CEIA DE NATAL

A CEIA DE NATAL

OVNI – Osvandir Vieira Nicolai, 30 anos, Engenheiro em Mecatrônica, curso no MIT, criador do Portal dos OVNIS, estuda assuntos ligados a evolução humana, arqueologia, religiões, Discos Voadores e mais alguma coisa.


CAPÍTULO I

Os e-mails foram chegando para cada um dos componentes do Conselho Editorial de Ufovia. Via Fanzine, via gmail, via yahoo, via bol, todos conectados na rede. Já dizia o sábio ufólogo: a net é uma teia de aranha, quem entra não consegue mais sair.

E Marshal McLuhan completava: o meio são as massa-gens.

Digo mais: os e-mails são as mensagens.

A primeira a receber a mensagem foi a Marina Pereira, lá de Portugal.

“Siga os números e através da lógica, descubra o destino:

3 – 1 – 19 – 1

10 – 15 – 19 – 5

7 – 5 – 18 – 1 – 12 – 4 – 15

16 – 16

Dia 24, ceia do CE Ufovia. Traga frutas da região.”

Marina pegou o táxi, seguiu a “bicha” no trânsito. Apreensiva, havia um tumulto logo à frente. Estudantes faziam protestos nas ruas. Com muito custo chegou ao aeroporto. Comprou passagens, seguiu viagem, fez escala no Egipto (?), comprou tâmara e damasco.

Chegou em San Pablo, foi pra Goiânia, não deu teto, voou pra Brasília. Acomodou-se na casa da Kely Lima que também tinha recebido o mesmo recado.

__ Como vamos achar o local. Esses números não me são estranhos, disse Kely.

__ Deve ser de algum seriado…

__ Liga pro Márcio que está mais conectado nessas coisas.

__ Farei isso.

CAPÍTULO II

O Al Cruz (Alberto Avelino Cruz), de Vitória da Conquista/BA, juntou-se com Romero e combinaram de apanhar o Daniel e o Paranhos.

O nosso J.J. (da Operação Carvalho de Tróia) apanhou a Gracinha (Vilas Boas) em Salvador.

Alexandre Borges saiu de Campinas e passou em Dois Córregos, levou o Márcio Mendes; parou em Valinhos chamou Fábio Vieira.

Guilherme de Almeida pegou estrada mais cedo e ficou de encontrar os três mais adiante.

O outro Fábio (Betinassi), saiu de Araxá/MG, terra das araçás (índios Arassás), varou toda a Serra da Canastra e aproveitou para fazer pesquisas no local, entre Ibiá e São Gotardo, onde existia o “Quilombo do Ambrósio”.

José Geraldo estava rindo atoa, o local escolhido para a reunião do CE era mesmo difícil de descobrir, sua caixa postal parecia panela rebentando pipoca, todo segundo chegava um novo e-mail.

Todos querendo saber alguma coisa sobre os números. J.G. quietinho no seu canto dava aquilo risinho maroto e não respondia a ninguém.

Márcio, a pedido da Kelly, foi estudando as coordenadas. Acionou seu computador de bordo e bombordo, mas nada foi resolvido. Ficou na mesma ou pior, pois mais dúvidas foram surgindo sobre os números.

C.C. Rodrigues apelou para o Google Hearth, vasculhou todo o país, parou em Itaúna, mas nada. Passou um e-mail para o Manoel de Divinópolis perguntando se tinha desvendado alguma coisa. Manoel respondeu que os últimos números poderia ser uma palavra com duas sílabas e quatro letras.

A Rafaela de Fortaleza juntou-se com o Rafael Sampaio e foram pesquisar os números nas Pedras dos Martírios em Goiás. Não deu em nada.

Hellen de Itaúna que trabalha com florais, está sempre no Campo, deu uma dica: pode ser uma ilha…

CAPÍTULO III

Nelson Granado disse que em seu livro OMNIVERSALIS não encontrou nada parecido.

Lúcio Guimarães de Bicas/MG, ligou para J.A. Fonseca pedindo para pesquisar na Serra do Roncador. Alguém lembrou até de Fawcet.

Outros foram parar no Piauí, nas sete cidades.

Paulo Ferreira de BH, enviou um e-mail para @nn@ em Itapema/SC, para verificar as pinturas rupestres existentes em algumas ilhas.

O Nuno que estava meio desligado, preocupado com os OVNIS, saiu de Portugal, ficou preso nos aeroportos brasileiro que estavam fechados por causa dos feriados.

Até a gruta dos pezinhos foi visitada. Alguns experts analisaram vários vasos da Amazônia para ver se descobriam alguma coisa, nada!

Poderia ser uma ilha, mas como encontrá-la no vasto país/continente?

Tentaram somar os números seguindo a seqüência de Fibonacci, não deu certo.

Somando todos números entre si acharam 9 (nove) e curiosamente o número 9 em numerologia significa: SABEDORIA.

Somando-se separadamente cada palavra:

4 = Disciplina, Ordem, Estabilidade, Construção, Confiança, Honestidade.

6 = Amor, Beleza, Equilíbrio, Família, Saúde, Justiça.

9 = Amor Universal, Solidariedade, Serenidade, Compaixão, Sabedoria.

__ Vamos juntar tudo isto e ver o que pode ser aproveitado…

José Geraldo quietinho num canto de sua casa sabia que era difícil de achar o resultado, desligou o computador e deixou a abóbora lastrar.

Foi aí que alguém pegando a dica do Manoel descobriu a última palavra:

2P = P + P = PEPE

Com o final decifrado, foram procurar alguma seqüência matemática que enquadrasse os ditos números.

O pior que já era dia 23 e a ceia seria dia 24 de dezembro!

3 – 1 – 19 – 1

10 – 15 – 19 – 5

7 – 5 – 18 – 1 – 12 – 4 – 15

16 – 16

CAPÍTULO IV

__ Se fosse seguir a seqüência natural a terceira letra da primeira palavra seria igual a terceira da segunda palavra, disse Márcio.

__ Seguindo o mesmo raciocínio a última letra da segunda palavra seria igual a segunda letra da terceira palavra, retrucou Alexandre.

__ Então a segunda e última letras da primeira palavra, a quarta da segunda e a quarta da terceira palavra também seriam iguais, completou Fábio, desviando de um animal na rodovia.

Alguém que jogava loteria toda semana, enriquecendo os cofres do Governo Federal perguntou:

__ Seria o resultado da Mega Sena? Esta semana está acumulado em R$25.000.000,00… (resultado: 23, 28, 38, 42, 50, 53)

Pepe em off…

Quando comentavam este assunto chegou um e-mail de alguém que se identificou como Leo.

“Pesquisei na internet e encontrei esta tabela, será que ajuda alguma coisa, Kelly?

1

2

3

4

5

6

7

8

9

A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

K

L

M

N

O

P

Q

R

S

T

U

V

W

X

Y

Z

CAPÍTULO V

__ Vamos substituir os números por letras:

3 1 19 – 1

C A A

10 – 15 – 19 – 05

E

7 – 5 – 18 – 1 – 12 – 4 – 15

G E A D

16 – 16

__ Os números até nove estão corretos, mas daí pra frente não dá certo.

__ E se a gente colocar um “S” no lugar de 19, teremos casa…

__ É uma boa Marina.

__ Vamos falar com os outros que descobrimos a primeira palavra.

__ Comunicou com todos? Só o Fábio de Araxá que estava com Notebook e respondeu na mesma hora:

__ Tem mais um 19 na segunda palavra, coloca aí, descobriu Kelly.

__ Se “S” é igual a 19 e “A” igual a 1, então temos:

A=1, C=3, D=4, D=5, G=7 e S=19.

__ Meu Deus, é uma seqüência simples entre números e letras, como não pensei nisso! Coloquem o alfabeto debaixo dos números até 19, falou Marina.

__ Está solucionado o mistério:

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S


3 1 19 – 1

C A S A


10 – 15 – 19 – 05

J O S E


7 – 5 – 18 – 1 – 12 – 4 – 15

G E R A L D O


16 – 16

P P

CAPÍTULO VI


__ Então a última palavra é PP, que poderia ser PE+PE, ou seja Pepe…

__ Mas quem é José Geraldo?

__ ???

__ Passemos e-mails para todos sobre o que descobrimos.

Meia hora depois Manoel retornou com o seguinte:

“José Geraldo é o nosso caro amigo Pepe Chaves…

Vocês tinham razão a última palavra era mesmo Pepe (PP)”.

Mistério resolvido, todos se dirigiram para Itaúna mesmo.

Quem falou que era uma ilha acertou! O local era uma bela fazenda do Século XIX, cercado por montanhas, com muita madeira de lei na construção da casa principal, Quatro banheiros, desesseis quartos, vinte e três cômodos ao todo.

O pessoal foi chegando, entregando as sacolas de frutas.

As mulheres foram logo separando-as de acordo com a família, por exemplo: araticum, araticunzinho, pinha, ata, jaca, graviola, todas parecidas.

Só de melões tinham quatro tipos diferentes: o amarelinho comum, um da casca verde, outro roxo por dentro e o último com uma característica especial na casca: cheia de linha parecidas com aquelas do saco de aninhagem, como se estivesse sido embalado numa saca especial.

Na família das laranjas uma destacou-se: aquela de cor avermelhada, chamada popularmente de laranja maravilha. Outra interessante foi a toranja pelo seu tamanho.

O Manoel só trouxe frutas do Cerrado de Minas: Pequi (do Tupi: casca suja), Bacupari, Cagaiteira (cagaita), Araticum, Araticunzinho, Gabiroba, Jatobá (fedorento), Jenipapo, Cajuzinho do Cerrado, Mamacadela, Azeitona Preta (doce), Murici, Olho de Pombo, Pêssego do Mato, Juá (doce), Melão de São Caetano, Melancia do Mato, Ananás (do pequeno) Araçá, Fruta-Pão do Cerrado, Ingá e última com nome meio pornográfico: C(*) de Pinto. O pequi, muito comum no cerrado, tem o fruto parecido com o s(**)o de cachorro.


CAPÍTULO VII


O Rafael Amorim, lá do Sul, escolheu uma boa sacola e encheu de frutas da região e juntou uma bem exótica: blueberry (mirtilo). Nos EUA é uma fruta cujos pés são baixos, atingindo uns 30 cm de altura, conhecida como uvas do monte. No Sul é diferente, atingem quase 3 metros de altura. Muito azul, parecida com jabuticaba, mas mais ácida.

Curiosidades mil. Tinha frutas de todo o país: Abacate, Abacaxi, Abiu, Abricó, Açaí, Acerola, Ameixa, Amêndoa, Amora, Anonáceas, , Atemoya, Avelã, Babaco, Bacuri, Banana, Baru, Bilimbi, Biribá Butiá Cabeludinha, Cacau, Caimito, Cajá, Caju, Calabaça, Calabura, Calamondin, Cambucá, Cambuci, Camu – Camu, Caqui, Carambola, Castanhas Variadas, Cereja, Cherimoya, Ciriguela, Citrus em Geral, Coco de várias espécies, Condessa Cupuaçu, Damasco, Dovyalis, Durião, Feijoa, Figo, Framboesa, Glicosmis, Goiaba Granadilla, Graviola, Groselha, Grumixama, HYPERLINK “noticias_su.asp?menu=926”Guabiju, Guaraná, Ilama, Jabuticaba, Jaca, Jambo, Jambolão, Jaracatiá, Jerivá ou Jeribá, Jujuba, Kiwi, larajas de todos tipos,Lichia, Limão, Limas Ácidas e Doces, Longan, Lucuma, Mabolo, Maçã, Macadâmia, Mamão, Mamey, Mamoncillo, Maná – Cubiu, Manga variadas, Mangaba, Mangostão, Maracujá, Marmelada do Cerrado, Marmelo, Melancia, Melão Mirtilo, Morango, Naranjilla, Nectarina, Nêspera, Noz Pecã, Pêra, Pêssego, Pinha, Pinhão, Pistache, Pitanga, Pitomba, Pupunha, Romã, Sapoti, HYPERLINK “noticias_su.asp?menu=948”Sapucaia, Taiúva, Tâmara, Tamarindo, Tangerina, Tarumã, Tomate Arbóreo, Toranja ( muito grande), Umbu (muito azeda), Uva, Uvaia.

As mulheres fizeram um arranjo especial na mesa das frutas, um galo preto e branco, feito de melancia, abacaxi e outras frutas. Adivinhem para agradar a quem?

Quarenta e duas pessoas estavam presentes, alguns membros não trouxeram a família.

Calculando bem, encomendaram quatro pernis, entre 7 a 10 quilos cada um, que foram logo levados à padaria mais próxima para assar.

CAPÍTULO VIII

A farofa de natal quem deu a receita foi uma das mulheres que acabava de chegar:

Ingredientes:

500 gm Farinha de mandioca
500 gm Milho
500 gm Farinha de rosca
1 un Pimentão vermelho
1 un Pimentaão amarelo
1 un Pimentaão verde
200 gm Uvas passas pretas
1 L Milho verde
Sal a gosto
Pimenta
Azeite de oliva o quanto baste

Modo de Preparo:

1 Misturar bem todas as farinhas e temperar com sal e pimenta.
2 Cortar os pimentões (tiras bem finas).

3 Juntar a farinha com o restante dos ingredientes
4 Regar com azeite até ficar úmida.

Muita gente picando os ingredientes para a farofa. As bebidas já estavam na geladeira.

O Rafa foi chegando e primeira coisa que fez foi procurar um açougue. Logo ele que é vegetariano… Encomendou uma costela inteira. O açougueiro assustou-se. Mas Rafael frisou bem:

__ Quero uma costela bem carnuda.

__ Pode deixar moço, vou preparar uma costela de primeira.

Lá no quintal da fazenda alguém improvisava um grande espeto e duas forquilhas. Um buraco retangular foi enchido de pedras e carvão.

Perguntado como preparava a carne para churrasco Rafa respondeu que só usava sal grosso e deixava no mínimo dez horas.

Quanto ao acompanhamento um arroz soltinho, feijão tropeiro, vinagre, salada de folhas.

As despesas estavam altas, quinze conselheiros reuniram-se, somaram tudo e mandaram pagar as contas.

Marina não familiarizado com o Pequi, achou a fruta muito interessante e foi logo mordendo-a, que nem o Ministro da República, mas foi logo advertida pelo Pepe de que os espinhos por baixo da polpa eram terríveis e segundo a lenda uma vez penetrado no corpo não paravam de andar seguindo direto para o coração da pessoa.

O Ministro foi atendido pelo Hospital de Brasília, sendo arrancado de sua boca vários espinhos…

CAPÍTULO IX

Lá no fundo do grande salão de festa, mesa cheia de frutas de todos tipos. Farofa especial dando sopa, doces, sucos naturais de todas as cores. Cerveja, vinhos, batidas e a nossa tradicional cachaça de Salinas correndo solto.

Fábio de Araxá e Manoel conversavam:

__ Como devemos proceder numa pesquisa ufológica? Perguntou Manoel.

__ “Para tal, consideramos como variáveis os dados do local do experimento, temperatura, pressão barométrica, umidade relativa, altitude, clima, iluminação, data e hora e relatos das ferramentas e técnicas aplicadas.”

No churrasco do quintal o Rafael fazia um esforço para assar mais rápido a costela bovina. Crianças jogavam futebol num campinho próximo.

Em dado momento uma bola de fogo veio do espaço, e a gritaria foi geral:

__ É o raio bola! Gritou Pepe que olhava as estrelas juntamente com Kelly e a Marina.

__ Mendes venha cá rápido, um raio caiu por aqui, achamos que pode ser o tal de raio bola.

Na verdade era uma bola de meia que as crianças jogavam no campinho.

Ela caiu na fogueira do Rafael e este aproveitando o embalo deu-lhe um chute e aquele fogaréu subiu ao espaço assustando os sonhadores.

Várias estrelas cadentes rasgavam o espaço, uma maiorzinha foi apelidada de Estrela de Belém.

CAPÍTULO X

Anna foi escolhida para ler a mensagem de Natal escrita pelo Pepe.

Mensagem linda, sem os ufos e ETs de Varginha.

Tempo passando… pessoal cochilando. Os banheiros congestionados.

Apenas quatro para 42 pessoas!

De repente uma forte luz surgiu numa moita, Pepe que conhecia bem o terreno, convidou Paranhos e JCC para uma investigação moitológica.

Ao aproximar-se do local viram apenas uma criança com uma lanterna.

Alguns resolveram usar as moitas de bananeiras, o que resultou em vários cachos.

Alguns já falavam em dormir, os que viajaram de carro estavam muito cansados. O barulho nos banheiros era tanto que desistiram.

Noite alta, céu lindo, todos sorrindo sob o efeito da branquinha, cantavam as canção de natal:

__ Jingle bells. Jingle bells. Jingle bels the way!

Outros preferiam as mais simples, do povo:

__ Noite Feliz! Noite Feliz! Oh, Senhor, Deus do Amor! Pobrezinho nasceu em Belém.

O sono foi chegando e pessoal encostando, os 16 quartos ficaram cheios, alguns preferiram dormir na varanda, outros foram para o paiol, no meio do milho.

CAPÍTULO XI

Amanheceu, um lindo arco-íris atravessava a chácara de uma ponta a outra. Muitas crianças contaram lendas:

__ Minha mãe falou que se a gente atravessar para o outro lado vira mulherzinha.

__ Meu pai disse que do outro lado do arco-íris, onde tem um córrego, tem um pote de ouro!

__ Quantas cores tem, mesmo?

__ São sete cores: azul, vermelho, amarelo, verde, anil, laranja e violeta.

Hellen, de Itaúna, acostumada com as cores e flores, pois trabalha com florais, foi convidada a opinar sobre o fenômeno:

__ Um arco-íris é um fenômeno óptico e meteorológico que separa a luz do sol em seu espectro (aproximadamente) contínuo quando o sol brilha sobre gotas de chuva. Ele é um arco multicolorido com o vermelho no seu exterior e o violeta em seu interior; a seqüência completa é vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil(ou indigo) e violeta.

Chegou um Senhor alto, de chapeu de palha, falando meio enrolado, assustado, procurando o Pepe.

__ Que qui foi, Quinzinho?

__ Caiu um troço lá na pirambeira, próximo do córrego das Gorduras…

__ Que troço? Como era o objeto? De metal?

__ Grande assim, do tamanho de uma braçada, brilhante.

CAPÍTULO XII

“Nem tudo que é importante pode ser contado; e nem tudo que pode ser contado é importante.” Albert Einstein

Mas Sô Quinzinho não estava mentindo, vira mesmo um objeto de cor brilhante, caído lá na grota, próximo onde as mulheres lavavam suas roupas.

Todos queriam ir, mas o local distava um quilômetro da fazenda.

Munidos de equipamento fotográfico, dirigiram-se para o local.

Chovia, uma chuva fina, garoa. Mato escorregadio, cobras enroscadas nas moitas de cambaúbas. Andaram aproximadamente quinze minutos e avistaram o Córrego das Gorduras. A grota era profunda. Alguma coisa brilhava lá embaixo. Pepe ficou eufórico, enfim alguma coisa para fotografar.

Márcio foi mais rápido, sacou sua câmara digital 6.0 mega pixel, marca Sony, e apontou para baixo e bateu uma seqüência de fotos. Outros, quase caindo pela pirambeira abaixo foram fotografando tudo que viam. Alguém disse ter avistado um anãozinho verde escondido atrás do mato. Mas Pepe, que conhecia bem o local pediu cautela a todos.

A distância de onde estavam para o fundo da grota era de uns cem metros. O Fábio que era mais treinado em esportes radicais se propôs a ir até o final e verificar o objeto mais de perto. J.J. Carvalho pediu que não se aproximassem, poderia haver radiação no local. Mendes tentou aproximar a imagem através de um binóculo com alcance de 40 vezes, mas não estava dando certo porque uma pequena árvore de assa-peixe impedia a visão. O melhor era mesmo ir até o local.


CAPÍTULO XIII

Depois de descer a pirambeira, roçar sobre tocos, pedras e bichos, Fábio conseguiu chegar ao local. O que ele viu chegou a espantar a princípio, depois caiu na gargalhada.

Lá em cima ninguém entendeu nada. Não dava para ouvir. Estava muito longe. Apreensivos, Pepe e JJ pediram a todos que mantivessem a calma.

Com muita dificuldade, agarrando pedras, pisando em buracos suspeitos, Fábio conseguiu chegar até o topo do local. Trouxe algumas fotos que bateu com sua câmara digital. Com a cara de maroto mostrou para o pessoal o disco voador do Córrego das Gorduras:

__ Olha aqui gente, o ufo que estava pousado lá embaixo…

Todos sorriram meio decepcionados. Tanto tempo perdido por nada. O objeto era uma bacia velha, de zinco, com um furo no meio, que fora abandonada pelas lavadeiras naquele local. Alguns até acharam que era gozação do Mr. Pepe…

Voltaram meio sem graça para casa da Fazenda. Mas fazia um belo dia e todos puderam observar a paisagem. Tinha um ufólogo que conseguiu até fotografar uns gafanhotos que faziam a farra de natal numa árvore de folhas novas.

Na fazenda todos aflitos por saber notícias do Incidente das Gorduras, como ficou conhecido. O fato foi parar nos jornais de Itaúna. O Jornal “Brechó” deu manchete de primeira página, noticiando o achado.

O almoço do dia 25 de dezembro foi servido, aproveitando-se o que sobrou da noite de natal. Tinha muitos quilos de pernil. A costela do Rafael foi toda devorada, não sobrou nada. Um fato interessante aconteceu na noite anterior e passou quase desapercebido. Rafael, que é membro do Grupo Neus, estuda ufologia há muito tempo, mas naquela noite ele levou um susto quando olhou para cima. Uma formação em forma de anel estava circulando mesmo sobre sua cabeça. O Al Crux foi chamado para desvendar aquele mistério. Trocando idéias com a Gracinha, chegaram a conclusão que a estranha formação tratava-se de ‘apenas’ fumaça.

A fumaça fica girando em torno de si mesma em um anel, o que gera diferenças de pressão internas garantindo coesão. Mesmo sem entender física, qualquer pessoa que tenha visto anéis de fumaça produzidos por fumantes pode notar que eles podem se manter no ar por muito mais tempo do que se esperaria de ‘simples’ fumaça. São os chamados anéis de vórtice.

Alguns pegaram estrada mais cedo, outros preferiram ficar mais um pouco para bater papo com a turma.

Mendes contou-nos que em São Paulo, na sua cidade, Dois Córregos, em 2005 houve avistamentos. Foi até noticiado pela revista Ufo. Foi num local denominado Morro do Querosene, local de constante incidência ufológica.

A turma da Bahia informou ao pessoal que lá estava aparecendo ufos durante a semana.

A Ufobahia estudando cidades perdidas, localizaram o famoso documento 512 de Biblioteca Nacional. “Há anos vem tentando romper as barreiras que guardam a cidade encantada, uma grande cidade, onde reluziam as ponteiras dos templos, com ruas repletas de edificações suntuosas, abrindo-se em praças e protegida por muralhas portentosas, onde as junções das pedras, de algumas toneladas de peso, eram perfeitamente encaixadas.”

Mas isso será assunto para outra história.

Vamos partir para a Festa de Ano Novo conforme sugeriu a Anna!

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