O REALITY SHOW DOS VELHINHOS

O BBB DOS VELHINHOS
Esta nova modalidade de Reality Show foi criada, quando o BBB já não dava mais ibope, virou uma mesmice só. Todo ano aquele besteirol sem fim.
Aí que um velhinho muito esperto mandou a proposta para uma emissora de TV. Ela leu o roteiro, achou muito engraçado e resolveu aceitá-lo.
Mas não contavam com os problemas que seriam enfrentados. Logo na seleção quatro imprevistos aconteceram.
Rosenval, de 70 anos, faleceu quando recebeu a notícia de que fora selecionado.
Outro cara que não pode nem entrar na casa, foi Zé do Toco, 69 anos, fazendeiro conhecidíssimo na região, foi acometido de uma diarreia, quando recebeu a comunicação da TV.
Mariquita, (as mulheres, por questão de educação, não colocaremos a idade) boazinha demais, gente finíssima, ficou muda.
Já Margô, que não largava os 4 celulares, quando avisaram para ela que não poderia levá-los, desistiu de participar.
Por prevenção a Emissora selecionara vinte participantes, quatorze iriam para casa, deixando seis para garantir qualquer imprevisto.
Neste meio tempo, quatro meses, entre a seleção e início do Reality Show, mais dois velhinhos bateram as botas.
Estava tudo muito tumultuado, nunca tinham inventado um programa com tantos problemas. Tiveram que reformular todos os esquemas.
Criaram um setor de fisioterapia no lugar da academia, uma biblioteca no lugar do quarto branco, todos os banheiros receberam um corrimão diferente. É bom lembrar que tinha corrimão por todo lado.
No local das escadas para o segundo andar, fizeram um rampa. Aliás, todos os tipos de escadarias e saliências foram substituídos por rampas.
Os chuveiros eram totalmente abertos, todos entravam e saiam facilmente, eliminando o problema de algum velhinho ficar preso por lá.
A direção do programa contratou Lalau, um apresentador de 71 anos que entendia bem os problemas dos participantes.
Tudo estava engatilhado para ter início em 1º de outubro, no dia do idoso.
O sindicato dos velhinhos, de Brasília, entrou na justiça tentando impedir o início daquele programa. Esquecemos de dizer: tinha um político do interior que fora selecionado e também um escritor.
Os jornais do mundo inteiro lançaram teorias mais estranhas sobre o assunto. Os psicólogos ingleses achavam que eles (os velhinhos) iriam ter uma depressão muito grande assim que se afastassem de suas casas e fossem para o programa. Já os americanos, sempre mais liberais, diziam que tudo aquilo seria uma zorra geral.
Teve até um cientista brasileiro que fez várias experiências com ratos e chegou a conclusão que os velhinhos iriam se dar muito bem. Melhor do que estes jovens sarados.
O tempo foi passando, o dia foi chegando, a emissora só faturando. Era assunto do dia em todos os canais (opa!).
As fofocas foram aumentando e os casos amorosos da turma escolhida, começaram a pipocar por todos os lados.
Muitos filhos, não reconhecidos e também pilantras, foram aparecendo com a intenção de por a mão na grana do vencedor, que receberia cinco milhões.
Estava ficando difícil de conter a ira do povo, que queria saber por todos os meios, quais eram os escolhidos. Mas o programa guardava este segredo a sete chaves e jogara todas elas Cachoeira abaixo.
Em meio a estes problemas todos, um jornal descobriu em que hotel os velhinhos estavam e começou a publicar reportagens sobre o assunto, mostrando alguns deles em posições nada recomendáveis (de bengala, andador, muletas, etc.).
A emissora atribulada com tantos problemas recebeu, para piorar a situação, uma intimação da justiça.
Era o MP (como sempre) que entrou em cena e com milhões de alegações, inclusive ações de indenizações que poderiam mover contra emissora, tirou o programa do ar antes mesmo dele iniciar.
Manoel Amaral
http://osvandir.blogspot.com.br

OS VELHINHOS DA MANIFESTAÇÃO

OS VELHINHOS DA MANIFESTAÇÃO

         “Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.” Eça de Queiroz

Aqueles velhinhos que na maioria assistiram pela TV, em 1984, a manifestação Diretas Já, quando mais de um milhão de pessoas lotou a Praça da Sé na capital paulista, agora estavam na sua manifestação.

Eles vinham descendo a rua, a intenção era passar defronte a Prefeitura para protestar, mas faltaram forças,  foram parar na Praça.

Uns já cansados, procurando água, amparados pelos netos, outros piores ainda, botando água pela boca.

Alguns empunhando cartazes ultrapassados como: Fora Getúlio! Fora Collor! Fora Lula!
Livros foram deixados pelo chão. Cartolinas com vários pensamentos e até aquele que dizia:
“Somos ricos, temos:
Prata nos cabelos;
Ouro nos dentes;
Pedras nos rins;
Cristais na vesícula;
Açúcar no sangue;
Chumbo nos pés;
Catarata nos olhos;
Ferro nas articulações
Água nos joelhos e
Uma fonte inesgotável de gás natural…”

E não faltava gás mesmo, foi um barulho geral.

E outros cartazes diziam o seguinte:
“Velhice é quando o trabalho já não dá prazer e o prazer começa a dar trabalho.”

“Não é só pelos 20 centavos, o povo percebeu que os privilegiados continuam mandando e a impunidade campeando.”

“Não somos imbecis, queremos nossos direitos.”

“Joaquim Barbosa para Presidente.”

“Vamos acabar com tantos ministérios.”

“23 mil, para que tanto cargo de confiança?”

“Queremos o trem bala!”

“Redução tarifa celular.”

Tinham de tudo nos enunciados, porém eles tropeçaram nas pedras e escorregaram nos lixos e sem local para tirar a água dos joelhos sentaram logo nos bancos da praça.

A reunião começou, alguns estavam dormindo, outros lendo papéis velhos.
E não faltaram protestos. O presidente dizia que era preciso ter tolerância para alguns assuntos.

Uns poucos não concordavam e afirmavam que era preciso os mais velhos protestarem para dar exemplo para os mais novos.

Lá fora o mundo fervilhando e ali todos discutindo abobrinhas!

Um deles até falou direto e reto, achando o que o assunto fosse música:
— Bem disse ao velho Caubi Peixoto: CONCEIÇÃO, ninguém sabe, ninguém viu…

Encerrada a reunião todos foram convidados para o Chá das cinco, no bar da esquina, mas na realidade foram tomar o seu remédio para artrite, gota, coração, diabetes, bronquite crônica, mal de Alzheimer e outras demências.
Manoel Amaral
www.afadinha.com.br

OS POBRES VELHINHOS

ABANDONADOS, MALTRATADOS, ROUBADOS E ASSASSINADOS:             OS IDOSOS


Os filhos, para agradar, usam uma infinidade de nomes para os seus velhos: Terceira idade, melhor idade, idade especial ou idoso; pura bobagem. Velho é velho, aqui ou em qualquer lugar do mundo.

Tem as suas deficiências: está ouvindo pouco, comendo menos, andando emborcado, desequilibrado, nem consegue raciocinar direito.

Outro dia vejo pela TV mais um, entre os milhares de casos, de um velhinho de mais de oitenta anos que foi ludibriado por um mau caráter, bem vestido, se dizendo tratar de um representante de banco. É bom frisar que banco não envia ninguém a sua casa.

Chegou, pediu para entrar, falou que o cartão da vítima estava com problemas, que iria providenciar a troca para que tudo ficasse bem.

O inocente, de cabeça branca, com o peso da idade nas costas, entregou o seu cartão, sem pestanejar e ainda agradeceu ao malandro.

Alguns dias depois recebeu a péssima notícia que o pagamento da sua aposentadoria, estava faltando alguns reais, para ele muito dinheiro.

Procurou logo a família, gente simples, que nem sabia o que fazer. O advogado orientou para que procurassem o banco, que não deu muita atenção ao assunto.

Voltaram ao advogado, que novamente foi parar naquele banco, exigiu o cancelamento do cartão e emissão de outro.

Houve então, como o velho não tinha assinado nada, o cancelamento daquele empréstimo.

O velhaco senhor, todo engravatado foi avisado pela financeira que o negócio não deu em nada. Que tratasse de pagar do seu bolso o gordo financiamento. Ele escorregou por entre as linhas daquele contrato e devolveu o que tinha recebido.
Mas nem sempre é assim e estes vagabundos, estão por aí, a cada dia aplicando novos golpes, difíceis de serem acompanhados e resolvidos pela polícia. A cada dia eles inventam uma nova maneira de assaltar a quem trabalhou a vida inteira e agora acha que pode descansar.

Se pensam que os velhinhos, os de melhor idade, estão a salvo da família, estão muito enganados. Volta e meia estão enrascados com parentes que querem por a mão na sua grana.

Outro dia mesmo foi um neto que no descuido do idoso, passou a mão na dinheirama e foi gastar com drogas.

Outro caso comum é o procurador que recebe uma quantia e repassa apenas a metade e estamos conversados…

Tem gente que fica de olho e na saída do banco, conversa vai, conversa vem e quando o coitado chega em casa, suado, cansado, pernas doendo, cabeça girando e sua filha pergunta:
— Pai cadê o dinheiro?
— Ele bate a mão no bolso e nada por ali.

Foi assaltado e nem percebeu. Deve ter sido aquele elegante Senhor, engravatado, acima de qualquer suspeita, que ofereceu-lhe um sorvete na esquina.

Agora a comida ia diminuir, o cigarro também e o amor de filha, irritada, estaria comprometido.
O Governo Federal e os Estaduais abriram as pernas e permitiram os mais variados descontos em folha, inclusive destes empréstimos, até por telefone; onde já se viu uma coisa dessas. O cidadão não assina documento nenhum e no noutro dia lá está o dinheiro em sua conta.

E se o indivíduo que ligou não for a pessoa que está dizendo ser? Apenas pegou os seus dados em qualquer lugar, na internet, achou na rua ou roubou pura e simplesmente.

As financeiras estão por aí, em todas as esquinas, nos melhores pontos, competindo com os grandes bancos. São muitas, fervilham nas grandes cidades e anunciam em todos jornais, rádios e televisão: Dinheiro a juros baixíssimos, escondem no pacote as altas taxas administrativas cobradas do idiota que pega um empréstimo para pagar outro.

A moda agora e juntar todos os seus empréstimos e pagar tudo num só. A vantagem? Só das Financeiras!

Você por acaso já viu Bancos e grandes empresas fazer alguma coisa vantajosa para o cliente? Enfiam a faca de qualquer jeito, querem é arrecadar ou vender.

Haja vista os altíssimos lucros, só no Brasil, dos quatro maiores bancos. Nem vou citar nomes, isso não adianta, só serve de propaganda para eles.

Para que falar mais? Não vamos fugir do assunto. Velho é velho e pronto!

Manoel Amaral