Podemos deduzir que se trata de dois animais diferentes que estão atacando seus animais, vou investigar os casos e apresentarei uma possível solução, ainda hoje, – disse Osvandir.

Foi até o sítio do senhor Zezito para verificar os animais atacados. Achou uma cabra completamente sem sangue e outra toda destroçada. Na primeira notou apenas dois buracos no pescoço. Na segunda, sinal de caninos grandes por todo corpo da cabra.

Mais tarde, pensando bem, chegou a seguinte conclusão: O primeiro animal que sugava o sangue seria um vampiro, o segundo poderia ser qualquer animal, mas a maneira de atacar a garganta da cabra impressionou Osvandir.

__ Senhor Zezito, Vampiros sugam o sangue; lobisomem ataca, mata e come. No segundo caso, o desta noite, poderia ser qualquer animal carnívoro. Apenas uma pequena observação: olhe aqui ó, – Osvandir mostrou com o dedo indicador – um sinal perfeito de dois dentes caninos bem grandes. Dificilmente encontraríamos lobos com arcada dentária tão especial. Os lobos andam em matilhas, costumam viver em grupos organizados hierarquicamente. Já o lobisomem é solitário, caça sozinho. Se fossem lobos, sobraria apenas a ossada da cabra. Como sobrou muita carne, podemos deduzir que se trata mesmo de lobisomem.

__ Deus do céu, como pode ser uma coisa dessas aqui nestas redondezas? – Quase gritou Zezito. – E o primeiro caso?

__ Não vamos nos apressar, mas posso adiantar que quem suga só o sangue são os morcegos e vampiros. Estou analisando umas coisas que encontrei por aí, na mata, volto a conversar com você.

Quando está para sair, a mulher do sitiante resolveu entrar na conversa:
__ Já vi falar que lobisomem pode ser o filho de compadre com comadre…
__ Sim, em alguns locais do Brasil existe esta crença.
__ Osvandir, – chamou Dona Maria Rita, – a esposa de Zezito, venha até aqui tomar um cafezinho, na cozinha.

Enquanto isso D.Maria mandou Zezito buscar algumas verduras na horta. Era um pretexto, queria conversar, a sós, com Osvandir.

__ Olha Osvandir, o meu marido é filho de compadre Antônio com comadre Zélia…
__ Pode ficar tranquila que vou observar bem esta noite. Amanhã eu volto aqui para a gente conversar. E você fique de olho no seu marido.

MANOEL AMARAL
Participem de nossa ANTOLOGIA DE PROSA E POESIA clic na tag Antologia ou passe um e-mail para manoel.amaral@gmail.com

OSVANDIR, OS LOBISOMENS E OS VAMPIROS

Capítulo I
A LUA CHEIA
“Mulher, tal qual lua cheia
Me ama e me odeia
Meu ninho de amor.”
(Raul Seixas)

Joanna, era diferente de outras jovens, com 21 anos, linda, loura e de pele muito clara. Era avançada para o seu tempo. Sabia de tudo. Informática então, ela adorava. Estava definitivamente fora de sua concha, bem diferente do sistema de vida local. Acabara de mudar-se de uma cidade grande para aquela ensolarada cidade do interior.

A sua família era um verdadeiro mistério. Uma mãe generosa nos atributos, loura de cabelos esvoaçantes e um pai severo, tipo nórdico, que desconfiava de tudo.

Ela ficou conhecendo alguns amigos na faculdade e entre eles se destacava quem ela achava que poderia ter um relacionamento mais íntimo: Osvandir, jovem lindo, sensual, pele queimada pelo sol abrasante, do interior, cabelos de cor negra; trará um universo desconhecido para Joanna, transformando completamente o curso de sua vida e ficando a sua história muito mais emocionante naquele marasmo de cidade pequena.

O que Osvandir não sabia, é que quanto mais se aproximava de Joanna, mais perigo corria em sua vida. Um perigo para si e para a população com quem convivia e que tanto amava.

O que ele nem imaginava que entraria num mundo totalmente diferente do seu. Algo assim sobrenatural, cheio de idas e vindas no espaço/tempo.

Joanna, naquele vestidinho escuro, curtinho, com um par de pernas longas de fora, parecia até uma bela garça ciscando na beira do rio. Mas o que ninguém sabia é que ali morava o perigo. Mas que é o perigo? Uma cobra coral num buraco de cupim, atacando um rato silvestre? Ou seria um jovem desprevenido entrando num mundo totalmente diferente do seu?

Muitas perguntas poderiam ser feitas a respeito daquela jovem linda, branquinha, pele lisa e macia.

Naqueles dias ela estava causando uma comoção nacional. É que foi a faculdade com um vestido cor-de-rosa tão curto que a maioria dos rapazes ficaram no pé da escada para vê-la subir. O resto da moçada enciumada trataram de cortar o mal pela raiz. Solicitaram ao Diretor que tomasse uma providência imediata. Exigiam a expulsão da garota daquela entidade.

Os jornais ficaram ao seu lado. Foi notícia no mundo inteiro, até no New York Times. Aquelas revistas inglesas de fofocas exploraram o caso como fizeram quando da morte de Diana, a Princesa de Gales. Aquela imprensa nojenta que tira proveito de qualquer fato com a finalidade de vender os seus jornais ou revistas.

Mas Joanna não se importava, seguia sua carreira, seu curso na história. Muitas coisas diferentes destas briguinhas de escola, iriam ainda acontecer em sua vida.

Noite de lua cheia, céu coberto de nuvens sombrias, uma cabana no meio do mato. Alguns raios, sinal de chuva forte naquela região. Um carro preto parara na porta. Entraram rápido para não molhar as finas roupas que vestiam. Joanna e Osvandir, marcaram ali a sua primeira noite de amor à luz de velas.

Tudo estava sombrio, escuro o céu. As árvores molhadas pela chuva, deixavam soltar uma leve bruma que cobria toda a região.

Osvandir foi o primeiro a notar que tudo por ali estava tão arrumadinho. Estranhou. Costumava passar por aquele local e sabia que aquela casa era abandonada há muito tempo.

Receoso de alguma armadilha tomou todas as precauções que julgava necessário. Trancou a porta, acendeu a lanterna, ligou o rádio e a TV. Queria algum barulho para saber se tudo aquilo era realidade ou fantasia. A sua mente imaginava as melhores coisas por acontecer.

MANOEL AMARAL

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